(foto de Cléber Mendes)
Explico minha visão: as goleadas escondem as falhas da equipe. Quando se ganha de banho, ninguém vê defeitos, é tudo perfeito. Então, vem o jogo seguinte e a derrota inesperada. Por quê? Ora, porque ninguém se preocupou em corrigir o que estava errado. Melhor: nem se sabia que havia algo errado. A goleada faz sombra aos erros, e assim o time não melhora. É por isso que eu digo, ou melhor, escrevo: o melhor é vencer pelo placar mínimo. Analisando o VT do jogo do Maracanã, podemos enxergar vários defeitos na performance tricolor. E isso se deve à vitória magra, ao triunfo esquelético.
O gol do Fluminense saiu logo aos dois minutos de jogo, em chute indefensável de Maurício. Amigos, vocês viram a curva que a bola descreveu? Foi surreal, repito, surreal! Quando a bola saiu dos pés de Maurício, observei de mim para mim mesmo: que cruzamento horroroso! E então acontece o momento sublime: a pelota estufa a rede do Maracanã. Não é a primeira obra de arte nesse estilo produzida por Maurício: ano passado ele também fez um gol assim, contra o Flamengo. Esse estilo de gol é incomparável: tem a assinatura do menino Maurício. O chute venenoso lembra a antiga folha-seca de Didi. Que honra para o garoto: tão jovem, e seus chutes já são comparados aos do eterno Príncipe Etíope de Rancho.
Com o placar construído de forma tão precoce, a equipe pó-de-arroz pôde produzir seu futebol com tranqüilidade. Eram perigosíssimas as triangulações de Thiago Neves, Fred e Maicon. Apareceu então o primeiro defeito: é necessário melhorar as finalizações. O Fluminense perdeu gols aos borbotões, e isso não pode acontecer. Hoje, as oportunidades perdidas não fizeram falta. Mas, no futuro, poderão fazer.
Outra falha que eu observo, cá do meu cantinho, é o cansaço dos jogadores no final do jogo. O preparo físico é essencial para a prática do futebol moderno. Um time não pode perder as pernas aos 30 do segundo tempo, como aconteceu com o Fluminense. Quase, quase, quase sofremos o gol de empate, o que seria um desastre.
Percebi ainda outros erros da equipe de Carlos Alberto Parreira. Por exemplo: a ausência quase total de jogadas de linha de fundo. Porém, não vou ficar aqui listando os pontos fracos do Fluminense. O pé-de-uva certamente os observou por si próprio, e tentará corrigi-los.
A nota negativa da tarde fica para a desastrosa arbitragem do brasiliense Sandro Meira Ricci. O São Paulo de Muricy Ramalho distribuía pontapés, e seus jogadores não eram punidos. O segundo gol do Fluminense foi muito mal anulado, e ainda houve um pênalti não-marcado para o Tricolor na segunda etapa. Geladeira nele, autoridades!
Que o Fluminense continue vencendo seus adversários por 1 a 0. Mais umas trinta vitórias magras como a de hoje, e seremos tricampeões, confirmando a minha certeza profética. Antes que eu me esqueça, o personagem do domingo foi Maurício. Sua folha-seca moderna enganou o arqueiro Bosco, e nos deu a doce, santa e magra vitória. Devemos a ele o triunfo esquelético de hoje.
PC