domingo, 15 de fevereiro de 2009

O felino de São Januário

Amigos, a ressurreição do Tricolor está concretizada: estamos classificados às semifinais da Taça Guanabara. O torcedor pó-de-arroz sofreu demais durante a campanha. Pelas esquinas da cidade, só se ouvia a piada cruel: "o Fluminense é o único grande de fora". A torcida do Vasco nos humilhou no clássico, jogando o grito de "eliminados" nas nossas caras. Eu mesmo havia desistido, há uma semana. Porém, aconteceu o incrível milagre da classificação. Conforme escrevi aqui na quinta, um pó-de-arroz nunca deve jogar a toalha.

Mais importante que o fato da classificação é que nós nos classificamos em primeiro lugar. Dessa forma, não poderão nos jogar na cara que a vaga foi obtida nos tribunais. Amigos, essa é a verdade eterna: não precisamos do tapetão, não fomos beneficiados por tribunal nenhum. Nossa classificação foi obtida em campo, dentro das quatro linhas.

E, na minha condição de tricolor nato, hereditário e confesso, tenho o sentimento de que está se desenhando o campeão. O triunfo em São Januário (4 a 0 sobre o Tigres) mostrou um time com um élan e um ímpeto inexcedíveis. O Fluminense precisava golear para garantir a classificação, e foi isso que fez: goleou. Para assombro de todos, conseguiu uma classificação inimaginável. E ainda em primeiro lugar.

E qual foi o melhor lance da partida? Eu mesmo perguntei, e eu mesmo vos respondo: a incrível arrancada de um gato preto. Ainda no começo da peleja, o veloz felino cruzou toda a extensão do gramado de São Januário, exibindo um fôlego de dar inveja a muitos laterais. Ali, naquele momento inusitado, começou a se desenhar o triunfo tricolor. Os idiotas da objetividade vão buzinar no meu ouvido: "não teve nada a ver!". Mas eu reafirmo minha convicção: o simpático gato foi o principal responsável pela nossa santa vitória.

Após a aparição felina, o Fluminense passou a dominar a partida. Mas Roger, nosso camisa 9, mostrou que não está bem, e René Simões finalmente perdeu a paciência com ele. Pôs Everton Santos em seu lugar, e ele marcou os dois primeiros gols do Tricolor. Maicon e Thiago Neves completaram a goleada.

O personagem do domingo? Obviamente foi o felino de São Januário. A ele devemos a vitória e a classificação. Se o destino da Taça Guanabara for mesmo a Rua Álvaro Chaves, ao gato preto também deveremos a conquista.

PC

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A ressurreição do Tricolor

Amigos, escrevi aqui, na terça-feira, que o Fluminense estava eliminado da Taça Guanabara. Que erro imperdoável, o meu! Um pó-de-arroz nunca deve jogar a toalha, e hoje eu aprendi a valiosa lição.

O empate entre Duque de Caxias e Madureira ajudou, a incompetência dos dirigentes do Vasco também (o clube perdeu 6 pontos por escalar um jogador irregular). E eis que, com a inacreditável vitória na batalha de Campos, estamos de volta ao campeonato! Do caos à esperança, essa foi a trajetória do pó-de-arroz nesta gloriosa quinta-feira! Às vésperas do Carnaval, presenciamos a ressurreição do Tricolor!

E como transcorreu a batalha de Campos? O jogo entre Americano e Fluminense parecia mais um daqueles tantos que serão esquecidos numa estante empoeirada. Porém, nos últimos minutos, aconteceram os fatos que elevaram a peleja à condição de eterna. O placar marcava 1 a 0 para o Fluminense, gol de falta de Thiago Neves. Num lance na área do Fluminense, o goleiro Fernando Henrique dá um soco desnecessário num oponente já caído. O juiz faz o certo, e dá o pênalti para o Americano. Convertendo o pênalti, o bravo time de Campos empata, praticamente selando o destino tricolor na Taça Guanabara. O Fluminense, então, partiu desesperadamente para o ataque. Até o goleiro Fernando Henrique foi à frente. E então acontece o incrível milagre: FH sofre um pênalti! O futebol permitiu que o arqueiro tricolor consertasse o grave erro cometido minutos antes! O argentino Conca cobrou forte, no meio do gol: 2 a 1 para o Fluminense!

Já dizia o grande-mestre Nelson Rodrigues: "A verdade incontestável é que ninguém ganha da forma que ganhamos. As nossas vitórias são cardíacas, e nos levam da extrema falta de perspectiva, do máximo sofrimento, da crueldade, ao êxtase do épico, ao apoteótico, tudo juntinho quase sem fronteiras entre esses opostos."

E quem terá sido o meu personagem desta quinta-feira? Não pode ser outro, ora: o arqueiro tricolor Fernando Henrique. Por ter ido de vilão a herói em cinco minutos, o goleiro merece ter seu nome elevado ao ilustre posto.

E a Taça Guanabara de 2009 volta a sorrir, com a possibilidade de envelhecer na Rua Álvaro Chaves...

PC

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Episódio triste no futebol brasileiro

Amigos, nessa semana não comentarei o melancólico 0 a 0 do clássico entre Fluminense e Vasco. Não que o jogo não mereça comentários. Apesar do placar virgem, foi uma partida recheada de alternativas, e que teve uma consequência importante para a Taça Guanabara: a eliminação do meu pó-de-arroz. Apenas deixo o jogo de lado porque tive contato com um episódio triste que preciso denunciar. Nossos poucos leitores provavelmente já sabem que casos como esse que contarei ocorrem aos montes no Brasil. Porém, me sinto na obrigação de narrá-lo.

Minha história começa no final da década de 90. Eu tinha quatorze, quinze anos. E, como todo jovem nessa idade deveria fazer, jogava bastante futebol. Com meus amigos de colégio, o bate-bola acontecia religiosamente, na sagrada hora do recreio. Um dia, dois rapazes pediram para jogar com a gente. Eu os conhecia de vista, pois eram da turma da minha irmã. Portanto, três anos mais novos que eu e meus amigos. Nós deixamos os dois, que chamarei de João e José, brincarem com a gente. Todos sabem que a diferença física entre um menino de 15 anos e um menino de 12 anos é considerável. Com isso, João e José provavelmente seriam coadjuvantes na nossa pelada. Porém, amigos, o que se viu não foi isso. João e José jogaram de igual para igual com os meninos três anos mais velhos. Com muita habilidade, anularam a gritante diferença física. Tanto que jogaram os meses seguintes conosco, e não raro eram os primeiros a serem escolhidos para o time. Me lembro de ter aconselhado os dois a tentarem a vida no futebol profissional. Tinham muito talento para isso. Eu acho que João não seguiu meus conselhos. Tricolor fanático como eu, de vez em quando o vejo nas arquibancadas do Maracanã, com o brilho nos olhos característico dos tricolores apaixonados. Já José, eu fiquei sabendo que estava jogando nas categorias de base de um clube em Minas Gerais (salvo engano, era o América Mineiro).

Nesta segunda-feira, encontrei José, em um restaurante na nossa terra-natal, Nova Friburgo. Relembramos os velhos tempos, no papo que originou esse texto. Pela primeira vez, ele me contou detalhes de sua aventura no mundo do futebol. "Tentei vaga em vários times. Todos me diziam que eu era bom, mas que não haveria vaga para mim. Só em Minas me deram chance, mas logo fui mandado de volta para casa. E sempre que eu voltava pra cá era aquela frustração, aquela tristeza, sabe?". José continuou seu relato. "O pior aconteceu no Fluminense. Os caras vieram me buscar aqui em Friburgo, pois tinham ouvido falar de mim. Fui cheio de esperança, né, afinal eles tinham vindo me buscar. Cheguei lá, joguei bem, o técnico me falou que eu era excelente". Agora, amigos, vem o choque de realidade. Leiam o que José ouviu da boca do funcionário do Fluminense: "Aqui o empresário X paga 10 contos pra gente manter o esquema dele, os jogadores dele, sabe qual é? Se você puder...". José continuou: "PC, eu não tinha condições de bancar minha permanência lá, né? Depois disso, desisti do futebol. Sem proteção, é impossível seguir em frente". Retruquei: "Mesmo com todo o seu talento?". José respondeu: "Mesmo com todo o talento do mundo!".

José, hoje com 21 anos, trabalha no restaurante do pai, em Nova Friburgo. Não tenho dúvidas de que poderia estar brilhando em estádios do Brasil e do mundo. Com a camisa tricolor, ou com qualquer outra.

PC

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Derrota em Xerém

Amigos, o que se viu ontem em Xerém, no novíssimo Estádio De Los Larios, foi uma vergonhosa derrota tricolor. Uma sucessão de erros no segundo tempo permitiu uma virada inimaginável no placar.

O Fluminense terminou o primeiro tempo vencendo por 2 a 0, com dois gols do desajeitado centroavante Roger. O técnico pó-de-arroz René Simões achou que a partida estava decidida. Com o campo pesado, preferiu sacar Conca e Leandro Bonfim, provavelmente pensando no clássico de domingo contra o Vasco. No penúltimo jogo, reclamei aqui que ele havia escalado o time incorretamente, e por isso tinha acertado nas substituições. Ontem, ele escalou errado, e substituiu errado também.

Explico a minha visão: Tartá, Alan e Maicon não podem ser reservas de Leandro Amaral e Roger. Simplesmente não podem. Os dois últimos são lentos demais para a função de atacantes. Precisamos de avantes rápidos, que não tenham medo de errar. Portanto, continuo defendendo que René escale os garotos de início. Dessa forma, para mim a escalação estava - de novo - errada.

O problema principal é que, ontem, René errou também nas substituições. As entradas de Tartá e Maicon foram obviamente corretas. Mas tirar Conca e Leandro Bonfim, os dois juntos, foi um equívoco grave. Ficamos sem armação no meio-campo. Sem poder de criação, o Tricolor ficou refém do esforçado time do Duque de Caxias. O primeiro gol da reação caxiense era questão de tempo.

Porém, nosso goleiro Fernando Henrique não precisava ter acelerado o processo. O arqueiro cometeu um pênalti desnecessário, e facilitou a vida do adversário. E depois veio o gol de empate, e depois o gol da virada. Ano passado, no Maracanã, foi o Duque de Caxias que fez 2 a 0 e terminou perdendo por 3 a 2 para o Fluminense. Esse ano, veio a cruel vingança caxiense, na mesma moeda.

Que a derrota de ontem seja a moldura para o triunfo de domingo, contra o Vasco. É o único jeito de salvar a Taça Guanabara.

PC

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Football



Domingo, primeiro de fevereiro, nove e alguma coisa da noite, não havia nada para ver na TV. E não era nem TV aberta! Não agüentava mais acompanhar as mesas-redondas discutindo cada detalhe dos jogos do campeonato paulista, idolatrando o Lenny por seus três gols contra a Macaca, ou lamentando a derrota do São Paulo para o Ramalhão e o festival de bolas na trave santistas na derrota para o time da Cidade do Exagero. Também não estava passando nenhum filme que eu não tinha visto pelo menos umas cem vezes. Passeando pelos canais mais novos no pacote lá de casa, deparei-me com nada mais nada menos que o maior evento esportivo da terra do Tio Sam: o Superbowl!

Sem nada mais para ver, resolvi dar uma chance ao futebol americano, afinal a população da maior potência mundial não pode estar tão errada assim (até pode, mas vamos em frente). Alguns amigos já haviam explicado como é a pontuação e a dinâmica do jogo, então lá fui eu tentar entender o que se passava. Em resumo, o que sabia era que cada time tem quatro tentativas para avançar dez jardas; feito isso, recomeça a contagem para mais dez jardas, até chegar à endzone do adversário, marcando um touchdown (6 pontos). Conseguindo isso, o time ganha também a possibilidade de chutar ao gol, para ganhar mais um ponto. Caso não seja possível chegar na endzone, o time com a posse da bola pode arriscar um chute de longe, que se acertado vale 3 pontos. Durante o jogo, fica um monte de gente se agarrando, uns para impedir o quarterback de lançar, e outros protegendo o lançador desses uns. O quarterback tenta passar a bola para alguém que vai avançar as jardas ou lançar para alguém que já avançou e espera a bola longa. Bem simplificadamente é isso aí. E com essa visão de leigo é que acompanhei o jogo e que escrevo aqui.

(Parêntese: discordo completamente do nome do jogo: football. Primeiro porque só usam os pés para repor a bola em jogo ou para marcar as menores pontuações. Segundo porque aquilo com o que jogam não deveria ser classificado como bola).

Quando comecei a assistir, o jogo já estava 10 a 0 para o Pittsburg Steelers (!!!). Sim, placar normal, acertaram um chute de longe (field goal), depois um touchdown + chute bônus. Aí então o pessoal do Arizona Cardinals resolveu acordar para o jogo, marcando 7 pontos. E começaram a gostar do jogo! Recuperaram a posse de bola e, num piscar de olhos, estavam na marca de duas jardas, mais do que prontos para marcar mais um touchdown e levar o jogo para o intervalo com o placar a seu favor em 14 a 10. Mas então, aconteceu a jogada mais espetacular desse Superbowl. Aliás, pelo que logo descobri, a jogada mais espetacular da história dos Superbowls! Warner, quarterback do Arizona tenta o lançamento para seu companheiro que já estava na endzone adversária, mas a bola é interceptada por Harrison, que parte para a corrida em direção ao extremo oposto do campo. E, em uma magnífica corrida de 100 jardas, o jogador do Pittsburg marca o mais incrível touchdown que já vi (claro, foi a primeira vez que assisti a um jogo desses). E pelo visto, foi o mais incrível de todos os tempos. O cara correu tanto que precisou de um balão de oxigênio para continuar na partida. Intervalo então com 17 a 7 para o favorito Pittsburg.

(Outro parêntese: li no Lance! outro dia que grande parte dos espectadores acha mais interessantes as propagandas que passam no intervalo do que o próprio jogo. Algo na casa de 40%. Impressionante! Pena que esses comerciais não passaram aqui no Brasil).

Segundo tempo começa, e vários eventos levam o placar a Steelers 20 x 14 Cardinals. Estes começaram a pressionar e o jogo ficou eletrizante. Encurralados em sua própria endzone, os Steelers cometem uma falta que dá dois pontos e mais a posse de bola para o adversário: 20 a 16. (Mais um parêntese: muito difícil distinguir o que é falta do que não é. Pelo que entendi, depois de alguns instantes confabulando com meu irmão, é que falta ocorre quando um jogador derruba outro sem a bola. Mas ainda não faço idéia). E numa sequência extremamente rápida, lançamento de Warner para Fitzgerald, que acabava de se tornar o recordista em jardas avançadas e touchdowns em uma pós-temporada, e mais 7 pontos para o Arizona. 23 a 20 a pouco mais de dois minutos para o fim da peleja. Então apareceu a genialidade do quarterback do Pittsburg.

A cerca de 30 segundos do fim da partida, Ben Roethlisberger, ou simplesmente Big Ben, tira de sua cartola um lançamento primoroso para o MVP do Superbowl, Santonio Holmes, que segura a bola lá no terceiro andar e consegue tocar com a ponta dos pés no gramado adversário antes de cair fora do campo. Touchdown! Jogo emocionante! Uma virada como essa a menos de um minuto do fim! Os narradores da ESPN estavam em êxtase! Sobra muito pouco tempo e o time do Arizona não consegue virar novamente o placar. Final: Steelers 27 x 23 Cardinals. Festa para o primeiro hexacampeão da história da NFL.

No final das contas, curti bastante o tal do Superbowl. Principalmente porque esse foi um dos mais empolgantes da história. E olha que eu nem tinha apostado nesse jogo! (Fico só imaginando quanto estaria pagando a vitória do Pittsburg quando perdia por 23 a 20...). Mas nada supera o bom e velho futebol, este sim com bola e pé.

rafs

PS.: estou lutando muito com o meu editor de texto para poder escrever segundo as novas regras de ortografia, mas é bem possível que muita coisa ainda escape. Por isso, peço desculpas aos nossos sete leitores.

Retrospectiva 2008 - Final(mente)

Já estamos iniciando o segundo mês do ano corrente e eu ainda estou em dívida com os assuntos do ano passado. Escrevo, então, a última parte da Retrospectiva 2008, ainda falando sobre Pequim. Também pretendia escrever alguma coisa sobre futebol, mas o assunto foi bastante discutido em diversos post ao longo dos últimos 365 dias.

Para encerrar com chave de ouro, escrevo sobre as dez mais belas musas que ornamentaram as Olimpíadas de Pequim em 2008. A ordem aqui não importa muito, já que todas são magnificamente belas.

10º lugar: Amanda Beard, da natação americana. Ficou famosa por protestar contra o uso de peles de animais. “Fique confortável em sua própria pele”... e que pele!!



9º lugar: Francesca Piccinini, da seleção italiana de vôlei. Sua equipe não fez muita coisa na competição, mas ela bate um bolão!



8º lugar: Lauren Jackson, do basquete australiano. Bate um bolão também na quadra: medalha de prata nos Jogos.



7º lugar: Alexandra Orlando, da ginástica rítmica canadense. Não faço ideia de como ela se saiu nos Jogos Olímpicos, mas isso não interessa nem um pouco.



6º lugar: Elena Dementieva, tenista russa. Medalha de ouro em Pequim. A foto já diz o resto.



5º lugar: Natalie Coughlin, mais uma da natação americana. Várias medalhas para ela, entre elas o ouro nos 100 metros costas. Mas o brilho mais belo é o dos seus olhos...



4º lugar: Ana Paula, do vôlei de praia brasileiro. A maior musa do esporte nacional, entrou às pressas nos Jogos, mas não conseguiu voltar com medalha. Mas alguém se importa com esse pequeno detalhe?



3º lugar: Hope Solo, goleira do time americano de futebol. Nos fez sofrer com a vitória sobre a nossa seleção na disputa pelo ouro. Mas o que importa aqui é a beleza, então, bronze para ela!



2º lugar: Stephanie Rice, da natação australiana. Linda, várias medalhas, inclusive a de prata nesta lista.



1º lugar: Não podia ser outra: a musa maior dos Jogos Olímpicos, pulverizadora de recordes mundiais, a russa do salto com vara Yelena Isinbayeva. Só a beleza desta beldade já garantiria o pódio, mas o seu ritual de cochichar alguma coisa para sua vara (sem duplo sentido, por favor), e sua comemoração após a quebra de mais um recorde merecem a nossa medalha de ouro.



Cabe aqui também uma medalha de honra ao mérito: a deusa da natação brasileira, Mariana Brochado infelizmente resolveu se aposentar. Pena...



E assim (finalmente) encerro o ano de 2008.

E feliz 2009!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Personagem do sábado - Luiz Antônio

Amigos, chego em casa do Maracanã, após a vitória de 3 a 0 do Fluminense sobre o Resende, e já me ligam perguntando quem terá sido o personagem do jogo. "Foi o Tartá", vocifera um grande amigo. "Entrou para mudar o jogo!". Ele tem toda a razão: o Tricolor deve a vitória ao Tartá, que mais uma vez jogou muito bem. Já outro exige que seja René Simões, o técnico pó-de-arroz. "Ele acertou nas substituições!". Verdade, acertou. Porém, acertar nas substituições significa errar na escalação. As entradas de Tartá e Maicon foram acertadíssimas, sim. Mas René teria muito mais mérito se os tivesse escalado como titulares. Caro treinador do mais amado do Brasil: errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Se o menino Tartá não começar jogando contra o Duque de Caxias, me sentirei na obrigação de questionar o seu trabalho. Uma amiga me escreve dizendo que o personagem do sábado foi ela mesma. Argumenta que não foi aos primeiros jogos, e que seu pé quente foi o responsável pelo triunfo de hoje. Pode ser, mas isso não a eleva à categoria de personagem da partida. "Então quem é o ilustre?", perguntam vocês.

O meu ilustre personagem se chama Luiz Antônio. Nome completo, para não deixar dúvidas: Luiz Antônio Silva dos Santos. Foi só recomeçar o futebol tupiniquim, e já apareceu de novo o juiz-ladrão. Amigos, o que esse soprador de apito fez no primeiro tempo foi inacreditável. A primeira trapalhada foi em lance do atacante Roger, camisa 9 tricolor. Ele chegou à bola antes de zagueiro e goleiro, e foi claramente derrubado dentro da área. E o juiz deu escanteio. Ah, Luiz Antônio...

Porém, a chance de Luiz Antônio se redimir do erro veio logo em seguida. O zagueiro tricolor Edcarlos cabeceia, e um jogador do Resende corta a bola com a mão. Pênalti? Não para o Luiz Antônio. A jogada segue, e o volante tricolor Fabinho faz uma falta que passaria despercebida, se o Luiz Antônio não tivesse expulsado o camisa 8 pó-de-arroz. Sim, após deixar de marcar dois pênaltis clamorosos a favor do Fluminense, ele ainda expulsou injustamente um dos onze tricolores. Tudo isso em apenas quarenta e cinco minutos.

Abre parêntese para uma observação. Juízes são seres humanos, passíveis de errar, como eu e você erramos de vez em quando. O que me estranha nesses jogos do Campeonato Carioca é que os erros são repetidos, e sempre contra o mesmo time durante um jogo. Juízes normais erram para os dois lados. Os do Carioca, não. Na primeira rodada, o Friburguense foi prejudicado diante do Flamengo. Escandalosamente prejudicado, diga-se de passagem. Na segunda rodada, o mesmo Flamengo teve dois pênaltis inexistentes assinalados a seu favor, contra o Bangu. Já no primeiro tempo de Fluminense x Resende, o senhor Luiz Antônio parecia estar em uma cruzada contra o Fluminense e a favor do Resende... Fecha parêntese.

A torcida tricolor presente no Maracanã, então, se fez ouvir. Gritos unânimes de "ladrão", "vai morrer" e "Márcio Braga deu dinheiro pra você" ecoaram no Maior do Mundo. Luiz Antônio, ilustre personagem do sábado, teve que pedir escolta policial para descer aos vestiários. As ameaças da torcida tricolor fizeram efeito na mente de Luiz Antônio. Parecia até outro juiz o do segundo tempo! Aos 20 minutos, Bruno Leite, do Resende, fez falta dura no tricolor Jailton. Lance para cartão amarelo. E não é que Luiz Antônio tentou compensar seus erros do primeiro tempo, expulsando o pobre coitado do Bruno Leite?

Dez contra dez, pesou a maior experiência do Fluminense, além das já citadas substituições de René. Com gols de Luiz Alberto, Maicon e Leandro Bonfim, veio a primeira vitória do Fluminense. Que fique bem claro: a vitória veio, apesar da arbitragem ridícula do Luiz Antônio. Dois gritos dominaram a saída do Maracanã. O primeiro deles, de "ladrão", direcionado ao meu personagem do sábado. O segundo deles, eu explico no último parágrafo.

Antes disso, preciso deixar bem claro que as arbitragens tendenciosas dessa primeira semana me levam a começar a acreditar que o campeonato está sendo manipulado para que o Flamengo se sagre campeão. Aguardemos mais um pouco antes de acusações formais. Mas não posso negar que minha mente de apostador está exigindo que eu aposte alto no tri rubro-negro. E infelizmente isso não se deve a méritos em campo.

Agora, sim, posso explicar o segundo grito que dominou a saída dos torcedores do Fluminense do Estádio Mário Filho. "Thiago vai voltar!". Sim, amigos, o melhor camisa 10 dos últimos tempos vestirá novamente tricolor. Thiago Neves vem aí, e o bicho vai pegar! Se cuidem, adversários!

PC

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Empate insosso

Amigos, foi um jogo horrendo. Com menos fôlego que a Cabofriense, o Madureira não soube se aproveitar da falta de preparo físico do Fluminense. O tricolor suburbano preferiu garantir o empate a tentar a vitória. E assim empatou mesmo.

Meu Fluminense poderia ter vencido, apesar do cansaço evidente. Porém, os atacantes não souberam aproveitar as chances criadas. Roger, nosso novo camisa 9, até fez boas jogadas, mas não parece ter faro de gol. Enquanto isso, nosso ex-centroavante vai estufando redes paulistas...

Que decepção ver um empate. Já dizia o profeta que o empate nada mais é que a derrota dupla. Pior ainda é o empate sem gols: o zero-a-zero deixa a impressão de que o jogo terminou sem ter começado. Dá vontade de pedir meus quinze reais da meia-entrada de volta.

Nas arquibancadas, o ora endeusado técnico René Simões já é bastante criticado. A torcida tricolor está mesmo decepcionada, mas talvez seja cedo demais para vaias e críticas. Vale o puxão de orelha: René, o Tartá não pode ficar no banco. Ele ainda não é um craque, mas muda o jogo quando entra.

Que o empate de ontem tenha sido a moldura para a vitória de sábado. Se o Resende não for derrotado no Maracanã, a Taça Guanabara já terá ido para o brejo. Aguardemos.

PC

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A invenção do fair-play


Estive no Correão, em Cabo Frio, onde presenciei a derrota do Fluminense para a equipe local, na primeira rodada do Campeonato Carioca de 2009. Poderia escrever um texto sobre o jogo, mas este não merece mais que uma linha. A Cabofriense ganhou porque está mais bem preparada fisicamente. Estão treinando desde dezembro, enquanto os jogadores tricolores começaram sua preparação há quinze dias. Isso justifica os 3 a 1.

Vou falar de algo mais interessante: um relato precioso sobre um episódio da história do futebol, que foi enviado pelo Minoru, um dos sete leitores fiéis deste escriba. Trata-se da invenção do fair-play, o famoso "jogo limpo" pregado pela FIFA e pelos apreciadores do bom futebol ao redor do mundo. O jogo limpo foi inventado no Brasil, amigos! Melhor que isso: no Maracanã.

Transcorria um disputado Fluminense x Botafogo, pelo Torneio Rio-São Paulo, em 27 de março de 1960. Alguns dos maiores ídolos da história tricolor estavam em campo: Castilho, Pinheiro, Altair, Waldo e Telê, entre outros. O pó-de-arroz acabaria sendo o campeão do torneio. No lado do Botafogo, estava Garrincha, e somente isso já justificaria a presença dos 32.653 pagantes daquele jogo. Os dribles do Mané arrebatavam de emoção as multidões. Até os torcedores adversários se rendiam em aplausos.

Porém, nesse clássico-vovô de 1960, foi uma atitude louvável do Anjo das Pernas Tortas que chamou a atenção de todos. No início do segundo tempo, Pinheiro (do Fluminense) disputou uma bola com Quarentinha (do Botafogo), e caiu com distensão muscular. A bola sobrou limpa para Garrincha, que tinha o caminho livre para o gol. O que fez Garrincha, nesse momento sublime? Chutou a bola, de forma proposital, para a lateral, para que o zagueiro tricolor fosse atendido. O jornalista Mário Filho, nas tribunas, se empolgou: "é o Gandhi do futebol", exclamou ele.

O lance já teria sido belo e eterno se parasse por aqui. Porém, houve uma continuação épica, que mudaria para sempre o destino do futebol mundial. O tricolor Altair, encarregado da cobrança do lateral, simplesmente deixou a bola quicar. Ele percebeu que aquela posse de bola pertencia ao Botafogo, e não ao Fluminense. Assim, com esse gesto nobre, fez justiça com as próprias mãos. Todos no estádio entenderam a mensagem, e aplaudiram o lance.

Dessa forma, Garrincha e Altair inventaram o fair-play. O jogo terminou 2 a 2. "Tal partida não merecia produzir um perdedor", diz Ruy Castro, em seu livro 'Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha'.

PC

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

2009 - o ano do tri

Amigos, estava escrito desde 40 minutos antes do nada: 2009 é o ano do nosso tri!

Explico minha visão: em 1970, Carlos Alberto Parreira era nosso preparador físico, e nós conquistamos nosso primeiro caneco nacional. Em 1984, com Parreira de técnico, veio o bi. Em 2009, o pé-de-uva está de volta, agora no cargo de consultor da Traffic, agindo como ponte entre a empresa e o Fluminense. E o óbvio ululante é que nós conquistaremos o tricampeonato.

Vale lembrar que, em 1999, na Série C, Parreira reapareceu, do alto da sua posição de campeão mundial, para nos conduzir de volta à elite.

O Tricolor estava apenas esperando o retorno triunfal do pé-de-uva, para novamente gritar "é campeão". Podem me cobrar no fim do ano: o pó-de-arroz será tricampeão.

PC

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Fluminense x Bangu de 1985

Amigos, ao Bangu bastava o empate. Ao Tricolor, somente interessava a vitória. Este era o panorama da finalíssima do Campeonato Carioca de 1985. 88172 pagantes se espremiam nas arquibancadas, cadeiras e gerais do Estádio Mario Filho, naquela noite de dezoito de dezembro de 1985.

O alvi-rubro comandado pelo técnico Moisés havia perdido, meses antes, a final do Campeonato Brasileiro, para o Coritiba, nos pênaltis. Era, portanto, um dos melhores times do país. Infelizmente, a decadência bangüense fez com que as equipes atuais não sejam nem sombra daquela da década de 80. O principal destaque do Bangu era o ponta-direita Marinho. Dono de um futebol moleque, cheio de dribles e com muita visão de jogo e espírito criativo, o camisa 7 desmontava qualquer esquema tático adversário.

E o que dizer do Pó-de-arroz? O Fluminense tentava o seu terceiro tricampeonato. Em 1919, Bacchi trouxe o primeiro tri, decidindo o Fla-Flu no campo do Flamengo, na Rua Paissandu. Em 1938, o Tricolor somou mais pontos que o Flamengo de Leônidas da Silva, e veio o segundo tri. Em 1983 e 1984, os dois gols de Assis nos Fla-Flu's decisivos abriram o caminho para o terceiro tri. Faltava apenas a vitória sobre o Bangu.

O Flu de Nelsinho começou escalado com Paulo Victor; Beto, Vica, Ricardo e Renato; Jandir, Renê e Delei; Romerito, Washington e Tato. Os desfalques de Aldo, Branco e Assis davam ainda mais dramaticidade ao desafio do Flu. Na reserva, havia Paulinho. O camisa 16, que tinha o apoio da torcida pó-de-arroz, já declarara que sairia do Flu no ano seguinte, porque queria ser titular.

O Bangu do técnico Moisés, por sua vez, estava completo: Gilmar; Perivaldo, Jair, Oliveira e Baby; Israel, Airton e Mário; Marinho, Fernando Macaé e Ado. O alvi-rubro tinha que aproveitar a vantagem do empate, para acabar de vez com a história de que nadava, nadava e morria na praia.

O árbitro José Roberto Wright deu início à batalha, e aos quatro minutos aconteceu um duro golpe para o Fluminense. Em falta pela direita, Perivaldo cruzou na medida e Marinho acertou a cabeçada certeira: 1 a 0 Bangu. O Tricolor, que antes precisava de um gol, agora precisaria de dois. Para piorar as coisas no quadro pó-de-arroz, Tato sentiu lesão, e precisou ser substituído ainda no primeiro tempo. Paulinho, o camisa 16 festejado pelas arquibancadas, entrou em seu lugar.

No início do segundo tempo, o Bangu assustava com seus contra-ataques, puxados pelo talento de Marinho. Mas o arqueiro tricolor Paulo Victor saía bem do gol, e evitava os gols bangüenses. O Flu continuava atacando, empurrado pelos gritos de "Nense" que vinham das arquibancadas. Num lance duvidoso, um zagueiro do Bangu cortou um chute do tricolor Renê com o braço. O juiz Wright não deu o pênalti, para desespero de Romerito, que levou cartão amarelo por reclamação. A torcida invocava o Papa João Paulo II, já começando a ficar desesperada. "A bênção, João de Deus..." Deu certo, porque veio o gol de empate. Paulinho achou Romerito no meio da área, e o paraguaio mandou pras redes, aos 18 minutos do segundo tempo. Com o empate, faltava apenas um gol para o tri do Fluminense. Mas a meia-hora seguinte seria dramática...

A torcida tricolor continuava a incentivar, mas o embate estava difícil. Os gritos de "Nense" não pareciam suficientes para derrotar o Bangu de Castor de Andrade. "A bênção, João de Deus...", Washington chuta, mas Gilmar defende! O técnico Nelsinho e o médico Arnaldo Santiago rezavam no banco tricolor. Das arquibancadas vinha o constante "Nense, Nense, Nense"! E o ataque pela direita acaba na trave! Dividida pelo alto na entrada na área, e falta de Jair em Washington. Pronto, ali estava a grande chance do tri! 31 do segundo tempo, Paulinho na bola. "A bênção, João de Deus...". Esse é o momento da foto que ilustra este texto.



A trajetória da bola foi perfeita: o destino foi o ângulo direito de Gilmar, que nem se mexeu. Nem adiantaria se mexer, aquele chute era indefensável. Foi o gol do tri! O terceiro tri! Foi de Paulinho, o herói que veio do banco, justo ele que sairia do clube por estar insatisfeito na reserva!



No fim, Cláudio Adão, que entrara no Bangu, com uma folhinha de arruda sobre a orelha, invadiu a área e caiu. Os bangüenses cercaram José Roberto Wright, esquecendo-se que ele já não marcara um pênalti para o Flu. Não houve alternativa: o juiz teve que encerrar o jogo. Explosão de alegria nas arquibancadas, gerais e cadeiras!

Essa foi a história de como o Fluminense se sagrou, pela terceira vez, tricampeão estadual. O personagem do jogo? Poderia destacar todos os tricolores, do goleiro ao ponta-esquerda. Mas é claro que o grande nome foi Paulinho. Do banco para a glória, esta foi a trajetória de Paulinho no Fluminense x Bangu de 1985.

Saudações Tricolores!
PC

Matéria do Globo Esporte:


Os melhores momentos do segundo tempo, incluindo os dois gols do Fluminense e os dois lances polêmicos:

domingo, 4 de janeiro de 2009

O estádio das Laranjeiras

Amigos, feliz ano novo! Que 2009 seja um ótimo ano para vocês, caros leitores! Meu primeiro texto do ano se refere a futebol, Fluminense, Seleção Brasileira e história. Se esses assuntos chamam a sua atenção, siga em frente, por favor.

A primeira notícia impactante do ano, para nós tricolores, tem um lado bom e um lado ruim. Parece que o presidente do clube, senhor Roberto Horcades, finalmente enxergou que o futebol profissional precisa de estrutura. Assim sendo, tomou a sábia decisão de transferir os treinamentos do Fluminense para o CT de Xerém. O recente sucesso do São Paulo FC, dono do melhor centro de treinamento entre os grandes clubes brasileiros, mostra que "estrutura" é a palavra-chave para quem quiser ser bem sucedido no futebol de hoje. E estrutura é coisa que a aristocrática sede das Laranjeiras não tem como fornecer. Portanto, nesse aspecto, o presidente merece aplausos, pois tomou uma decisão corretíssima.

Porém, a boa notícia traz junto de si um anúncio desagradável. O plano de Horcades é demolir o estádio das Laranjeiras, construindo no lugar uma área de lazer e estacionamento. Concordo que a área pode ser bastante útil para esses fins. Porém, sou obrigado a defender a história do futebol brasileiro. Aquele estádio, amigos, foi o primeiro do Brasil. Foi ali que a hoje consagrada Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título - o Sul-Americano de 1919. Esse exemplo de pioneirismo do Fluminense não pode ser simplesmente demolido, dando lugar a "uma área de lazer e estacionamento". Na minha humilde opinião, o estádio ficaria lá. Com uma boa reforma (ela é necessária, conforme mostram as recentes fotos que ilustram esse post), ele poderia inclusive sediar jogos de menor importância e treinos recreativos dos profissionais.

OK, talvez não valha a pena manter o estádio. Talvez seja caro demais. Nesse caso, por que não construir no local o Museu do Fluminense? Esta é a humilde sugestão deste tricolor nato, confesso e hereditário. O que eu não consigo aceitar é a destruição de parte da história para a mera construção de uma área de lazer e estacionamento.

PC