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terça-feira, 2 de junho de 2020

Por que definimos as estações do ano de maneira errada?


O ano da Terra tem quatro estações - inverno, primavera, verão e outono - cada uma com duração aproximada de três meses. Aprendemos na escola que elas começam, respectivamente, no solstício de inverno, no equinócio de primavera, no solstício de verão e no equinócio de outono. Mas será que essa definição das estações está mesmo certa?

O inverno, segundo o Google: está mesmo certo?

Segundo a definição tradicional, o inverno se inicia no solstício de inverno e termina no equinócio de primavera - este ano, assim, o inverno do hemisfério sul será entre 20 de junho e 22 de setembro. Porém, a observação da natureza pode nos fazer questionar essa definição. Qualquer pessoa que viva suficientemente ao sul da Linha do Equador sabe que as primeiras semanas de setembro já não são mais tão frias, ao contrário das primeiras semanas de junho, que já são razoavelmente frias. Algo parece errado, não? Intuitivamente, o inverno parece começar (e terminar) antes das datas definidas. E é isso que acontece mesmo.

Os solstícios são os dois extremos do ano na Terra. No solstício de verão, temos o dia mais longo e a noite mais curta do ano. Nos seis meses seguintes, os dias vão ficando progressivamente mais curtos e as noites progressivamente mais longas. Esse processo termina no solstício de inverno, quando temos o dia mais curto e a noite mais longa do ano. Nos seis meses seguintes, a tendência se inverte, os dias vão ficando progressivamente mais longos e as noites progressivamente mais curtas. Então chega o solstício de verão e tudo recomeça.

Ora, se os solstícios são os extremos desse ciclo anual da Terra, eles não deveriam marcar o início das respectivas estações, mas sim o meio delas. Na vida real, o solstício de inverno não é o começo do inverno, mas sim o pico da estação, que na verdade já havia começado um mês e meio antes. Da mesma maneira, o equinócio de primavera não é o começo real da primavera, mas sim o auge da estação. O mesmo vale, obviamente, para o solstício de verão e o equinócio de outono.

É por isso que, no hemisfério sul, no início de junho já está frio. Não é que o inverno esteja chegando - ele já chegou, tendo começado por volta do dia 7 de maio. O auge da estação fria será, como explicado, o solstício (20 de junho), e o final, por volta do dia 6 de agosto. Os primeiros dias de setembro, aqueles que geralmente não são tão frios, já não são mais inverno, mas sim primavera.

Seguindo no raciocínio, concluímos que, na prática, no hemisfério sul, a primavera começa por volta de 6 de agosto, o verão começa por volta de 6 de novembro e o outono começa por volta de 7 de fevereiro. Estas deveriam ser as datas de transição das estações, em vez dos solstícios e equinócios (que deveriam representar o auge delas).

Por que definimos as estações do ano de maneira errada? Não sei responder a essa pergunta. Talvez a razão seja cultural - os solstícios, por exemplo, são muito próximos a duas datas festivas das religiões cristãs, o Natal (25 de dezembro) e o Dia de São João (24 de junho). Talvez o motivo seja a facilidade da determinação dos dias de solstícios e equinócios - cálculos que civilizações antigas comprovadamente já conseguiam realizar.

Vale ressalvar que esta observação sobre as estações não é uma invenção da minha cabeça. O próprio "horário de verão", quando era adotado no Brasil, começava a vigorar semanas antes do solstício, coerentemente com o verão real. Em alguns idiomas, os solstícios também são chamados de "meio-verão" e "meio-inverno" - termos coerentes com a minha tese. Uma das peças mais famosas de William Shakespeare se passa no solstício de verão e se chama, no original em inglês, "A Midsummer Night's Dream" - título que deveria ter sido traduzido como "Sonho de uma Noite de Solstício", em vez de "Sonho de uma Noite de Verão".

Se, nesses dias que antecedem ao solstício, alguém reclamar do "frio de outono" com o leitor, explique que na verdade já estamos no inverno e que precisamos corrigir nosso calendário. Ou então somente lhe indique o texto deste humilde escriba.

PCFilho

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Como é definida a data do Carnaval?


Todo ano alguém me pergunta: como se calcula a data do Carnaval? Como todos sabemos, a data do Carnaval é variável ano a ano. Porém, não é uma escolha aleatória: a definição é precisa, dependendo de fenômenos astronômicos previsíveis.

No ano 325, no Concílio de Niceia, a Igreja Católica definiu a forma de cálculo das datas de Carnaval e Páscoa, que são dependentes entre si, sendo sempre separadas pelo mesmo intervalo de tempo (precisamente 47 dias: os 40 dias da Quaresma, entre a terça-feira de Carnaval e o domingo de Ramos; e os 7 dias da Semana Santa, entre o domingo de Ramos e o domingo de Páscoa).

O ponto de partida do cálculo das datas é o equinócio de primavera do hemisfério norte (equinócio de outono do hemisfério sul). O equinócio é a data em que dia e noite possuem a mesma duração, marcando a transição das estações (do inverno para a primavera, ou do verão para o outono). O equinócio do primeiro semestre sempre ocorre no dia 20 ou no dia 21 de março (já escrevi detalhes sobre o equinócio aqui).

A Páscoa é simplesmente definida como o domingo seguinte à primeira lua cheia após o equinócio. Em 2018, o equinócio será no dia 20 de março, e a primeira lua cheia após o equinócio será no sábado, dia 31 de março. Assim, o domingo de Páscoa está determinado como o dia 1º de abril (não é mentira!). E a terça-feira de Carnaval ocorre precisamente 47 dias antes da Páscoa: em 2018, será o dia 13 de fevereiro.

Os domingos de Páscoa sempre caem entre os dias 22 de março e 25 de abril. Desde 1753, caiu duas vezes em 22 de março (nos anos 1761 e 1818, com a próxima vez em 2285) e duas vezes em 25 de abril (nos anos 1886 e 1943, com a próxima vez em 2038). As terças-feiras de Carnaval, naturalmente, caem entre 3 de fevereiro e 9 de março.

Portanto, é isso: a terça-feira de Carnaval é a data que vem 47 dias antes do primeiro domingo após a primeira lua cheia depois do equinócio.

PCFilho

quinta-feira, 20 de março de 2014

Equinócio de Outono - curiosidades

Iluminação da Terra pelo Sol no momento do equinócio.

Amigos, hoje é um dia especial: o Equinócio de Outono, marcando a transição do verão para o outono aqui no Hemisfério Sul da Terra (e do inverno para a primavera lá no Hemisfério Norte, obviamente). O Equinócio de Primavera ocorre geralmente em 23 de setembro. Nos Equinócios, a Terra se situa em pontos onde os raios solares incidem perpendicularmente à Linha do Equador. Por isso, os Equinócios são os únicos dias do ano em que dia e noite têm exatamente a mesma duração (12 horas). O termo "Equinócio" vem do latim, significando "noites iguais".

Em 2003 e 2007, o Equinócio de Outono ocorreu em 21 de março. Nos outros anos deste século, foi no dia 20 de março. Esta variação ocorre porque o período entre dois Equinócios de Outono não dura exatamente um ano, mas sim pouco menos que 365 dias e 6 horas (razão pela qual precisamos corrigir o calendário de 4 em 4 anos, acrescentando o dia 29 de fevereiro nos anos bissextos).

Outra curiosidade, que surpreende algumas pessoas: os dois Equinócios são os únicos dias do ano em que o Sol de fato nasce exatamente no Leste e se põe exatamente no Oeste.

O blog Jornalheiros também é cultura. Bom Equinócio de Outono aos leitores. :-)

PCFilho