quinta-feira, 12 de março de 2009

Vitória de Peso

O jogo de ontem entre Flamengo e Duque de Caxias foi uma moleza. A maior parte do tempo a bola esteve rolando apenas em metade do campo. Aliás, metade da metade, já que apenas o Flamengo atacava, e o fazia somente pelo lado direito. Isso mostra que o esquema do Mestre Cuca ainda não funcionou como o esperado. Mas a vitória de ontem foi uma grande vitória. Uma vitória de peso, eu diria.

Enfim, depois de várias partidas, o Flamengo conquistou um resultado atuando de forma convincente! Léo Moura vai se mostrando mais adaptado à sua nova função no meio, e foi o destaque na partida de ontem. E por falar no meio de campo, este setor do time rubro-negro esteve quase perfeito defensivamente. Durante praticamente todo o jogo, não deu a menor chance ao time da Baixada, que sequer ameaçou o gol do time da Gávea. Aírton (que não sei se é terceiro zagueiro ou cabeça-de-área) e Willians desarmavam quase todas as jogadas e o Ibson comandava muito bem a ligação entre a defesa e a armação das jogadas. Sempre pelo lado direito.

Cerca de vinte minutos, Ibson sofre falta na entrada da área, mais para o lado direito (lógico). Bruno sai de sua meta, sob olhares desconfiados da torcida, depois das declarações dirigidas ao Andrade. Em tempo: o que ele fez foi lamentável, quase um pecado capital, ofender de tal forma um dos responsáveis por tornar o Flamengo tão grande como é hoje. Mas lá foi o nosso arqueiro, posicionando-se para bater. Juan, com o peso das más atuações sobre os ombros, também preparava-se para efetuar a cobrança. Então o goleiro diz para o lateral: "Bate você, porque ele está achando que sou eu quem vou bater!". De fato, o goleiro adversário posicionou-se esperando um chute por cima da barreira. Então o Juan foi lá e bateu no outro canto. Inapelável. Meio gol para cada.

Quando o segundo tempo se aproximava, entram em cena os garçons rubro-negros. Léo Moura dá um passe espetacular para o Zé-da-Gávea, que assistia ao jogo do lado esquerdo e foi para o lado direito assistir Josiel que, com o gol aberto, tentou chutar em cima do goleiro, mas acabou mesmo fazendo o gol. Mais um que sentia o peso da cobrança. Outro peso que se destacou no ataque rubro-negro foi o do Obina. Barrado pela balança? Estranho como engordou em três dias...

Segundo tempo, e os garçons novamente mostraram entrosamento: de Léo para Zé, de volta pra Léo, gol do ex-lateral. Pouco depois, mais um de falta, dessa vez uma linda cobrança do destaque da partida. Aí acabou o jogo. Cuca resolveu testar Paulo Sérgio, mas este ainda parece sentir o peso dos jogos. A certa altura, com mais um ataque desperdiçado, meu irmão e eu falamos, em uníssono: "Bota o Maxi!". E, quando o argentino já se preparava para entrar, Ibson foi expulso, com um segundo cartão amarelo tão infantil quanto o primeiro. Obviamente Cuca refugou e o primo do Messi voltou para o banco.

Com um a menos, o Flamengo se permitiu levar dois gols. Sim, pois em momento algum, eu repito, o Duque de Caxias ameaçou roubar-nos a vitória. Pênalti do nosso Capitão (parecido com o que ele mesmo sofreu contra o Botafogo ano passado e pelo qual ainda ouço choramingarem até hoje). Gol de Edivaldo. Bola perdida no meio-campo, contra-ataque, gol de Edivaldo. Artilheiro do Segundo tempo ao lado do Léo Moura. Mas nada que diminuísse a vitória de ontem.

Espero que os quatro gols sobre o companheiro do Vasco na Segundona tragam um pouco de paz à Gávea, já que a crise ataca de todos os lados: brigas nos treinos, salários atrasados, punições... Que tudo isso comece a ficar para trás!

E como falei em peso durante todo o texto, faltou falar de mais um: Ronaldinho. Com a camisa ainda bem apertada, marcou o gol da vitória do Timão sobre o Azulão. Imagine quando ele entrar em forma!



rafs

quarta-feira, 11 de março de 2009

A estreia de Parreira

Amigos, acabo de chegar do Maracanã e, como sempre, estou pensando em quem será o personagem do dia. O Fluminense venceu o Volta Redonda por 2 a 1, com gols de Thiago Neves e Conca, na estreia de Carlos Alberto Parreira. Não houve nenhuma atuação individual excepcional. Contudo, coletivamente o time tricolor melhorou muito: há mais colaboração, mais cooperação entre os jogadores. Já se sente a mão de Parreira na equipe. E é por isso que ele, Parreira, o tetracampeão, é o meu personagem da quarta-feira.

Escrever aqui a importância do pé-de-uva para o Fluminense é desnecessário, mas vou fazê-lo mesmo assim. Basta dizer que ele era o nosso treinador no último Campeonato Brasileiro que conquistamos, em 1984. Antes disso, em 1970, era o preparador físico do primeiro Campeonato Brasileiro pó-de-arroz. Em 1975, comandou a Máquina Tricolor na conquista do Campeonato Carioca. Mais recentemente, em 1999, ele veio nos resgatar no fundo do poço da terceira divisão. Pulei a Copa de 1994, em que ele foi importante para todos nós brasileiros, ao montar o timaço que trouxe dos Estados Unidos o tetracampeonato mundial.

Tenho um amigo que diz que todo torcedor pó-de-arroz deveria se benzer ao ouvir o nome do Parreira. Talvez ele tenha razão mesmo. Outro conhecido meu diz que ele deveria ter uma estátua em Álvaro Chaves, ao lado da do Castilho. Talvez ele também tenha razão. O retorno do pé-de-uva aumentou ainda mais a minha idolatria por ele. Explico: mesmo sabendo que é um ídolo pelo que já fez, ele tem a coragem de voltar e continuar trabalhando, para tentar fazer mais. Foi assim na Seleção, quando voltou em 2003; e é assim hoje, em Laranjeiras.

Há quem diga que o meu personagem não tem mais o fôlego de antigamente. A esses, eu respondo: tem sim. Tem não só o fôlego, mas também toda a experiência acumulada de uma carreira vitoriosíssima. Utilizando-a, já conseguiu mudar a postura do time, em três ou quatro míseros dias. E é utilizando toda essa experiência que ele nos levará aos campeonatos. A abarrotada sala de troféus de Álvaro Chaves clama por mais taças. E eu tenho certeza: com Parreira, elas virão.

PC

terça-feira, 10 de março de 2009

Recordar é viver - Fluminense 1, Bayern 0


Rio de Janeiro, 10 de junho de 1975.

Félix; Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Kléber; Cafuringa, Paulo Cézar Caju, Rivellino e Mário Sérgio. Com essa fantástica linha, o Fluminense entrou em campo no Maracanã, para delírio dos 60.137 torcedores presentes. Disse 60.137, mas errei e já me corrijo: esse era o número registrado nas roletas. O amistoso organizado por Francisco Horta atraiu uma multidão soberba, muito maior que o público previsto. Dessa forma, a única solução foi abrir os portões. Havia, portanto, 100.000, ou talvez mais, testemunhas para o amistoso internacional.

Sim, amigos, foi um mero amistoso. Como pode um amistoso atrair tanta gente para o Estádio Mário Filho? Era a estreia de Paulo Cézar Caju, o ponta da seleção, que o Fluminense acabara de repatriar do Olympique de Marseille. Mas não foi somente isso que levou a multidão ao Maracanã. Foi, sobretudo, o adversário do Fluminense: die Bayern, o gigante clube de Munique, o maior clube da Alemanha e, na época, o maior time da Europa. "Esse cronista tricolor está exagerando", observam os idiotas da objetividade. Porém, os fatos me apoiam: em 17/05/1974, na cidade de Bruxelas, o Bayern de Munique havia conquistado a Europa, ao derrotar por 4 a 0 o Atlético de Madrid na final da Copa Européia (que hoje chamamos de Liga dos Campeões). E, em 28/05/1975, na cidade de Paris, o Bayern havia conquistado novamente a Europa, ao vencer o Leeds United por 2 a 0.

Sim, amigos, o oponente do Fluminense era o atual bicampeão europeu. (Die Bayern ainda conquistaria o tricampeonato em 1976, batendo por 1 a 0 o Saint Étienne, em Glasgow, no dia 12/05). Vejam a constelação que envergava o uniforme de Munique: Maier; Durnberger, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Weiss; Roth, Tortensson e Rummenigge; Zobel, Müller e Kapellmann. Sabem por quê eu destaquei cinco nomes na escalação? Porque os cinco estavam no escrete alemão, que venceu a Copa do Mundo de 1974. Eram, portanto, além de bicampeões europeus, campeões mundiais. Sepp Maier era o melhor goleiro do mundo, Franz Beckenbauer era o melhor zagueiro do mundo, e Gerd Müller era o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Que timaço!

E como transcorreu a grandiosa batalha? Assim que entraram no gramado do Maior do Mundo, os times saudaram os torcedores e se cumprimentaram. O pontapé inicial revelou um desses jogos imortais. O Fluminense foi só pressão no começo, entusiasmando até mesmo quem não é pó-de-arroz. Aos sete minutos, Rivellino dá um "elástico" na entrada da área. O malicioso drible, inventado pelo próprio Riva, desnorteou toda a defesa alemã. Logo após, o craque da patada atômica deu um passe milimétrico para Kléber, que apareceu na cara do gol. Sepp Maier fechou o ângulo, e Kléber deslocou o goleiro. A bola, porém, não tinha como destino o gol. Acontece então o suave milagre: a pelota desvia na canela de Gerd Müller, e morre no fundo do gol. Gol contra do maior artilheiro da história das Copas. O placar do Maracanã anunciava, exaltando-se de felicidade: "Fluminense 1, Bayern 0". Era só o início da partida.

O jogo se seguiu assim: o Fluminense dava espetáculo, e o bicampeão europeu se defendia. Não foi só a grande partida do Tricolor: foi também o grande dia de Sepp Maier. O arqueiro alemão defendia tudo, até pensamento. A facilidade com que detinha os disparos brasileiros, sempre bem colocado, era de arrepiar. "Isto sim é que é goleiro", urravam as testemunhas da atuação épica, nas arquibancadas, gerais e cadeiras. Começa a segunda etapa, e o show de Maier continua, com defesas incríveis e seguras. Elas eram feitas com tamanha simplicidade, que irritavam os atacantes do Fluminense e deliciavam quem as assistia.

Os bicampeões europeus que estavam na linha apenas assistiam impotentes à exibição da Máquina Tricolor, comandada por Rivellino, Cafuringa e Mário Sérgio. Beckenbauer, Rummenigge, Müller, Kapellmann e os outros nada podiam fazer: era um show de bola dos astros de Laranjeiras. Apenas o arqueiro Maier conseguia deter o pó-de-arroz, com as espetaculares e milagrosas intervenções.

O placar magro não traduz o domínio colossal que o Fluminense exerceu durante os noventa minutos. O time que, duas semanas antes, conquistara o bicampeonato europeu foi atropelado pela Máquina Tricolor. Amigos, o Fluminense de 1975 não foi campeão brasileiro, não foi campeão da América, e não foi campeão intercontinental. Porém, a equipe não precisava de nenhum desses canecos. Eles eram pequenos e irrelevantes diante da magnitude daquele plantel. Era, simplesmente, o melhor time da face da Terra.

PC




Vídeo com os melhores momentos:


Ingresso de arquibancada do jogaço:

Observação: nesta partida, pela primeira vez na história do futebol brasileiro, um time colocou um patrocínio em seu uniforme. Nos calções e nas costas das camisas do Fluminense, estava estampado o logotipo do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). O MOBRAL era um projeto do governo brasileiro que propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos. O intuito do Fluminense foi o de arrecadar fundos para o programa do governo, que tinha sua manutenção ameaçada por falta de verba.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O doce e santo último minuto

Amigos, vitórias comuns caem no esquecimento. Vitórias cardíacas, como as nossas, ficam eternamente cravadas na memória do tricolor, na memória do adversário, e até mesmo na memória dos indiferentes. É isso que aconteceu com o triunfo do Fluminense sobre o Mesquita ontem, no Engenhão: se tornou um daqueles jogos inesquecíveis. Uma mera partida inaugural de Taça Rio, que tinha tudo para sumir numa velha estante empoeirada, acabou se tornando épica. O responsável pelo milagre foi o último minuto, o doce e santo último minuto.

Toda partida que se resolva no minuto derradeiro tem o seu lugar reservado na lista de jogos históricos. Vejam por exemplo o Palmeiras x Corinthians, também ontem, pelo Campeonato Paulista. Terminasse 1 a 0 Palmeiras, e o clássico seria esquecido daqui a dois dias. Mas o último minuto reservava o gol de Ronaldo, o histórico retorno do Fenômeno. O Corinthians empatou, e o Palmeiras não desempatou mais. Nunca mais! E, assim, o clássico paulista está lá, na galeria de jogos eternos.

E o que aconteceu no doce e santo último minuto do jogo do Fluminense no Engenhão? Tartá executou um cruzamento de folha seca, em que a bola descreveu uma trajetória espetacular. Thiago Neves, o craque da camisa 10, ajeitou de cabeça. A pelota sobrou limpa, e Everton Santos fuzilou para o gol. 1 a 0 Fluminense. O minuto derradeiro fez a torcida querida vibrar de emoção! Que golaço!

Era o terceiro jogo do pó-de-arroz no Estádio Olímpico João Havelange. Confesso que, durante o segundo tempo, já pensava, de mim para mim mesmo: "o Engenhão é a caveira do Fluminense". O primeiro jogo, na inauguração da arena, foi uma derrota para o Botafogo. O segundo jogo, ano passado, foi um empate que nos deixou na lanterna do Campeonato Brasileiro. Se não vencêssemos o Mesquita ontem, eu teria a certeza de que havia algo de errado com aquele campo. Porém, graças a Deus, lá estava o último minuto. O doce e santo último minuto!

PC

domingo, 8 de março de 2009

Ronaldinho na cabeça

Amigos, eu raramente vejo o Esporte Espetacular, já que domingo costumo acordar bem tarde. Mas hoje, quiseram os Deuses do Futebol que eu testemunhasse sua influência na vida de um rapaz que, pela terceira vez, ressurgiu das cinzas após superar mais uma provação imposta por eles.

Ligo a TV quando está começando o quadro Gol a Gol, na voz marcante de Léo Batista. O programa era um especial sobre Ronaldinho, um menino que começava sua carreira brilhando mais do que as estrelas que formam o Cruzeiro do Sul estampado no uniforme que vestia. Um menino que fez muitos gols no pouco tempo em que esteve jogando pelo time de Belo Horizonte, e que aos dezoito anos já era campeão mundial pela Seleção.



Um menino que, curiosamente, sempre disse que seu pior fundamento era a cabeçada.

O programa apresentou vários gols, pelo Brasileirão de 93, pelo Mineiro de 94 e pela Seleção. E o mais curioso era a quantidade de gols de cabeça. Ali foi feita a profecia: “E eis que ele se erguerá pela terceira vez, e marcará o seu retorno usando a cabeça”.

Mas os Deuses do Futebol são caprichosos, e prepararam um cenário recheado de drama e emoção, para que o momento ficasse realmente gravado na História do Futebol. Último minuto de um clássico contra o maior rival do seu time, quando estavam perdendo por um gol.



No exato momento em que a bola balançava as redes, ergui os olhos aos céus e perguntei por que eles haviam escolhido o Corinthians e não o Flamengo. “É o time de coração dele, é o meu time!” Mas a data de seu retorno triunfal já estava agendada, profetizada, e a única maneira de esse momento ocorrer com tamanho brilhantismo era se ele estivesse jogando pelo Timão.

Resignado, assisti à comemoração do Fenômeno e seus companheiros, o alambrado quebrando, mas ninguém se ferindo. Claro, os Deuses do Futebol não iam ferir ninguém. Era dia de festa, de alegria! Uma pontinha de mágoa apareceu e não pude segurar a piadinha: “Ele está tão gordo que quebrou o alambrado!”.

E assim se cumpriu a profecia que regia a vida desse menino, Ronaldo Fenômeno, Fênix, o Ronaldinho, o homem que marcou seu retorno exatamente usando o que era sua fraqueza.

Culinária Rubro-Negra

Enfim o Campeonato Carioca retomou suas atividades! Depois de duas semanas com o gosto amargo da derrota para o Resende, o Flamengo entrou em campo ontem para enfrentar a Cabofriense e saiu do Maraca com uma boa vitória. Parece que o nosso Mestre Cuca vai colocando ordem na cozinha rubro-negra; o três a um no time da Região dos Lagos baixou um pouco o fogo da panela de pressão da Gávea, mas é bom o nosso Chef ficar de olho também no forno, já que a sua batata continua assando...

O jogo teve vários temperos diferentes. Durante boa parte da peleja o Flamengo pressionou o time de Cabo Frio e foi logo presenteado com um gol: aos quinze minutos, o mais novo garçom flamengo serviu o estreante Douglas, que usou a cabeça para abrir o placar. Aliás, a presença do ex-lateral Léo Moura no meio-de-campo era o tempero que faltava para apimentar a criação do time vermelho-e-preto. Mas o expediente dele ainda não terminaria aí. Mais clientes esperavam para serem servidos.

O Rubro-Negro foi levando o jogo em banho-maria até o início do segundo tempo, quando o time da Cabofriense voltou com mais apetite. Numa jogada que vai se tornando especialidade da casa, o lateral Juan perdeu a bola no meio e parou, com as mãos nas cadeiras, deixando que os homens de verde chegassem ao empate. Gol de artilheiro com nome de galã de novela mexicana: Anselmo Ramon.

Antes que a chapa começasse a esquentar demais, o Mestre Cuca resolveu mudar os ingredientes, colocando Kléberson no lugar de Juan, que parece ainda não estar totalmente recuperado e vem jogando muito abaixo do esperado. E a alteração parece que surtiu efeito, pois logo o Flamengo retomou o domínio e o Zé, garçom camisa dez da Gávea serviu Ibson que, com um giro sensacional, tirou o zagueiro e incendiou a galera.

Mas novamente os rubro-negros foram deixando o jogo esfriar, e começaram a levar sufoco do adversário. Então, novas mudanças: Josiel, que estava muito sem sal no jogo foi sacado, junto com um cansado Ibson, e entraram Obina e Everton. O xodó da torcida foi ovacionando, como de praxe, e entrou com uma fome enorme, pois ainda não conseguiu tirar a barriga da miséria em 2009. Mas continuou sem sentir o sabor de colocar a bola nas redes, já que o último gol do jogo foi marcado justamente por Everton, que entrara junto com ele, servido, é claro, pelo Melhor Lateral Direito do Brasileirão, que nem é mais lateral.

Agora sim o novo esquema foi testado, e parece promissor, apesar de achar que o Ibson não deve jogar como armador e que o Zé Roberto não deva entrar como atacante. O Flamengo ainda não convenceu, mas pelo menos foi uma boa vitória. Espero que o time continue devorando todos os adversários, e que consiga matar a fome da torcida, que está louca para saborear um tri-campeonato.

rafs

sábado, 7 de março de 2009

Recado aos leitores

Amigos, hoje escreverei um pouquinho sobre vocês leitores, que são a razão da existência do blog. Eu e Rafael, os jornalheiros, começamos na quarta-feira a colher informações sobre as visitas recebidas, serviço prestado por uma empresa chamada Motigo. Queríamos saber informações básicas, tais como quantos leitores temos e em quais cidades eles moram. Nos surpreendemos positivamente, caros amigos! Nesses três dias de observação, já recebemos 66 visitantes diferentes, das mais diversas localidades do país.

A maior parte dos visitantes vem do estado do Rio de Janeiro, como era de se esperar, afinal nós somos daqui e escrevemos sobre os times daqui. Aparecem com destaque as cidades de Rio de Janeiro, Niterói e Nova Friburgo. Porém, sabemos que os clubes do Rio são na verdade nacionais. E isso é comprovado pelas nossas estatísticas: vejam só, temos leitores de Blumenau-SC, Curitiba-PR, Pouso Alegre-MG, Vitória-ES, São Luís-MA, Aracaju-SE, Brasília-DF e Goiânia-GO. Com praticamente nenhuma divulgação, achamos esse resultado extraordinário!

Gostamos tanto da sua atenção que queremos que você continue voltando aqui. Para atingir tal objetivo, vamos tentar melhorar o blog. Em breve, teremos novidades interessantes para vocês, tais como enquetes e vídeos. Mas não perderemos o foco: os textos serão o carro-forte do blog. Somos dois torcedores descontentes com a crônica esportiva nacional, e continuaremos escrevendo da nossa maneira, que acreditamos produzir textos melhores que os da imprensa.

Uma mudança será imediata: a partir de agora, todos os dias haverá um texto novo para você aqui! Aos sábados, domingos e segundas, haverá as crônicas pré- e pós-rodada do fim de semana. Na terça-feira, haverá o "Recordar é viver", minha coluna semanal sobre grandes jogos da história do futebol (no estilo da que escrevi sobre o Santos recentemente). Na quarta e na quinta, comentaremos a rodada do meio de semana. Na sexta-feira, haverá o "Futebol para escanteio", coluna do Rafael sobre outros esportes (no estilo da que ele escreveu sobre o Super Bowl).

Obrigado a todos vocês pela atenção de sempre. Continuem nos prestigiando, vocês não se arrependerão. Agradecemos em especial aos que estão sempre comentando os textos aqui (Bel, Jorginho, Massami, Minoru, Ramón e Zito, entre outros) e no orkut (Dé, Edras, Joana, Pri, Valeriano e tantos outros). Pedimos que continuem comentando, e que os outros passem a comentar também! Também gostaríamos de receber sugestões: o que vocês querem ver aqui? Se, além disso tudo, vocês divulgarem o blog para amigos, seremos ainda mais gratos!

Abraços a todos,
PC e RAFS.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sai René, entra Parreira

Amigos, apesar da vitória por 3 a 0 sobre o Nacional-PB, pela Copa do Brasil, o técnico René Simões foi demitido do Fluminense. Um amigo influente havia me avisado, na semana passada: "O René está com os dias contados". Eu, na minha ingenuidade, não quis acreditar que a diretoria tricolor agiria assim. Como os dirigentes têm memória curta, meu Deus! Há três meses, o bigodudo era endeusado em Álvaro Chaves. O que mais se ouvia em Laranjeiras era: "René nos salvou da catástrofe". Hoje, após uma simples perda de Taça Guanabara, ele é enforcado como um Tiradentes de Inconfidência Mineira.

Os dirigentes brasileiros não aprendem que o segredo do sucesso no futebol é a continuidade do trabalho. No primeiro sinal de insucesso, crucificam o treinador, como se ele fosse o culpado de todos os males. À exceção do São Paulo FC, todos os clubes grandes brasileiros são dirigidos de forma amadora. Não é coincidência que o SPFC seja o atual tricampeão nacional: é mera consequência do trabalho sério e profissional. Se o futebol brasileiro fosse o romance de Saramago, todos os clubes seriam acometidos pela epidemia de cegueira, à exceção do tricolor paulista, que seria a mulher do médico, única habitante imune à doença.

Com o elenco ainda em processo de montagem, como demonstra a chegada de Fred ontem, René é sacado do cargo de treinador. Isso para mim é um contra-senso. Explico: se o plantel ainda está em construção, a culpa dos insucessos não pode ser do técnico. Portanto, considero a demissão um erro grave, e um desrespeito aos serviços prestados pelo treinador. Mas, infelizmente, ela é um fato, de modo que precisamos pensar no substituto de René Simões.

Espero que seja mesmo o Carlos Alberto Parreira, que já tem ajudado o Fluminense através da parceria com a Traffic. O pé-de-uva estava em Álvaro Chaves em 1970 e 1984, de modo que sua chegada em 2009 só pode ser comemorada. Afinal, já escrevi aqui que, com Parreira, o tricampeonato nacional será nosso. Amém!

PC

quinta-feira, 5 de março de 2009

Só Ronaldinho salva


Amigos, que tristeza é voltar a acompanhar a Copa do Brasil depois de dois anos no Olimpo da Libertadores! Não quero desmerecer o segundo mais importante torneio nacional, mas, de fato, o nível é baixíssimo.

Flamengo e Ivinhema (quem?) abriram suas campanhas na edição de 2009 da competição e, sem dó de chutar cachorro morto, o Rubro-Negro goleou e avançou para a próxima fase, eliminando a necessidade de um segundo jogo. Estreia de uma nova maneira de jogar, mas a pelada de ontem não serve como teste para as mexidas do Mestre Cuca; pelo menos deu um pouco de ânimo ao elenco que vinha sofrendo com salários atrasados e com a derrota para o Resende.

Mas os holofotes e microfones (principalmente os microfones) estavam todos voltados para o retorno do Fenômeno aos gramados. Não importava se estava jogando pelo Corinthians e não pelo Flamengo. Não importavam as noitadas, que algumas vezes acabavam travestidas de confusão. Não importava nem se ele ia entrar em campo. Sua presença no banco de reservas já era a prova de que, mais uma vez, o Maior Artilheiro de Todas as Copas superava um duro golpe que a vida lhe aplicara.

Ele até entrou em campo, mas não ajudou em nada o seu time, que já estava classificado para a próxima fase. Quem se importou? Só mesmo os jogadores do Itumbiara, que foram eliminados. Até mesmo sua torcida queria mesmo era testemunhar a volta do craque.

O jogo até que prometia destoar das demais peladas Brasil a fora; o duelo entre o Todo-Poderoso Timão contra a Seleção Sub-40 de Goiás (plágio do “Pisando na Bola”, mas não pude resistir), liderada por Túlio Maravilha e Denílson tinha tudo para ser um grande embate. Mas depois de ver o Rei das Firulas pisando na bola, desisti. É só a volta do Ronaldinho e nada mais.

Em tempo: mesmo sem motivação direta para acompanhar a Libertadores, sempre é bom matar as saudades. Destaco a vitória do Sport, que entrou como a quarta força de seu grupo e agora é líder, com aproveitamento perfeito e ontem bateu o atual campeão do torneio; e a nova expulsão do atacante cruzeirense Kléber, que mantém a rotina joga-toma cartão vermelho-cumpre suspensão.

rafs

quarta-feira, 4 de março de 2009

Botafogo 0, Santos 4

Amigos, ontem dois eventos espetaculares dividiram a minha atenção. Nos Estados Unidos, Martin Luther King, o líder do movimento pelos direitos civis naquele país, fez um discurso comovente. Vejam o título do falatório: "Eu tenho um sonho". Um começo lírico ou, por outra, um começo épico! Após dirigir uma marcha pacífica do monumento a Washington até o Lincoln Memorial, ele proferiu o mais bonito discurso de todos os tempos. As senhoras presentes choravam tanto que as autoridades locais pensaram se tratar de uma enchente. Também os homens choraram, certamente. Eis o trecho que mais me comoveu: "Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranquilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus". Que belas palavras as desse homem!

No início eu escrevi que foram dois os fatos de ontem que me chamaram a atenção. O outro, evidentemente, foi a semifinal da Taça Libertadores de 1963. No Maracanã, Santos e Botafogo fizeram um desses jogos imortais. No quadro de General Severiano, jogaram Manga; Joel, Zé Carlos, Nílton Santos e Rildo; Aírton e Élton; Garrincha, Amoroso, Quarentinha e Zagallo. Já o quadro da Vila Belmiro foi a campo com Gilmar; Geraldino, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Amigos, vê-se que boa parte do escrete verde-amarelo bicampeão no Chile estava em campo.

O Santos é o campeão de tudo, da Taça Brasil, do Campeonato Paulista, do Rio-São Paulo, e da própria Taça Libertadores. Mas o Botafogo não fica atrás: o alvinegro carioca é um dos times mais assombrosos da face da Terra. Tanto que, mesmo sem o Mané, arrancou um empate em 1 a 1 no primeiro jogo da semifinal, em pleno Pacaembu. Vale lembrar que o Pacaembu tem sido o terror dos clubes cariocas. O Maracanã está lotado, e a torcida da estrela solitária deposita suas esperanças no retorno de Mané Garrincha.

Aos onze minutos, ocorre o primeiro lance magistral: Pelé recebe a bola na entrada da área, a espera quicar e, de primeira, encobre o goleiro Manga. O primeiro golaço do Rei anunciava uma atuação divina. Quatro minutos depois, a bola é alçada na área e o craque voa, no tempo certo, para desferir a cabeçada mortal: Santos 2 a 0, segundo de Pelé. Aos 33 do primeiro tempo, mais uma vez Nossa Majestade rompe a defesa botafoguense, e é derrubado pelo goleiro Manga: pênalti insofismável. O próprio Pelé converte a penalidade em gol. Em menos de quarenta minutos, o camisa 10 fez três gols. O melhor jogador do mundo em todos os tempos teve a sua melhor atuação. O futebol nunca viu nada tão assombroso, amigos. A própria torcida botafoguense, vítima do magnífico baile, aplaudia o Rei, se curvando à Majestade. Afinal, Pelé joga pelo Santos, mas é patrimônio do Brasil.

Lima fez o quarto gol santista, no segundo tempo, fechando o placar em 4 a 0. O Santos ainda encarará o argentino Boca Juniors, na final do torneio, mas não há dúvidas: será o grande bicampeão. Nada, repito, nada parará esse time com cara de seleção. Os idiotas da objetividade dirão que estou exagerando, que não se deve exaltar tanto assim a constelação do Santos. Dirão que o Botafogo não jogou bem. Eu contesto: o Botafogo viveu hoje um dos seus grandes momentos. O alvinegro carioca é o segundo melhor time de futebol do mundo. Só não consegue vencer o Santos, porque o Santos é invencível.

Os meus personagens de hoje só podem ser esses dois negros que, ontem, assombraram o mundo: Martin Luther King e Pelé, Pelé e Martin Luther King.

PC

(Crônica que eu, se já fosse vivo, talvez tivesse escrito em 29/08/1963, dia seguinte ao histórico discurso de Martin Luther King e à semifinal da Libertadores entre Botafogo e Santos.)

terça-feira, 3 de março de 2009

A grande contratação


Amigos, meu personagem de hoje ainda não entrou em campo em 2009. Mesmo assim, seu nome está no berro impresso de todas as manchetes: trata-se de Fred, a grande contratação do futebol brasileiro, a grande contratação do Fluminense.

O Tricolor sempre teve vocação para as grandes contratações. Escrevi "sempre", mas já me corrijo: desde 1946. No início desse ano histórico, o técnico pó-de-arroz Gentil Cardoso disse, com o olho rútilo e o lábio trêmulo: "Deem-me Ademir, e eu lhes darei o campeonato". Vejam só o que uma simples sentença pode fazer. Ao proferir estas palavras mágicas, com um ar de certeza profética, Gentil abalou os alicerces das outras equipes do Rio. O Fluminense contratou Ademir, o craque do Vasco e da Seleção. E o que aconteceu todos nós sabemos: a taça de 1946 envelhece feliz em Álvaro Chaves.

Trinta anos depois, em 1975, o Brasil tinha dois tipos de jogadores: havia Rivellino, camisa 10 do escrete e do Corinthians; e havia o resto. O presidente do Fluminense era Francisco Horta, famoso por gostar de trocar figurinhas. Horta usou a tática perfeita: seduziu a esposa do craque com as belezas do Rio de Janeiro. E assim Rivellino desembarcou em Laranjeiras. Foi a contratação mais cara da história do futebol mundial, na época. Em campo, Riva comandou a Máquina Tricolor, que conquistou um bicampeonato espetacular.

No início da década de 80, brilhou no Atlético Paranaense uma dupla infernal: Washington e Assis. Houve então uma correria desenfreada entre os grandes clubes do Brasil: quem contrataria a grande dupla? O Fluminense venceu o páreo, e o Casal 20 nos ajudou a conquistar o tricampeonato, e o segundo título brasileiro.

Hoje, quem chega é Fred. O centroavante tem a missão de repetir os sucessos de Ademir, Rivellino, Washington e Assis. O Fluminense de hoje precisa de um artilheiro: é a peça que falta para a nova Máquina engrenar. Se Fred ocupar esse posto e conquistar títulos, entrará na seleta galeria de ídolos da torcida tricolor. Seja bem vindo, matador!

PC

domingo, 1 de março de 2009

Botafogo na finalíssima

Quinze minutos antes de a decisão começar, um amigo alvinegro me telefona do Maracanã. Ele rosna, "PC, toda a torcida do Botafogo está aqui!". Imagino que, neste momento sublime, pendia uma baba elástica e bovina de sua boca. "O Estádio Mário Filho não estava lotado", observam os idiotas da objetividade. "E daí?", respondo eu. O que importa é que todos os alvinegros, vivos e mortos, estavam lá. Sim, os vivos e os mortos. Se fossem exumar Mané Garrincha, hoje, descobririam que seu corpo não estava lá debaixo da terra, pois também ele estava no Maior do Mundo. Ídolos vivos, como Maurício e Gonçalves, também estavam presentes.

O primeiro tempo foi marcado por muito equilíbrio. O único gol da etapa inicial foi do vigoroso atacante Reinaldo, do Botafogo, em uma jogada de sorte. Vejam vocês: o zagueiro do Resende tentou isolar a bola, e ela caprichosamente bateu em seu próprio companheiro, sobrando, limpa, para Reinaldo. Ele só empurrou a pelota para as redes.

Porém, foi o segundo tempo que elevou a partida final da Taça Guanabara à condição de eterna. O primeiro lance de perigo foi do Resende: uma linda cabeçada do artilheiro Bruno Meneghel, e uma ainda mais linda defesa do goleiro Renan. No escanteio que se seguiu, outra cabeçada perigosa, dessa vez para fora. Diz o famoso ditado do futebol, "quem não faz, leva". O centroavante Lucas Silva, do Botafogo, fez valer a máxima: se aproveitou de açucarado passe de Juninho, driblou o goleiro e fez 2 a 0. Justo ele, Lucas Silva, que já estava com a substituição programada. No seu último ato em campo, fez o gol mais importante do jogo, o gol mais importante de toda a Taça Guanabara.

Daí para a frente, o que se seguiu foi o desespero do time do Sul Fluminense. O técnico Roy abdicou de tática, e pôs todos os seus atacantes em campo, inclusive o veterano tetracampeão Viola. Ao Botafogo, coube apenas administrar o resultado conquistado. No finalzinho, outra trapalhada da defesa do Resende, e Maicosuel fechou o placar: 3 a 0.

Dessa forma, o clube da Estrela Solitária levantou a Taça Guanabara de 2009, e agora aguarda o vencedor da Taça Rio. Pelo quarto ano seguido, o Botafogo está na finalíssima do Campeonato Carioca.

PC