
Amigos, o Fluminense encerrou sua participação no Campeonato Brasileiro de 2011 com um melancólico empate contra o Botafogo, em Volta Redonda. Logo com quatro minutos de jogo, Diguinho cruzou e Fred fez 1 a 0. Depois disso, o onze tricolor teve uma atuação pavorosa, sendo facilmente dominado pelo adversário. Sofreu três gols do Botafogo, dois deles anulados pela arbitragem. Pela apatia demonstrada neste jogo derradeiro, o 1 a 1 ficou de bom tamanho.
O Fluminense termina 2011 sem vencer um clássico sequer (cinco empates e cinco derrotas nos dez jogos contra Botafogo, Flamengo e Vasco). Esta façanha às avessas não acontecia desde 1921, quando nem enfrentávamos o Vasco ainda, e o futebol ainda era um esporte amador no Brasil. Se o desempenho nos clássicos da cidade fosse razoavelmente melhor, poderíamos estar agora comemorando um bicampeonato brasileiro. É algo que precisa mudar: o Fluminense não pode encarar seus três eternos rivais como se estas partidas fossem mais importantes que as outras. "Não odeie os seus inimigos, o ódio atrapalha o raciocínio" - eis uma das lições mais inteligentes do Poderoso Chefão, de Mario Puzo.
Mas não foi só nos clássicos que o Fluminense perdeu o Campeonato Brasileiro de 2011. Mostrou-se falha a decisão de iniciar o certame sem um treinador experiente, com Enderson Moreira esquentando o banco para a chegada de Abel Braga. Já na estreia, o Tricolor sofreu a derrota por 2 a 0 para o São Paulo, jogando em casa: três pontos que fariam muita falta às nossas calculadoras no fim do ano.
Às vésperas da sétima rodada, o maior de todos os erros: o Tricolor anuncia a negociação de Darío Conca para o futebol chinês, por valor abaixo da multa rescisória estipulada em contrato. É muito difícil estimar em pontos o prejuízo causado pela venda do craque do Campeonato conquistado em 2010. O déficit nas contas do clube em 2011 me faz questionar: valeu a pena?
Na décima-oitava rodada, o clube permite a escalação do árbitro Marcelo de Lima Henrique para o clássico contra o Vasco. O juiz, já marcado por arbitragens tendenciosas contra o Fluminense, favorece o rival, ignorando um pênalti claro e assinalando um questionável. O jogo termina empatado: dois pontos a menos para o Fluminense. Para piorar, na penúltima rodada a escalação de Lima Henrique acontece novamente, ele é conivente com a violência excessiva dos vascaínos, e o Fluminense perde a partida.
Para a trigésima-primeira rodada, um jogo-chave contra o Atlético Mineiro no Engenhão, o centroavante titular Fred estava suspenso por três cartões amarelos. Seu reserva, Rafael Moura, foi suspenso dias antes da partida, por causa de um julgamento do STJD. O Fluminense decide não pedir o "efeito suspensivo" que permitiria colocá-lo em campo (pede o "efeito" apenas para o treinador Abel Braga, também suspenso). O departamento jurídico do Fluminense argumentou que um pedido de efeito suspensivo poderia aumentar a pena do atleta posteriormente. Jogando sem referência no ataque, o time vai mal e perde mais três pontos importantíssimos na briga pelo título. Semanas depois, Rafael Moura teve sua pena aumentada para dez jogos, demonstrando de uma vez por todas o erro grave que foi não pedir o "efeito suspensivo".
Com tantos tropeços durante o ano, convenhamos: a vaga na Copa Libertadores era mesmo o máximo que poderíamos esperar. Em 2012, amigos, vamos tratar da América: este grito está engasgado em nossas gargantas desde 2 de julho de 2008. Está na hora de soltá-lo.
PC