segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Fla-Flu de 1983


Amigos, a data é 11/12/1983. O estádio é o Maracanã. E o personagem é Assis.

Disputavam o triangular final do Campeonato Carioca Fluminense, Flamengo e Bangu. O Tricolor empatara com o Bangu no primeiro jogo, uma semana antes: 1 a 1. Uma vitória praticamente levaria o troféu para Álvaro Chaves. Um empate ou uma derrota deixariam a decisão do título para Flamengo e Bangu.

83.713 fanáticos escorriam pelas paredes do Estádio Mário Filho. Os vivos, os doentes e os mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. Porque Flamengo e Fluminense precisavam de número, e protagonizariam o maior espetáculo da Terra.

O zero a zero persistia teimosamente no placar, eliminando o pó-de-arroz. Tricolores já choravam nas arquibancadas. Alguns até já desciam as rampas. Até que, aos 45 minutos do segundo tempo, a bola sobrou com Delei no meio-de-campo, pelo lado direito. Ele executou o lançamento primoroso, e o tempo parou. Sim, amigos, o tempo parou. As 84 mil testemunhas, os 22 jogadores, o juiz Arnaldo César Coelho, os bandeirinhas e a bola, todos eles, pararam.

Quando o tempo voltou a transcorrer, Assis dominou a bola e partiu em direção aos arcos rubro-negros, defendidos por Raul Plasmann. Amigos, aquela era mais que a bola do jogo: era a bola de todo um campeonato! E o atacante tricolor soube aproveitá-la: um leve toque de canhota, rasteiro, e a pelota estufou o canto direito das redes flamengas. Era o gol do título! Explosão de alegria nas três cores que traduzem tradição! Festa tricolor no Maracanã!

E quem poderia ser o personagem do jogo, senão Assis? Benedito de Assis da Silva, atacante de recém-completados 31 anos, entrou, naquele instante mágico, para a vasta galeria de ídolos do Fluminense Football Club. Porém, todo o time, comandado por Carbone, merece ser lembrado: Paulo Victor; Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Delei, Leomir e Assis; Washington e Paulinho.

No jogo seguinte, o Flamengo venceu o Bangu, e a torcida tricolor pôde finalmente comemorar o título. Um ano depois, Assis novamente faria história no Fla-Flu. Mas isso é assunto para outro texto. Até lá!

PCFilho




2 comentários:

  1. Nossa, como essa bola passou entre o goleiro e o zagueiro é inacreditável. Um milímetro para qualquer um dos lados, e já era.
    Belo momento. Lembra até um pouco, bem de longe, um certo gol de barriga...

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  2. Texto republicado no "Observatório do Fluminense":
    http://www.observatoriodoflu.com.br/noticias/2015/12/o-fla-flu-de-1983-pc-filho-jornalheiros?platform=hootsuite

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