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domingo, 13 de setembro de 2009

Mais uma vez Rubinho


(foto tirada por Antonio Pizzonia: Rubinho comemora no podium)

Amigos, foi fantástico: a lendária Monza presenciou mais uma bela vitória brasileira. Jogamos nosso Hino Nacional na cara dos italianos: e como é gostoso ouvir os nossos acordes em terras estrangeiras! O responsável por isso é Rubinho. Mais uma vez Rubinho!

Há três semanas, eu fiz aqui o vaticínio: Rubens Barrichello voltaria a vencer, e entraria na briga pelo campeonato. Está cumprida a profecia, amigos! Está cumprida a profecia! O brasileiro está definitivamente na briga pelo campeonato.

Foi tudo bonito no segundo triunfo de Rubinho na arrancada rumo ao campeonato. A começar pela estratégia da sua equipe: a Brawn GP optou por apenas uma parada! Ousadia recompensada com a dobradinha, apesar do rendimento inferior ao de outros carros.

Mas não é só de estratégia que nascem as grandes vitórias. Não! Cada triunfo é obtido com sangue, suor e lágrimas. E Rubinho oferece tudo isso: seu sangue, seu suor e suas lágrimas. Isso se vê desde a sua primeira vitória, no já distante dia 30 de julho de 2000, em Hockenheim.

Naquele dia, Barrichello partiu da décima-oitava posição para o alto do podium, debaixo de muita chuva. Vocês se lembram da intensa dramaticidade daquele domingo? Eu me lembro como se fosse ontem. Foi a primeira lágrima de automobilismo que derramei depois do trágico primeiro de maio de 94.

E hoje, ao ouvir o Tema da Vitória na televisão, eu me lembrei novamente daquela vitória de Rubinho na Alemanha. E não só daquela vitória. Me vieram à memória os velhos triunfos de Ayrton Senna. Me lembrei especificamente de Suzuka 1991 e Interlagos 1993.

Lembrar-se de Senna agora é um bom sinal, é um ótimo sinal. Faltam quatro corridas na temporada, e Rubinho vai partir para o título. Jenson Button começa a sentir a pressão: Barrichello é mais experiente, muito mais experiente.

Nesse momento, peço que cada brasileiro esqueça as implicâncias passadas com Rubinho. A hora é de a nação se unir na torcida por Barrichello. O Brasil merece repetir a comemoração de um campeonato mundial de Fórmula 1.

Repito: a nação tupiniquim merece viver novamente a embriaguez coletiva da conquista de um campeonato mundial. E viverá. Eis o meu novo vaticínio: Rubinho será o campeão da Fórmula 1. Quem viver verá.

PC

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O triunfo de Rubinho

Amigos, o triunfo de Rubinho no Grande Prêmio da Europa não foi apenas mais uma vitória do piloto brasileiro.

O primeiro lugar foi a recompensa pela obstinação de Barrichello. No fim do ano passado, ninguém mais acreditava no Rubinho. Ninguém, ninguém! Eu, você, os críticos, os especialistas, todos, todos achávamos que havia chegado a hora da aposentadoria.

Quando Ross Brawn obteve a licença, faltando dias para a primeira corrida, logo convidou Rubinho, sabendo que sua extensa experiência seria útil ao novo time. As piadas continuaram, mesmo com os bons resultados da equipe na pré-temporada.

Começam as corridas, e Jenson Button, o companheiro de Barrichello, vence fácil um, dois, três, quatro, cinco, seis grandes prêmios. Só fácil não, muito fácil, uma facilidade impressionante. E aí então voltaram as críticas a Rubinho: "não nasceu para vencer", "é um derrotado".

Críticas muito injustas, que Barrichello é obrigado a aturar há tantos anos. Amigos, não se chega à marca de 278 grandes prêmios de Fórmula 1 sendo um perna-de-pau. Rubinho deveria ser motivo de orgulho para o povo brasileiro. Não tanto quanto Ayrton Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi, que foram melhores pilotos que ele. Mas ainda assim, motivo de orgulho. É um esportista que está há 16 anos competindo em alto nível, na principal categoria do automobilismo. Há pouquíssimos paralelos recentes de tanta longevidade em outros esportes. Assim, de cabeça, só me lembrei de Oscar Schmidt. Deve haver outros, mas asseguro que são poucos.

As últimas vinte voltas do Grande Prêmio da Espanha, no circuito de rua de Valência, foram uma verdadeira aula de automobilismo. Lewis Hamilton tinha o melhor carro, mas o piloto brasileiro conseguiu segurar a liderança. Agüentar vinte voltas de pressão é mais um feito na bonita carreira de Rubens Barrichello.

A diferença para Button é de 18 pontos, faltando seis corridas. A próxima parada do circo é na Bélgica, domingo. Foi lá, em Spa-Francorchamps, que Rubinho obteve sua primeira pole-position, em 1994. Bom sinal, bom sinal! Se obtiver mais uma vitória, o brasileiro entra de vez na disputa do campeonato. E eu aposto que é isso que vai acontecer. Está feita a profecia.

PC

domingo, 29 de março de 2009

Uma caixinha de surpresas


Há cinquenta e cinco anos uma equipe estreante não fazia uma dobradinha logo na sua primeira prova. Mas hoje, a “Fênix-Brawn GP” conseguiu o feito, com a vitória de Jenson Button e o segundo lugar de Rubens Barrichello. Como eu já tinha adiantado ontem, seria uma surpresa se isso não ocorresse, dada a superioridade da equipe inglesa. Mas tudo o que se passou entre a largada e a antepenúltima volta tornaram esse resultado surpreendente.


Os deuses da velocidade são como os deuses do futebol: eles também têm seus caprichos. Estava muito evidente o que iria acontecer, e isso não os interessava. Resolveram, então, apimentar as coisas. Assim que as luzes vermelhas se apagaram, eles seguraram o carro do Rubinho, fazendo com que ele fosse lá para o meio da confusão da primeira curva. Ele recebeu um toque na asa dianteira, que comprometeu seu desempenho até que ela fosse trocada durante o pit-stop. Com isso, o piloto brazuca resolveu encher o tanque e guardar suas forças para o final.


Enquanto isso, Jenson Button desenhava sua vitória de ponta a ponta. Não sofreu ameaças em momento algum. Sebastian Vettel o seguia a distância, mantendo a vice-liderança da prova, e a terceira posição passeava por vários pilotos. Entre eles, Felipe Massa, que teve atuação discretíssima e sequer completou a prova. O mesmo ocorreu com seu companheiro Kimi Raikkonen, que só não foi mais discreto porque beijou o muro. Quem também teve um encontro com a parede foi o japonês Nakajima, da Williams, equipe que foi, assim como a Ferrari, a grande decepção da corrida. Rosberg, que era um dos favoritos, mal chegou aos pontos.

Chegamos às voltas derradeiras. Com pneus macios, que têm um desempenho bem inferior aos mais duros, Vettel ia sustentando a segunda posição, enquanto Robert Kubica, que apareceu sabe-se lá de onde, com os pneus mais vantajosos, se aproximava A ultrapassagem seria inevitável. Mas os deuses da velocidade sabiam que a juventude (e de certa forma inexperiência) de ambos daria o toque desejado ao final da corrida. Literalmente.

O piloto polonês da BMW forçou a ultrapassagem, mas o piloto alemão da Red Bull resolveu não deixar barato. Mas a manobra acabou saindo cara demais para ambos, que se tocaram, rodaram, bateram, espalharam pedaços para todos os lados, e presentearam a Brawn com a tão esperada dobradinha.


Hamilton, no sapatinho, chegou em quarto, enquanto Trulli fez valer o difusor da sua Toyota e completou o pódio. Mas o italiano foi punido por uma ultrapassagem irregular e o atual campeão conseguiu a proeza de ficar em terceiro. Alonso conseguiu arrastar sua Renault aos pontos e Nelsinho Piquet, com problemas de freios foi parar na caixa de britas.

Um começo de temporada cheio de polêmicas, e também de emoções até o final. A pergunta que não quer calar é: “Até quando vai o domínio da Brawn?”. Eu digo: que seja eterno enquanto dure, pois essa equipe já nasceu fazendo História.

RESULTADO FINAL DO GRANDE PRÊMIO DA AUSTRÁLIA 2009:

1º - Jenson Button (ING) Brawn-Mercedes - 58 voltas em 1h34m15s784
2º - Rubens Barrichello (BRA) Brawn-Mercedes - a 0s807
3º - Lewis Hamilton (ING) McLaren-Mercedes - a 2s914
4º - Timo Glock (ALE) Toyota - a 4s435
5º - Fernando Alonso (ESP) Renault - a 4s879
6º - Nico Rosberg (ALE) Williams-Toyota - a 5s722
7º - Sebastien Buemi (SUI) Toro Rosso-Ferrari - a 6s004
8º - Sebastien Bourdais (FRA) Toro Rosso-Ferrari - a 6s298
9º - Adrian Sutil (ALE) Force India-Mercedes - a 6s335
10º - Nick Heidfeld (ALE) BMW Sauber - a 7s085
11º - Giancarlo Fisichella (ITA) Force India-Mercedes - a 7s374
12º - Jarno Trulli (ITA) Toyota - a 26s604 (punido com 25s)
13º - Mark Webber (AUS) Red Bull-Renault - a uma volta
14º - Sebastian Vettel (ALE) Red Bull-Ferrari - a duas voltas (acidente)
15º - Robert Kubica (POL) BMW Sauber - a três voltas (acidente)
16º - Kimi Raikkonen (FIN) Ferrari - a três voltas (mecânico)

Não completaram:

Felipe Massa (BRA) Ferrari - a 12 voltas (mecânico)
Nelsinho Piquet (BRA) Renault - a 32 voltas (saída de pista)
Kazuki Nakajima (JAP) Williams-Toyota - a 40 voltas (acidente)
Heikki Kovalainen (FIN) McLaren-Mercedes - a 57 voltas (acidente)

Volta mais rápida:
Nico Rosberg (ALE) Williams-Toyota - 1m27s706, na 48ª volta

Próxima etapa: GP da Malásia, dia 05/04.



EDIÇÃO: HAMILTON É DESCLASSIFICADO E TRULLI VOLTA AO TERCEIRO LUGAR.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Futebol para Escanteio: O Retorno de Barrica


E eis que do aquém do além, de onde não vem ninguém, surge quem? Ele, o piloto com o maior número de GP’s disputados na História da Fórmula 1, Rubens Barrichello.

Quem me conhece sabe que sou fã do Barrica, um dos poucos neste país. Considero-o um piloto injustiçado, e logo explicarei o porquê.

Primeiro brasileiro a pilotar em um cockpit da Ferrari, duas vezes vice-campeão do Mundial de Pilotos, ele era a escolha óbvia para uma equipe que não tem tempo a perder. A novíssima Brawn GP precisa de experiência, e, na atual Fórmula 1, não há ninguém mais experiente do que o Rubinho.

É claro que não vejo a hora de presenciar a volta de um Senna à F1. Ano passado acompanhei quase todas as corridas da GP2, e posso dizer: Bruno Senna tem futuro! Muito provavelmente ele estará disputando o campeonato de 2010, mas, repito, não é de um piloto promissor que a Brawn GP precisa neste momento. Além disso, como questionar a decisão de um cara como o Ross Brawn? Um dos maiores nomes da categoria em todos os tempos sem nunca ter sido piloto!

No início disse que o Barrichello é um piloto injustiçado. Sim, ele é. A maior parte dos brasileiros prefere fazer chacotas a torcer por ele. Tudo começou no primeiro dia de maio de mil novecentos e noventa e quatro, quando aconteceu a maior tragédia da história esportiva do Brasil, a morte do gênio Ayrton Senna da Silva. Nesse exato instante toda a responsabilidade de substituir o mito caiu sobre os ombros do jovem Rubens, que ainda dava suas primeiras voltas nos circuitos pelo mundo. E, apesar de ser um ótimo piloto, Barrichello não chega nem perto de Senna. Aliás, poucos chegam. Mas os brasileiros queriam tapar o vazio deixado pelo trágico acidente na curva Tamburello.

A cada corrida que passava, a cada resultado longe da vitória, a cada quebra, os brasileiros se voltavam contra ele, até que sua extrema competência foi reconhecida e ele assumiu uma vaga na Ferrari, ao lado de outro mito, Michael Schumacher. A chama da esperança reacendeu nos corações dos aficionados por velocidade, mas logo se apagou. Rubinho era praticamente proibido de vencer, em prol do primeiro piloto da equipe vermelha, mas a torcida verde-amarela não quis nem saber e derramou críticas e mais críticas sobre o piloto.

Então, quando tudo indicava que sua carreira seria encerrada sem as merecidas honras, quando já era considerado carta fora do baralho, ele retorna das cinzas, com força e ânimo renovados, pronto para ajudar a formar uma equipe que tem tudo para dar certo. Os resultados nos primeiros treinos são mais do que animadores. A Brawn vem se destacando em todos os dias, e o Rubinho anda sempre entre os mais rápidos.

Vamos lá, Barrica, em busca de novas glórias, como a sua primeira e mais genial vitória na F1. E vamos lá também, Senninha! Aguardamos ansiosamente suas vitórias já em 2010, para, novamente, vibrarmos com as conquistas de um Senna! Nelsinho, Felipe, sucesso em 2009 também!

Em tempo: nesta semana foi divulgada a mais nova alteração na F1 para a temporada 2009. Agora, o campeão sairá pelo número de vitórias. Vamos ver como isso afetará o resultado final da competição, pois é uma mudança bastante radical (12 títulos mundiais mudariam de mãos se fosse utilizada essa regra). Eu acho que a pontuação poderia ser alterada, aumentando a diferença entre os pontos do vencedor e do segundo colocado em cada prova (como sugeriram as equipes), mas toda mudança que busca favorecer aqueles que estão sempre atrás da vitória favorece também o espetáculo.

Para matar saudades: video de Galvão entrevistando Rubinho e Senna em 1990.



E também a primeira (e mais brilhante) vitória do Barrichello:



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