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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Efemérides tricolores - 3 de agosto


1919: foi inaugurado, na sede de Laranjeiras, o stand de tiro do Fluminense, com seis boxes, uma iniciativa pioneira no Brasil, idealizada pelo diretor de tiro esportivo Afrânio Antônio da Costa, com o apoio do presidente Arnaldo Guinle. Nos meses seguintes, neste stand, a equipe brasileira dos Jogos Olímpicos da Antuérpia realizaria seus treinamentos. Um ano depois, aqueles homens voltariam da Bélgica com as três primeiras medalhas olímpicas brasileiras.

1920: é ouro na Antuérpia! O tenente Guilherme Paraense, atleta do Fluminense, conquistou a primeira medalha de ouro da história do Brasil nos Jogos Olímpicos! Na prova de pistola rápida à distância de 30 metros, ele somou 274 pontos, contra 272 do norte-americano Raymond Bracken, que ficou com a medalha de prata, e 269 do suíço Fritz Zulauf, que ganhou a medalha de bronze. Exatamente um ano após a inauguração do stand de tiro do Fluminense, Guilherme Paraense se tornou o primeiro brasileiro campeão olímpico, demonstrando, na Bélgica, que os esforços tricolores valeram a pena!
A arma e a medalha de ouro de Guilherme Paraense.

1924: em partida válida pelo Campeonato Carioca, no Estádio de Laranjeiras, o Fluminense ganhou por 5 a 3 do Bangu, em grande atuação do centroavante Nilo Murtinho Braga, que marcou três gols. No primeiro tempo, após Nilo abrir o placar, Dininho empatou para o Bangu, e Nilo, Lagarto e Coelho ampliaram o placar para 4 a 1. Na segunda etapa, Nilo fez 5 a 1, e Dininho (de pênalti) e Antenor diminuíram para 5 a 3. O Fluminense conquistaria o título da competição, e Nilo seria o goleador máximo do certame.

1940: em partida válida pelo Campeonato Carioca e pelo Torneio Rio-São Paulo, no Estádio de Laranjeiras, o Fluminense venceu o Flamengo por 2 a 1. Os dois gols tricolores foram de Adílson, e o tento rubro-negro foi de Leônidas da Silva. Naquele ano, os clássicos estaduais valiam pelas duas competições: o Carioca e o Rio-São Paulo, que era retomado após a edição isolada de 1933. Infelizmente, o Rio-São Paulo deste ano só teria um turno completado, com os clubes paulistas abandonando a competição. Como Fluminense e Flamengo lideravam a competição no momento da interrupção, alguns historiadores consideram os clubes co-campeões, embora o título nunca tenha sido homologado.

1941: em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Carioca, em General Severiano, o Fluminense perdeu para o Botafogo por 3 a 2, em um dos poucos tropeços daquela extraordinária campanha tricolor. Os gols do Fluminense no jogo foram de Hércules e Adílson. O Fluminense terminaria campeão carioca com 22 vitórias em 28 jogos, e o melhor ataque da história da competição (106 gols-pró).

1947: em jogo do turno do Campeonato Carioca, em Conselheiro Galvão, o Fluminense venceu o Madureira por 4 a 3. Os gols tricolores foram de Ademir Menezes (2), Pascoal e Pinhegas.

1958: em partida válida pelo turno do Campeonato Carioca, no Estádio do Maracanã, o Fluminense ganhou por 1 a 0 do America, com um gol do centroavante Waldo, de bate-pronto, aos 22 minutos do primeiro tempo.

1960: em partida pelo turno do Campeonato Carioca, no Maracanã, o Fluminense goleou o Canto do Rio por 5 a 0. Os gols tricolores foram de Jair Francisco, Pinheiro (de pênalti), Paulinho Omena e Waldo (2).
Waldo marca o segundo dele, quinto do Fluminense, contra o Canto do Rio.

1975: perante 70.763 pagantes no Maracanã, pela última rodada do terceiro turno do Campeonato Carioca, o Fluminense perdeu para o Flamengo por 2 a 1 (Rodrigues Neto e Luisinho marcaram para o Fla, e Erivelto para o Flu). Com o resultado, o Flamengo se igualou ao Vasco, provocando a decisão do turno, quatro dias depois. O Vasco venceria, e disputaria o triangular final com Fluminense e Botafogo, campeões dos outros turnos. No triangular, a Máquina Tricolor se sagraria campeã estadual.

1986: o Fluminense realizou uma exibição heroica na decisão do Trofeo Ciudad de La Línea, no Estádio Municipal de La Línea de La Concepción, na Andalucía (sul da Espanha), contra o Real Madrid, então campeão da Copa da UEFA e da Liga Espanhola. Fluminense e Real Madrid faziam uma partida muito equilibrada, com o 0 a 0 persistindo no placar, apesar das boas chances criadas pelos dois times. Aos 21 minutos do 2º tempo, o árbitro espanhol Emilio Carlos Guruceta Muro perdeu a linha e expulsou exageradamente os tricolores Renê e Washington por reclamação. Os 12.000 espectadores presentes protestaram contra o árbitro, aos gritos de "fuera, fuera" (Guruceta era famoso na Espanha por ter beneficiado o Real Madrid em uma partida contra o Barcelona - razão pela qual ficara 15 anos sem apitar um jogo do clube catalão). Mesmo com nove homens contra onze (ou doze?), o Fluminense chegou a ter duas ótimas chances de marcar seu gol, e resistiu bravamente até os 45 minutos do 2º tempo. Porém, já nos acréscimos, o Real Madrid conseguiu assinalar dois gols (Hugo Sánchez e Michel), e assim conquistou o título daquele torneio. O time do Fluminense foi bastante aplaudido pelo público andaluz, que reconheceu o seu grande esforço pela vitória, mesmo com a injusta desvantagem numérica. Já o árbitro teve que deixar o gramado sob escolta policial...
(quem quiser ver o VT do jogo completo, clique aqui)

2014: em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, diante de 40.075 pessoas no Maracanã, o Fluminense ganhou por 2 a 0 do Goiás, gols de Cícero e David (contra).

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Aniversariantes do dia:

Gualter Freitas Xavier (1918), zagueiro do Fluminense entre os anos de 1946 e 1948. Totalizou 87 jogos pelo Fluminense, e foi campeão carioca em 1946. Jogou também por Bonsucesso, Canto do Rio e Bangu.

Antônio Reis (1927), ponta-direita que atuou 10 vezes pelo Fluminense na temporada de 1951.

Wagner Ferreira da Costa, o Mazola (1965), zagueiro com 3 gols marcados em 48 jogos pelo Fluminense no ano de 1992.

Igor Nascimento Soares (1979), zagueiro com 3 gols marcados em 53 jogos pelo Fluminense na temporada de 2005.

PCFilho

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa

Foto: Fluminense campeão brasileiro de 1970!

Ontem houve um encontro de presidentes de clubes brasileiros com Ricardo Teixeira, o mandatário da CBF. Em pauta, a "unificação dos títulos nacionais". Os clubes presentes - Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras e Santos - pedem que seus títulos nacionais, conquistados entre 1959 e 1970, sejam reconhecidos pela entidade (que hoje reconhece apenas os Campeonatos Brasileiros realizados a partir de 1971). Os campeonatos em questão são a Taça Brasil (disputada entre 1959 e 1968) e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (disputado entre 1967 e 1970).

A Taça Brasil foi criada em 1959, pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), como meio de indicar um campeão nacional, para a disputa da Copa Libertadores da América, que começaria a ser disputada em 1960. O Bahia sagrou-se campeão após 14 jogos. Na primeira fase, chamada de Zonal do Nordeste, eliminou o CSA e depois o Ceará. Posteriormente, venceu o Sport na final do Zonal Norte, classificando-se às semifinais. Nesta fase, o Bahia eliminou o Vasco, obtendo vaga na final. Em uma melhor de três jogos, o Bahia venceu o poderoso Santos de Pelé, e levantou a Taça Brasil.

Em 1960, o Palmeiras foi o campeão da Taça Brasil, mesmo tendo disputado apenas quatro jogos. Na semifinal, venceu o Fluminense, com empate em São Paulo e vitória no Rio de Janeiro. Na final, massacrou o Fortaleza nos dois jogos (3 x 1 e 8 x 2).

Em 1961, começou o predomínio do Santos na Taça Brasil. Neste ano, o alvinegro praiano sagrou-se campeão em cinco jogos, vencendo o América na semifinal e o Bahia na final. Em 1962, viria o bi, com vitórias sobre Sport Recife e Botafogo. Em 1963, o tri, eliminando Grêmio e Bahia. Em 1964, o tetra, vencendo Atlético Mineiro, Palmeiras e Flamengo. Em 1965, o penta, eliminando Palmeiras e Vasco. O Santos era o super-time de Pelé, que venceu também as Copas Libertadores da América de 1962 e 1963.

Em 1966, a Taça Brasil conheceu um novo campeão: o Cruzeiro. O clube mineiro eliminou, na sequência, Americano, Grêmio, Fluminense e Santos. Em 1967, a Taça Brasil começava a perder valor, com o surgimento do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Neste ano, o Palmeiras conquistou ambos os campeonatos. Na Taça Brasil, eliminou Grêmio e Náutico. No TRGP, classificou-se para o Quadrangular Final após 14 rodadas (todos contra todos), e sagrou-se campeão após confrontos com Internacional, Corinthians e Grêmio.

Em 1968, o Santos conquistou o TRGP, após 16 rodadas da primeira fase (todos contra todos), mais 3 jogos no Quadrangular Final, contra Internacional, Palmeiras e Vasco. A Taça Brasil, a essa altura já bastante esvaziada, sequer foi concluída.

Em 1969, o Palmeiras voltou a conquistar o TRGP, após 16 rodadas da primeira fase (todos contra todos), mais 3 jogos no Quadrangular Final, contra Corinthians, Cruzeiro e Botafogo. A Taça Brasil do ano anterior foi retomada, sendo conquistada em outubro pelo Botafogo, após eliminar Metropol/SC, Cruzeiro e Fortaleza. Foi a última edição do torneio, e não deu vaga à Libertadores.

Em 1970, logo após a Copa do Mundo que sagrou a Seleção Brasileira como tricampeã, teve início mais uma edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Após 16 rodadas na primeira fase (todos contra todos), classificaram-se, para o Quadrangular Final, Fluminense, Cruzeiro, Atlético Mineiro e Palmeiras. Após vencer o Palmeiras e o Cruzeiro, o Fluminense empatou com o Atlético Mineiro, diante de 112.403 pagantes no Maracanã, e sagrou-se campeão brasileiro, em 20 de dezembro. Fluminense e Palmeiras, campeão e vice, disputaram a Copa Libertadores da América de 1971.

Em 1971, com o mesmo formato do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a CBD organizou o Campeonato Nacional de Clubes, que teve como campeão o Atlético Mineiro (este considerado hoje o primeiro "Campeonato Brasileiro" pela CBF).

Após a leitura deste breve relato histórico, o leitor certamente não possui nenhuma dúvida de que:
1) o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, disputado entre 1967 e 1970, era o legítimo Campeonato Brasileiro, disputado no formato de todos contra todos, com uma fase final.
2) a Taça Brasil, disputada entre 1959 e 1968, era uma espécie de Copa do Brasil, devido ao seu formato "mata-mata".

Portanto, o pedido dos clubes, no que diz respeito ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa, é plausível, e deverá ser aceito pela CBF, sem maiores questionamentos.

Porém, no que diz respeito à Taça Brasil, o pedido dos clubes é uma clara tentativa de "golpe", querendo supervalorizar conquistas que não correspondem ao atual Campeonato Brasileiro.

Em tempo: não estou tirando o mérito dos vencedores da Taça Brasil, que eram grandes times, e mereceram os troféus (especialmente o Santos de Pelé, que considero o maior time de futebol jamais reunido em todos os tempos).

De 1959 a 1966, a Taça Brasil era de fato a competição nacional mais importante. Porém, dizer que um clube é campeão brasileiro após enfrentar somente dois adversários, convenhamos, é forçar demais a barra.

As campanhas completas dos campeões da Taça Brasil podem ser conferidas aqui, e as campanhas dos campeões do Torneio Roberto Gomes Pedrosa podem ser conferidas aqui.

Que fique bem claro: a decisão técnica da CBF será fazer a equivalência do Roberto Gomes Pedrosa com o Campeonato Brasileiro, e a equivalência da Taça Brasil com a Copa do Brasil. Qualquer decisão diferente dessa terá sido política, e não técnica.

Que a justiça histórica seja finalmente feita.

PC

PS: antes da Taça Brasil e do TRGP, houve duas tentativas de organização de um campeonato nacional de clubes, com representantes de mais de dois estados.

Em março de 1920, o campeão carioca Fluminense, o campeão paulista Paulistano e o campeão gaúcho Brasil de Pelotas realizaram em Laranjeiras um triangular. O Paulistano venceu o Brasil por 7 x 3, o Fluminense venceu o Brasil por 6 x 2, e o Paulistano venceu o Fluminense por 4 x 1, sagrando-se assim campeão.

Em 1937, houve a Copa dos Campeões, envolvendo o campeão carioca Fluminense, o campeão mineiro Atlético, o campeão paulista Portuguesa, e o campeão capixaba Rio Branco. O Atlético Mineiro venceu a competição.

domingo, 8 de agosto de 2010

Noventa anos das primeiras medalhas olímpicas do Brasil


Antuérpia, Bélgica, sede dos Jogos Olímpicos, agosto de 1920.

Há noventa anos, o esporte brasileiro obtinha sua primeira conquista internacional expressiva. A heróica equipe de Tiro Esportivo voltaria da Bélgica coberta de glórias, após uma longa viagem de navio.

Tudo começara no Rio de Janeiro, um ano antes, quando Arnaldo Guinle, então presidente do Fluminense, concluiu a construção do stand de Tiro Esportivo em Laranjeiras. O ambiente, com seis boxes, serviria para os treinamentos da equipe brasileira, visando aos Jogos Olímpicos da Antuérpia.

O diretor do stand e capitão da equipe era o doutor Afrânio Antonio da Costa. O outro grande nome da equipe era o do tenente Guilherme Paraense. O time era completado por Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade. Após meses de treinamento na sede do Fluminense, a equipe finalmente partiu para a Europa, de navio, para a disputa das Olimpíadas.

A viagem, iniciada em julho, teve todo tipo de dificuldades. A situação no navio Curvello era tão precária que os atletas tinham que dormir no refeitório da embarcação. Quando a delegação brasileira chegou à Ilha da Madeira, recebeu a informação de que as provas de Tiro Esportivo começariam antes do dia 5 de agosto, data prevista da chegada a Antuérpia. A solução encontrada para chegar a tempo foi desembarcar no porto seguinte (Lisboa), de onde os atletas partiram de trem, com vagões abertos, expostos à chuva, ao vento e ao sol durante o trajeto.

Na chegada ao campo de Beverloo, os atletas brasileiros descobriram que tinham menos munição que o necessário para participar da prova. Imbuídos do espírito olímpico, os atletas dos Estados Unidos cederam aos tupiniquins 2000 cartuchos e 50 alvos.

Afrânio e Guilherme, na Antuérpia.

A primeira prova ocorreu no dia 2 de agosto, com participação do brasileiro Fernando Soledade. Com uma arma precária, ele não obteve medalha. E então os norte-americanos deram mais uma demonstração de fidalguia, cedendo aos brasileiros duas armas fabricadas pela Colt, especialmente para os Jogos Olímpicos.

Em 4 de agosto, Afrânio Antonio da Costa entrou para a história. Com 489 pontos na prova "Pistola Livre", ele alcançou a segunda colocação. A medalha de prata foi a primeira glória olímpica do esporte brasileiro. Foi um feito cheio de méritos, uma façanha épica do atleta tricolor. Mas o melhor estava por vir.
Os dois lados da medalha de prata de Afrânio, a primeira da história olímpica do Brasil.

No dia seguinte, Guilherme Paraense obteve 274 pontos na prova "Pistola Rápida". O norte-americano Raymond Bräcken tinha conseguido 272. A medalha de ouro era do Brasil, por apenas dois pontos. Um agravante eleva esta conquista: a arma utilizada por Guilherme foi exatamente uma das cedidas pelos atletas dos Estados Unidos. Se investigarmos o passado, o presente e o futuro, não encontraremos um exemplo maior do espírito olímpico. Graças à exemplar atitude norte-americana, o atleta tricolor Guilherme Paraense sagrou-se como primeiro brasileiro campeão olímpico.

A arma e a medalha de ouro de Guilherme Paraense.

Na prova por equipes, o Brasil ainda conquistaria mais uma medalha, de bronze. Os primeiros heróis olímpicos brasileiros seriam homenageados no ano seguinte, pelo Presidente Epitácio Pessoa, no Salão Nobre do Fluminense, clube que tanto apoiou a prática do Tiro Esportivo. Na ocasião, todos os atletas receberam do Presidente uma placa de prata da Liga de Defesa Nacional, pelos méritos na façanha internacional obtida.

Homenagem do Presidente Epitácio Pessoa aos primeiros heróis olímpicos brasileiros, no Salão Nobre do Fluminense.

Guilherme Paraense foi extensamente homenageado pela conquista olímpica, tanto na Europa quanto no Brasil. O polígono de tiro da AMAN hoje recebe seu nome. Faleceu em 18/04/1968, aos 83 anos.

Afrânio Antonio da Costa conquistou diversos títulos posteriormente, tendo sido também um dos grandes dirigentes do esporte olímpico brasileiro. Faleceu em 27/06/1979, aos 87 anos.

PC

Fontes da pesquisa: acervo do Flu Memória, R7, ESPN, site oficial do Fluminense [1] [2] e Wikipedia [1] [2].