Mostrando postagens com marcador Futilidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Futilidades. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de abril de 2018

Ditados populares de vários países


Os ditados populares abaixo estão no post de ontem do sempre ótimo Futility Closet, que os copiou de "As They Say in Zanzibar" (2006), de David Crystal. As traduções do inglês para o português são minhas:

"Se duas pessoas lhe dizem que você é cego, feche um olho." (Geórgia)

"Aqueles que têm assentos gratuitos numa peça assobiam primeiro." (China)

"É no açúcar que você vê a formiga morta." (Malásia)

"Sete dias são a duração da vida de um convidado." (Mianmar, antiga Birmânia)

"O silêncio é a cerca ao redor da sabedoria." (Alemanha)

"Coisas boas se vendem sozinhas; coisas ruins têm que ser anunciadas." (Etiópia)

"Onde há mais mente, há menos dinheiro." (Latim)

"Melhor uma refeição gratuita de bolotas* que um banquete de mel na confiança." (País de Gales)
* bolotas são frutos comestíveis, produzidos por carvalhos.

"Somente uma coruja sabe o valor de uma coruja." (Índia)

"A boa sorte é a guardiã dos estúpidos." (Suécia)

"No nascimento nós choramos - na morte nós descobrimos por quê." (Bulgária)

"As tarefas são pequenas em um dia de primavera." (Islândia)

"A agulha sofre tanto quanto o buraco." (Holanda)

"Quanto mais alto o castelo, mais próximo o raio." (Rússia)

"Nunca houve uma nota de cinco libras, mas havia uma estrada de dez libras para ela." (Escócia)

"Uma mente satisfeita é um banquete contínuo." (Inglaterra)

****

Abaixo, mais alguns ditados que encontrei por aí.

"Ácidos fortes demais corroem seus próprios recipientes." (Albânia)

"Não tema uma mancha que desaparece com água." (Espanha)

"Quanto mais perto da igreja, mais distante de Deus." (França)

"Dois são um exército contra um." (Islândia)

"Para a formiga, poucas gotas de chuva são uma enchente." (Japão)

"Roubar com os olhos não é pecado." (Rússia)

"O tempo passa, mas os ditados permanecem." (Índia)

PCFilho

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Uma coincidência horripilante - o encontro dos navios Rodeur e León


Em abril de 1819, o navio negreiro francês Rodeur saiu de Biafra (região que hoje é parte da Nigéria) com destino a Guadalupe, com uma tripulação de 22 homens livres e 162 escravos. Após 15 dias de viagem, uma misteriosa e terrível doença dos olhos apareceu entre os escravos no deque inferior, levando-os à cegueira. O cruel capitão atirou 36 escravos doentes ao mar, mas nem assim conseguiu evitar que o mal se espalhasse entre a tripulação. Eventualmente, todos a bordo estavam completamente cegos, à exceção de um único homem.

E então aconteceu um dos mais impressionantes incidentes na história das navegações. Conforme o Rodeur avançava pelo Oceano Atlântico com este único homem saudável no leme, um outro navio foi avistado, com todas as velas ajustadas. Aquele foi um momento feliz no Rodeur, que imediatamente se aproximou do navio estranho, na esperança de encontrar homens com habilidade para navegá-lo. No entanto, ao chegar perto o suficiente, o homem percebeu que o navio estranho estava desgovernado, aparentemente sem ninguém a bordo. Chegando ainda mais perto, ele percebeu que a outra embarcação estava, sim, tripulada, mas que a mesmíssima doença acometera os seus homens, sem deixar ninguém livre. Com gritos frenéticos, os tripulantes do navio negreiro espanhol León imploravam pela mesma ajuda que os do Rodeur buscavam.

Este encontro horripilante foi tema de um poema em língua inglesa, de John Greenleaf Whittier, intitulado "The Slave-Ships":

"Help us! for we are stricken 
With blindness every one; 
Ten days we’ve floated fearfully, 
Unnoting star or sun. 
Our ship’s the slaver Leon, – 
We’ve but a score on board; 
Our slaves are all gone over, – 
Help, for the love of God!

On livid brows of agony 
The broad red lightning shone; 
But the roar of wind and thunder 
Stifled the answering groan; 
Wailed from the broken waters 
A last despairing cry, 
As, kindling in the stormy light, 
The stranger ship went by."

Na impossibilidade de ajudarem um ao outro, os dois navios seguiram suas viagens. No dia 21 de junho, o navio francês Rodeur finalmente conseguiu chegar a Guadalupe, onde seu último marinheiro enfim adoeceu e ficou cego.

Do navio espanhol León, nunca mais houve notícias.

PCFilho

domingo, 3 de agosto de 2014

Alguns números impressionantes da China


Aí vai um post sobre um assunto aleatório, no estilo do Futilidades, que escrevi em janeiro...

A China é a nação mais populosa da Terra, todos sabemos. De acordo com a estimativa feita em 2012, são mais de 1.350.000.000 de habitantes. Basicamente, um de cada cinco seres humanos é chinês. Este ano, ao que tudo indica, a China se tornará também a maior potência econômica do planeta, com seu Produto Interno Bruto superando o dos Estados Unidos (os Estados Unidos são a maior economia do mundo desde 1872, quando ultrapassaram o Reino Unido).

O que me motivou a fazer esse post foi uma reportagem que vi tempos atrás, sobre o Ano Novo Chinês. Também conhecido como Ano Novo Lunar, o festejo é o feriado mais importante da China, marcando o primeiro dia do ano do calendário chinês. No nosso calendário, esta data sempre cai entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro - exatamente, é a segunda Lua Nova após o solstício de verão (do nosso Hemisfério Sul - o solstício de inverno para eles). A cada ano, o Ano Novo Chinês quebra um recorde mundial impressionante: o de maior migração humana da história.

O período de 40 dias cercando o Ano Novo Chinês, chamado de Chunyun, é marcado por muitas (muitas mesmo) viagens de passageiros por todo o país. Estudantes e trabalhadores que, por força das circunstâncias, estão longe de suas famílias, fazem o caminho de volta até seus lares, para passar o feriado com seus entes queridos (e depois retornam, claro).

De acordo com autoridades chinesas, durante o Chunyun de 2014 foram realizadas inacreditáveis 3,5 bilhões de viagens (isso mesmo, 3 bilhões e 500 milhões de viagens): 3,2 bilhões por carro e ônibus, 258 milhões por trem, e 42 milhões por avião. São 80 milhões de viagens rodoviárias por dia: é como se metade da população brasileira pegasse a estrada todo dia, durante 40 dias seguidos (!!!). São também 50.000 voos por semana - uma decolagem a cada 12 segundos.

Para efeito de comparação: a famosa peregrinação anual a Meca, que todo muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida, corresponde a uma migração de 3 milhões de pessoas. Isso mesmo: todo ano, para cada muçulmano que vai a Meca, mais de mil chineses viajam para o Ano Novo.

O sistema de transporte da China, naturalmente, tem sofrido terrivelmente com uma demanda tão avassaladora, que cresce a cada ano em um ritmo também perturbador. Adquirir uma passagem de trem para esse período é praticamente impossível, e já há inclusive um mercado paralelo, com cambistas negociando passagens a valores muito maiores que os nominais.

Com a crescente urbanização da população, o número de cidades grandes da China é outro dado assustador: hoje, já há 24 cidades chinesas com mais de 3 milhões de habitantes (Shanghai, Beijing, Guangzhou, Shenzhen, Tianjin, Dongguan, Hong Kong, Wuhan, Foshan, Shantou, Chengdu, Chongqing, Xi'an, Nanjing, Suzhou, Harbin, Zhengzhou, Shenyang, Hangzhou, Xiamen, Quanzhou, Hefei, Changsha e Wenzhou). Para efeito de comparação, em todo o continente americano, apenas 8 cidades (São Paulo, Cidade do México, Lima, Nova York, Bogotá, Rio de Janeiro, Santiago e Los Angeles) têm mais de 3 milhões de habitantes.

A indústria chinesa também possui números surreais: em 2009, eram 779.900.000 trabalhadores, que produziram, entre outros, 67.653.000 televisões LCD, 59.305.000 geladeiras, 22,3 trilhões de cigarros, 619.245.000 telefones celulares, 13.212.000 toneladas de açúcar e 13.795.000 veículos motorizados.

A agricultura não fica atrás: são 300 milhões de trabalhadores rurais, que produzem 26% do arroz do mundo (são 193 milhões de toneladas de arroz, 130 milhões consumidas pelos próprios chineses).

Das famosas execuções, há poucos dados disponíveis, devido à pouca transparência do governo. Mas se estima que 72% das execuções no mundo ocorram na China (isto seria o equivalente a 5.000 execuções - uma para cada 270.000 habitantes).

Se o leitor souber de mais algum número impressionante da China, está convidado a compartilhar nos comentários. :)

PCFilho

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Futilidades

Segue abaixo uma compilação com as mais interessantes futilidades recebidas por mim nos últimos dias, sobre assuntos aleatórios. Se o post fizer sucesso, repetirei a ideia nas próximas semanas.

I) Beagle esperto
O que seu cachorro pode fazer quando está sozinho em casa e você deixou uma delícia no forno:

II) Um erro despercebido durante um século
No dia 06/02/1898, um funcionário preparando a primeira página do famoso jornal americano The New York Times acrescentou 501 ao número da edição, ao invés de acrescentar apenas 1, pulando assim do número 14.499 para o número 15.000. O mais engraçado é que, espantosamente, ninguém percebeu o erro durante 101 anos! Em uma noite de 1999, o assistente Aaron Donovan, responsável por realizar a tarefa em seu computador, pensou que a tarefa manual, repetida tantas vezes ao longo dos anos, tinha um potencial enorme para causar um erro que se perpetuaria. Intrigado, ele começou a averiguar se o número estava correto: com a ajuda do computador, calculou o número de dias decorridos desde a fundação do jornal, em 18/09/1851. Depois, passou a revisar as edições antigas do jornal e descobriu que, nas primeiras 2796 semanas, a edição de domingo ou não existiu ou foi considerada apenas extensão da edição de sábado. Percebeu que o jornal não circulara em alguns feriados. Reparou também que, durante uma greve em 1978, o jornal ficou 88 dias sem circular. Finalmente, fez as contas e notou que os números das edições modernas estavam acrescidos de 500. Após dias de pesquisa no acervo, ele finalmente descobriu o erro cometido por seu antecessor, 101 anos antes. No dia primeiro de janeiro de 2000, o jornal finalmente corrigiu a contagem, passando do número 51.753 da véspera para o 51.254.

III) Uma épica história de aviação

Essa vai para meu amigo, o comandante Guilherme Mölter. Aconteceu em 29/09/1940, na Austrália. Duas aeronaves de treinamento Avro Anson decolaram de uma base da Royal Australian Air Force perto de Wagga Wagga para um exercício cross-country sobre o estado de Nova Gales do Sul. Durante uma curva sobre a cidade de Brocklesby, o piloto Leonard Fuller perdeu de vista o avião de Jack Hewson, abaixo dele, e os dois colidiram violentamente, no que tinha tudo para ser um terrível acidente fatal. Entretanto, inacreditavelmente, Fuller percebeu que os aviões estavam agora atados um ao outro, conectados como se fossem um só. Seus próprios motores haviam sido arrancados pela colisão, mas os de Hewson ainda estavam funcionando, e ele ainda podia manejar seus ailerons e flaps, e assim ele podia controlar a "dupla aeronave".

Após os dois ocupantes do avião inferior e o seu próprio navegador ejetarem, Fuller voou por mais 8 quilômetros e fez um pouso de emergência em um terreno de pastagem, onde deslizou cerca de 180 metros até uma parada segura. "Fiz tudo que fui orientado a fazer em um pouso forçado - pousar próximo de uma habitação e contra o vento - mas ela estava bem pesada nos controles", disse ele ao inspetor do acidente, Arthur Murphy. A foto acima mostra os dois aviões conectados após o pouso.

Os quatro aviadores sobreviveram ao acidente. Fuller recebeu o crédito por salvar £40,000 em equipamento militar, além de prevenir quaisquer possíveis danos em Brocklesby. Seu avião foi reparado e voltou a voar. Ele morreu quatro anos depois, após uma colisão de sua bicicleta com um ônibus.

IV) Uma profecia de 1905 para 2005
"A economia mundial será um fator determinante na mudança de dieta que o próximo século inevitavelmente testemunhará. Comidas 'esbanjadoras' como carne animal não podem sobreviver: e até além da necessidade moral que obrigará a humanidade, para sua própria preservação, a abandonar o uso de álcool, o desperdício direto e indireto de álcool tornará impossível a tolerância a bebidas que o contenham. Muito provavelmente, o tabaco vai segui-lo."
T. Baron Russell, em "Daqui a cem anos", publicação de 1905.

V) Mundo mundano

A Terra é o único planeta que não recebeu o nome de um deus.

PCFilho