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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Jogos Bizarros III - "Seleção Brasileira" 8 x 1 Internazionale de Milão

Parecia a Seleção Brasileira, mas não era...

Taffarel; Mauro Galvão, Aldair, Júlio Cesar e Branco; Alemão, Dunga (Sinval), Silas e Zico (Amarildo); Careca (Casagrande) e Evair (Edmar). Quem viveu o início da década de 1990 sabe que esta escalação, à exceção de Zico - que já se aposentara e na época era Ministro de Esportes do governo Collor, poderia ser tranquilamente a da Seleção Brasileira.

Mas não era. Esse foi o time que, em 16 de abril de 1991, com o exótico uniforme da foto acima, enfrentou a Internazionale de Milão, numa partida festiva para a despedida do craque italiano Alessandro Altobelli. A imprensa italiana chamou a equipe de "Combinado do Brasil": era formada por atletas brasileiros que atuavam na Itália, reforçados por Mauro Galvão e Sinval (que jogavam na Suíça), e por Zico (convidado especial).

A Internazionale, sob o comando técnico de Giovanni Trappatoni, jogou com: Zenga (Malgioglio, depois Bodini); Battistini (Matteoli, depois Beccalossi), Bergomi (Stringara), Giuseppe Baresi e Ferri (Paganin); Bianchi (Iorio), Mandorlini, Berti (Fanna, depois Pizzi) e Matthäus (Hansi Müller, depois Brady); Altobelli e Rummenigge (Klinsmann).

A partida foi disputada no Estádio Mario Rigamonti, em Brescia, cidade-natal de Alessandro Altobelli. O responsável por apitar o prélio foi o italiano Pierluigi Collina, que se tornaria o mais prestigiado árbitro europeu nos anos seguintes.

Os brasileiros não mostraram piedade alguma, e massacraram o clube negro-azul, vencendo o jogo por 8 a 1, gols de Evair (três), Silas, Sinval, Casagrande, Amarildo e Branco. O gol da Internazionale foi do próprio Altobelli, cobrando pênalti cometido por Branco em Matthäus.

Abaixo, o vídeo com os nove gols desta partida bizarra:

No dia seguinte, a verdadeira Seleção Brasileira, comandada por Paulo Roberto Falcão, e com as tradicionais camisas azuis, penou para derrotar a Seleção B da Romênia por 1 a 0, no Estádio do Café, em Londrina. A escalação foi: Sérgio; Balu (Cafu), Ricardo Rocha, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Moacir, Mazinho Oliveira e Neto; Renato Gaúcho e Bebeto (Careca). O gol foi de Moacir, aproveitando falha do goleiro romeno em escanteio cobrado por Neto. Os melhores momentos estão no vídeo abaixo:

Nenhuma das duas partidas é considerada oficial pela FIFA, porque a entidade contabiliza somente partidas entre as seleções principais de duas federações nacionais.

Na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, a Seleção Brasileira conquistaria o tetra, e dez dos atletas destes jogos estariam presentes: quatro do combinado que goleou a Internazionale (Taffarel, Aldair, Branco e Dunga); e seis da Seleção que venceu os romenos (Cafu, Ricardo Rocha, Márcio Santos, Leonardo, Mauro Silva e Bebeto).

PCFilho

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Jogos Bizarros II - Tottenham 4 x 1 Canto do Rio

As escalações previstas na revista do Tottenham.

Na noite de 24 de abril de 1958, no White Hart Lane, em Londres, o poderoso Tottenham (atual vice-líder da Premier League) recebeu a honrosa visita de um clube brasileiro, para a realização de um amistoso internacional. Fluminense? Flamengo? Corinthians? Palmeiras? Grêmio? Cruzeiro? Nenhum desses: o visitante ilustre era o modesto Canto do Rio, de Niterói. O quadro niteroiense foi o primeiro clube sul-americano a visitar o estádio do Tottenham, de acordo com a revista oficial do clube londrino, que não enfrentava nenhuma equipe da América do Sul desde sua excursão à Argentina, no longínquo ano de 1910.

Na Revista do Tottenham, o Canto do Rio foi anunciado como "campeão do Rio de Janeiro".
A informação estava errada, uma vez que o campeão carioca de 1957 fora o Botafogo.
O Canto do Rio fora, na verdade, o 7º colocado, com 19 pontos ganhos em 22 jogos disputados
(8 vitórias, 3 empates e 11 derrotas, 26 gols-pró e 39 gols-contra).

O Canto do Rio vinha de uma bela excursão pelo continente europeu. Os resultados não foram nada ruins: na Espanha, vitórias sobre Elche (2 a 1) e Fereante (4 a 2); na Bélgica, derrota para o Anger (3 a 1) e empate com o Bruges (1 a 1); na Alemanha, vitória sobre um combinado local (1 a 0); na Suíça, vitória sobre o Servette (3 a 0).

Na Inglaterra, o Canto do Rio realizou mais três partidas: em 22 de abril, derrota para o Chelsea por 3 a 2, no Stamford Bridge; em 24 de abril, derrota para o Tottenham por 4 a 1, no White Hart Lane; e em 28 de abril, derrota para o Leicester City por 1 a 0, no estádio da Filbert Street.

Notícia do amistoso do Canto do Rio em Londres, no Jornal do Brasil.

Diante de 22.070 pessoas no White Hart Lane, o Canto do Rio não foi páreo para o poderoso Tottenham (que havia sido campeão inglês na temporada de 1950–51, e voltaria a conquistar o título nacional na temporada de 1960–61). Na chuvosa noite londrina, o campo ficou lamacento, e o Tottenham abriu 4 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Clayton (2), Blanchflower e Smith. O Canto do Rio descontou na etapa complementar, com um golaço de Elmo, em um "sem-pulo" de fora da área. A atuação do goleiro brasileiro Garcia foi muito elogiada.

O Canto do Rio Foot-Ball Club foi fundado em 1913, e ainda tenta sobreviver no futebol profissional, atuando nas divisões inferiores do Campeonato Carioca. A maior glória da história do "Cantusca" foi a conquista do Torneio Início do Campeonato Carioca de 1953. Cinco anos depois, o quadro de Niterói jogaria de igual para igual contra alguns dos melhores clubes da Europa, numa espécie de prelúdio da histórica conquista da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira, semanas depois, na Suécia.

PCFilho

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Jogos Bizarros I - Friburguense 9 x 0 Seleção da Nicarágua


Amigos, nós, os torcedores e amantes do "violento esporte bretão", estamos acostumados a assistir aos grandes duelos do futebol brasileiro e mundial. Adoramos apreciar e saborear um emocionante Fla-Flu, um aguerrido Grenal, um Barcelona x Real Madrid cheio de craques, um Brasil x Argentina recheado de rivalidade.

Entretanto, o futebol não é feito apenas de clássicos e de multidões. Há também o "lado B", os confrontos menos badalados, que não passam na televisão, que não atraem tantos olhares. Durante a minha adolescência, eu frequentava o Estádio Eduardo Guinle, em minha cidade-natal Nova Friburgo, para assistir aos jogos do Friburguense. Vibrava com os duelos do Frizão pelo Campeonato Carioca contra os grandes da capital, mas também contra o America, o Bangu, o Madureira, o Olaria e os outros "clubes de menor investimento". Ali, aprendi muito sobre futebol, e aprendi a amar esse esporte.

Para além destes confrontos menos badalados, há também os "jogos bizarros": por exemplo, os duelos de clubes pequenos do Brasil contra seleções nacionais pouco conhecidas (ou até as famosas, por que não?). Vocês sabiam que a Ferroviária de Araraquara fez uma longa excursão à América Central em 1968, e lá enfrentou quatro seleções nacionais? Ou que o modesto Atlético Sorocaba viajou até Pyongyang para jogar contra a seleção da Coreia do Norte, em um estádio lotado, em 2009?

Para relembrar esses e outros duelos "exóticos" e "alternativos" do futebol, resolvi começar uma série aqui no blog, contando detalhes desses jogos bizarros. Começo com a histórica goleada do Friburguense sobre a seleção da Nicarágua, em amistoso realizado no dia 8 de janeiro de 2008, no Eduardo Guinle. Em preparação para o Campeonato Carioca daquela temporada, o Tricolor da Serra não mostrou piedade alguma, e massacrou a seleção do pequeno país da América Central: 9 a 0. Foram quatro gols no primeiro tempo, e mais cinco na etapa complementar.

Naquela manhã, o Friburguense, sob o comando técnico de Cleimar Rocha, jogou no esquema tático 3-5-2, com: Adriano; Sérgio Gomes, Cadão e Tiago Messias; Everton, Bidu, Cassiano, Guido e Victor Hugo; Alex e Hércules. A escalação da seleção nacional da Nicarágua, treinada por Mauricio Cruz Jirón, não foi publicada em lugar algum (estão querendo demais também, né?).

Estádio Eduardo Guinle, em Nova Friburgo, o palco da goleada histórica.

O Friburguense já surpreendeu algumas vezes os clubes grandes da capital (como na histórica vitória de 1999 sobre o Botafogo no Maracanã, por 1 a 0, gol de Nevada). Entretanto, o Tricolor da Serra passa longe de ser uma potência do esporte: disputou apenas uma vez a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, no ano 2000, quando houve mais de 100 participantes - e o Frizão terminou em 80º lugar. Não é à toa que a seleção da Nicarágua nunca conseguiu se classificar para uma Copa do Mundo...

O feito do Frizão, evidentemente, foi noticiado lá na Nicarágua. O jornal La Prensa, da capital Manágua, publicou, no dia seguinte à goleada: "A la Selección Nacional de fútbol le fue terrible en su partido de fogueo ante el Atlético Friburguense. La mañana de ayer, la tropa nica perdió 9-0 ante el Atlético, uno de los clubes más fuertes de Rio de Janeiro".

No Campeonato Carioca daquele ano, o Frizão não conseguiria provar que era "um dos clubes mais fortes do Rio de Janeiro". Conquistou apenas 17 pontos em 15 jogos, com a irregular campanha de 5 vitórias, 2 empates e 8 derrotas, 17 gols-pró e 26 gols-contra, terminando a competição em 11º lugar dentre os 16 participantes - posição que não lhe garantiu nem mesmo uma vaga na Série C do Campeonato Brasileiro daquela temporada.

Apesar do massacre sofrido naquela manhã, parece que a seleção da Nicarágua gostou dos ares serranos de Nova Friburgo. Um ano e meio após o fatídico 9 a 0, o escrete do país da América Central voltou ao Eduardo Guinle e enfrentou novamente o Friburguense, no dia 23 de junho de 2009. O placar da revanche é um mistério: eu não encontrei nenhuma notícia com o resultado do aguardado jogo... (se algum leitor conseguir a preciosa informação, peço que compartilhe nos comentários!)

Em breve, aqui no Jornalheiros, publicarei o post Jogos Bizarros II, dando sequência a esta série, com outro duelo raro do futebol. Sugestões são bem-vindas, como sempre.

PS: antes de encerrar o post, aviso aos leitores que Cadão, o Interminável, está participando normalmente da pré-temporada do Friburguense em 2016, e deverá disputar novamente o Campeonato Carioca, aos 44 anos de idade. O Frizão estreia na competição estadual no sábado 30, contra o Macaé, no Eduardo Guinle.

Cadão, zagueiro e ídolo do Frizão (Foto: Felipe Basílio).

PCFilho