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domingo, 31 de agosto de 2025

O Brasil x Chile de 1989 no Maracanã: o caso Rojas

Rojas e o rojão.

Nesta quinta-feira, 4 de setembro de 2025, a Seleção Brasileira enfrentará o Chile, no Maracanã, em partida válida pela penúltima rodada das eliminatórias da Copa do Mundo. O jogo não vale praticamente nada: a Seleção já está classificada para o Mundial da América do Norte, e o Chile não tem mais nenhuma chance de conseguir uma vaga. Será, assim, um amistoso de luxo.

A situação era muito diferente há quase exatos 36 anos: no domingo, 3 de setembro de 1989, a Seleção Brasileira enfrentava o Chile, no antigo Maracanã, pela última rodada das eliminatórias da Copa do Mundo. E ali valia tudo: quem vencesse iria para o Mundial da Itália; quem perdesse estaria eliminado.

O clima antes do jogo era de muita tensão: a Seleção Brasileira corria o risco de não jogar a Copa do Mundo, algo que jamais havia acontecido (ainda hoje não aconteceu). No jogo de Santiago (13/08/1989 - Chile 1 x 1 Brasil), os tumultos no Estádio Nacional foram tamanhos que a FIFA transferiu o jogo seguinte do Chile, contra a Venezuela, para um campo neutro, na Argentina. Os chilenos se sentiram injustiçados pela punição – e ainda encaravam a decisão no Maracanã como a chance de uma revanche de 1962, quando a Seleção os eliminou na semifinal de sua própria Copa do Mundo, no mesmo Estádio Nacional de Santiago.

A expectativa de casa cheia se cumpriu no domingo: o jogo foi disputado diante de uma daquelas multidões épicas que só cabiam no bom e velho Maracanã (hoje inimagináveis 141.072 pagantes)

Careca briga pela bola com os chilenos.

A Seleção vencia por 1 a 0, gol de Careca aos 4 minutos do 2º tempo, com assistência de Bebeto, e encaminhava sua vaga na Copa do Mundo. O otimismo, no entanto, subitamente daria lugar a uma sensação de preocupação geral, cerca de vinte minutos após o gol.

Enquanto o goleiro Roberto Rojas rolava no gramado, com sangue jorrando de sua cabeça, a torcida nas arquibancadas e cadeiras e na geral do Maracanã não podia acreditar no que estava vendo. Estávamos tão perto de carimbar o passaporte para a Itália, mas aquele foguete que alguém havia estupidamente lançado no gramado provavelmente colocaria tudo a perder.

Parecia claro que o rojão vindo do setor das cadeiras do Maracanã havia atingido Rojas em cheio. Os jogadores chilenos, transtornados, argumentavam com o árbitro argentino Juan Carlos Loustau e faziam gestos obscenos em direção aos torcedores que os vaiavam. Eles acabaram decidindo abandonar o jogo, em solidariedade ao colega ferido. Loustau aguardou o retorno dos chilenos por vinte minutos e encerrou a partida.

Rojas com o curativo na cabeça. Foto: AFP.

Nos dias seguintes, no entanto, ficou demonstrado pelas imagens que Rojas havia fingido ser atingido pelo rojão, que na verdade caiu a cerca de um metro dele. O goleiro confessou que fez um corte no próprio rosto com uma navalha que havia escondido em uma de suas luvas, concretizando um plano que havia arquitetado antes ainda do jogo (sua ideia original era simular ser atingido por uma pedra, tendo sido o lançamento do foguete em sua direção um desses acasos do destino).

Com a farsa chilena exposta, a FIFA confirmou a classificação da Seleção Brasileira à Copa do Mundo, decretando a vitória do Brasil com o placar oficial de 2 a 0 (o que me causaria dor de cabeça anos depois: como, nas estatísticas de confrontos deste blog, eu sempre considero o placar do jogo no campo (no caso 1 a 0), e a CBF considera o placar oficial (no caso 2 a 0), a divergência de um gol entre as minhas estatísticas e as oficiais persiste até hoje).

Roberto Rojas, que era goleiro do São Paulo, foi banido pela FIFA de exercer qualquer função no futebol profissional. Após diversos pedidos, a federação internacional lhe concedeu o perdão em 2001, ano em que ele curiosamente voltou a viver no Brasil, para trabalhar como preparador de goleiros do São Paulo. Ele chegou a assumir o comando técnico do clube paulista em 2003, quando conseguiu a classificação à Copa Libertadores do ano seguinte. Entre 2014 e 2015, Rojas passou por diversos problemas de saúde, em decorrência de uma grave hepatite e uma torção pulmonar. Ele recebeu um transplante de fígado em São Paulo, sobreviveu e ainda mora no Brasil.

Roberto Rojas, com o uniforme do São Paulo.

Rosenery Mello, a secretária da Light que lançou o rojão em direção ao gramado em sua primeira ida ao Maracanã, foi detida pela polícia e nos dias seguintes transformou-se subitamente em uma celebridade nacional. Aos 24 anos, a “fogueteira do Maracanã” chegou a posar nua para a Playboy: foi a capa da edição 172 da revista, em novembro de 1989, por 40 mil dólares fixos, acrescidos de um porcentual das vendas. Segundo o site do jornalista Milton Neves, ela faleceu em 4 de junho de 2011, aos 45 anos, no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, em consequência de um aneurisma cerebral.

A Playboy número 172: “estourando a festa, a nudez e a graça da fogueteira do Maracanã: Rosenery Mello”.

A seleção do Chile foi punida não só com a eliminação, mas também com a proibição de participar das eliminatórias da Copa do Mundo de 1994. Desde então, os chilenos só conseguiram chegar a outros três Mundiais: em 1998, 2010 e 2014 – e em todas as três ocasiões, foram eliminados nas oitavas-de-final, sempre pela Seleção Brasileira. Seria talvez uma daquelas “maldições” que assolam o futebol? A julgar por aquele chute de Mauricio Pinilla no travessão, no último minuto da prorrogação, eu diria que sim…

Pinilla acerta o travessão: a maldição de Rojas?

PCFilho

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O Vélez Sarsfield perdeu suas 10 últimas disputas de pênaltis

Canteros lamenta um pênalti perdido contra o Santos, em 2012: sina do Vélez Sarsfield.

Há um ditado popular entre os amantes do futebol no Brasil: "disputa de pênaltis é loteria". Se o ditado for mesmo verdadeiro, há um clube que pode se considerar extremamente azarado nessa loteria: o Vélez Sarsfield, da Argentina, perdeu as 10 últimas disputas de pênaltis de que participou.

O assunto voltou à tona este mês, com a eliminação do Vélez Sarsfield da Copa Argentina, pelo modestíssimo Juventud Unida de Gualeguaychú, em disputa de pênaltis que terminou 4 a 3. Foi a quarta desclassificação do Vélez em disputas de pênaltis nos últimos 5 anos na Copa Argentina.

A última vitória do clube de Buenos Aires em uma definição por pênaltis se deu há mais de dezenove anos: no dia 13/04/1997, pela Recopa Sul-Americana de 1997, o Vélez Sarsfield venceu a disputa de pênaltis contra o River Plate, por 4 a 2, e conquistou a taça.

Desde então, uma maldição parece ter se abatido sobre o clube argentino, que não consegue mais sair vencedor do cruel desempate. Em todas as dez últimas definições por pênaltis que o Vélez Sarsfield disputou, os adversários triunfaram:
13/01/2006 - Estudiantes 4 x 2 (Copa Ciudad de Mar Del Plata)
16/01/2011 - Peñarol 4 x 2 (Copa Bimbo Ciudad de Montevideo)
29/03/2012 - Rosario Central 5 x 4 (Copa Argentina)
24/05/2012 - Santos 4 x 2 (Copa Libertadores)
17/04/2013 - Olimpo 4 x 2 (Copa Argentina)
11/01/2014 - Sporting Cristal 3 x 0 (Copa Bandes)
13/01/2014 - Peñarol 3 x 1 (Copa Bandes)
15/01/2014 - Emelec 6 x 5 (Copa Suat)
09/09/2015 - Lanús 4 x 2 (Copa Argentina)
16/08/2016 - Juventud Unida de Gualeguaychú 4 x 3 (Copa Argentina)

Das dez derrotas consecutivas em disputas de pênaltis, listadas acima, uma foi na Copa Libertadores, quatro na Copa Argentina e cinco em torneios amistosos de pré-temporada.

Curiosamente, antes dessa terrível sequência de reveses, o Vélez Sarsfield era famoso na Argentina justamente por ter muita sorte em disputas de pênaltis. Por exemplo, a maior conquista da história do clube - a Copa Libertadores de 1994 - foi obtida numa vitória por pênaltis, 5 a 3 contra o São Paulo, no Morumbi.

Os hinchas do Vélez começam a cogitar que algum torcedor rival lançou um tipo de maldição contra o clube. Vale lembrar que muitos argentinos creditam o atual jejum de títulos da seleção nacional à maldição de Tilcara, história que já contei aqui.

Boa sorte ao Vélez Sarsfield na próxima disputa. Mas, por via das dúvidas, tentem resolver o jogo com a bola rolando...

PCFilho

terça-feira, 22 de julho de 2014

13 maldições do futebol pelo mundo

Maradona e companhia não agradeceram à Virgem de Copacabana pela graça alcançada...

Seguem abaixo 13 histórias extraordinárias de maldições que assombraram (ou ainda assombram) equipes de futebol mundo afora.

I) A maldição de Béla Guttmann (Benfica, 1962-)
"Nem em 100 anos o Benfica vai conquistar outra Copa Europeia", disse Béla Guttmann, o treinador do Benfica, então bicampeão europeu, ao ter seu pedido de aumento salarial recusado pela diretoria do clube português. Desde então, o Benfica já disputou 8 decisões de competições europeias, e perdeu todas... (já contei os detalhes da maldição de Béla Guttmann aqui)

II) A maldição de Tilcara (Seleção da Argentina, 1986-)
Em 1986, a seleção da Argentina treinou na cidadezinha de Tilcara, encravada na Cordilheira dos Andes, meses antes da Copa do Mundo do México. Lá, fizeram uma promessa à Virgem de Copacabana, de que voltariam a Tilcara para agradecer pela conquista, caso a conseguissem. A taça foi levantada no México, mas os campeões nunca mais voltaram a Tilcara. E desde então a Argentina acumula fracassos nos Mundiais... (já contei os detalhes da maldição de Tilcara aqui)

III) A maldição dos ciganos de Derby (Derby County, 1895-1946)
Em 1895, o Derby County abandonou seu antigo estádio (que dividia com um time de cricket) e passou a jogar no The Baseball Ground, estádio do time decadente de baseball da cidade. Para ampliar as arquibancadas de seu novo estádio, foi necessário expulsar da área uma comunidade de ciganos que ali vivia. Reza a lenda que uma praga foi rogada por tais ciganos sobre o clube, para que o Derby County jamais vencesse a FA Cup, principal competição do futebol inglês na época. Seguiram-se três vice-campeonatos, em 1898, 1899 e 1903. Depois, o Derby County foi diversas vezes eliminado na fase semifinal, dando força à maldição dos ciganos. Até que, na primeira FA Cup após a II Guerra Mundial, em 1946, o Derby County voltou à final, contra o Charlton Athletic. Membros da equipe foram até os descendentes dos ciganos, e lhes deram uma quantia em dinheiro para que a maldição fosse quebrada. Nos minutos finais do tempo regulamentar da decisão, que estava empatada em 1 a 1, a bola furou ao ser chutada em um ataque do Derby County, o que foi interpretado como sendo o fim da praga. Na prorrogação, o Derby County marcou três gols e sagrou-se campeão da FA Cup, encerrando de fato os 51 anos da maldição dos ciganos.

IV) A maldição dos ciganos de Birmingham (Birmingham, 1906-2006)
O Birmingham também tem sua maldição com ciganos. Durante o ano de 1906, o clube construiu um novo estádio, o St. Andrews, em um terreno que também despertava interesse em ciganos. Dizem que eles lançaram uma maldição sobre o Birmingham, que teria cem anos de azar por ter escolhido o local como sua casa. A lenda ganhou força já no dia da inauguração do Estádio St. Andrews, no dia 26 de dezembro de 1906: uma nevasca fortíssima quase adiou a estreia, que acabou acontecendo com mais de uma hora de atraso (os dirigentes do clube tiveram que tirar a neve do gramado eles próprios, antes do 0 a 0 contra o Middlesbrough). Três dias depois, ainda nevava quando Benny Green marcou o primeiro gol do estádio. Ele mergulhou na neve para comemorar o tento histórico... e teve uma crise de hipotermia. Durante a II Guerra Mundial, o estádio teve suas arquibancadas destruídas, em parte por bombardeios, em parte por um incêndio acidental. Dentro de campo, o azar também pareceu acompanhar a história do Birmingham, que nunca conseguiu se estabilizar na primeira divisão do futebol inglês, oscilando num eterno ioiô entre as três divisões principais. Na FA Cup, o clube chegou às decisões de 1931 e 1956, e perdeu as duas. Na Inter-Cities Fairs Cup, chegou às decisões de 1960 e 1961, e também perdeu as duas. O único título relevante conquistado até 2006 foi a League Cup de 1963. No dia 26 de dezembro de 2006, exatos cem anos após a inauguração, a maldição em tese chegou ao fim, com a vitória por 2 a 1 sobre o Queens Park Rangers. E de fato, ao fim daquela temporada, o Birmingham conseguiu o acesso à Premier League. Em 2011, o Birmingham conquistou sua segunda League Cup. Entretanto, a gangorra de subidas e quedas de divisão continua, mesmo com o fim da suposta maldição.

V) A maldição de Garabato (América de Cali, 1948-1979)
Em 1948, o América de Cali discutia se deveria ou não aderir ao profissionalismo, que se implantava no futebol colombiano. O sócio Benjamín Urrea Monsalve, favorável à manutenção do amadorismo, se retirou da reunião, berrando: "Que lo vuelvan profesional, que hagan del América lo que quieran... pero juro por Dios que nunca serán campeones". E o América de Cali, que era um clube bem sucedido, passou a amargar anos de vacas magras, sem conquistas. A maldição de Garabato (apelido de Benjamín) durou 31 anos, só tendo fim em 1979, com a conquista do Campeonato Colombiano. No entanto, alguns torcedores do clube ainda atribuem a esta maldição os fracassos sucessivos na Copa Libertadores: o América de Cali disputou 4 decisões do torneio, 3 delas consecutivas (1985-1986-1987 e 1996), tendo perdido todas.

VI) A maldição de Maeda (Japão, 2007-2013)
O centroavante Ryoichi Maeda, nascido em 1981, tem uma carreira de sucesso no futebol japonês, defendendo o Jubilo Iwata desde 2000, com algumas convocações para a seleção nacional. Todo começo de temporada, as atenções se voltam para os jogos do Jubilo Iwata na J-League, por um motivo curioso: desde 2007, todo time que sofreu o primeiro gol de Maeda na temporada acabou eventualmente rebaixado para a segunda divisão. Em 2007, a vítima de Maeda foi o Ventforet Kofu; em 2008, o Tokyo Verdy; em 2009, o Jef United Chiba; em 2010, o Kyoto Sanga; em 2011, o Motedio Yamagata. Em 2012, a maldição de Maeda foi posta definitivamente à prova, já que a primeira vítima de Maeda foi o poderoso Gamba Osaka, que havia terminado entre os três primeiros colocados da J-League nas três temporadas anteriores. A maldição acabou se tornando um assunto nacional naquele ano, conforme o Gamba Osaka brigava contra o rebaixamento. Na última partida da temporada, o Gamba Osaka perdeu - adivinhem! - para o Jubilo Iwata, por 2 a 1, com um gol e uma assistência de Maeda, e foi mesmo rebaixado à segunda divisão. Em 2013, a maldição chegou ao fim: apesar de ter sido a primeira vítima de Maeda, o Urawa Red Diamonds terminou em sexto lugar e escapou com folga do descenso. Curiosamente, um dos rebaixados da temporada foi... isso mesmo, o Jubilo Iwata de Maeda.

VII) A profecia da independência (Índia, 1911-1947)
O Mohun Bagan era um dos grandes clubes de futebol da Índia, e em 1911 conseguiu um feito extraordinário: com 11 jogadores descalços, tornou-se o primeiro time indiano a vencer uma equipe europeia, 2 a 1 contra o East Yorkshire Regiment, da Inglaterra. E assim o Mohun Bagan levantou o IFA Shield pela primeira vez, triunfo que foi considerado emblemático na luta pela independência da Índia. Em meio às comemorações do título, um Brahmin (sacerdote hindu) apontou para a bandeira da colonizadora Grã-Bretanha no topo do Forte William, em Calcutá, e perguntou: "Quando ela vai cair?". Alguém respondeu: "Ela vai cair quando o Mohun Bagan ganhar o IFA Shield de novo". Dito e feito: trinta e seis anos depois, em 1947, o Mohun Bagan venceu o IFA Shield pela segunda vez, e a Índia conquistou sua independência da Grã-Bretanha.

VIII) A maldição de Aaron Ramsey (Arsenal, 2011-2012)
Esta ficou famosa: a cada gol marcado pelo atacante do Arsenal Aaron Ramsey, uma celebridade morria. Em maio de 2011, Ramsey marcou contra o Manchester United, um dia antes de Osama bin Laden ser morto no Paquistão (curiosamente, bin Laden era um conhecido adepto do Arsenal). Em outubro de 2011, Ramsey marcou contra o Tottenham, e Steve Jobs faleceu. Dias depois, Ramsey marcou outro gol, contra o Olympique Marseille, e Muammar Gaddafi foi morto por rebeldes líbios. Em fevereiro de 2012, Ramsey anotou um gol contra o Sunderland... horas depois, Whitney Houston foi encontrada morta. Felizmente, a maldição de Aaron Ramsey parou por aí. Ele já marcou outros gols em sua carreira, sem registro de mortes "associadas".

IX) A maldição da Champions' League (Europa, 1993-)
Desde que a principal competição europeia de clubes adotou os atuais nome e formato, na temporada 1992-1993, os campeões nunca conseguiram defender seus títulos. Anteriormente, as defesas bem-sucedidas eram bastante comuns: o Real Madrid foi pentacampeão seguido (1956-60), o Ajax tri (1971-73), o Bayern tri (1974-76), o Benfica bi (1961-62), a Internazionale bi (1964-65), o Liverpool bi (1977-78), o Nottingham Forest bi (1979-80) e o Milan bi (1989-90). Três campeões da Champions' League chegaram à decisão do ano seguinte: o Milan em 1995, a Juventus em 1997 e o Manchester United em 2009, mas os três foram derrotados por seus adversários. Nem mesmo o recente poderoso Barcelona conseguiu conquistar a Europa em duas temporadas consecutivas. Conseguirá o Real Madrid defender seu título em 2015?

X) A maldição de Arubinha (Vasco, 1937-1945)
Em 1937, o time do Vasco se atrasou mais de uma hora para uma partida, devido a um acidente de trânsito. Em vez de solicitar a vitória por W.O., o modesto Andaraí preferiu aguardar a chegada do adversário, mesmo sob forte chuva. Uma demonstração de fair-play que não teve contrapartida: o Vasco enfim chegou, e não teve clemência - goleou os oponentes por 12 a 0. Foi quando o goleiro Arubinha, desesperado, berrou: "Se há um Deus no céu, o Vasco terá de passar doze anos sem ser campeão!". Rezava a lenda que Arubinha enterrara um sapo morto em algum ponto do gramado de São Januário, para dar efeito à maldição. Conforme os anos passavam e o Vasco não ganhava o Campeonato, a maldição passou a ser tratada como o maior problema do clube. Os dirigentes chegaram a oferecer dinheiro a Arubinha - que recusou a oferta. Até uma escavação do gramado foi posta em prática, em busca do tal sapo, sem sucesso. Contando os três anos anteriores aos 12 a 0, em que o Vasco já não havia sido campeão, a maldição durou não doze, mas onze anos, entre 1934 e 1945. Anos depois, Arubinha confessou que nunca enterrou sapo algum em São Januário.

XI) A maldição da Copa das Confederações (1992-)
Toda seleção que conquista a Copa das Confederações perde a Copa do Mundo na sequência. De fato: a Argentina (campeã em 1992) perdeu o Mundial em 1994; a Dinamarca (campeã em 1995) e o Brasil (campeão em 1997) perderam o Mundial em 1998; o México (campeão em 1999) e a França (campeã em 2001) perderam o Mundial em 2002; a França (campeã em 2003) e o Brasil (campeão em 2005) perderam o Mundial em 2006; e o Brasil (campeão em 2009 e 2013) perdeu os Mundiais em 2010 e 2014. Com a Seleção Brasileira o negócio fica ainda mais sério: sempre que venceu a Copa das Confederações, perdeu a Copa do Mundo (1998, 2006, 2010 e 2014), e também sempre que perdeu (ou não jogou) a Copa das Confederações, venceu a Copa do Mundo (1994 e 2002).

XII) A maldição da Bola de Ouro (1958-)
Os futebolistas agraciados com o prêmio de melhor jogador do mundo não conseguem ser campeões na Copa do Mundo seguinte:
1957 - Alfredo Di Stéfano (Espanha): não participou do Mundial de 1958, na Suécia.
1961 - Omar Sívori (Itália): a Azzurra foi eliminada em 1962, na chamada Batalha de Santiago.
1965 - Eusébio (Portugal): a seleção lusa terminou em terceiro lugar na Inglaterra em 1966.
1969 - Gianni Rivera (Itália): a Azzurra perdeu a final de 1970 para o Brasil de Pelé.
1973 - Johan Cruijff (Holanda): a Laranja Mecânica perdeu a final de 1974 para a anfitriã Alemanha Ocidental.
1977 - Allan Simonsen (Dinamarca): a Dinamarca não foi à Argentina em 1978.
1981 - Karl-Heinz Rummenigge (Alemanha Ocidental): os alemães foram vice-campeões diante da Itália em 1982.
1985 - Michel Platini (França): a seleção francesa terminou em terceiro no México em 1986.
1989 - Marco Van Basten (Holanda): a seleção laranja caiu nas oitavas-de-final em 1990.
1993 - Roberto Baggio (Itália): no caso mais cruel, coube a ele perder o pênalti que deu o título mundial ao Brasil, nos Estados Unidos.
1997 - Ronaldo (Brasil): sofreu uma convulsão na véspera, e perdeu a final contra a França.
2001 - Michael Owen (Inglaterra): foi eliminado nas quartas-de-final pelo Brasil.
2005 - Ronaldinho (Brasil): caiu para a França nas quartas-de-final.
2009 - Lionel Messi (Argentina): a albiceleste foi eliminada pela Alemanha nas quartas-de-final.
2013 - Cristiano Ronaldo (Portugal): a seleção lusa foi eliminada na primeira fase no Brasil.

XIII) A maldição dos 7 gatos de Avellaneda (Racing, 1968-2001)
Com um super-time, o Racing de Avellaneda conquistara o Campeonato Argentino de 1966 e a Copa Libertadores e a Copa Intercontinental de 1967. Então, em 1968, um grupo de hinchas do Independiente, o eterno rival do Racing, enterrou 7 gatos mortos sob o gol da tribuna popular do Cilindro de Avellaneda. Desde esse dia, os goleiros do Racing que defendem esse gol cometem erros inacreditáveis e engolem frangos monumentais. Desesperados, os torcedores do Racing organizaram uma escavação e uma limpeza, mas a coisa só piorou, pois foram encontrados os corpos de apenas 6 felinos. Somente em 1998 o sétimo gato foi finalmente encontrado. Três anos depois, o Racing voltou a ser campeão argentino, no Apertura 2001...

PCFilho

sábado, 12 de julho de 2014

A maldição de Tilcara

Foto: Christian Schwarz.
Treinamento da seleção argentina.
Tilcara, Jujuy, Argentina, janeiro de 1986.

Neste domingo 13, a Argentina enfrentará a Alemanha no Maracanã, na final da Copa do Mundo do Brasil. Mas será que Bastian Schweinsteiger, Thomas Müller e companhia são os principais adversários dos argentinos? Os habitantes de Tilcara - uma cidadezinha encravada nas montanhas do interior argentino - têm certeza de que o onze de Alejandro Sabella enfrentará um fantasma ainda maior que a poderosa seleção germânica.

A maldição de Tilcara nasceu em 1986. Em janeiro daquele ano, o treinador Carlos Salvador Bilardo levou um grupo de jogadores da seleção argentina para um período de treinamentos na cidade, visando à preparação para a Copa do Mundo do México. A escolha de Tilcara como local daqueles treinos se deveu à altitude de 2460 metros da localidade, similar à da Cidade do México. Lá, os atletas fizeram uma promessa à Virgen de Copacabana del Abra de Punta Corral, imagem de Nossa Senhora guardada numa igrejinha local: se conquistassem o Mundial meses depois, voltariam lá com a taça, para agradecer pela graça alcançada.

Pois bem: sabemos que Maradona, Burruchaga e companhia foram mesmo campeões no México, batendo a Alemanha Ocidental na decisão, por 3 a 2. Entretanto, Tilcara aguarda até hoje o regresso dos heróis, que nunca mais apareceram por lá. Os habitantes da cidadezinha acreditam que esta promessa não-cumprida pelos homens de Bilardo tem sido o fator decisivo para o jejum de 28 anos da seleção argentina sem levantar a Copa do Mundo.

Desde aquela conquista mal-agradecida, a Argentina tem colecionado decepções em Mundiais: em 1990, foi vice-campeã (perdeu a decisão para a Alemanha Ocidental, por 1 a 0); em 1994, foi eliminada pela Romênia nas oitavas-de-final; em 1998, foi eliminada pela Holanda nas quartas-de-final; em 2002, caiu ainda na primeira fase da Copa; em 2006, foi eliminada pela Alemanha nas quartas-de-final, em disputa de pênaltis; e em 2010, foi novamente eliminada pela Alemanha nas quartas-de-final.

No início deste ano, moradores da cidade realizaram a campanha "Vuelvan a Tilcara", cobrando o cumprimento da promessa, ainda que tardio. E, embora tenham recebido apoio de torcedores de todo o país, eles não foram atendidos. Vinte e oito anos já se passaram, e a seleção argentina segue sem pagar sua dívida com Tilcara e a Virgem de Copacabana.

Neste domingo 13, no Maracanã, Argentina e Alemanha quebrarão lanças na batalha pela glória suprema do futebol mundial. Veremos se a maldição de Tilcara segue de pé, infalível como tem sido.

PCFilho