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domingo, 27 de maio de 2018

Fluminense Campeão Carioca de 1951


A foto acima, enviada a mim pelo bom amigo Giton Simionovski, é do elenco do Fluminense que conquistou o Campeonato Carioca de 1951. Se o leitor quiser ver a foto em maior resolução, basta clicar na imagem.

Na segunda fileira, em pé, da esquerda para a direita, estão: Zezé Moreira (treinador), Nino, Vitor, Píndaro, Edson, Castilho, Jair Baptista, Pinheiro, Laffayette e Gradim (auxiliar técnico).

Na terceira fileira, sentados, da esquerda para a direita, estão: Didi, Lino, Orlando Pingo de Ouro, Telê, Villalobos, Carlyle, Joel e Quincas.

Foi esta equipe do Fluminense a primeira a ganhar o apelido de "Timinho", criado por Paulinho Rodrigues, o irmão caçula de Nelson Rodrigues e Mario Filho, então repórter do Última Hora. Com muitos atletas jovens, o Fluminense penava para derrotar seus adversários, quase sempre por placares pequenos. 

Porém, de "timinho", aquele Fluminense não tinha nada. Castilho, Pinheiro e Didi disputariam as Copas do Mundo seguintes com a Seleção Brasileira; Telê e Orlando Pingo de Ouro também tornar-se-iam dois dos maiores ídolos tricolores. De vitória em vitória, o Fluminense chegou à rodada final empatado com o Bangu, ambos com campanhas de quatorze vitórias, três empates e três derrotas. Assim, o Campeonato Carioca acabou decidido em uma melhor-de-três, com o "Timinho" levantando a taça após duas vitórias (vide as efemérides tricolores de 13 de janeiro e 20 de janeiro).

Poucos meses depois, a mesma equipe, com os reforços de Jair Santana, Bigode e Marinho, conquistaria a II Copa Rio, primeira competição intercontinental de clubes do mundo, superando Sporting Lisboa, Grasshopper-Club, Peñarol, Áustria Viena e Corinthians.

Posteriormente, outras equipes do Fluminense começariam suas temporadas vistas como "timinhos", e terminariam cobertas de glórias. Foi assim, por exemplo, em 1980 e em 1995. Quem sabe se assim será também neste difícil ano de 2018...

PCFilho

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Efemérides tricolores - 16 de outubro



1938: em partida válida pela 6ª rodada do turno do Campeonato Carioca, no Estádio de Laranjeiras, o Fluminense perdeu por 3 a 0 para o Botafogo. Foi o primeiro tropeço tricolor na competição: com cinco vitórias e uma derrota, aquele timaço do Fluminense iniciava a campanha do tricampeonato do Rio de Janeiro.

1949: em jogo válido pelo returno do Campeonato Carioca, no Estádio de Laranjeiras, o Fluminense goleou o Canto do Rio por 8 a 1. Os gols da vitória tricolor foram assinalados por Carlyle (dois), Silas (de bicicleta), Santo Cristo (dois) e Orlando Pingo de Ouro (três).

1960: em partida válida pelo returno do Campeonato Carioca, em São Januário, o Fluminense ganhou por 1 a 0 da Portuguesa da Ilha do Governador, graças ao gol de Paulinho Omena, aos 15 minutos do segundo tempo.

1971: em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio do Maracanã, o Fluminense ganhou por 2 a 0 do Atlético Mineiro, com gols de Marco Antônio e Ivair. O Atlético Mineiro terminaria campeão da competição.

1976: em partida disputada no Maracanã, válida pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense venceu o Fortaleza por 3 a 1, graças a três gols do centroavante argentino Doval, todos no primeiro tempo. Geraldino marcou o gol de honra do Fortaleza na etapa final. A Máquina Tricolor caminhava para se classificar à fase semifinal da competição.

1977: em sua estreia no Campeonato Brasileiro, diante de 23.120 pagantes no Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica, o Fluminense goleou a Desportiva Ferroviária por 5 a 0, gols de Marinho Chagas, Cafuringa, Gílson Gênio, Kléber e Paulinho.


1983: em jogo válido pela quinta rodada do segundo turno do Campeonato Carioca, em São Januário, o Fluminense venceu o Volta Redonda por 1 a 0, gol de Vânder. Por ter vencido o primeiro turno, o Fluminense já estava classificado para o triangular final, no qual se sagraria campeão (vide 11 de dezembro).

1986: em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio do Maracanã, o Fluminense ganhou por 2 a 0 do Central de Caruaru, gols de Tato e João Santos.

1988: em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, no Couto Pereira, em Curitiba, o Fluminense derrotou o Coritiba por 1 a 0, gol de Romerito, aos 21 minutos do segundo tempo.

1992: na partida de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil, no Estádio de Laranjeiras, o Fluminense empatou em 2 a 2 com o Sergipe, e se classificou para as quartas-de-final. Wagner e Julinho marcaram os gols tricolores, e Sandoval e Osvaldo empataram para os sergipanos. No jogo de ida, o Fluminense vencera por 1 a 0, no Batistão (vide 4 de setembro). Na fase seguinte, o Tricolor enfrentaria o Criciúma.

2011: em jogo válido pelo returno do Campeonato Brasileiro, no Canindé, em São Paulo, o Fluminense venceu o Palmeiras por 2 a 1, com dois gols de Fred. Em onze jogos no segundo turno, o Fluminense tinha oito vitórias, um empate e duas derrotas - o time seria o campeão simbólico do returno, mas chegaria somente em terceiro lugar no Brasileirão, devido à campanha irregular no primeiro turno.

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Aniversariantes do dia:

Alfredo Moreira Júnior, o Zezé Moreira (1908), lendário treinador do Fluminense. Com três passagens no comando técnico tricolor, Zezé Moreira é o treinador que mais vezes dirigiu o time profissional, totalizando 474 jogos entre 1951 e 1963 (272 vitórias, 96 empates e 106 derrotas). Conquistou o Campeonato Carioca de 1951, o Torneio José de Paula Júnior de 1952, o Mundial de Clubes (Copa Rio) de 1952, a Copa das Municipalidades de 1953, o Torneio Início de 1954, o Campeonato Carioca de 1959 e o Torneio Rio-São Paulo de 1960. Treinou a Seleção Brasileira entre 1952 e 1955, conquistando o Pan-Americano de 1952 (primeiro título da Seleção no exterior), e disputando a Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Também foi campeão em outros clubes: conquistou o Campeonato Carioca de 1948 pelo Botafogo, o Campeonato Paulista de 1970 pelo São Paulo e a Copa Libertadores de 1976 pelo Cruzeiro.
Zezé Moreira, treinador icônico do Fluminense.
Zezé e o elenco tricolor, em Laranjeiras (Revista do Esporte, janeiro de 1962).

Arlette Pinheiro Esteves Torres, a Fernanda Montenegro (1929), atriz brasileira indicada ao Oscar, torcedora ilustre do Fluminense.
Fernanda Montenegro, atriz tricolor.

Dário Lourenço (1953), zagueiro com um gol marcado em 47 partidas pelo Fluminense, entre as temporadas de 1978 e 1979. Seu gol foi em um amistoso contra o CSA, em 17 de março de 1978. Dário também foi treinador, e estava no comando técnico do Volta Redonda que perdeu a final do Campeonato Carioca de 2005 para o Fluminense.
Dário Lourenço.

Fábio de Jesus, o Fabinho (1976), volante com 102 atuações pelo Fluminense entre 2007 e 2009. Foi titular no time que conquistou a Copa do Brasil de 2007, e reserva na equipe vice-campeã da Copa Libertadores de 2008.
Fabinho.

PCFilho

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Parentes que fizeram história no Fluminense

Carlos Alberto Torres e seu filho Alexandre, em 1986: exemplo de linhagem tricolor.
(Foto: Gazeta Press)

Amigos, há quem diga que o talento é determinado e transmitido pela genética. Há também os que garantem que a paixão passa de pai para filho. A gloriosa história do Fluminense Football Club talvez consiga provar ambas as teses.

Regressando aos primórdios, aqueles tempos em que o Fluminense ainda tentava convencer o Brasil de que a vocação da pátria era o futebol, o fundador Oscar Alfredo Cox chegou a atuar algumas vezes como atleta do clube, mas foi seu irmão Edwin Horácio Cox que levou a fama de ser o craque inaugural do futebol carioca, com seus dribles arrebatadores. Outro irmão que jogou no Fluminense foi Harold Cox. Oscar, Edwin e Harold foram, portanto, os primeiros irmãos a fazerem história no Fluminense (e no futebol brasileiro).

Os irmãos argentinos Victor e Emile Etchegaray estiveram presentes em todos os 33 jogos do tetracampeonato carioca obtido pelo Fluminense entre 1906 e 1909. Victor era zagueiro e Emile atacante, mas não há dúvidas de que o entrosamento familiar ajudou demais o onze tricolor naquelas campanhas memoráveis, que culminaram nas primeiras taças da história tricolor.

O meia-atacante inglês James William Calvert foi campeão carioca de 1911 pelo Fluminense. James foi um dos dois titulares a permanecer no Tricolor após a cisão que deu origem ao futebol do Flamengo - e, no primeiro Fla-Flu, marcou o segundo gol da vitória do Fluminense por 3 a 2. O primeiro gol do jogo fora assinalado por Edward Calvert, irmão de James, que passara a ser titular do Fluminense após a saída dos dissidentes. O triunfo tricolor naquele primeiro clássico contra o Flamengo teve, portanto, participação fundamental dos irmãos Calvert, que atuaram juntos durante a temporada de 1912.

Naquela época, as arquibancadas tricolores tinham em suas fileiras o escritor Henrique Maximiano Coelho Neto, fundador da cadeira número dois da Academia Brasileira de Letras. Coelho Neto era um torcedor tão fanático que, quando o Fluminense estava sendo garfado em um Fla-Flu de 1916, invadiu o gramado a fim de interromper a roubalheira. Dois de seus filhos acabaram tornando-se atletas do Fluminense: Mano, que faleceu tragicamente após levar uma bolada em um jogo do clube; e Preguinho, autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, um atleta tão completo que também foi campeão em outras nove modalidades. Os irmãos Mano e Preguinho são reverenciados até hoje como dois grandes ídolos tricolores.

O goleiro Marcos Carneiro de Mendonça, primeiro a defender os arcos da Seleção Brasileira, foi uma verdadeira lenda do Fluminense, peça fundamental na conquista do tricampeonato entre 1917 e 1919. Posteriormente, foi presidente do clube, conquistando em sua gestão o bicampeonato, em 1940 e 1941. Anos mais tarde, seu irmão Fábio Carneiro de Mendonça também seria presidente do Fluminense, conquistando em sua gestão o Campeonato Carioca de 1951 e o Mundial de Clubes de 1952, além da Taça Olímpica de 1949. Na década de 1990, o filho de Fábio, Gil Carneiro de Mendonça, também seria presidente do Fluminense, por alguns meses.

Em 1920, estreou no Fluminense o goleiro Ayrton Bacchi de Araújo. Ele era irmão do ponta-esquerda César Bacchi de Araújo, conhecido como Bacchi, um dos heróis do Fla-Flu de 1919. Ayrton chegou a ser convocado para a Seleção Carioca e para a Seleção Brasileira (foi o goleiro reserva na Copa América de 1920). Talvez pelo peso da concorrência de Marcos Carneiro de Mendonça e Gerdal Gonzaga de Bôscoli no Fluminense, Ayrton acabou se transferindo para o futebol paulista meses depois.

Na década de 1930, o defensor José Pereira Guimarães fez história com a camisa tricolor, tendo atuado mais de 150 vezes pelo Fluminense, e levantado os Campeonatos Cariocas de 1936, 1937, 1938 e 1940. Quatro décadas depois, seu sobrinho Antonio Monfrini Neto, o meia-atacante Manfrini, foi um dos craques da Máquina Tricolor que encantou o Brasil. Manfrini também completou a marca de 150 jogos pelo Fluminense, e foi campeão Carioca em 1973 e 1975. Tanto o talento para o futebol quanto a paixão pelas três cores do Fluminense passaram do tio para o sobrinho.

Em 1936 e entre 1944 e 1945, os irmãos uruguaios Hector e Humberto Cabelli trabalharam juntos na comissão técnica do Fluminense. Ambos chegaram a treinar a equipe profissional do clube Tricolor.

Em dezembro de 1941, o Fluminense disputou dois amistosos em São Paulo, o primeiro contra o São Paulo e o segundo contra o Corinthians. Foram as duas únicas partidas do goleiro Aymoré Moreira com a camisa do Fluminense - ele defendia o Botafogo naqueles anos. Posteriormente, Aymoré teria uma bem-sucedida carreira de treinador: foi o técnico da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Seu irmão mais velho Zezé Moreira também foi jogador e treinador - e fez história no comando técnico do Fluminense, sendo até hoje o treinador recordista em número de jogos no Tricolor, e tendo conquistado os Campeonatos Cariocas de 1951 e 1959, o Torneio Rio-São Paulo de 1960 e o Mundial de Clubes de 1952.

Entre 1963 e 1966, José Antunes Coimbra Filho, o Antunes, jogou 36 partidas e marcou 13 gols pelo Fluminense. Em 1993, seu irmão Eduardo Antunes Coimbra, o Edu, foi treinador do clube por um curto período. Os dois são irmãos mais velhos de Zico, grande ídolo da história do Flamengo, que (até hoje) nunca defendeu o Fluminense.

Na década de 1960, o Fluminense revelou o lendário lateral-direito Carlos Alberto Torres para o futebol. Após passar por outros clubes, ele voltou a Laranjeiras em 1976, para comandar dentro de campo a Máquina Tricolor. Anos após a aposentadoria do "Capita", Alexandre Torres seguiu os passos paternos, iniciando sua carreira profissional no Tricolor (nas divisões de base, chegou a ser treinado pelo pai).

Em 4 de julho de 1971, o Fluminense venceu o America por 2 a 0, em partida válida pela Taça Guanabara. Este foi o único jogo do volante Júlio Laerte Camilo do Amaral com a camisa tricolor (ele teve mais destaque atuando pelo Palmeiras). Décadas depois, em 2008, o clube das Laranjeiras contratou o atacante Leandro Câmara do Amaral, filho de Júlio. Leandro atuou 23 vezes pelo Fluminense entre 2008 e 2009, tendo marcado 4 gols.

Na década de 70, o Fluminense revelou o jovem Gilson Wilson Francisco, o Gilson Gênio, que fez parte da temida Máquina Tricolor, bicampeã carioca em 1975 e 1976, e nos anos 2000 foi treinador das categorias de base do clube. Seu irmão mais novo, Gilcimar Wilson Francisco, também foi revelado pelo Fluminense, fazendo parte da equipe campeã da Copa São Paulo de Juniores de 1977. Depois, ele atuou nos profissionais entre 1977 e 1979 e entre 1981 e 1982.

No ano de 1977, estiveram juntos no time profissional do Fluminense os irmãos César Augusto da Silva Lemos (o César Maluco) e Luiz Carlos da Silva Lemos. Uma curiosidade é que os dois irmãos já haviam atuado juntos no Flamengo, clube que os revelou, em 1968.

Em agosto de 1996, o meia-armador Roberto de Assis Moreira disputou 6 partidas no time profissional do Fluminense, sem grande destaque. Dezenove anos depois, seu irmão mais novo Ronaldo, o craque mundialmente famoso Ronaldinho Gaúcho, seria contratado pelo Tricolor. Infelizmente, não teve o sucesso esperado, tendo entrado em campo apenas 11 vezes com a camisa do clube carioca.

Entre 2001 e 2002, os irmãos Oswaldo de Oliveira e Waldemar Lemos trabalharam juntos na comissão técnica do Fluminense. No início de 2002, Oswaldo comandava o time principal no Torneio Rio-São Paulo, enquanto Waldemar treinava o segundo time nas fases iniciais do Campeonato Carioca.

Já no século XXI, o Fluminense revelou dois irmãos para o futebol brasileiro: os meias Carlos Alberto e Fernando Gomes de Jesus. Carlos Alberto, o mais velho, foi campeão carioca em 2002, antes de ser vendido para o Porto, de Portugal. Fernando atuou com a camisa tricolor entre 2005 e 2006. Carlos Alberto ainda voltou ao clube para ser campeão da Copa do Brasil, em 2007.

Abel Braga, zagueiro revelado pelo Fluminense na década de 70 e treinador campeão Carioca de 2005 e Brasileiro de 2012, viu seu filho Fábio Braga seguir seus passos no Fluminense, atuando no meio-campo. Abel chegou a escalar Fábio em algumas partidas sob seu comando técnico, entre 2011 e 2013.

Recentemente, o Fluminense revelou para o futebol os irmãos gêmeos Fábio e Rafael Pereira da Silva, laterais-prodígio que não chegaram a jogar profissionalmente pelo clube, por terem sido vendidos precocemente para o poderoso Manchester United, da Inglaterra. Quem sabe eles, um dia, retornem juntos ao clube que os revelou?

1ª edição para acréscimos de outros casos (18/01/2017):

Entre os anos de 1973 e 1980, os irmãos Carlos Eduardo Duarte Ribeiro e Kleber Ribeiro Filho, respectivamente o lateral-esquerdo Carlinhos e o meia Kléber "Bequinha", atuaram juntos na equipe profissional do Fluminense, tendo acumulado diversos títulos, como os Campeonatos Cariocas de 1975 e 1976 e os Torneios de Paris e Viña del Mar de 1976.

Em 1991, o atacante Télvio Henrique Pereira da Costa atuou em 5 partidas pelo time profissional do Fluminense. Oito anos depois, seu irmão gêmeo Túlio Maravilha jogou 26 vezes, marcando 12 gols, com a camisa tricolor.

No ano 2000, o treinador do Fluminense Valdir Espinosa tinha como auxiliar seu filho Rivelino Serpa - que chegou a comandar o time em duas partidas daquela temporada.

PCFilho
(com colaborações de Afonso Hildebrandt, Romulo Morano e Fernando Mello)
(se o leitor conhecer outros casos de parentes que fizeram história no Fluminense, pedimos que nos avisem nos comentários - e agradecemos antecipadamente pela colaboração)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Recordar é viver - Garrincha em dia de joão


Rio de Janeiro, 5 de setembro de 1965.

Amigos, a Taça Guanabara foi uma idéia maravilhosa. Vejam a presença de ontem no Maracanã: mais de 115 mil pagantes, para uma renda superior a 70 mil cruzeiros. Uma audiência tão colossal está aí para comprovar que a primeira edição da taça foi um sucesso total.

Boa parte dessa multidão foi ao Maracanã para ver Garrincha. Convenhamos, o Mané é a alegria do povo. Desconfio que, se ele resolvesse jogar sozinho no Maracanã, sem os outros 21 jogadores, nós iríamos ao estádio mesmo assim.

No jogo anterior, o Botafogo venceu o Vasco com uma facilidade impressionante: 3 a 0. Na ocasião, Garrincha fez Oldair de gato e sapato. O Mané desintegrou a defesa vascaína, assim como fizera com os soviéticos em 1958. Foi um verdadeiro baile do Botafogo sobre o Vasco. A atuação fantástica de 11 de agosto dava ao Botafogo a condição de favorito na final da Taça Guanabara.

O lateral-esquerdo Oldair, do Vasco, treinou muito durante o mês, para evitar repetir a atuação de "joão" diante de Garrincha. As testemunhas dos treinamentos do Vasco, dirigidos pelo lendário Zezé Moreira, viram um Oldair aplicado, um Oldair esforçado, chegando antes e saindo depois dos outros.

Quando começou a decisão, Garrincha logo partiu com a bola, para cima de Oldair. Com um carrinho limpo, irretocável, o lateral vascaíno desarmou Mané. E seria assim durante todo o jogo: Garrincha tentava o drible, e Oldair desarmava, perfeito. Garrincha não conseguia passar uma vez sequer por Oldair. Por uma tarde, Oldair parecia o Garrincha que enlouquecia os joões, e Garrincha parecia mais um joão.

Aos 40 do primeiro tempo, Zezinho passou a Oldair. O herói que parava Garrincha fez mais: o chute da entrada da área foi traiçoeiro. A bola quicou na frente de Manga, enganando o goleiro do Botafogo: Vasco 1 a 0.

Aos 5 do segundo tempo, Mário avançou pela esquerda, foi à linha de fundo, e cruzou rasteiro. Manga saltou sem sucesso, e o afobado Paulistinha chutou contra a própria meta: Vasco 2 a 0.

O treinador Zezé Moreira então armou o Vasco para manter o resultado, tocando inteligentemente a bola. Os botafoguenses Paulistinha e Roberto ainda foram expulsos, facilitando a tarefa vascaína. No finalzinho, o olé consagrava o Vasco como primeiro campeão da Taça Guanabara.

Quando o capitão vascaíno Brito ergueu a taça, a derrota da primeira fase estava definitivamente vingada. A torcida vascaína cantava, em coro uníssono. Primeiro, "é campeão!". Depois, "1, 2, 3, Botafogo é freguês!". Por fim, "Garrincha foi joão, e o Vasco é campeão!".

E isso é tudo.

PC

Ficha técnica: Vasco 2 x 0 Botafogo - Decisão da Taça Guanabara de 1965.
Local: Maracanã (Rio de Janeiro).
Data: 05/09/1965.
Vasco: Gainete; Joel, Brito, Fontana e Oldair; Maranhão e Lorico; Luisinho, Célio, Mário e Zezinho. Técnico: Zezé Moreira.
Botafogo: Manga; Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Airton e Gerson; Garrincha, Sicupira, Jairzinho e Roberto. Técnico: Admildo Chirol.
Árbitro: Frederico Lopes, auxiliado por Eunápio de Queiroz e Claudio Magalhães.
Gols: Oldair, aos 40' do primeiro tempo; e Paulistinha contra, aos 5' do segundo tempo.
Público: 115.064 pagantes.
Renda: Cr$ 72.927,38.