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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Análise do borderô de Fluminense 1 x 0 Vasco (Copa do Brasil 2025)


Setor Sul (torcida do Fluminense, mandante):
18.904 ingressos disponíveis, dos quais 17.133 de fato utilizados (16.539 sócios e 594 não-sócios).

Setor Leste (misto):
Público geral: 9.153 ingressos vendidos.
Sócios e ex-sócios do Fluminense: 2.061 ingressos vendidos, dos quais 1.731 de fato utilizados.
Sócios do Vasco: 1.483 ingressos vendidos.

Setor Oeste:
Público geral: 1.998 ingressos vendidos.
Sócios e ex-sócios do Fluminense: 873 ingressos vendidos, dos quais 693 de fato utilizados. 
Sócios do Vasco: 383 ingressos vendidos.

Setor VIP (Maracanã Mais):
Público geral: 196 ingressos vendidos.
Sócios do Fluminense: 72 ingressos vendidos, dos quais 62 de fato utilizados.
Sócios do Vasco: 1 ingresso vendido.

Setor Norte (torcida do Vasco, visitante):
19.319 ingressos vendidos (15.673 não-sócios e 3.646 sócios).

Ingressos promocionais, cadeiras cativas, tribuna e gratuidades:
16.784 ingressos vendidos, dos quais 15.408 de fato utilizados (9.542 pagantes e 5.866 não-pagantes).

Totais:
67.560 torcedores presentes (além de 3.667 ingressos não-utilizados, totalizando 71.227 ingressos disponibilizados);
61.694 pagantes;
5.866 não-pagantes;
19.025 sócios do Fluminense presentes (além de 2.291 ingressos não-utilizados, totalizando 21.316 ingressos solicitados);
5.513 sócios do Vasco presentes;
26.755 presentes de público geral (não-sócios de nenhum dos clubes) nos setores mistos ou utilizando ingressos promocionais.

PCFilho

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 4: O dinheiro compra até o amor verdadeiro


Nessa última parte analiso o papelão do nosso novo auditor e o nosso pitoresco Conselho Fiscal.

O Fluminense conseguiu a proeza de publicar seu balanço de 2017 sem o parecer do Conselho Fiscal. Não que isso faça alguma diferença, afinal Pedro Abad era membro dessa inutilidade nos 6 anos da gestão Peter e Filipe Dias chegou a ser membro suplente em parte desse período nefasto da gestão Peter, em que o balanço do Flu era uma obra de ficção científica.

O Conselho Fiscal nesses anos de gestão FluSócio se fundamenta nos argumentos mais cretinos e pífios possíveis. Acredita em normas que estão na gaveta de alguém na APFut, na palavra de auditor bunda-suja e até mesmo na prática errada de outros clubes.

Paladinos da boca para fora. Na prática exercem um papel determinante nesse mecanismo de ludibriar os usuários das demonstrações financeiras do Fluminense, aprovando todos esses balanços notoriamente fraudados e/ou errados.

Tudo que será listado abaixo pode subsidiar o atual Conselho Fiscal na reprovação das contas e na exigência da republicação ajustada do balanço e notas de 2017.

Citarei algumas normas, as principais que levam a outras e permitem julgar de forma correta o que tem que ser feito. Terão que ler tudo para confrontar o que foi apresentado, afinal quem se disponibiliza para exercer a função de conselheiro fiscal precisa dominar os assuntos que serão relacionados abaixo.

Nosso novo auditor já tomou bomba nesse quesito de respeito a normas, como vocês poderão ver ao longo dessa postagem. Resta saber se o Conselho caminhará sozinho ou vai colar as respostas do auditor e ser reprovado junto.

O ponto de partida é a NBC TA 706, que vai citar várias normas necessárias para tratar de vários assuntos pertinentes ao parecer. O CPC 30 deve ser lido para as Receitas (o 47 só passa a vigorar a partir de 2018). A ITG 2003 e o Profut (artigos 3º e 4º) balizam a apresentação do resultado dos clubes de futebol e a NBC TA 570 trata da continuidade.

De forma bem resumida, afinal esse embate técnico ocorrerá no foro apropriado, temos os seguintes problemas que levam a reprovação e/ou necessidade de reapresentação.

1. A mensuração da necessidade de capital de giro é mandatória, basta observar que o antigo auditor sempre colocou em seu parecer o valor do rombo. Omitir isso é gravíssimo;

2. Não há meios de o auditor acreditar na continuidade operacional do Fluminense, para tanto basta analisar que apuramos déficits consecutivos e também continuamos a orçar déficits e vermos nossas receitas diminuírem ano a ano;

3. Existem problemas de inadimplência fiscal que fortalecem a tese de que a continuidade não pode ser tratada como está sendo tratada no parecer, e isso, por força de norma, implica a adoção de n procedimentos e notas adicionais, fora o fato de que não se deve em hipótese alguma aprovar contas em que não houve recolhimento de impostos e com suspeita de apropriação indébita de IRRF;

4. Ignorar os erros da contabilização da venda do atleta Gerson (vide parte 2) é um absurdo;

5. Permitir que seja feita a pedalada com as luvas do contrato de TV a partir de 2019 (vide parte 2) é criminoso;

6. A DRE está em não-conformidade com as normas de apresentação, ocultando propositalmente os déficits apurados na parte social, esportes amadores e no back-office;

7. Eventos subsequentes foram tratados de forma mentirosa no balanço e isso requer ajustes materiais e de apresentação;

8. Existem notas com erros! E até mesmo o atleta Diego Souza continua desaparecido na relação de direitos econômicos, entre outras divergências na movimentação de atletas entre os anos (ninguém checa esse quadro em nenhum ano, é impressionante).

Cabe ao Conselho Fiscal iniciar o processo que culminará na expulsão de Peter e Abad dos quadros sociais do Fluminense, e fomentar sobretudo o estudo de como podemos iniciar os esforços para recuperar essas perdas causadas por uma gestão calamitosa.

Não basta expulsá-los do clube. Todos os envolvidos nessa formação recorde de déficit precisam arcar com esse prejuízo nas pessoas físicas.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#thatsallfolks

Ricco

domingo, 20 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 3: Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava


Essa parte talvez seja a mais chocante de todas.

Em determinado momento de 2018, nosso agora ex-Vice-Presidente de Finanças disponibilizou para conselheiros, um relatório analítico contábil do exercício de 2017 até o mês de novembro.

Notem que as peças contábeis do Fluminense são públicas, e, portanto, os relatórios que servem de base para sua elaboração deveriam ser franqueados a todos, como acabou ocorrendo. Não há vazamento quando a informação é cedida voluntariamente por um Vice-Presidente. Tampouco há quebra de sigilo, afinal é necessário prestar contas e dar o maior nível de detalhamento possível. Se a informação contábil circulou entre os diversos grupos de sócios e torcedores e chegou até mim, culpem quem as forneceu originalmente, mas lembrando que isso não deveria, jamais, ser um segredo.

Com base em alguns saldos interinos de novembro de 2017, tenho algumas perguntas a fazer. Apertem os cintos!

CENTRO DE CUSTO DE DESPESAS COM SERVIÇOS

Vamos começar com a conta de intermediação: ela foi o ponto de partida para a análise dessa parte 3.

CONTA 4110105007 - Intermediação

Em novembro de 2017, essa conta de despesa já acumulava o saldo de R$ 9.458.675,81. Ela se refere a tudo que é pago no ano a intermediários nas transações com jogadores (vendas e empréstimos).

Na nota explicativa 19 temos o seguinte quadro:
(Clique na imagem para ler melhor.)

Há uma diferença com o saldo interino de novembro de quase 7 milhões de reais. Onde foram parar esses valores entre novembro e dezembro de 2018?

Para que não haja dúvida, citarei por exemplo a conta 4110105004, referente a honorários de advogados, que em novembro tinha como saldo R$ 2.160.899,07 e que em dezembro fechou com um ligeiro aumento de cerca de meio milhão, como podemos ver na mesma nota. Um comportamento esperado em termos de evolução de saldo (mas não na natureza do gasto, um absurdo gastar isso tudo com advogados, mas tem Operação Limpidus, burla de penhora, etc, isso custa caro mesmo).

O mistério não acaba por aí. Em novembro de 2017 o grupo 4110105 DESPESAS COM SERVIÇOS já tinha um saldo acumulado de 33 milhões. O total da nota em dezembro acumula 20 milhões. O que aconteceu com esses 13 milhões? Foram reclassificados? Para onde e por quê? Ou tivemos reversões? Nesse caso, qual o motivo?

EVOLUÇÃO DAS PROVISÕES COM IMPOSTOS

Há um ponto alarmante no relatório de novembro, nas contas de provisões de impostos.

O comportamento normal dessas contas é que haja o provisionamento, com pagamento subsequente e baixa do valor provisionado. Dessa forma, o saldo das contas de passivo tende a ser quase constante, contemplando somente o que é devido até o recolhimento mensal.

Acontece que várias contas têm crescido de saldo a cada mês, com eventuais baixas parciais.

Listo todas onde foi identificado crescimento do saldo devedor (isto é, inadimplência total ou parcial) para vocês: PIS, INSS, FGTS, PIS/CSSL/COFINS sobre serviços de terceiros, INSS sobre terceiros (2 contas no razão analítico), IRRF sobre serviços de terceiros, ISS PJs, ISS sobre serviços de terceiros, COFINS e IRRF FUNCIONÁRIOS.

Aqui cabe uma única pergunta: onde estão as guias que provam que os impostos foram recolhidos? Existem rubricas que não são cobertas pelo PROFUT.

E não custa relembrar que cerca de algumas semanas atrás existia denúncia na timeline do Twitter, originada de grupos do Whatsapp, acerca de problemas de apropriação indébita de IRRF. Uma cagada de quase 17 milhões com efeitos catastróficos.

Não preciso me estender sobre a gravidade disso, muito menos lembrar que uma cagada dessa proporção deveria ser tratada pelo auditor independente de forma adequada. Ainda mais com o tal plano de reestruturação divulgado no início do relatório publicado.

Vamos rezar para que o Fluminense me prove que estou fazendo uma leitura errada dos números. Mas sem narrativas: mostrem as guias com o comprovante de pagamento.

Até a próxima postagem.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#illbeback

Ricco

sábado, 19 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 2: O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente


Nessa parte trataremos de três ajustes que não foram feitos. Um deles constitui uma imundície do sistema, que age aparentemente em conluio na defesa de gestões temerárias.

Vamos começar pela venda do atleta Gerson. Vejam o que o próprio Fluminense diz no seu balanço de 2017:
(Clique na imagem para ler melhor.)

Pois bem, se a venda de Gerson ocorreu em dezembro de 2015, então como há receita da sua venda lançada em 2016, e isso não foi ajustado?

Vale lembrar que a Roma lançou a compra do Gerson em dezembro de 2015.

Contador, CFO e Auditor podem fazer todo contorcionismo do mundo, mas a operação foi fechada em dezembro de 2015 e a competência dessa receita é inteira do exercício de 2015. Qualquer argumentação pífia relacionada à transferência (que é mera burocracia, pois vale a data do contrato de venda) nos remete a duas possibilidades: fraqueza técnica ou de caráter, ao permitir uma atrocidade dessas.

Estamos falando de mais de 40 milhões de receita que não existiam em 2016. O tal déficit ajustado de 13 milhões, que foi publicado, passaria de 50 milhões.

Em tempo, off-maquiagem de balanço: 9% a. a. de taxa na operação! Operação que foi repactuada novamente, ou seja, a Roma aparentemente não pagou o parcelamento estilo Casas Bahia. Requer pesquisa e muitos questionamentos junto à opaca gestão Flusócio.

Agora trataremos de um assunto aterrador: mais uma vez, as luvas referentes ao contrato da TV de 2019-2022 foram "esquecidas".

Seguem no mantra de que existe uma recomendação guardada numa gaveta trancada a sete chaves na APFut, fruto de um trabalho coletivo entre CFC e auditores.

Eu não vou me estender na imundície e fraqueza desse argumento do documento misterioso que nunca veio ao conhecimento de todos. É algo tão ridículo a existência de uma norma oculta, que só merece nosso total desprezo e deboche.

Faltam 80 milhões em ajuste no balanço de 2016. Os 50 milhões supracitados atingiriam a expressiva marca de 130 milhões de déficit, um número que deveria fazer Peter e Pedro saírem do Flu para sempre, preferencialmente escoltados.

Mas por favor prestem muita atenção no que escreverei a seguir.

A falaciosa APFut alterou o tratamento contábil das luvas a partir de 01/01/2018.

Luvas voltarão a ser diferidas a partir desse ano, como sempre deveriam ter sido diferidas, seguindo o normativo contábil brasileiro, internacional e extraterrestre!!! O diferimento implica que as mesmas não passam pelo resultado do ano, somente sendo apropriadas entre 2019 e 2022.

Essa camarilha está preparando uma mega-maquiagem com relação a isso. Explico passo a passo:

1. Em 2018, em função de mudança de critério contábil, esses vagabundos poderão reclassificar as luvas como receita diferida, gerando outro ajuste contra patrimônio (exercícios anteriores).

2. Em 2019, 2020, 2021 e 2022, o Fluminense (e todos os demais times que lançaram as luvas em 2016) poderá ter um incremento de receita (não-monetária, o valor já foi recebido e gasto) de 20 milhões.

3. Serão 20 milhões fruto de lançamento contábil que servem para ofuscar a geração de déficit corrente, que engatilha a configuração de gestão temerária em clubes de futebol.

Em outras palavras, há uma PEDALADA planejada em curso, que dará um refresco de 20 milhões por ano. Como a contrapartida irá contra patrimônio, escapa dos gatilhos da lei perneta do PROFUT.

Essa é uma daquelas situações típicas do futebol brasileiro, entregue a um bando de gente procurada pelo FBI.

Finalizando essa parte, não podemos esquecer de falar sobre a cínica nota de "Eventos subsequentes":
(Clique na imagem para ler melhor.)

O Fluminense teve a pachorra de dizer que conseguiu uma economia de 15 milhões nessa operação, ao mesmo tempo que já tem acertado um acordo com Diego Cavalieri no montante de 6 milhões e várias declarações como a do Marquinho, dizendo que receberia na prática a mesma coisa que se estivesse ainda fazendo parte do elenco.

A regra sobre eventos subsequentes é clara: todo acordo realizado antes da publicação e auditoria deve ser reconhecido no passivo. O resultado de 2017 não contempla essas provisões. Não temos meios hoje de apontar o valor. Mas é um ponto a ser questionado e mais que suficiente para não aprovar as contas de 2017, por exemplo.

Outro ponto de atenção é esse processo de execução fiscal, que surgiu numa burla de penhora. Um ato ilícito. Há normativo para tratar isso e não tem nada a ver com esse blá-blá-blá de o Flu estar envidando esforços para mitigar os efeitos dos bloqueios em seu fluxo de caixa.

Esse ponto será tratado com muito carinho em postagem futura.

Fiquem na #PAZ de Cristo. Ainda não acabou.

Até a próxima.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#illbeback

Ricco

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 1: Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista


Vamos começar nossa saga analisando os ajustes nas contas de 2016:

Figura 1 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

Figura 2 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

Figura 3 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

Vou tentar escrever em português coloquial para vocês entenderem o que se passa nessa parte do balanço.

O item (i) [Provisão para contingências] trata de contingências não-contabilizadas cujo impacto da não-contabilização ocorreu antes e durante 2016. Em outras palavras: era preciso registrar um passivo e consequentemente uma despesa relacionada às contingências.

Qual o efeito disso? Em 2016 temos 20 milhões em despesas não-reconhecidas, não-registradas, escamoteadas. 20 milhões equivalem a mais que o dobro do falso superávit apresentado pela Gestão Peter, cujo balançado foi elaborado e apresentado pelo seu sucessor Pedro Abad, que era o presidente do Conselho Fiscal da Gestão Peter. Pura maquiagem de balanço.

Notem que há 42 milhões de passivos relacionados a estas contingências, anteriores a 2016. Mais 42 milhões de adulteração do resultado real do Fluminense em anos anteriores!

Vamos a mais uma parte do relatório que trata desse tema:

Figura 4 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

A nota não esclarece o momento no qual esses atletas listados entraram com os processos. Uma bela forma de tentar nos enrolar. Tampouco descreve a totalidade dos casos, sendo mencionados somente os mais relevantes. Padrão de transparência comum no Fluminense.

Mas precisamos atentar para mais um ponto antes de partir para o próximo item.

Em 2015, a cínica Gestão Peter apresentou um superávit de 33 milhões, valor inferior aos 42 milhões ora ajustados referentes a 2015 para trás (para variar não sabemos ao certo a abertura por ano). Mas fomos enganados em 2015 também. Em 2014 foi apresentado déficit, mas pelo jeito era maior que os 7 milhões publicados no balanço. E o presidente do Conselho Fiscal desse período todo maquiado era o Sr. Pedro Abad, que segue impune após anos e anos de omissão e erros em sua função de guardião das contas do Fluminense.

O item (ii) [Depósitos judiciais sem documentação comprobatória] trata de ativos inexistentes e de um problema muito sério de falta de documentação de supostos depósitos judiciais. Sim! Supostos, se não há documentação e isso foi ajustado não eram depósitos, que são facilmente rastreáveis de n maneiras.

Quase 8 milhões. O ajuste deveria ser melhor explicado e ter dado início a uma análise bem mais profunda. São potencialmente quase 8 milhões em saídas de caixa sem documentação.

É um assunto que merece muita luz, mas que esbarra nas trevas das informações tricolores de sempre.

Já o item (iii) trata de uma mudança de critério contábil. É algo curioso, mas nesse momento sem grande importância, apesar dos valores citados, é um grande arranjo não-monetário das normas.

O item (iv) ["Write-off" de gastos capitalizados ref. Flu Samorin] é algo que já era discutido desde 2016: o envio de dinheiro para uma parceria na Eslováquia ou custos incorridos com jogadores que já assinaram contratos de profissional JAMAIS seriam investimento. Peter deu uma maquiadinha de pouco mais de 1 milhão com isso em 2016 e Abad já estava maquiando mais 2 milhões em 2017 até procederem à baixa.

A falta de credibilidade virou ajuste no balanço! Durmam com essa.

Como podemos ver, vivemos alguns anos sob a total maquiagem dos números do Flu.

Infelizmente os ajustes não se limitam a esses que foram efetuados, e mais uma vez o Fluminense publica um balanço errado.

Aguardem a próxima parte.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#illbeback

Ricco

Bonitinho mas ordinário - Introdução: Amar é ser fiel a quem nos trai


Por mais força que eu faça para me afastar do lado negro do Fluminense, eu sempre acabo pressionado a voltar. Para quem estava com saudade das sagas do ex-blog, teremos um breve retorno nesses dias, hospedado no Jornalheiros, este blog fora de série mantido pelo PC Filho ao longo de vários e vários anos de resiliência e amor verdadeiro ao Fluminense.

Agradeço desde já o espaço cedido.

Na noite de terça-feira, 15 de maio de 2018, o Novo Fluminense dava início a mais um triste capítulo de sua história recente, que vem sendo tripudiada ao extremo desde 2011, publicando um dos seus mais opacos e errados balanços financeiros.

A peça de ficção, com altas doses de maquiagem e criatividade, veio encaminhada com uma patética mensagem do nosso pseudo-presidente citando Nelson Rodrigues, que deve estar girando em loop em seu túmulo desde então, tamanha a audácia de associá-lo a algo que vem destruindo uma de suas maiores paixões em vida: o nosso moribundo Fluminense.

Por que pseudo-presidente? Pedro Abad não passa de uma cara de paspalho à frente de um grupo vil, que da forma mais fisiológica possível conseguiu construir alianças com outros grupelhos parasitários que relegaram o Fluminense a segundo plano, preterido de n maneiras e reduzido a mero meio para ganhos pessoais e a manutenção de um projeto de poder predatório.

Azar dos fatos? Eu vou abusar da sabedoria do grande Nelson ao longo dessa pequena série de textos e tentar resgatar a essência de sua grandeza e inteligência, que vai muito além desses poucos trechos repetidos em redes sociais e que agora chegaram a uma peça financeira que deveria ser técnica, mas que na prática acabou virando uma montagem vagabunda de chanchada de 5ª categoria.

Que ele me permita batizar essa sequência sobre o balanço de 2017 como BONITINHO MAS ORDINÁRIO. Se o profeta tricolor não gostar, que venha puxar meu pé de noite enquanto durmo, será muito bem-vindo!

O título dessa postagem vem do rol de centenas de frases brilhantes de Nelson Rodrigues.

Todas as partes contarão com suas frases nos títulos.

Foi daí que ainda tirei forças para seguir nessa insana batalha contra esses grupelhos políticos que faliram o Fluminense. Apesar de achar que chegamos a um quadro terminal e simplesmente não acreditar que haja solução para o Flu nesse cenário onde o fisiologismo e as mentiras prevalecem, sigo no martírio daquela pessoa que vê o ente querido definhar a caminho da morte, de mãos dadas e presente.

O Fluminense nos traiu. Isso é fato. O Fluminense é reflexo de seus sócios e dos grupos políticos, e todos nós permitimos que eles fizessem todas as bandalheiras possíveis e imagináveis. Não há como desassociar o Flu de seus quadros.

E nesse exato momento os poderes constituídos no clube nos traem, como vocês poderão perceber ao longo dessa série. Não medem esforços para arrumar desculpas, se omitem e mentem descaradamente. Blefam com normas, blefam com regras e já criam meios de novas maquiagens em 2019.

Nelson Rodrigues também tem explicação para o que aconteceu:

"Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos."

Sucumbimos ao rolo compressor dessa gente sem caráter. Abandonamos o Fluminense ao longo desses 7 anos e hoje pagamos um preço muito alto. Nos limitamos a discutir em redes sociais, alguns publicam editorial dizendo que o Fluminense vai cair, outros fazem podcasts, mas na verdade é preciso admitir que nos faltou coragem de enfrentar essa gente como eles deveriam ser combatidos desde o início.

Em alguns casos também sobrepujaram outros interesses, sobretudo eleitorais. Não estamos imunes à ação parasitária desses grupos quando genuinamente tentamos em vão salvar o Fluminense da sua destruição. Eles têm o dom de infiltrar pessoas que não medem esforços para garantir os objetivos eleitorais, como se o Fluminense pudesse esperar 3 ou 6 anos para medidas corretivas. Os vejo como verdadeiros abutres, ávidos pela carniça e da política do quanto pior melhor.

Deixarei todo aspecto técnico de fora dessa sequência de textos.

Redes sociais não têm capacidade e paciência para acompanhar discussões técnicas. O foro desse tipo de debate é na Justiça, afinal o Fluminense virou um caso de polícia.

Também os privarei de longos textos e interpretações sobre normas porque nosso Conselho Deliberativo é composto majoritariamente por pessoas desqualificadas tecnicamente, além de uma maioria desqualificada moralmente, gente que acorda parceira do Abad e vai dormir inimiga, conforme melhor convém, ou gente que desde 1999 sonhava em tomar o Fluminense de assalto e que hoje cria narrativas, mentiras, máscaras e tudo mais para apoio implícito e explícito a uma gestão desastrosa.

Levar a discussão a um nível mais elevado é pregar no deserto.

Subsidiar qualquer grupo político nos remete ao famoso complexo de Santos Dumont. O agrupamento político é o câncer do Fluminense. Situação, oposição, "independentes", "isentos", "os que não participam dos grupos", mas seguem a narrativa, todos eles causam nossos problemas atuais. É assim desde a década de 90.

Apresentarei em partes os erros mais grotescos do balanço de 2017, na esperança de que pessoas de fora dos quadros sociais do Fluminense, ou aqueles sócios que jamais colocam os pés nas Laranjeiras, reajam. É mandatório a essa altura acionar Conselhos de Classe, a falaciosa e politizada APFut e a Justiça. Precisamos tirar essa gente do Fluminense para ontem, e principalmente imputar-lhes as punições cabíveis. Chega de impunidade.

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." (NR)

Teremos algumas postagens, além dessa introdução. Fiquem atentos ao blog do PC e seus avisos de postagem em redes sociais.

Poderíamos ter mais de uma dúzia de partes, mas vamos focar nos maiores absurdos. Não há mais tempo para tentar corrigir tudo. A sobrevivência do Fluminense corre contra o relógio.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#illbeback

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sobre a falência do Botafogo


Amigos, nesta semana uma tristíssima realidade ficou clara: o glorioso Botafogo vive um estágio avançado de falência. No último domingo de julho, os jogadores alvinegros escancararam para o mundo a grave crise financeira do clube, ao entrarem no gramado do Maracanã com aquela faixa de protesto: atrasos de três meses nos salários, mais cinco meses nos direitos de imagem. Em tese, após os três meses de atraso, o atleta pode simplesmente pedir as contas na Justiça e ir embora. Com dívida total estimada em R$ 700 milhões, pelo menos cinco vezes sua arrecadação anual, o Botafogo está, sim, vivendo um processo de falência.

Vale sublinhar que o buraco financeiro em que o Botafogo se encontra foi cavado por seus próprios dirigentes irresponsáveis, que ao longo dos últimos anos trataram de gastar muito mais que o arrecadado, temporada após temporada. Uma dívida de centenas de milhões não nasce do nada, não cai dos céus como um raio inesperado. Ela é o resultado de um trabalho contínuo, de um esforço perseverante. Estas gestões desastrosas é que, uma após a outra, contribuíram para a falência do Botafogo.

Agora, chego ao ponto principal deste meu texto, um alerta: o Botafogo não está sozinho nesta canoa furada.

Pelo menos os outros três grandes clubes cariocas estão, cada um, em seu próprio estágio no processo falimentar: Flamengo, Vasco e Fluminense. Não tentemos tapar o sol com a peneira: todos os três vivem o mesmo problema de seu co-irmão Botafogo, após gestões irresponsáveis, com gastos estratosféricos e arrecadações menos gordas.

Sobre o caso particular do meu Fluminense, eu já venho alertando aqui nos últimos anos. Como escrevi em novembro de 2013, a dívida do outrora rico Tricolor das Laranjeiras evolui de forma assustadora: R$ 382 milhões em 2010, R$ 405 milhões em 2011, R$ 445 milhões em 2012, R$ 500 milhões em 2013*... A seguir nesse ritmo, em 2016 a dívida passará dos R$ 620 milhões. A bolha tricolor uma hora estourará, como a alvinegra está estourando agora. É só questão de tempo.

Tenho visto muitos fazendo graça e caçoando da situação do Botafogo, mas é bom abrirmos nossos olhos, e começarmos a cobrar de nossos próprios dirigentes. O presidente tricolor Peter Siemsen, responsável por boa parte da dívida tricolor, foi reeleito quase por aclamação no ano passado. O Fluminense, surfando no tapete mágico da Unimed, ainda consegue manter um elenco milionário com salários em dia, é verdade. E por isso foi campeão em 2010, foi campeão em 2012, e disputa o título em 2014. Mas o sonho um dia vai acabar.

O Fluminense tem a vocação da eternidade, como escreveu certa vez o monumental Nelson Rodrigues. Mas eu realmente espero que nossos torcedores e sócios saibam que precisam agir para que esta vocação da eternidade seja real. Para continuar glorioso, o Fluminense precisa, urgentemente, acordar para a realidade. Que o triste caso do Botafogo sirva de exemplo, enquanto ainda há tempo.

PCFilho

* observação: o número de 2013 era uma estimativa - o balanço oficial do clube apontou que a dívida total do Fluminense em 31 de dezembro de 2013 estava em R$ 422,7 milhões, uma leve redução em relação a 2012 - devida, basicamente, à venda de Wellington Nem para o Shakhtar Donetsk, por R$ 25,4 milhões.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Análise do borderô - Flamengo 1 x 1 Botafogo (28/07/2013)

Foto: LANCE!Press.

A pedidos, faço abaixo uma análise do borderô do jogo Flamengo 1 x 1 Botafogo, disputado no último domingo, 28, no Estádio do Maracanã. A ideia é comparar o resultado financeiro obtido pelo Flamengo com o do Fluminense no clássico contra o Vasco, no dia 21 (cujo borderô foi analisado aqui).

Para começar, critico a falta de transparência do documento, com alguns valores lançados diferentes dos preços cobrados pelos ingressos (o que também aconteceu no borderô de Fluminense x Vasco). As cadeiras VIP Premium, por exemplo, foram vendidas a R$ 350,00, e lançadas no borderô a R$ 200,00. Questionado sobre a diferença de R$ 150,00, o Flamengo afirmou que esta parcela do ingresso era referente a serviços de alimentação e bebida, e que portanto não deveriam entrar no borderô.

Na comparação entre os dois borderôs, causou estranheza também o modo diferente como os dados foram divulgados. No jogo do Fluminense, os valores do Complexo Maracanã foram lançados no campo de receitas, enquanto no jogo do Flamengo, os valores que cabiam ao consórcio apareceram no campo de despesas do Flamengo. As contas batem, são apenas modos diferentes de mostrar os números. (Mas parece que as coisas são feitas mesmo para confundir, de propósito.)

A renda de Flamengo x Botafogo (parte divulgada no borderô) foi de R$ 3.082.555,00, para um total de 52.361 presentes e 38.853 pagantes (público pagante cerca de 12% maior que o de Fluminense x Vasco). Mais uma vez, o número de gratuidades espanta: 13.508 pessoas assistiram ao clássico sem pagar ingresso. Será que todas elas foram "por força de lei", como está escrito no borderô? (os únicos casos previstos em lei são crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais; o Fluminense não respondeu aos meus questionamentos a respeito destas gratuidades; o Flamengo afirmou que estas gratuidades incluem, além de crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais, também as cadeiras cativas e as cortesias para patrocinadores e federações)

De acordo com o borderô, o Flamengo ficou com apenas R$ 1.081.423,31 da renda (dos quais R$ 162.213,50 foram penhorados, restando R$ 919.209,81). A renda líquida do Flamengo (desconsiderando a penhora) correspondeu a cerca de 35% da renda exposta no borderô (o consórcio ficou com praticamente a mesma fatia - R$ 1.081.568,41 - o que está de acordo com as notícias divulgadas, de que Flamengo e Complexo Maracanã dividiriam igualmente as receitas líquidas).

Analisando exclusivamente os borderôs, o contrato do Fluminense aparentou ser mais vantajoso na situação que se apresentou (o Fluminense ficou com R$ 999.449,52 de R$ 1.290.933,85, ou 77,4% da renda líquida do clássico). Entretanto, cabem aqui pelo menos duas ressalvas.

Primeira ressalva: o borderô não leva em conta as receitas adicionais do estádio (placas de publicidade, camarotes, alimentação, e estacionamento). Pelo acordo assinado, o Fluminense não tem direito a nenhuma destas receitas. Já o Flamengo tem, e divulgou em seu site uma planilha com os valores arrecadados nos jogos com mando de campo em Brasília e neste clássico contra o Botafogo no Maracanã. De acordo com a planilha, no jogo do Maracanã, o Flamengo teve direito a receitas adicionais de R$ 274.434,10. Assim, a renda total do Flamengo no jogo contra o Botafogo foi de R$ 1.355.857,41. Em comparação com o jogo do Fluminense, o público pagante do Flamengo foi 12% maior, e a renda líquida do Flamengo foi 35,6% maior. (vale lembrar, entretanto, que os ingressos do Flamengo custaram mais caro - ingresso médio de R$ 79,34 contra R$ 44,88 do jogo do Fluminense)

Segunda ressalva: a configuração utilizada no Maracanã para estes clássicos não necessariamente será a mesma no futuro. O Fluminense se beneficiou do fato de a quase totalidade do público de seu jogo ter adquirido justamente os ingressos dos setores atrás dos gols, cuja renda vai toda para o clube. Isto se deveu principalmente ao elevado preço praticado pelo Complexo Maracanã nos assentos centrais do estádio, em comparação com os preços dos setores atrás dos gols. No jogo do Flamengo, a diferença de preços entre os setores atrás dos gols e os setores centrais foi bem menor. Para mim, parece óbvio que, mais cedo ou mais tarde, o Complexo Maracanã reduzirá os preços destas entradas centrais, que estão obviamente acima de seus valores reais. E então mais torcedores escolherão os setores do Complexo, e a fatia da renda correspondente ao Fluminense será menor que a obtida neste jogo contra o Vasco.

Por fim, após mais esta análise, reafirmo minha convicção de que os contratos de Flamengo e Fluminense com o Maracanã são pouco vantajosos para os clubes. Os percentuais da renda total que os dois clubes obtém estão muito aquém do que os protagonistas do espetáculo deveriam obter (outros clubes pelo Brasil assinaram contratos melhores - vejam aqui). O próprio Flamengo, na citada planilha, conclui que os jogos mandados em Brasília trouxeram para os cofres do clube percentuais de renda superiores ao do jogo do Maracanã. Cabe lembrar que o contrato do Flamengo vale somente até dezembro, quando o clube poderá renegociar os termos, ou até mesmo escolher outro estádio para mandar suas partidas. Já o Fluminense assinou contrato com o Maracanã pelos próximos 35 anos.

PCFilho

Sobre a confusão no Maracanã (Fluminense x Cruzeiro)

Nesta quarta-feira, fui ao Maracanã ver Fluminense x Cruzeiro. Minha saga já começara na noite da véspera, quando tentei comprar meu ingresso no site da Futebolcard, mas não consegui. Na manhã do dia do jogo, fui avisado pela Futebolcard via twitter que a venda só poderia ser feita até as 18 horas do dia anterior ao jogo, "por determinação do consórcio do Maracanã". O Fluminense, além de não ter divulgado tal informação, não respondeu as minhas solicitações de informação sobre a situação.


Restou para mim, então, a compra na bilheteria, no dia do jogo. O jogo começaria às 19:30. Alguns amigos chegaram aos arredores do estádio às 18:15, mais de uma hora antes do jogo, e já me avisaram que a situação estava difícil, com muitas filas na bilheteria, tanto para compra, quanto para retirada de ingressos comprados na internet, e até mesmo para o atendimento aos sócios (que também precisavam retirar seus ingressos). Eu cheguei lá às 19:00, e presenciei uma situação tão caótica que parecia um jogo de apelo das antigas, daqueles que levavam mais de 100 mil pessoas ao Maracanã.

O início da imensa fila de atendimento ao sócio no Maracanã. Foto: Edgard Maciel de Sá.

Diante daquele cenário (uma única bilheteria estava disponível para o atendimento a todos), logo calculei que só conseguiria entrar no Maracanã no início do segundo tempo (com sorte). Desisti de entrar e, junto com um amigo, rumei para um bar próximo, onde assisti à partida, pela televisão mesmo. Lá estavam diversos outros tricolores, sócios e não-sócios, na mesma situação que a nossa (ou até pior: alguns estavam até com o ingresso comprado, e não conseguiram retirá-lo). Pelo menos a picanha do bar estava gostosa.

O caos no atendimento aos torcedores não é novidade no Fluminense. Notadamente de 2008 para cá, inúmeras foram as ocasiões em que fomos tratados feito gado pelo clube, em Laranjeiras, no Maracanã e no Engenhão. As justificativas são sempre as mesmas: "incompatibilidades tecnológicas", "sistemas caindo", "torcedores que deixam para comprar em cima da hora". (Sim, acreditem: no futebol carioca, e especificamente no Fluminense, jogar a culpa da própria incompetência nos clientes é uma prática comum. Às vezes me divirto imaginando a mesma bizarrice aplicada a outros cenários - uma emissora de televisão culpando os telespectadores por não ter audiência, ou um shopping culpando a população por não ter clientes.)

Os relatos que li nas redes sociais após o jogo deixam claro: as filas intermináveis duraram até o meio do segundo tempo, quando enfim os torcedores acabaram mesmo desistindo de entrar no estádio. Situação lamentável, vergonhosa e triste.

Cagada feita, espero sinceramente que a diretoria do Fluminense assuma a responsabilidade pelo lamentável episódio e peça desculpas a seus clientes (sócios e não-sócios). Já imagino que a culpa será colocada no Consórcio do Maracanã – que realmente dá mostras de que ainda não compreendeu bem o negócio –, mas me parece muito claro que o maior interessado em atender bem seu torcedor é – e sempre será – o clube. Ainda mais no momento atual, em que tanto se fala em "associação em massa" da torcida. Na melhor das hipóteses, o Fluminense errou – e errou muito feio – ao não se certificar de que o Consórcio garantiria um atendimento adequado aos seus torcedores. Espero, no mínimo, um pedido de desculpas à torcida. (e que não nos venham com o discurso bizarro de culpar os torcedores, com argumentos ridículos como "os ingressos poderiam ter sido comprados e trocados na véspera")

O público anunciado foi de 13.882 pagantes e 18.042 presentes, com renda de R$ 397.505,00. O público e a renda poderiam ter sido muito maiores, dadas as milhares de desistências de quem estava na porta do estádio e não pôde entrar, como eu.

Um extraterrestre que pousasse no Rio de Janeiro esta noite veria milhares de torcedores assistindo ao jogo em televisões nos arredores do Maracanã, e se surpreenderia quando descobrisse que o estádio em si estava às moscas, com menos de 25% de sua ocupação máxima. Certamente anotaria em seu caderninho: "o ser humano não é um animal muito inteligente".

PCFilho

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Análise do borderô - Fluminense 1 x 3 Vasco (21/07/2013)


Ontem, no Maracanã, causou estranheza a divulgação de que mais de 12 mil pessoas não pagaram ingresso, entre os 46 mil presentes ao jogo Fluminense x Vasco. Também, o número divulgado foi muito abaixo do esperado, tendo em vista as notícias de que 59 mil entradas haviam sido vendidas até o sábado. Segue abaixo a análise detalhada do borderô da partida, publicado nesta segunda-feira, no site da CBF.

Os setores atrás dos gols tiveram os seguintes números de pagantes não-sócios, com a renda revertida para o Fluminense:
- Setor Sul (torcida do Fluminense), inteiras: 5.766 x R$ 60,00 = R$ 345.960,00;
- Setor Sul (torcida do Fluminense), meias: 7.676 x R$ 30,00 = R$ 230.280,00;
- Setor Norte (torcida do Vasco), inteiras: 6.219 x R$ 60,00 = R$ 373.140,00;
- Setor Norte (torcida do Vasco), meias: 7.062 x R$ 30,00 = R$ 211.860,00.
--- Subtotal: 26.723 pagantes, renda de R$ 1.161.240,00.

Houve também os pagantes sócios do Fluminense:
- Sócios contribuintes e proprietários: 3.332 x R$ 10,00 = R$ 33.320,00.
- Sócios-futebol: 1.255 x R$ 15,00 = R$ 18.825,00.
--- Subtotal: 4.587 pagantes, renda de R$ 52.145,00.

--- Total da renda bruta do Fluminense: R$ 1.213.385,00.

Aqui, os primeiros furos:
- os R$ 10,00 dos sócios-contribuintes e proprietários não são, de fato, renda do jogo, pois este é o acréscimo da mensalidade que eles pagam para irem a todos os jogos do mês. Logo, R$ 33.320,00 foram contabilizados erradamente como renda do jogo.
- os sócios-futebol pagaram R$ 30,00 cada um, não R$ 15,00 (apenas os sócios que são clientes do banco Itaú pagaram R$ 15,00). Logo, alguma quantia não-determinada (no máximo R$ 18.825,00) deveria ter sido e não foi contabilizada como renda do jogo.

Na parte que cabe ao Complexo Maracanã, houve os seguintes dados de público e renda:
- Setor Premium Oeste, inteiras: 74 x R$ 300,00 = R$ 22.200,00.
- Setor Premium Oeste, meias: 50 x R$ 150,00 = R$ 7.500,00.
- Setor Premium Oeste Clube, inteiras: 123 x R$ 250,00 = R$ 30.750,00.
- Setor Premium Oeste Clube, meias: 85 x R$ 125,00 = R$ 10.625,00.
- Setor Premium Leste, inteiras: 97 x R$ 300,00 = R$ 29.100,00.
- Setor Premium Leste, meias: 44 x R$ 150,00 = R$ 6.600,00.
- Setor Premium Leste Clube, inteiras: 87 x R$ 250,00 = R$ 21.750,00.
- Setor Premium Leste Clube, meias: 52 x R$ 125,00 = R$ 6.500,00.
- Setor Fan Clube, inteiras: 1.410 x R$ 100,00 = R$ 141.000,00.
- Setor Fan Clube, meias: 1.302 x R$ 50,00 = R$ 65.100,00.
--- Subtotal: 3.324 pagantes, renda de R$ 341.125,00.

Total do jogo: 34.634 pagantes, renda de R$ 1.554.510,00.

O público divulgado causou estranheza, já que, de acordo com o jornal O Globo, só até a manhã do sábado mais de 59 mil ingressos já haviam sido comercializados (link). Cabe ressaltar que a divergência está nos ingressos dos setores do Complexo Maracanã.

Agora, tratemos das gratuidades. Completando o público presente de 46.860, houve 12.226 "gratuidades por força de lei". Antes da partida, foi divulgada a informação de que apenas 4.000 gratuidades por força de lei estariam disponíveis (link). As outras 8.226 simplesmente não foram gratuidades por força de lei. Pergunto: por que 8.226 pessoas entraram de graça sem possuir esse direito?

Talvez as 4.968 cadeiras cativas do Maracanã, que não foram discriminadas no borderô, entrem nessa conta das gratuidades. Aqui, evidentemente está faltando transparência no balanço financeiro do jogo. Ainda assim, mesmo que todas as cadeiras cativas tenham sido utilizadas, a conta ainda não fecha. Será que torcidas organizadas ganharam ingressos gratuitamente e estão nessa conta?

Na parte das despesas do borderô, foram lançados os seguintes valores:
- despesas: R$ 216.754,72.
- consignatários: R$ 46.821,43.
--- Total: R$ 263.576,15.
[obs.: somando as retenções de imposto (R$ 2.031,88), o total de despesas passa para R$ 265.608,03.]

A receita líquida do jogo (receitas - despesas, ignorando as retenções) foi, de acordo com os valores lançados no borderô, de R$ 1.290.933,85, divididos assim:
- Fluminense: R$ 999.449,52 (dos quais R$ 142.156,11 foram penhorados, restando R$ 857.293,41).
- Complexo Maracanã: R$ 291.484,33.

Os números desmentem um dado divulgado recentemente, de que o Complexo Maracanã teria despesa de R$ 350.000,00 por jogo do Fluminense no Maracanã (link). Só com os ingressos, o Complexo Maracanã vendeu R$ 341.125,00, e teve receita líquida de R$ 291.484,33 - logo, as despesas do Complexo Maracanã com a partida foram de apenas R$ 49.640,67 (14,6% de sua receita bruta com ingressos). O Fluminense teve, em termos absolutos e relativos, mais despesas que o Complexo Maracanã: R$ 1.213.385,00 - R$ 999.449,52 = R$ 213.935,48 (17,6% de sua receita bruta).

Acredito que restam muitas dúvidas a serem esclarecidas. Que os borderôs dos próximos jogos do Fluminense sejam mais transparentes. Estamos de olho.

PCFilho

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Contrato do Fluminense com o Maracanã é o pior dos novos estádios

Maracanã: bom negócio para o Fluminense?

Apesar de a diretoria tricolor e seus seguidores estarem festejando euforicamente a assinatura do contrato com o Maracanã, os termos financeiros do contrato não são lá muito vantajosos para o Fluminense.

O Fluminense terá a receita de apenas 43 mil dos 78 mil lugares do Maracanã, isto é, 56% da capacidade do estádio. Além disso, a renda do Fluminense será referente sempre aos lugares atrás dos gols do estádio. Os ingressos das áreas centrais, mais valorizados, darão a renda toda para o consórcio.

Para efeito de comparação, segue abaixo um ranking dos contratos assinados entre os clubes brasileiros e os novos estádios. O porcentual de renda do Fluminense é, disparado, o menor de todos.

Ceará e Fortaleza (Castelão)
- renda referente a 54 mil ingressos (todos exceto camarotes e assentos VIP - 92% da capacidade) + receitas das placas de publicidade na parte superior + bônus de R$ 130.000,00 mensais, dobrando o valor do bônus em caso de acesso à Série A.

Cruzeiro (Mineirão):
- renda referente a 54 mil ingressos (87% da capacidade) + receita do estacionamento.

Náutico (Arena Pernambuco):
- 80% da renda nos primeiros 12 anos.
- 90% da renda a partir do 13º ano.
- bônus de R$ 500.000,00 mensais.

Bahia (Fonte Nova):
- 65% da renda nos jogos com ocupação de até 50%.
- 75% da renda nos jogos com ocupação entre 50% e 99%.
- 85% da renda nos jogos com ocupação máxima.

Fluminense (Maracanã):
- renda referente aos 43 mil lugares atrás dos gols (56% da capacidade).

PCFilho