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domingo, 4 de janeiro de 2026

Doval 82


"E de repente, não mais que de repente, como diz o poeta, saiu o gol tão sonhado, tão desejado. Foi uma cabeçada de Doval, maravilhosa cabeçada. Isso depois de 118 minutos de uma espera trágica. Uma multidão tensa pôde subir pelas paredes como lagartixas profissionais. Viva o gringo, o goleador nato e hereditário, que perseguia o gol com feroz obstinação e enfiou a cabeça para a mais doce e mais santa vitória da Terra."

Então ídolo do Flamengo, o centroavante argentino Narciso Doval chegou ao Fluminense no início de 1976, para ser o homem-gol da Máquina Tricolor de Francisco Horta. E não decepcionou: ao longo daquela temporada, marcou 39 gols, incluindo uma sequência de oito jogos seguidos balançando as redes e ainda o gol do título do Campeonato Carioca contra o Vasco, nos instantes finais da prorrogação – o lance magistralmente descrito por Nelson Rodrigues no parágrafo acima.

Foto: Doval sobe para marcar o gol do título de 1976.

Era a apoteose de Doval. Diante de cento e trinta mil testemunhas maravilhadas, o centroavante argentino transformava-se definitivamente em um dos deuses do Maracanã. E o Fluminense era o merecido bicampeão carioca.

Além do Campeonato Carioca de 1976 (sendo o artilheiro da competição), Doval também levantou pelo Fluminense o Torneio de Viña del Mar de 1976, o Torneio de Paris de 1976, a Copa Vale do Paraíba de 1977 e o Troféu Teresa Herrera de 1977. Em todas estas conquistas, ele marcou gols decisivos.


Se ainda estivesse vivo, Doval completaria 82 anos hoje. O craque nasceu em 4 de janeiro de 1944, em Buenos Aires, e morreu, de infarto, em 12 de outubro de 1991, também na capital portenha, aos 47 anos.

Totalizando 70 gols pelo Fluminense, Doval é ainda hoje o terceiro maior artilheiro estrangeiro da história tricolor, superado somente pelo inglês Harry Welfare e por seu compatriota Germán Cano.

Segue abaixo a lista com os 144 jogos e 70 gols de Doval com A Camisa do Fluminense:
1) 18/01/1976 - Goiás 1 x 2 Fluminense
2) 21/01/1976 - CEUB 1 x 3 Fluminense (1º e 2º gols de Doval)
3) 25/01/1976 - Goiânia 1 x 0 Fluminense
4) 28/01/1976 - Internacional 0 x 0 Fluminense
7) 25/02/1976 - Deportes Concepción 0 x 4 Fluminense
8) 07/03/1976 - Fluminense 1 x 4 Flamengo
9) 10/03/1976 - Bahia 1 x 1 Fluminense (4º gol de Doval)
10) 14/03/1976 - Fluminense 0 x 3 Bonsucesso
11) 17/03/1976 - Desportiva 3 x 2 Fluminense
12) 21/03/1976 - Fluminense 1 x 0 Campo Grande
13) 27/03/1976 - Fluminense 1 x 0 Olaria (5º gol de Doval)
14) 31/03/1976 - Fluminense 2 x 1 Volta Redonda (6º gol de Doval)
15) 03/04/1976 - Fluminense 4 x 1 Madureira
16) 11/04/1976 - Fluminense 2 x 2 America
17) 14/04/1976 - Fluminense 2 x 1 São Cristóvão
18) 18/04/1976 - Americano 1 x 2 Fluminense
19) 21/04/1976 - Vasco 0 x 0 Fluminense
20) 24/04/1976 - Fluminense 9 x 0 Goytacaz (7º, 8º e 9º gols de Doval)
21) 02/05/1976 - Fluminense 3 x 1 Botafogo
22) 08/05/1976 - Fluminense 4 x 1 Portuguesa (10º gol de Doval)
23) 12/05/1976 - Fluminense 3 x 1 Bangu (11º gol de Doval)
24) 16/05/1976 - Flamengo 0 x 0 Fluminense
25) 23/05/1976 - Guarani 4 x 1 Fluminense
26) 12/06/1976 - Fluminense 4 x 2 Goytacaz (12º e 13º gols de Doval)
27) 20/06/1976 - Botafogo 1 x 0 Fluminense
28) 22/06/1976 - Paris Saint-Germain 0 x 2 Fluminense  
30) 04/07/1976 - Volta Redonda 1 x 2 Fluminense  
31) 07/07/1976 - Fluminense 4 x 2 Vasco (15º gol de Doval)
32) 10/07/1976 - America 1 x 4 Fluminense (16º gol de Doval)
33) 24/07/1976 - Fluminense 2 x 0 Americano (17º gol de Doval)
34) 27/07/1976 - Volta Redonda 2 x 4 Fluminense (18º, 19º e 20º gols de Doval)
36) 12/08/1976 - Fluminense 4 x 0 Goytacaz (22º gol de Doval)
37) 14/08/1976 - Fluminense 5 x 1 Botafogo (23º gol de Doval)
39) 25/08/1976 - Botafogo 0 x 0 Fluminense
40) 29/08/1976 - Fluminense 2 x 2 Vasco
41) 01/09/1976 - Fluminense 1 x 1 CSA
42) 05/09/1976 - Corinthians 2 x 0 Fluminense
43) 07/09/1976 - Fluminense 0 x 2 Botafogo
44) 12/09/1976 - Bahia 0 x 0 Fluminense
45) 15/09/1976 - Fluminense de Feira 2 x 3 Fluminense
46) 19/09/1976 - Treze 0 x 2 Fluminense (25º e 26º gols de Doval)
47) 22/09/1976 - Fluminense 3 x 0 Botafogo PB (27º e 28º gols de Doval)
48) 26/09/1976 - Fluminense 0 x 1 Vitória
49) 29/09/1976 - CRB 0 x 4 Fluminense (29º gol de Doval)


51) 10/10/1976 - Fluminense 1 x 1 Internacional  
52) 13/10/1976 - América RN 2 x 1 Fluminense (31º gol de Doval)
53) 16/10/1976 - Fluminense 3 x 1 Fortaleza (32º, 33º e 34º gols de Doval)
54) 23/10/1976 - Fluminense 1 x 1 Goiás
55) 31/10/1976 - Grêmio 1 x 2 Fluminense
56) 03/11/1976 - Fluminense 1 x 0 CRB (35º gol de Doval)
57) 07/11/1976 - Fluminense 1 x 0 Flamengo
58) 10/11/1976 - Fluminense 4 x 2 Guarani (36º e 37º gols de Doval)
59) 14/11/1976 - Fluminense 3 x 0 Vasco (38º gol de Doval)
60) 21/11/1976 - Atlético Mineiro 0 x 0 Fluminense
61) 28/11/1976 - Fluminense 1 x 0 Bahia (39º gol de Doval)
62) 05/12/1976 - Fluminense 1 x 1 Corinthians [PK 1 x 4] (Doval converteu seu pênalti na disputa, mas o gol não conta nas estatísticas)
63) 05/02/1977 - Flamengo 3 x 1 Fluminense (40º gol de Doval)
64) 27/02/1977 - Vasco 2 x 0 Fluminense
65) 13/03/1977 - Fluminense 0 x 0 Vasco
66) 13/03/1977 - Fluminense 0 x 0 Portuguesa RJ
67) 13/03/1977 - Fluminense 0 x 0 Bonsucesso
68) 20/03/1977 - Fluminense de Friburgo 1 x 1 Fluminense (41º gol de Doval)
69) 27/03/1977 - Botafogo 2 x 0 Fluminense
70) 03/04/1977 - Fluminense 4 x 0 Madureira (42º e 43º gols de Doval)
71) 06/04/1977 - Santa Cruz 1 x 1 Fluminense
72) 09/04/1977 - Fluminense 4 x 0 Campo Grande (44º gol de Doval)
73) 13/04/1977 - Fluminense 1 x 0 Americano
74) 16/04/1977 - Fluminense 3 x 1 São Cristóvão
75) 21/04/1977 - Fluminense 6 x 0 America
76) 24/04/1977 - Goytacaz 0 x 2 Fluminense
77) 27/04/1977 - Atlético Mineiro 3 x 1 Fluminense
78) 01/05/1977 - Bangu 0 x 0 Fluminense
79) 08/05/1977 - Fluminense 0 x 1 Vasco
80) 15/05/1977 - Volta Redonda 0 x 1 Fluminense
81) 25/06/1977 - Flamengo 1 x 2 Fluminense (45º e 46º gols de Doval)
82) 28/06/1977 - Guaratinguetá 0 x 2 Fluminense (47º gol de Doval)
83) 06/07/1977 - São José 0 x 1 Fluminense
84) 09/07/1977 - America 1 x 1 Fluminense (48º gol de Doval)
85) 17/07/1977 - Fluminense 3 x 1 Volta Redonda (49º e 50º gols de Doval) 🏆
86) 20/07/1977 - Bangu 0 x 4 Fluminense
87) 23/07/1977 - Madureira 0 x 6 Fluminense
89) 28/07/1977 - Olympique Nice 1 x 2 Fluminense (52º gol de Doval)
90) 30/07/1977 - Ajaccio 2 x 5 Fluminense (53º gol de Doval)
92) 07/08/1977 - Dukla Praga 1 x 4 Fluminense (55º gol de Doval) 🏆
93) 17/08/1977 - São Cristóvão 0 x 0 Fluminense  
94) 21/08/1977 - Bonsucesso 0 x 2 Fluminense (56º gol de Doval)
95) 28/08/1977 - Flamengo 2 x 0 Fluminense
96) 31/08/1977 - Olaria 1 x 2 Fluminense
97) 04/09/1977 - Americano 0 x 1 Fluminense (57º gol de Doval)
98) 07/09/1977 - Fluminense 2 x 1 Botafogo (58º gol de Doval)
99) 11/09/1977 - Portuguesa RJ 0 x 2 Fluminense (59º gol de Doval)
100) 14/09/1977 - America 0 x 3 Fluminense
101) 18/09/1977 - Campo Grande 0 x 2 Fluminense
102) 21/09/1977 - Fluminense 3 x 0 Goytacaz (60º gol de Doval)
103) 25/09/1977 - Vasco 2 x 0 Fluminense
104) 26/10/1977 - Fluminense 6 x 0 Vitória ES (61º gol de Doval)
105) 30/10/1977 - Fluminense 0 x 1 America
106) 02/11/1977 - Fluminense de Feira 1 x 2 Fluminense
107) 09/11/1977 - Confiança 1 x 0 Fluminense
108) 04/12/1977 - Operário MS 2 x 1 Fluminense
109) 07/12/1977 - CSA 1 x 2 Fluminense
110) 11/12/1977 - Botafogo 1 x 0 Fluminense
111) 15/12/1977 - Fluminense 0 x 0 Botafogo SP
112) 17/12/1977 - Francana 0 x 2 Fluminense (62º gol de Doval)
113) 21/05/1978 - Fluminense 1 x 0 Santos
114) 28/05/1978 - Bahia 1 x 1 Fluminense
115) 01/06/1978 - Fluminense 1 x 1 Joinville (63º gol de Doval)
116) 04/06/1978 - Goiás 2 x 1 Fluminense
117) 16/07/1978 - Fluminense 2 x 1 Operário MS
118) 20/07/1978 - Dom Bosco 2 x 1 Fluminense
119) 23/07/1978 - Sport Recife 1 x 0 Fluminense
120) 29/07/1978 - Santos 2 x 0 Fluminense
121) 05/08/1978 - Volta Redonda 1 x 2 Fluminense
122) 19/08/1978 - Bonsucesso 1 x 4 Fluminense (64º e 65º gols de Doval)
123) 27/08/1978 - Atlético Mineiro 1 x 1 Fluminense
124) 03/09/1978 - Portuguesa RJ 0 x 4 Fluminense (66º e 67º gols de Doval)
125) 12/09/1978 - Brasília 0 x 1 Fluminense
126) 20/09/1978 - Fluminense 1 x 1 Bonsucesso
127) 30/09/1978 - Fluminense 0 x 2 São Cristóvão
128) 04/10/1978 - Bangu 0 x 5 Fluminense
129) 07/10/1978 - Fluminense 2 x 1 America
130) 12/10/1978 - Fluminense 2 x 0 Olaria
131) 15/10/1978 - Flamengo 0 x 2 Fluminense
132) 21/10/1978 - Olaria 0 x 0 Fluminense
133) 25/10/1978 - Fluminense 2 x 0 Portuguesa RJ
134) 29/10/1978 - Bonsucesso 2 x 2 Fluminense
135) 01/11/1978 - Serrano 3 x 4 Fluminense
136) 05/11/1978 - Flamengo 4 x 0 Fluminense
137) 08/11/1978 - São Cristóvão 0 x 5 Fluminense (68º gol de Doval)
138) 12/11/1978 - Campo Grande 1 x 3 Fluminense
139) 16/11/1978 - Fluminense 4 x 0 Madureira (69º e 70º gols de Doval)
140) 18/11/1978 - America 0 x 2 Fluminense
141) 26/11/1978 - Vasco 2 x 0 Fluminense
142) 29/11/1978 - Bangu 0 x 2 Fluminense
143) 02/12/1978 - Botafogo 0 x 1 Fluminense
144) 10/12/1978 - Fluminense 1 x 2 Flamengo

PCFilho

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

A vitória estava escrita há seis mil anos (Fluminense campeão de 1964)

Clique no texto para ler melhor.

Há três dias, a épica conquista do Campeonato Carioca de 1964 pelo Fluminense completou seis décadas. A crônica acima, uma das mais brilhantes de Nelson Rodrigues sobre o Fluminense, resume a jornada tricolor até o seu 18º título do Rio de Janeiro.

No dia 20 de dezembro de 1964, na segunda partida da finalíssima do Campeonato Carioca, diante de 75.106 pagantes no Maracanã, o Fluminense ganhou por 3 a 1 do Bangu e conquistou o título da cidade. Bianchini abriu o placar para o Bangu no primeiro tempo, mas Joaquinzinho, Jorginho e Gílson Nunes marcaram na etapa final, garantindo a vitória e o Campeonato para o Fluminense. Sob o comando técnico do ídolo Tim, o onze tricolor jogou assim a decisão: Castilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Valdez e Altair; Denílson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gílson Nunes. A campanha totalizou 17 vitórias, 5 empates e 4 derrotas, 48 gols-pró e 17 gols-contra.

CAMPEONATO CARIOCA DE 1964
Fase única: pontos corridos, 13 clubes jogando todos contra todos em turno e returno.
05/07/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 1 (Oldair), Campo Grande 0
11/07/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Olaria 1 (Luís Carlos), Fluminense 2 (Amoroso 2)
19/07/1964 - Conselheiro Galvão (Rio de Janeiro) - Madureira 1 (Carioca), Fluminense 2 (Amoroso e Nonô)
26/07/1964 - Laranjeiras (Rio de Janeiro) - Fluminense 5 (Joaquinzinho 2, Carlos Alberto Torres e Mateus 2), Canto do Rio 1 (Mateus (p))
02/08/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 1 (Amoroso), Flamengo 0
09/08/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 0, Bangu 0
20/08/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Bonsucesso 0, Fluminense 1 (Amoroso)
23/08/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - America 1 (Gilbert), Fluminense 0
29/08/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 2 (Ubiraci e Amoroso), Portuguesa 0
13/09/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Vasco 1 (Célio), Fluminense 0
17/09/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - São Cristóvão 0, Fluminense 1 (Ubiraci)
25/09/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Campo Grande 1 (Nodir), Fluminense 5 (Evaldo, Ubiraci, Edinho, Amoroso e Oldair)
30/09/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 4 (Ubiraci, Procópio, Amoroso e Evaldo), Olaria 0
04/10/1964 - Laranjeiras (Rio de Janeiro) - Fluminense 1 (Joaquinzinho), Madureira 1 (Batata)
11-14/10/1964 - Caio Martins (Niterói), depois São Januário (Rio de Janeiro) - Canto do Rio 1 (Neidecir), Fluminense 4 (Edinho, Joaquinzinho, Ubiraci e Amoroso)
[observação: o jogo começou em 11 de outubro, no Caio Martins, e estava empatado em 1 a 1 quando foi interrompido por uma confusão generalizada, aos 37 minutos do primeiro tempo. O tempo restante foi disputado em 14 de outubro, em São Januário, com portões fechados, com o Fluminense marcando mais três gols.]
25/10/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Bangu 2 (Bianchini e Parada), Fluminense 1 (Ubiraci)
08/11/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 2 (Ubiraci e Amoroso), Bonsucesso 0
15/11/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 3 (Gílson Nunes e Amoroso 2), America 0
22/11/1964 - General Severiano (Rio de Janeiro) - Portuguesa 1 (Inaldo), Fluminense 1 (Denílson)
[observação: o gol do Fluminense foi marcado por Joaquinzinho, de cabeça, completando escanteio cobrado por Gílson Nunes - porém, na súmula, o árbitro anotou gol de Denílson, que se agachou para permitir que a bola passasse]
29/11/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Botafogo 1 (Jairzinho), Fluminense 0
06/12/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 1 (Denílson), Vasco 1 (Zezinho)
10/12/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 2 (Amoroso 2(1p)), São Cristóvão 0
[O Fluminense encerrou assim sua campanha com 35 pontos ganhos (15 vitórias, 5 empates e 4 derrotas), e o destino do Campeonato passou a depender dos resultados de Bangu x Bonsucesso (no dia 12) e Botafogo x Flamengo (no dia 13). Se o Bangu vencesse no dia 12, empataria com o Fluminense em pontos ganhos (o que acabou acontecendo). Se o Flamengo vencesse no dia 13, ultrapassaria ambos e se sagraria campeão (porém, o Botafogo derrotou o Flamengo). Assim, Fluminense e Bangu terminaram empatados na primeira posição, partindo para decidir o título nos jogos extras.]

Desempate: jogos extras contra o Bangu.
16/12/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Fluminense 1 (Amoroso (p)), Bangu 0
20/12/1964 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Bangu 1 (Bianchini), Fluminense 3 (Joaquinzinho, Jorginho e Gílson Nunes)
FLUMINENSE CAMPEÃO CARIOCA DE 1964.

Fluminense, campeão carioca de 1964.
Em pé: Carlos Alberto Torres, Altair, Oldair, Valdez, Castilho e Procópio.
Agachados: Santana (massagista), Jorginho, Denílson, Amoroso, Joaquinzinho e Gílson Nunes.


O troféu do Campeonato Carioca de 1964 em seu lar, na rua Álvaro Chaves.
Foto: Alexandre Magno Barreto Berwanger.

PCFilho

sábado, 23 de dezembro de 2023

Mundial de Clubes da FIFA - Fluminense 0 x 4 Manchester City



"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas" (José Saramago)

"Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. Podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos!" (Nelson Rodrigues)

Amigos, quando terminou a decisão do Mundial de Clubes, lá nas Arábias, o Profeta tratou de juntar os seus trapos e ir embora de Laranjeiras, mas de cabeça erguida. O velho sábio era um vencido? Nunca, jamais, em hipótese alguma! Vencido, como?, se temos de admitir a verdade límpida e cristalina de que o Fluminense merecia sorte melhor?

Não cabe, contra tal constatação, nenhum argumento, nenhuma questão, nenhum sofisma, nenhuma dúvida. Alguém poderá dizer que o Profeta não previu a força bruta dos bilhões de dinheiros dos europeus.

Exato, não previu mesmo. O Profeta é do tempo do tricampeonato, quando o futebol era amador, no sentido real da palavra: os futebolistas jogavam por amor, e nossos torneios eram decididos com o coração na ponta da chuteira. Seus ídolos são Marcos, Vidal e Chico Netto, Laís, Oswaldo e Fortes, Mano, Zezé, Welfare, Machado e Bacchi, os campeões de 1919.

É que, no âmbito doméstico, o Fluminense de 2023 conseguiu vencer o abismo financeiro que o separa dos mais ricos – há uns 8 ou 9 ou 10 times com mais grana no Brasil, alguns com muito mais, e ainda assim foi o Tricolor que levantou a Copa Libertadores aos céus do Rio de Janeiro, sob os olhares atentos da nossa América de futebol.

Talvez por isso, o Profeta – e todos nós, tricolores como ele – tenhamos nos iludido com a possibilidade de derrotar o Manchester City, em Jeddah. Afinal, se submetemos o milionário Flamengo àquela derrota acachapante no Carioca, por que não poderíamos fazer o mesmo com os ingleses no Mundial?

E nós encaramos com uma coragem espetacular os campeões europeus. Qualquer outro time teria recuado, teria armado uma retranca ou um ferrolho. O Fluminense não! O Fluminense não abdicou de jogar o seu futebol, de atacar, de agredir, de partir para cima. O Tricolor aprendeu a não abaixar a cabeça para ninguém.

O próprio Guardiola admite que, se a sorte tivesse sorrido primeiro para o Fluminense, o jogo seria outro. Infelizmente, o acaso estava do lado do Manchester City. Quem poderia prever que eles ganhariam um gol com menos de um minuto de jogo? Quem diria que a tecnologia burra da FIFA marcaria o impedimento inexistente de Germán Cano, num lance óbvio de mesma linha? E o gol-contra, então, que escaparia até à vidência de um Maomé?

No segundo tempo, mesmo com a desvantagem de dois gols, contra o melhor time da face da Terra, o Fluminense continuou bravo, tentando escalar aquele Everest intransponível. Três a zero, e os guerreiros insistiam em lutar. Que time corajoso é o Carrossel Tricolor de Fernando Diniz, que não joga a toalha em momento nenhum.

O Fluminense termina 2023 como o Profeta, de cabeça erguida, orgulhoso da jornada maravilhosa que cumpriu. O ano que vem tem novos desafios. Vamos tratar da Recopa contra a LDU, do tri Carioca, do bi da Libertadores, do quinto Brasileirão. A abarrotada sala de troféus da rua Álvaro Chaves continua clamando por novos habitantes. Afinal, é de glórias que o Fluminense vive: da Taça Colombo, dos heróis de 1919, à recente Copa Libertadores, dos guerreiros de 2023.

A revolução tricolor está só começando. Quem viver verá.

PCFilho
(inspirado, como sempre, em N. R.)

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

O botafoguense, por Nelson Rodrigues


Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time. Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, deem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível. Por quê?

Pelo seguinte: há, no alvinegro, a emanação específica de um pessimismo imortal. Pergunto: por que vamos ao campo de futebol? Porque esperamos a vitória. Esse otimismo é o impulso interior que nos leva a comprar ingresso e vibrar os noventa minutos. E, no campo, o otimismo continua a crepitar furiosamente. Não importa que o nosso time esteja perdendo de 15 x 0. Até o penúltimo segundo, nós ainda esperamos a virada, ainda esperamos a reação. Pois bem: o torcedor do Botafogo é o único que, em vez de esperar a vitória, espera precisamente a derrota.

Os outros comparecem na esperança de saborear como um chicabon o triunfo do seu clube. Mas o torcedor do Botafogo é diferente: ele compra o seu ingresso como quem adquire o direito, que lhe parece sagrado e inalienável, de sofrer. Eis a verdade: ele não vai a campo ver futebol. O futebol é um detalhe secundário e, mesmo, desprezível. Ele quer, acima de tudo, desgrenhar-se, esganiçar-se, enfurecer-se e rugir contra Zezé Moreira.

No dia em que retirarem do torcedor alvinegro o inefável direito de sofrer e, sobretudo, o direito ainda mais inefável de descompor o seu técnico, ele ficará inconsolável, como um ser que perde, subitamente, a sua função e o seu destino. Tudo na vida é uma questão de hábito. E o cidadão que padece todos os dias acaba se afeiçoando ao próprio martírio, ou mais do que isso: o martírio torna-se insubstituível como um vício funesto.

Nelson Rodrigues

terça-feira, 25 de junho de 2019

Há 24 anos, o Fluminense vencia o maior Fla-Flu de todos os tempos


Décadas antes de 1995, o genial escritor tricolor Nelson Rodrigues escreveu que "há uma relação sutil, mas indiscutível, entre a barriga e o êxito". Ele se referia a Vicente Feola, treinador que comandou a Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1958 e era gordo.

Nelson faleceu em 1980, três semanas após o Fluminense conquistar o Campeonato Carioca sobre o Vasco. No entanto, todos sabemos que ele estava no Maracanã em 25 de junho de 1995. Afinal de contas, "a morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos".

Ele certamente vibrou quando o Fluminense abriu 2 a 0 e rosnou contra o Sobrenatural de Almeida quando o Flamengo empatou e pôs a mão na taça.

O 2 a 2 era do Flamengo e o Fluminense tinha um jogador a menos. A vitória tricolor parecia não apenas improvável, mas impossível. Do lado de lá das arquibancadas do Maracanã, a maioria rubro-negra berrava a plenos pulmões: "É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!".

Aos 42 minutos do segundo tempo, Ronald recebeu de Ézio na meia-direita e tocou na ponta-direita para Ailton. O ex-rubro-negro driblou pra cá, driblou pra lá e chutou cruzado. A bola caprichosamente desviou na barriga de Renato e entrou no véu da noiva. Era o gol, era a vitória, era o título, era a glória.

Há uma relação sutil, mas indiscutível, entre a barriga e o êxito. Fluminense, eterno Campeão Carioca de 1995!


PCFilho

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 4: O dinheiro compra até o amor verdadeiro


Nessa última parte analiso o papelão do nosso novo auditor e o nosso pitoresco Conselho Fiscal.

O Fluminense conseguiu a proeza de publicar seu balanço de 2017 sem o parecer do Conselho Fiscal. Não que isso faça alguma diferença, afinal Pedro Abad era membro dessa inutilidade nos 6 anos da gestão Peter e Filipe Dias chegou a ser membro suplente em parte desse período nefasto da gestão Peter, em que o balanço do Flu era uma obra de ficção científica.

O Conselho Fiscal nesses anos de gestão FluSócio se fundamenta nos argumentos mais cretinos e pífios possíveis. Acredita em normas que estão na gaveta de alguém na APFut, na palavra de auditor bunda-suja e até mesmo na prática errada de outros clubes.

Paladinos da boca para fora. Na prática exercem um papel determinante nesse mecanismo de ludibriar os usuários das demonstrações financeiras do Fluminense, aprovando todos esses balanços notoriamente fraudados e/ou errados.

Tudo que será listado abaixo pode subsidiar o atual Conselho Fiscal na reprovação das contas e na exigência da republicação ajustada do balanço e notas de 2017.

Citarei algumas normas, as principais que levam a outras e permitem julgar de forma correta o que tem que ser feito. Terão que ler tudo para confrontar o que foi apresentado, afinal quem se disponibiliza para exercer a função de conselheiro fiscal precisa dominar os assuntos que serão relacionados abaixo.

Nosso novo auditor já tomou bomba nesse quesito de respeito a normas, como vocês poderão ver ao longo dessa postagem. Resta saber se o Conselho caminhará sozinho ou vai colar as respostas do auditor e ser reprovado junto.

O ponto de partida é a NBC TA 706, que vai citar várias normas necessárias para tratar de vários assuntos pertinentes ao parecer. O CPC 30 deve ser lido para as Receitas (o 47 só passa a vigorar a partir de 2018). A ITG 2003 e o Profut (artigos 3º e 4º) balizam a apresentação do resultado dos clubes de futebol e a NBC TA 570 trata da continuidade.

De forma bem resumida, afinal esse embate técnico ocorrerá no foro apropriado, temos os seguintes problemas que levam a reprovação e/ou necessidade de reapresentação.

1. A mensuração da necessidade de capital de giro é mandatória, basta observar que o antigo auditor sempre colocou em seu parecer o valor do rombo. Omitir isso é gravíssimo;

2. Não há meios de o auditor acreditar na continuidade operacional do Fluminense, para tanto basta analisar que apuramos déficits consecutivos e também continuamos a orçar déficits e vermos nossas receitas diminuírem ano a ano;

3. Existem problemas de inadimplência fiscal que fortalecem a tese de que a continuidade não pode ser tratada como está sendo tratada no parecer, e isso, por força de norma, implica a adoção de n procedimentos e notas adicionais, fora o fato de que não se deve em hipótese alguma aprovar contas em que não houve recolhimento de impostos e com suspeita de apropriação indébita de IRRF;

4. Ignorar os erros da contabilização da venda do atleta Gerson (vide parte 2) é um absurdo;

5. Permitir que seja feita a pedalada com as luvas do contrato de TV a partir de 2019 (vide parte 2) é criminoso;

6. A DRE está em não-conformidade com as normas de apresentação, ocultando propositalmente os déficits apurados na parte social, esportes amadores e no back-office;

7. Eventos subsequentes foram tratados de forma mentirosa no balanço e isso requer ajustes materiais e de apresentação;

8. Existem notas com erros! E até mesmo o atleta Diego Souza continua desaparecido na relação de direitos econômicos, entre outras divergências na movimentação de atletas entre os anos (ninguém checa esse quadro em nenhum ano, é impressionante).

Cabe ao Conselho Fiscal iniciar o processo que culminará na expulsão de Peter e Abad dos quadros sociais do Fluminense, e fomentar sobretudo o estudo de como podemos iniciar os esforços para recuperar essas perdas causadas por uma gestão calamitosa.

Não basta expulsá-los do clube. Todos os envolvidos nessa formação recorde de déficit precisam arcar com esse prejuízo nas pessoas físicas.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#thatsallfolks

Ricco

domingo, 20 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 3: Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava


Essa parte talvez seja a mais chocante de todas.

Em determinado momento de 2018, nosso agora ex-Vice-Presidente de Finanças disponibilizou para conselheiros, um relatório analítico contábil do exercício de 2017 até o mês de novembro.

Notem que as peças contábeis do Fluminense são públicas, e, portanto, os relatórios que servem de base para sua elaboração deveriam ser franqueados a todos, como acabou ocorrendo. Não há vazamento quando a informação é cedida voluntariamente por um Vice-Presidente. Tampouco há quebra de sigilo, afinal é necessário prestar contas e dar o maior nível de detalhamento possível. Se a informação contábil circulou entre os diversos grupos de sócios e torcedores e chegou até mim, culpem quem as forneceu originalmente, mas lembrando que isso não deveria, jamais, ser um segredo.

Com base em alguns saldos interinos de novembro de 2017, tenho algumas perguntas a fazer. Apertem os cintos!

CENTRO DE CUSTO DE DESPESAS COM SERVIÇOS

Vamos começar com a conta de intermediação: ela foi o ponto de partida para a análise dessa parte 3.

CONTA 4110105007 - Intermediação

Em novembro de 2017, essa conta de despesa já acumulava o saldo de R$ 9.458.675,81. Ela se refere a tudo que é pago no ano a intermediários nas transações com jogadores (vendas e empréstimos).

Na nota explicativa 19 temos o seguinte quadro:
(Clique na imagem para ler melhor.)

Há uma diferença com o saldo interino de novembro de quase 7 milhões de reais. Onde foram parar esses valores entre novembro e dezembro de 2018?

Para que não haja dúvida, citarei por exemplo a conta 4110105004, referente a honorários de advogados, que em novembro tinha como saldo R$ 2.160.899,07 e que em dezembro fechou com um ligeiro aumento de cerca de meio milhão, como podemos ver na mesma nota. Um comportamento esperado em termos de evolução de saldo (mas não na natureza do gasto, um absurdo gastar isso tudo com advogados, mas tem Operação Limpidus, burla de penhora, etc, isso custa caro mesmo).

O mistério não acaba por aí. Em novembro de 2017 o grupo 4110105 DESPESAS COM SERVIÇOS já tinha um saldo acumulado de 33 milhões. O total da nota em dezembro acumula 20 milhões. O que aconteceu com esses 13 milhões? Foram reclassificados? Para onde e por quê? Ou tivemos reversões? Nesse caso, qual o motivo?

EVOLUÇÃO DAS PROVISÕES COM IMPOSTOS

Há um ponto alarmante no relatório de novembro, nas contas de provisões de impostos.

O comportamento normal dessas contas é que haja o provisionamento, com pagamento subsequente e baixa do valor provisionado. Dessa forma, o saldo das contas de passivo tende a ser quase constante, contemplando somente o que é devido até o recolhimento mensal.

Acontece que várias contas têm crescido de saldo a cada mês, com eventuais baixas parciais.

Listo todas onde foi identificado crescimento do saldo devedor (isto é, inadimplência total ou parcial) para vocês: PIS, INSS, FGTS, PIS/CSSL/COFINS sobre serviços de terceiros, INSS sobre terceiros (2 contas no razão analítico), IRRF sobre serviços de terceiros, ISS PJs, ISS sobre serviços de terceiros, COFINS e IRRF FUNCIONÁRIOS.

Aqui cabe uma única pergunta: onde estão as guias que provam que os impostos foram recolhidos? Existem rubricas que não são cobertas pelo PROFUT.

E não custa relembrar que cerca de algumas semanas atrás existia denúncia na timeline do Twitter, originada de grupos do Whatsapp, acerca de problemas de apropriação indébita de IRRF. Uma cagada de quase 17 milhões com efeitos catastróficos.

Não preciso me estender sobre a gravidade disso, muito menos lembrar que uma cagada dessa proporção deveria ser tratada pelo auditor independente de forma adequada. Ainda mais com o tal plano de reestruturação divulgado no início do relatório publicado.

Vamos rezar para que o Fluminense me prove que estou fazendo uma leitura errada dos números. Mas sem narrativas: mostrem as guias com o comprovante de pagamento.

Até a próxima postagem.

STs

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#illbeback

Ricco

sábado, 19 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 2: O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente


Nessa parte trataremos de três ajustes que não foram feitos. Um deles constitui uma imundície do sistema, que age aparentemente em conluio na defesa de gestões temerárias.

Vamos começar pela venda do atleta Gerson. Vejam o que o próprio Fluminense diz no seu balanço de 2017:
(Clique na imagem para ler melhor.)

Pois bem, se a venda de Gerson ocorreu em dezembro de 2015, então como há receita da sua venda lançada em 2016, e isso não foi ajustado?

Vale lembrar que a Roma lançou a compra do Gerson em dezembro de 2015.

Contador, CFO e Auditor podem fazer todo contorcionismo do mundo, mas a operação foi fechada em dezembro de 2015 e a competência dessa receita é inteira do exercício de 2015. Qualquer argumentação pífia relacionada à transferência (que é mera burocracia, pois vale a data do contrato de venda) nos remete a duas possibilidades: fraqueza técnica ou de caráter, ao permitir uma atrocidade dessas.

Estamos falando de mais de 40 milhões de receita que não existiam em 2016. O tal déficit ajustado de 13 milhões, que foi publicado, passaria de 50 milhões.

Em tempo, off-maquiagem de balanço: 9% a. a. de taxa na operação! Operação que foi repactuada novamente, ou seja, a Roma aparentemente não pagou o parcelamento estilo Casas Bahia. Requer pesquisa e muitos questionamentos junto à opaca gestão Flusócio.

Agora trataremos de um assunto aterrador: mais uma vez, as luvas referentes ao contrato da TV de 2019-2022 foram "esquecidas".

Seguem no mantra de que existe uma recomendação guardada numa gaveta trancada a sete chaves na APFut, fruto de um trabalho coletivo entre CFC e auditores.

Eu não vou me estender na imundície e fraqueza desse argumento do documento misterioso que nunca veio ao conhecimento de todos. É algo tão ridículo a existência de uma norma oculta, que só merece nosso total desprezo e deboche.

Faltam 80 milhões em ajuste no balanço de 2016. Os 50 milhões supracitados atingiriam a expressiva marca de 130 milhões de déficit, um número que deveria fazer Peter e Pedro saírem do Flu para sempre, preferencialmente escoltados.

Mas por favor prestem muita atenção no que escreverei a seguir.

A falaciosa APFut alterou o tratamento contábil das luvas a partir de 01/01/2018.

Luvas voltarão a ser diferidas a partir desse ano, como sempre deveriam ter sido diferidas, seguindo o normativo contábil brasileiro, internacional e extraterrestre!!! O diferimento implica que as mesmas não passam pelo resultado do ano, somente sendo apropriadas entre 2019 e 2022.

Essa camarilha está preparando uma mega-maquiagem com relação a isso. Explico passo a passo:

1. Em 2018, em função de mudança de critério contábil, esses vagabundos poderão reclassificar as luvas como receita diferida, gerando outro ajuste contra patrimônio (exercícios anteriores).

2. Em 2019, 2020, 2021 e 2022, o Fluminense (e todos os demais times que lançaram as luvas em 2016) poderá ter um incremento de receita (não-monetária, o valor já foi recebido e gasto) de 20 milhões.

3. Serão 20 milhões fruto de lançamento contábil que servem para ofuscar a geração de déficit corrente, que engatilha a configuração de gestão temerária em clubes de futebol.

Em outras palavras, há uma PEDALADA planejada em curso, que dará um refresco de 20 milhões por ano. Como a contrapartida irá contra patrimônio, escapa dos gatilhos da lei perneta do PROFUT.

Essa é uma daquelas situações típicas do futebol brasileiro, entregue a um bando de gente procurada pelo FBI.

Finalizando essa parte, não podemos esquecer de falar sobre a cínica nota de "Eventos subsequentes":
(Clique na imagem para ler melhor.)

O Fluminense teve a pachorra de dizer que conseguiu uma economia de 15 milhões nessa operação, ao mesmo tempo que já tem acertado um acordo com Diego Cavalieri no montante de 6 milhões e várias declarações como a do Marquinho, dizendo que receberia na prática a mesma coisa que se estivesse ainda fazendo parte do elenco.

A regra sobre eventos subsequentes é clara: todo acordo realizado antes da publicação e auditoria deve ser reconhecido no passivo. O resultado de 2017 não contempla essas provisões. Não temos meios hoje de apontar o valor. Mas é um ponto a ser questionado e mais que suficiente para não aprovar as contas de 2017, por exemplo.

Outro ponto de atenção é esse processo de execução fiscal, que surgiu numa burla de penhora. Um ato ilícito. Há normativo para tratar isso e não tem nada a ver com esse blá-blá-blá de o Flu estar envidando esforços para mitigar os efeitos dos bloqueios em seu fluxo de caixa.

Esse ponto será tratado com muito carinho em postagem futura.

Fiquem na #PAZ de Cristo. Ainda não acabou.

Até a próxima.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

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Ricco

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Bonitinho mas ordinário - Parte 1: Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista


Vamos começar nossa saga analisando os ajustes nas contas de 2016:

Figura 1 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

Figura 2 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

Figura 3 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

Vou tentar escrever em português coloquial para vocês entenderem o que se passa nessa parte do balanço.

O item (i) [Provisão para contingências] trata de contingências não-contabilizadas cujo impacto da não-contabilização ocorreu antes e durante 2016. Em outras palavras: era preciso registrar um passivo e consequentemente uma despesa relacionada às contingências.

Qual o efeito disso? Em 2016 temos 20 milhões em despesas não-reconhecidas, não-registradas, escamoteadas. 20 milhões equivalem a mais que o dobro do falso superávit apresentado pela Gestão Peter, cujo balançado foi elaborado e apresentado pelo seu sucessor Pedro Abad, que era o presidente do Conselho Fiscal da Gestão Peter. Pura maquiagem de balanço.

Notem que há 42 milhões de passivos relacionados a estas contingências, anteriores a 2016. Mais 42 milhões de adulteração do resultado real do Fluminense em anos anteriores!

Vamos a mais uma parte do relatório que trata desse tema:

Figura 4 (balanço financeiro do Fluminense, publicado em 15/05/2018).
(Para ler melhor, clique sobre a figura.)

A nota não esclarece o momento no qual esses atletas listados entraram com os processos. Uma bela forma de tentar nos enrolar. Tampouco descreve a totalidade dos casos, sendo mencionados somente os mais relevantes. Padrão de transparência comum no Fluminense.

Mas precisamos atentar para mais um ponto antes de partir para o próximo item.

Em 2015, a cínica Gestão Peter apresentou um superávit de 33 milhões, valor inferior aos 42 milhões ora ajustados referentes a 2015 para trás (para variar não sabemos ao certo a abertura por ano). Mas fomos enganados em 2015 também. Em 2014 foi apresentado déficit, mas pelo jeito era maior que os 7 milhões publicados no balanço. E o presidente do Conselho Fiscal desse período todo maquiado era o Sr. Pedro Abad, que segue impune após anos e anos de omissão e erros em sua função de guardião das contas do Fluminense.

O item (ii) [Depósitos judiciais sem documentação comprobatória] trata de ativos inexistentes e de um problema muito sério de falta de documentação de supostos depósitos judiciais. Sim! Supostos, se não há documentação e isso foi ajustado não eram depósitos, que são facilmente rastreáveis de n maneiras.

Quase 8 milhões. O ajuste deveria ser melhor explicado e ter dado início a uma análise bem mais profunda. São potencialmente quase 8 milhões em saídas de caixa sem documentação.

É um assunto que merece muita luz, mas que esbarra nas trevas das informações tricolores de sempre.

Já o item (iii) trata de uma mudança de critério contábil. É algo curioso, mas nesse momento sem grande importância, apesar dos valores citados, é um grande arranjo não-monetário das normas.

O item (iv) ["Write-off" de gastos capitalizados ref. Flu Samorin] é algo que já era discutido desde 2016: o envio de dinheiro para uma parceria na Eslováquia ou custos incorridos com jogadores que já assinaram contratos de profissional JAMAIS seriam investimento. Peter deu uma maquiadinha de pouco mais de 1 milhão com isso em 2016 e Abad já estava maquiando mais 2 milhões em 2017 até procederem à baixa.

A falta de credibilidade virou ajuste no balanço! Durmam com essa.

Como podemos ver, vivemos alguns anos sob a total maquiagem dos números do Flu.

Infelizmente os ajustes não se limitam a esses que foram efetuados, e mais uma vez o Fluminense publica um balanço errado.

Aguardem a próxima parte.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

#illbeback

Ricco

Bonitinho mas ordinário - Introdução: Amar é ser fiel a quem nos trai


Por mais força que eu faça para me afastar do lado negro do Fluminense, eu sempre acabo pressionado a voltar. Para quem estava com saudade das sagas do ex-blog, teremos um breve retorno nesses dias, hospedado no Jornalheiros, este blog fora de série mantido pelo PC Filho ao longo de vários e vários anos de resiliência e amor verdadeiro ao Fluminense.

Agradeço desde já o espaço cedido.

Na noite de terça-feira, 15 de maio de 2018, o Novo Fluminense dava início a mais um triste capítulo de sua história recente, que vem sendo tripudiada ao extremo desde 2011, publicando um dos seus mais opacos e errados balanços financeiros.

A peça de ficção, com altas doses de maquiagem e criatividade, veio encaminhada com uma patética mensagem do nosso pseudo-presidente citando Nelson Rodrigues, que deve estar girando em loop em seu túmulo desde então, tamanha a audácia de associá-lo a algo que vem destruindo uma de suas maiores paixões em vida: o nosso moribundo Fluminense.

Por que pseudo-presidente? Pedro Abad não passa de uma cara de paspalho à frente de um grupo vil, que da forma mais fisiológica possível conseguiu construir alianças com outros grupelhos parasitários que relegaram o Fluminense a segundo plano, preterido de n maneiras e reduzido a mero meio para ganhos pessoais e a manutenção de um projeto de poder predatório.

Azar dos fatos? Eu vou abusar da sabedoria do grande Nelson ao longo dessa pequena série de textos e tentar resgatar a essência de sua grandeza e inteligência, que vai muito além desses poucos trechos repetidos em redes sociais e que agora chegaram a uma peça financeira que deveria ser técnica, mas que na prática acabou virando uma montagem vagabunda de chanchada de 5ª categoria.

Que ele me permita batizar essa sequência sobre o balanço de 2017 como BONITINHO MAS ORDINÁRIO. Se o profeta tricolor não gostar, que venha puxar meu pé de noite enquanto durmo, será muito bem-vindo!

O título dessa postagem vem do rol de centenas de frases brilhantes de Nelson Rodrigues.

Todas as partes contarão com suas frases nos títulos.

Foi daí que ainda tirei forças para seguir nessa insana batalha contra esses grupelhos políticos que faliram o Fluminense. Apesar de achar que chegamos a um quadro terminal e simplesmente não acreditar que haja solução para o Flu nesse cenário onde o fisiologismo e as mentiras prevalecem, sigo no martírio daquela pessoa que vê o ente querido definhar a caminho da morte, de mãos dadas e presente.

O Fluminense nos traiu. Isso é fato. O Fluminense é reflexo de seus sócios e dos grupos políticos, e todos nós permitimos que eles fizessem todas as bandalheiras possíveis e imagináveis. Não há como desassociar o Flu de seus quadros.

E nesse exato momento os poderes constituídos no clube nos traem, como vocês poderão perceber ao longo dessa série. Não medem esforços para arrumar desculpas, se omitem e mentem descaradamente. Blefam com normas, blefam com regras e já criam meios de novas maquiagens em 2019.

Nelson Rodrigues também tem explicação para o que aconteceu:

"Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos."

Sucumbimos ao rolo compressor dessa gente sem caráter. Abandonamos o Fluminense ao longo desses 7 anos e hoje pagamos um preço muito alto. Nos limitamos a discutir em redes sociais, alguns publicam editorial dizendo que o Fluminense vai cair, outros fazem podcasts, mas na verdade é preciso admitir que nos faltou coragem de enfrentar essa gente como eles deveriam ser combatidos desde o início.

Em alguns casos também sobrepujaram outros interesses, sobretudo eleitorais. Não estamos imunes à ação parasitária desses grupos quando genuinamente tentamos em vão salvar o Fluminense da sua destruição. Eles têm o dom de infiltrar pessoas que não medem esforços para garantir os objetivos eleitorais, como se o Fluminense pudesse esperar 3 ou 6 anos para medidas corretivas. Os vejo como verdadeiros abutres, ávidos pela carniça e da política do quanto pior melhor.

Deixarei todo aspecto técnico de fora dessa sequência de textos.

Redes sociais não têm capacidade e paciência para acompanhar discussões técnicas. O foro desse tipo de debate é na Justiça, afinal o Fluminense virou um caso de polícia.

Também os privarei de longos textos e interpretações sobre normas porque nosso Conselho Deliberativo é composto majoritariamente por pessoas desqualificadas tecnicamente, além de uma maioria desqualificada moralmente, gente que acorda parceira do Abad e vai dormir inimiga, conforme melhor convém, ou gente que desde 1999 sonhava em tomar o Fluminense de assalto e que hoje cria narrativas, mentiras, máscaras e tudo mais para apoio implícito e explícito a uma gestão desastrosa.

Levar a discussão a um nível mais elevado é pregar no deserto.

Subsidiar qualquer grupo político nos remete ao famoso complexo de Santos Dumont. O agrupamento político é o câncer do Fluminense. Situação, oposição, "independentes", "isentos", "os que não participam dos grupos", mas seguem a narrativa, todos eles causam nossos problemas atuais. É assim desde a década de 90.

Apresentarei em partes os erros mais grotescos do balanço de 2017, na esperança de que pessoas de fora dos quadros sociais do Fluminense, ou aqueles sócios que jamais colocam os pés nas Laranjeiras, reajam. É mandatório a essa altura acionar Conselhos de Classe, a falaciosa e politizada APFut e a Justiça. Precisamos tirar essa gente do Fluminense para ontem, e principalmente imputar-lhes as punições cabíveis. Chega de impunidade.

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." (NR)

Teremos algumas postagens, além dessa introdução. Fiquem atentos ao blog do PC e seus avisos de postagem em redes sociais.

Poderíamos ter mais de uma dúzia de partes, mas vamos focar nos maiores absurdos. Não há mais tempo para tentar corrigir tudo. A sobrevivência do Fluminense corre contra o relógio.

STs

#beijundas

#bonitinhomasordinario

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Efemérides tricolores - 18 de dezembro


1938: em partida válida pela quinta rodada do segundo turno do Campeonato Carioca, no campo do São Cristóvão, na rua Figueira de Melo, o Fluminense ganhou por 5 a 2 da equipe anfitriã, graças aos gols de Romeu Pellicciari, Hércules, Fogueira (dois) e Tim. Com campanha de dez vitórias, um empate e duas derrotas, o timaço do Fluminense não perderia mais nenhuma partida até garantir a conquista do tricampeonato do Rio de Janeiro (vide 30 de dezembro).

1955: diante de 71.539 presentes (64.428 pagantes) no Maracanã, o Fluminense sofreu uma de suas mais dolorosas derrotas: 6 a 1 para o Flamengo, em jogo do returno do Campeonato Carioca.  O meia Didi marcou o único gol do Fluminense no trágico domingo. Revoltados com o revés, torcedores tricolores queimaram uma bandeira do clube, na arquibancada, em episódio que ficou famoso na época. Vale a pena ler um trecho da crônica que Nelson Rodrigues escreveu sobre a bandeira queimada...

"Quando o Fluminense perdeu do Flamengo, por 6 a 1, a torcida tricolor não teve meias medidas: - queimou a bandeira do clube, em pleno Maracanã, numa cerimônia pública e horrenda. E, depois, não saciados, aqueles vândalos, aqueles Neros, aqueles Dráculas sapatearam em cima das cinzas! Lembro-me que o episódio provocou, na ocasião, indignações histéricas. Ninguém entendia que fizessem, com a bandeira Tricolor, naquela tarde, uma Noite de São Bartolomeu. E, no entanto, o incidente oferecia aspectos que escapavam à massa ululante. Eis a verdade: - com o fogaréu improvisado, o martírio invadia o futebol, incorporava-se à tradição do Fla-Flu, dramatizava o clássico, para sempre. Daqui a duzentos anos, quando se encontrarem o Flamengo e o Fluminense, todos hão de se lembrar daquela que, entre todas as bandeiras, foi queimada como uma Joana d’Arc. De resto, ensina a nossa experiência vital que nada se faz sem sofrimento. Até para se beber um copo d'água é preciso um pouco, um mínimo de martírio.

Por outro lado, devemos considerar o aspecto afetivo do fato. E aqui pergunto: - por que um torcedor rasga a carteirinha do clube ou incendeia a sua bandeira? Respondo: - por causa de uma nítida, taxativa, incontível dor de cotovelo. Sem querer e sem saber, a torcida dava uma feérica demonstração de muitíssimo amor. E nunca, como naquele momento, o Fluminense mereceu tanto a atra e negra inveja dos seus co-irmãos. De fato, ele podia bater no peito e clamar, para qualquer um: 'Eu fui queimado e tu, não!'."

1960: na última rodada do Campeonato Carioca, diante de mais de 100.000 pessoas (98.099 pagantes) no Maracanã, o Fluminense tinha a vantagem do empate, mas perdeu por 2 a 1 para o America, ficando com o vice-campeonato. Pinheiro abriu o placar para os tricolores, de pênalti; porém, os americanos empataram com Nilo e viraram com Jorge, o último gol aos 33 minutos do segundo tempo. O Fluminense terminou a competição com 16 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, somando um ponto a menos que o America, que tinha 16 vitórias, 5 empates e 1 derrota, e por isso se consagrou como primeiro campeão do estado da Guanabara.

1965: em partida válida pela última rodada do Campeonato Carioca, no Maracanã, o Fluminense ganhou por 1 a 0 do Bangu, gol de Evaldo - resultado que garantiu matematicamente o título do Flamengo (que, já campeão, perderia para o Botafogo no dia seguinte). Com a campanha de 7 vitórias, 3 empates e 4 derrotas, 24 gols-pró e 15 gols-contra, o Fluminense terminou a competição em terceiro lugar. Curiosamente, dezoito anos depois, o Flamengo retribuiria o favor, vencendo o Bangu para dar o Campeonato ao Fluminense (vide 14 de dezembro).

1983: no amistoso festivo para a troca de faixas dos campeões estaduais, no Maracanã, o Fluminense empatou em 2 a 2 com o Corinthians. Os gols tricolores foram marcados pelo casal 20: Washington e Assis. O Corinthians havia conquistado o Campeonato Paulista em decisão contra o São Paulo, e o Fluminense havia vencido o Campeonato Carioca em triangular com Bangu e Flamengo (vide 4, 11 e 14 de dezembro).

1985: o Fluminense venceu o Bangu por 2 a 1, de virada, diante de 88.162 pagantes no Maracanã, e sagrou-se mais uma vez tricampeão Carioca! O Bangu, que tinha a vantagem do empate por ter vencido o Flamengo, abriu o placar com Marinho, no começo do jogo, em cabeçada certeira; empurrado pela torcida, o Fluminense conseguiu empatar com Romerito, já aos 18 minutos do segundo tempo. O gol do título tricolor foi marcado por Paulinho, em bela cobrança de falta, da entrada da área, aos 31. É tricampeão!

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Aniversariantes do dia:

Waldemar Muniz Barbosa (1934), meia-atacante que integrou o plantel do Fluminense entre as temporadas de 1953 e 1956. Conquistou o Torneio Pentagonal de Aspirantes em 1955.

Jairo Augusto de Oliveira (1943), zagueiro que atuou no time profissional do Fluminense na temporada de 1967.

Leomir de Souza (1961), meio-campista que integrou o plantel do Fluminense de 1983 a 1988, com 31 gols marcados em 259 jogos com a camisa tricolor. Conquistou o tricampeonato Carioca (1983, 1984 e 1985), o Campeonato Brasileiro de 1984, o Torneio de Seul de 1984, a Copa Kirin de 1987 e o Torneio de Paris de 1987. Posteriormente, trabalhou no clube como auxiliar técnico, entre 2011 e 2012 e desde 2017.
Leomir (à direita) comemorando gol com Assis.

Dirceu Xavier Francisco (1977), meio-campista que atuou no time profissional do Fluminense entre as temporadas de 1995 e 2000.

PCFilho

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Neno


(texto de Mario Vitor Rodrigues)

Ajoelhados à beira da cama, colcha laranja quadriculada, estávamos eu, meu irmão, Gaia e Renata, se não me falha a memória. Aquele era o chamado "quarto da televisão". Nossos cotovelos pressionavam o fino colchão e as mãos entrelaçavam-se bem na altura do rosto. Quatro falsos anjinhos, entre risos envergonhados, brincando de pedir um milagre.

Faltavam quatro dias para o Natal de 1980, e o milagre não aconteceu.

Eu era bem menino. Morava na Itália na época, mas na minha lembrança ele sempre foi um avô carinhoso, que mesmo com idade avançada tolerava as macaquices impertinentes de um neto forçosamente desnaturado, o qual só encontrava a cada seis meses.

Uma das memórias mais enraizadas que tenho é a das vezes em que o barbeiro ia atendê-lo em seu apartamento na Avenida Atlântica. É gozado, mas ainda hoje sou capaz de sentir o perfume do creme de barbear e a quentura dos raios de sol que invadiam a varanda, enquanto a navalha deslizava pela pele branca e já frouxa do velho Neno. 

Nelson Rodrigues, taí um sujeito que exalava dignidade. Mesmo perto do final, recluso, não se deixava vencer pelo descaso consigo mesmo. Jamais de barba por fazer, maltrapilho ou desasseado.

A minha primeira camisa do Fluminense foi presente dele, acompanhada de um disco pequeno de vinil, cuja capa trazia o escudo do Tricolor e o verso ostentava a letra do hino. Minha nossa, quantas e quantas vezes apelei para o seu Gravatinha para que ele desse as caras no Maracanã. Súplicas por uma parceria, como se em algum momento ela houvesse falhado. Nunca falhou. Nunca na hora agá.

E que voz! O curioso é que, ainda hoje, se assisto a uma entrevista sua, imediatamente me pego franzindo a testa para ouvir melhor, como se não o reconhecesse. Mas logo entendo e absorvo cada palavra sem dificuldade. Acho uma graça a fleuma com que atestava suas genialidades.

No dia de hoje, o orgulho, este sentimento tão inútil, surge sem pedir licença. Me atropela.

Do Nelson autor? Sem dúvida. Por suas peças, seus títulos, suas crônicas irretocáveis. E por ter sido capaz de cravar um punhal naquele que talvez seja o nosso maior pecado, a hipocrisia, expondo assim as suas tripas, para que delas cuidássemos nós.

Do tricolor apaixonado que foi? Como não? Ainda hoje é referência para toda uma torcida que justamente o venera e dele se orgulha. Graças a um dom raro para lidar com as palavras, deu vida a um Fluminense mitológico, engrandeceu a própria seleção e até clubes rivais. De tal forma que esses outros torcedores, cujos respectivos times foram agraciados com suas pérolas perfeitas, vira e mexe demonstram um orgulho febril por tais passagens. Sentem-se como se fossem vencedores de uma loteria cujo bilhete premiado nunca foi raro para o Pó de Arroz.

Acima de tudo, porém, orgulho do avô. O vô Neno.

Orgulho e saudades.