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sexta-feira, 30 de março de 2018

Efemérides tricolores - 30 de março


1919: o Fluminense foi o vice-campeão do Torneio Início do Rio de Janeiro, disputado no campo do Flamengo, na rua Paysandu. Na primeira rodada, o Tricolor venceu o Bangu por 1 a 0, gol de Welfare; na semifinal, empatou em 0 a 0 com o São Cristóvão, ganhando nos escanteios por 3 a 1; na decisão, perdeu por 3 a 2 para o Carioca (os dois gols tricolores foram de Zezé). O treinador do Fluminense neste Torneio Início foi Mário Aleixo (estes foram os únicos jogos dele no comando técnico tricolor).

1941: em amistoso disputado na cidade de Lorena, em São Paulo, o Fluminense ganhou por 5 a 0 do Esporte Clube Hepacaré, gols de Luis María Rongo, Juan Carlos, Adílson, Tim e Vicente Cussati.

1957: em partida amistosa, na rua Javari, em São Paulo, o Fluminense venceu o Juventus da Mooca por 4 a 0, gols de Waldo (dois), Pinheiro (de falta) e Léo Briglia.

1963: o Fluminense encerrou sua participação no Torneio Rio-São Paulo ganhando por 2 a 1 do São Paulo, de virada, no Maracanã. Os gols da vitória tricolor foram de Manoel e Ubiraci. A campanha do Fluminense na competição teve 4 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, 13 gols-pró e 12 gols-contra. O Tricolor terminou na terceira posição, atrás do campeão Santos (o timaço de Pelé, derrotado pelo Flu em 23 de março) e do vice Corinthians.

1975: em sua sétima partida no Campeonato Carioca, o Fluminense perdeu por 2 a 1 para o Vasco, diante de 56.749 pagantes no Maracanã. Roberto Dinamite e Renê marcaram para os vascaínos, e Kléber descontou para o Fluminense. Foi o primeiro revés da Máquina Tricolor, que agora tinha cinco vitórias, um empate e uma derrota, e seguia na liderança da competição - o Fluminense terminaria campeão, num triangular contra o próprio Vasco e o Botafogo (vide 10 e 17 de agosto).

1983: em jogo disputado em São Januário, válido pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense ganhou por 3 a 1 do Rio Negro, do Amazonas. Os gols da vitória tricolor foram anotados por Jason (dois) e Duílio.

1986: em partida válida pelo Campeonato Carioca, no Estádio do Maracanã, o Fluminense venceu o Bangu por 1 a 0, gol do centroavante Washington, aos 23 minutos do primeiro tempo.

2000: em jogo disputado no Maracanã, válido pelo Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 3 a 1 do Madureira. Os gols do triunfo tricolor foram de Agnaldo (dois) e Donizete Amorim.

2002: em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo, no Maracanã, o Fluminense venceu o Americano de Campos por 2 a 0, gols de Régis e Magno Alves.

2013: em jogo válido pelo Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 2 a 0 do Boavista, em Moça Bonita, graças aos gols de Jean (de falta) e Rafael Sobis.

2014: como acontece em praticamente todos os anos desde 1986, o Fluminense foi garfado pela arbitragem, e acabou eliminado do Campeonato Carioca. O Vasco venceu o segundo jogo da semifinal por 1 a 0, em partida na qual o árbitro Marcelo de Lima Henrique anulou gol legal do centroavante tricolor Fred, alegando impedimento inexistente. Curiosamente, o Fluminense, que era disparado o maior campeão do Rio de Janeiro até 1985, passou a ganhar pouquíssimos Campeonatos Cariocas, justamente a partir da ascensão ao poder de um notório desafeto seu na Federação.

2016: em jogo disputado no Estádio Giulite Coutinho, em Mesquita, válido pelo Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 1 a 0 do Bangu, gol do meia Gustavo Scarpa, aos 13 minutos do segundo tempo.

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Aniversariante do dia:

Eduardo Alexandre Baptista, o Eduardo Baptista (1972), treinador paulista, natural de Campinas, que esteve no comando técnico do time profissional do Fluminense entre 2015 e 2016. Dirigiu o time em 26 partidas, e foi um dos treinadores na campanha do título da Copa da Primeira Liga, em 2016.
Eduardo Baptista.

Elinton Sanchotene Andrade (1979), goleiro gaúcho, natural de Santa Maria, com curta passagem pelo elenco profissional do Fluminense, em 2004 (não chegou a entrar em campo numa partida oficial pelo Tricolor).

PCFilho

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

23/03/1963 - Santos 2 x 4 Fluminense

O Santos possuía aquele que é, para muitos, o melhor time de futebol de todos os tempos. Em 1962 e 1963, foi campeão de quase tudo o que disputou (duas Copas Libertadores, duas Copas Intercontinentais, duas Taças Brasil, um Campeonato Paulista e um Torneio Rio-São Paulo). Liderava o Torneio Rio-São Paulo de 1963 e, nos seis meses anteriores a este jogo contra o Fluminense, havia perdido apenas duas partidas (uma para a Portuguesa de Desportos e outra para a Universidad de Chile). Era a base da Seleção Brasileira, contando, entre outros, com os craques Gilmar, Mauro, Lima, Mengálvio, Coutinho, Pepe e, claro, Pelé.

Para dificultar ainda mais as coisas para o Fluminense, o jogo estava marcado para o Pacaembu, a casa do Santos. Estava o Tricolor diante de um desafio quase impossível. E, logo no começo da partida, o Santos mostrou sua força: após receber excelente passe de Lima, Mengálvio acertou um chutaço de cerca de 40 metros de distância, marcando o primeiro gol. Um a zero para os donos da casa.

Quando eram transcorridos 31 minutos, o Fluminense conseguiu o empate após escanteio bem cobrado por Maurinho, com o atacante Ubiracy completando para o gol. Não satisfeito, o Tricolor continuou atacando e conseguiu a virada, ainda no primeiro tempo, com Manoel aproveitando rebote de Gilmar após chute de Maurinho. Entretanto, o Santos não deixou barato, e nos acréscimos empatou: Mengálvio cruzou e Pelé empatou com uma cabeçada perfeita, sem chances para Castilho, que se esticou todo mas não alcançou. Terminada a etapa inicial, o placar do Estádio Municipal de São Paulo marcava 2 a 2.

No segundo tempo, o Fluminense conseguiu dominar completamente o jogo, mesmo enfrentando aquele time extraordinário do Santos. Aos 12 minutos, Manoel enfiou uma bola na trave de Gilmar. Aos 23, novamente Manoel perdeu um gol incrível. O terceiro gol tricolor finalmente aconteceu seis minutos depois, quando Mauro falhou e Manoel aproveitou para chutar colocado e vencer Gilmar.

Logo depois, aconteceu o grande lance do jogo, daqueles que valem o ingresso. O Fluminense envolveu o fantástico Santos em um olé que durou exatos sessenta segundos. Imaginem, o melhor time do mundo numa roda de bobo, em sua própria casa! A belíssima troca de passes do onze tricolor terminou com Maurinho lançando Ubiracy, que apostou corrida com Mauro, ganhou e chutou rasteiro para as redes. O goleiro Gilmar caiu sentado, e a elegante torcida paulista rendeu-se em aplausos efusivos à grande jogada. Fluminense 4, Santos 2, placar final.

Enquanto isso, no Maracanã, o vice-líder Botafogo e o São Paulo empatavam em 1 a 1. Os alto-falantes iam anunciando os gols do Fluminense em São Paulo, mas isso só aumentava o nervosismo dos atletas botafoguenses, desesperados para diminuir a diferença de pontos para o Santos. O Botafogo acabou não conseguindo marcar o gol que lhe daria a vitória, ficando assim a três pontos do líder Santos (que acabaria campeão do Torneio Rio-São Paulo).

PC

Ficha Técnica
23/03/1963 - Santos 2 x 4 Fluminense - Pacaembu (São Paulo)
Motivo: Torneio Rio-São Paulo de 1963.
Renda: Cr$ 2.207.150,00.
Público: 10.278 pagantes.
Árbitro: Antônio Viug (Rio de Janeiro).
SFC: Gilmar; João Carlos (Tite, aos 19' do 2º tempo), Mauro, Maneco e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Pagão, no 2º tempo), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
FFC: Castilho; Carlos Alberto Torres, Wilson Silva, Dari e Altair; Oldair e Gonçalo; Maurinho (Calazans, aos 44' do 2º tempo), Manoel, Ubiracy e Escurinho. Técnico: Newton Anet.
Gols: Mengálvio, aos 6' do 1º tempo (1-0); Ubiracy, aos 31' do 1º tempo (1-1); Manoel, aos 45' do 1º tempo (1-2); Pelé, aos 49' do 1º tempo (2-2); Manoel, aos 29' do 2º tempo (2-3); e Ubiracy, aos 31' do 2º tempo (2-4).

sábado, 19 de maio de 2012

25/01/1964 - Santos 6 x 0 Bahia

Para apreciação, abaixo está o vídeo de um show do Santos de Pelé na final da Taça Brasil de 1963, contra o Bahia, no Pacaembu:


Com dois gols de Pelé, dois de Pepe, um de Coutinho e um de Mengálvio, o Santos venceu o Bahia por 6 a 0. Três dias depois, viria nova vitória, por 2 a 0, na Fonte Nova, dois gols de Pelé. O Santos conquistava assim o tri da Taça Brasil.

PC

domingo, 16 de agosto de 2009

Recordar é viver - O Fla-Flu de 1963


FOTO: o goleiro Marcial salva o Flamengo no Fla-Flu de 1963.

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1963.

Amigos, a decisão do Campeonato Carioca de 1963 foi o Fla-Flu mais aguardado de todos os tempos. O Flamengo podia empatar, e o Fluminense tinha que vencer. Com as crônicas de Nelson Rodrigues n'O Globo convocando vivos, doentes e mortos, nunca o Maracanã comportou tanta gente.

As roletas registraram inacreditáveis 194.603 presentes. Em toda a história do Maracanã, apenas dois jogos superaram esta marca (Brasil 1 x 2 Uruguai, 16/07/1950, 199.854 presentes; e Brasil 4 x 1 Paraguai, 21/03/1954, 195.513 presentes).

O número de pagantes também foi espantoso: 177.656 pessoas pagaram ingresso. Em toda a história do Maracanã, apenas um jogo superou esta marca (Brasil 1 x 0 Paraguai, 31/08/1969, 183.341 pagantes).

Fla-Flu é Fla-Flu e basta, já dizia Nelson Rodrigues. O recorde de público do futebol mundial é apenas mais um fator que comprova a grandeza do clássico das multidões.

FOTO: o ponta-direita rubro-negro Espanhol passa por Altair, lateral-esquerdo tricolor.

O empate dava o título para o Flamengo, de modo que o Fluminense lançou-se todo para o ataque, principalmente no segundo tempo. A cada minuto que se escoava, a taça ficava mais distante de Laranjeiras, e por conseguinte mais próxima da Gávea.

Os últimos dez minutos registraram uma pressão sufocante do Tricolor sobre o Rubro-Negro. O pó-de-arroz Escurinho desperdiçou duas chances cara a cara com o goleiro flamenguista Marcial. Porém, toda a pressão do Fluminense foi em vão, pois a batalha terminou mesmo zero a zero.

Com o empate sem gols, o Flamengo sagrou-se campeão da cidade, dando fim a um jejum de oito anos sem título. Foi também a primeira vez que o Flamengo foi campeão em cima do maior rival.

PC

Ficha técnica: Flamengo 0 x 0 Fluminense.
Decisão do Campeonato Carioca de 1963.
Data: 15/12/1963.
Local: Maracanã, Rio de Janeiro/RJ.
Fluminense: Castilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Dari e Altair; Oldair e Joaquinzinho; Edinho, Manoel, Evaldo e Escurinho. Técnico: Fleitas Solich.
Flamengo: Marcial; Murilo, Luís Carlos, Ananias e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Airton, Geraldo e Oswaldo. Técnico: Flávio Costa.
Árbitro: Cláudio Magalhães.
Público pagante: 177.656 (o maior da história em jogos interclubes no mundo).
Público presente: 194.603 (o maior da história em jogos interclubes no mundo).
Renda: CR$ 57.993.500,00 (recorde histórico na época).

Vídeo do Canal 100 sobre a partida:

Crônica de Nelson Rodrigues sobre a finalíssima:

Continuo Tricolor

Amigos, ao terminar o grande Fla-Flu, o profeta tratou de catar os trapos e saiu do Maracanã, mas de cabeça erguida. Era um vencido? Jamais. Vencido, como, se temos de admitir esta verdade límpida e clara - o Fluminense jogou mais. Não cabe, contra a evidência da nossa superioridade, nenhum argumento, sofisma ou dúvida. Alguém dirá que o profeta não previa o empate.

Exato. Mas vamos raciocinar. Houve lances, no Fla-Flu, que escapariam à vidência até de um Maomé, até de um Moisés de Cecil B. de Mille. Lembro-me de um momento, em que Marcial estava batido, irremediavelmente. O arco rubro-negro abria seus sete metros e quebrados. E que fez Escurinho? Enfiou a bola na caçapa? Consumou o "goal" de cambaxirra?

Simplesmente, Escurinho levantou para Marcial. Deu a bola na bandeja como se fosse a cabeça de São João Batista. E eu diria que nem Joana D’Arc, com suas visões lindas, ou Maomé pendurado no seu camelo, ou o Moisés de Cecil B. de Mille, do alto de suas alpercatas - podia imaginar tamanha ingenuidade. Escurinho teria de chutar rente à grama, ou alto, se quisesse, mas teria de chutar e nunca suspender a bola.

E tem mais. Os profetas de ambos os sexos jamais poderiam contar com a trave. No segundo tempo, Escurinho mandou uma bomba. Nenhum "goal" foi tão merecido. Pois bem: - vem a trave e salva. Além do mais que Maomé, ou que Moisés podia calcular que Solich ia fazer jogo para empate? Dirá o próprio que não foi esta a sua intenção. Mas o fato incontestável é que ele armou o time para o hediondo 0 x 0.

É obvio que, desde o primeiro minuto, o Fluminense teria de se atirar todo para a frente. Era preciso forçar a decisão, o"goal", a vitória, já que o empate seria a catástrofe. O tricolor jogou bem e, no entanto, não deu, nunca, a sensação de fome e sede de "goal". Faltavam uns 15 minutos, e os nossos jogadores ainda tramavam, ainda faziam tico-tico, ainda perdiam tempo com passes curtos, para os lados e para trás. Sim, o Fluminense jogou bem e não cabe preciosismo num último Fla-Flu.

Já contra o Bangu, aconteceu o seguinte: - sempre que Oldair avançava, eis que Solich erguia-se na boca do túnel e fazia um comício. Oldair marcou dois "goals" por desobediência e repito, por indisciplina tática. Ontem, ele estava cá atrás, defendendo um empate que seria a vitória do Flamengo. Vejam que tristeza horrenda: - jogamos bem e errado.

Dizia eu que o profeta estava certo no mérito da questão. O tricolor é o melhor, foi melhor, teve mais time. Mas há, claro, um campeão oficial, que é o Flamengo. E aqui, abro um capítulo para falar da alegria rubro-negra, santa alegria que anda solta pela cidade. Nada é mais bonito do que a euforia da massa flamenga. À saída do estádio, eu vi um crioulão arrancar a camisa diante do meu carro. Seminu, como um São Sebastião, ele dava arrancos medonhos. Do seu lábio, pendia a baba elástica e bovina do campeão.

Mesmo que eu fosse um Drácula, teria de ser tocado por essa alegria que ensopa, que encharca, que inunda a cidade. Eu não sei se o time do Flamengo, como time, mereceu o título. Mas a imensa, a patética, a abnegada torcida rubro-negra merece muito mais. Cabe então a pergunta: - quem será o personagem da semana de um abnegado Fla-Flu tão dramático para nós? Um nome me parece obrigatório: - Marcial. E nessa escolha, está dito tudo. Quando o goleiro é a figura mais importante de um time, sabemos que o adversário jogou melhor. Castilho teve muito menos trabalho. Claro que eu não incluo, entre os méritos de Marcial, o "goal" que Escurinho não fez. Tão pouco falo na bomba que o mesmo Escurinho enfiou na trave. Assim mesmo Marcial andou fazendo intervenções decisivas, catando bolas quase perdidas.

Amigos, eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta só pode responder: - "Pior para os fatos!" É só.

(O Globo, 17/12/1963)

Fontes de pesquisa:
- Canal 100.