Antes de começar a análise de Grêmio Barueri 0 x 0 Fluminense, farei um breve prólogo. Nilton Santos, parabéns pelos 84 anos de vida! Tu és a gloriosa enciclopédia do futebol brasileiro, e merece todas as homenagens!
Amigos, o empate é a derrota mútua das duas equipes. Nelson Rodrigues já escrevia isso no século passado, quando a vitória só valia dois pontos. Atualmente, o vencedor da partida leva três pontos, o que desvaloriza ainda mais o empate. Por isso, repito as palavras do Profeta: quando se empata, na verdade se perde.
Na humilde opinião deste escriba, Carlos Alberto Parreira é o melhor treinador de futebol na face da Terra. Seu vasto currículo de títulos corrobora minha afirmação. Porém, não é por isso que deixarei de criticá-lo. Faltou ousadia no segundo tempo do jogo contra o Grêmio Barueri. Não é porque jogávamos na Arena Barueri que deveríamos nos satisfazer com o empate. O objetivo do Fluminense é o título, só pode ser o título. O campeonato é de pontos corridos, e o campeão será quem somar mais pontos. Não importa se os pontos vieram no Maracanã ou fora de casa. Há que se ganhar a maior quantidade possível de pontos, seja onde for.
Eu sei que, para tentar vencer, é necessário ousar, abrir espaços, e com isso eventualmente perde-se a partida. Mas acompanhem o meu raciocínio. Vamos imaginar que 9 dos 38 jogos cheguem empatados aos 30 do segundo tempo. Se a postura tricolor for a de hoje, conseguiremos 9 empates e, portanto 9 pontos. Se a postura for a que eu defendo - tentar a vitória a qualquer custo - certamente perderemos alguns jogos, para vencer outros. Se ganharmos 3 - só 3 - das 9 partidas, e perdermos as outras 6, ganharemos os mesmos 9 pontos. Porém, teremos 3 vitórias a mais - e o número de triunfos é o primeiro critério de desempate.
É por isso que eu abomino o empate. Além disso, o placar igual gera uma insatisfação coletiva. O público pagou ingresso para ver um dos times vencer. Vinte e dois jogadores encharcaram a camisa de suor - e para quê? Certamente não foi para o jogo terminar empatado. Pior ainda é o score de 0 a 0. Fica aquela sensação de que o jogo nem aconteceu. Eu julgaria procedente um pedido de devolução do dinheiro do ingresso. O público do futebol merece ver gols: o placar virgem é uma tragédia para o amante do esporte bretão.
Parreira, isso é tudo o que eu peço: ousadia no Campeonato Brasileiro! Esqueçamos a segurança dos empates. Arrisquemos tudo pelas vitórias! São elas, e não eles, que nos darão o doce tricampeonato.
Tricolores, nos vemos na quarta-feira, no Estádio Mário Filho. Quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. Vamos subir as rampas do Maracanã, e vamos empurrar o Fluminense à semifinal da Copa do Brasil.
Vem chegando o Gravatinha...
PC