Mostrando postagens com marcador Mário Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mário Filho. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de maio de 2021

O padre Romualdo e o Fluminense


Trecho da coluna de Mário Filho, no Jornal dos Sports de 3 de junho de 1960:

"O padre Romualdo, como bom tricolor, pediu licença ao Papa para entrar no Fluminense. Mandou para Roma um relatório minucioso, o que era o Fluminense, por que o escolhera, a vontade que tinha de ser sócio dele. A resposta custou a vir mas veio com a licença. O padre Romualdo encheu a proposta, entregou-a ao Fluminense, foi admitido, deu para aparecer em Álvaro Chaves. Não faltava a um jogo, a um treino. Aos treinos ia de máquina fotográfica para bater chapa dos jogadores. A princípio não gostaram dele. Houve quem espalhasse que o bom homem de Deus dava azar. O Fluminense há muito não era campeão da cidade. Passou doze anos em brancas nuvens. E lá aparecia o padre Romualdo, todo de preto, a batina cobrindo-lhe o corpo magro, encurvado. Como, com aquela ave de mau agouro, o Fluminense podia ser campeão?

De repente, porém, chegou um título, depois outro e mais outro. Os tricolores descobriram que o padre Romualdo dava era sorte. Chamaram-no para a tribuna de honra, onde ele passava descomposturas no juiz, rogava pragas aos jogadores do outro team, sem desconfiar de nada que o estavam ouvindo, pois era surdo. Morreu nos braços de Romeu Pelliciari, sorrindo, feliz, como um passarinho."

PCFilho