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domingo, 26 de julho de 2009

Sobrenatural de Almeida

Amigos, foi terrível. Ele estava lá, o tempo todo. Amaldiçoava cada passe e cada chute do Fluminense, durante os longos noventa minutos. Mas eu só percebi a sua diabólica presença no instante derradeiro da batalha. Foi naquele chute de Kieza, que tinha endereço certo, se não fosse sua maligna interferência. Não fosse o desvio no zagueiro cruzeirense, a rede balançaria. Mas a bola desviou no defensor azul. Mesmo assim, seria gol, e mais que isso: seria a vitória - a doce e santa vitória. Mas ele estava lá, para nos atrapalhar.

No metrô, voltando para casa, repassei o jogo de mim para mim mesmo, num silencioso monólogo. E percebi que Sobrenatural de Almeida era o grande responsável pelo tropeço do Fluminense. Para quem não o conhece, apresento: trata-se de um fantasma, que não possui time preferido. Pelo contrário: Almeida quer ver a caveira de todos os times. Quando ele implica com o Fluminense, a vitória se torna quase uma impossibilidade matemática.

Ainda no primeiro tempo, Marquinho apareceu na cara do gol, de frente para o arqueiro Fábio, do Cruzeiro. Ele tentou chutar no cantinho, para fazer 1 a 0. Mas Sobrenatural de Almeida estava lá, e empurrou a bola para a mão do goleiro cruzeirense. Era o primeiro ato do meu abominável personagem do domingo.

Depois de alguns minutos, o Cruzeiro fez 1 a 0, mas logo Kieza teve a chance de empatar para o Fluminense. Para variar, o chute saiu em cima de Fábio. Trata-se de mais uma óbvia interferência do Sobrenatural.

No intervalo, acho que senhor Almeida teve problemas extras quando foi ao banheiro do Maracanã. Deve ter sido aquele cachorro quente, que não é Geneal. Atrasou-se, perdendo o início da segunda etapa. Dieguinho e Maicon acabavam de entrar em campo, e se aproveitaram da ausência do Sobrenatural para fazer uma linda jogada, dando o gol de bandeja para nosso esforçado Kieza. Gol do Fluminense, 1 a 1.

Infelizmente, não deu tempo de virar a partida, antes que Almeida resolvesse seus problemas digestivos. E então ele voltou a agir: estava ao lado de Fábio, velando as traves cruzeirenses, à direita das cabines de rádio do Estádio Mário Filho. O tempo todo.

Maicon cruzou, e Kieza apareceu livre para cabecear. A bola foi para fora.

Conca cobrou uma falta espetacularmente. A bola raspou na trave, e foi para fora.

Kieza foi lançado, e sairia na cara do arqueiro Fábio. E então Leonardo Silva trocou o gol certo pelo cartão vermelho.

Marquinho recebeu na frente, se esticou e chutou. A bola passou pelo arqueiro Fábio, mas misteriosamente saiu pela linha de fundo.

Por fim, desculpem a redundância, o já citado instante derradeiro. Kieza recebe de Maicon e chuta com perfeição. O zagueiro desvia, matando o goleiro Fábio, mas a bola não morre no fundo da rede: vai caprichosamente para fora, passando a milímetros da trave.

Os leitores estão convencidos da influência de Sobrenatural de Almeida? Eu confesso que estou. Gravatinha, dê um jeito de aparecer no Parque Antárctica na próxima rodada: o Fluminense precisa de você.

PC