segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O maior Fla-Flu

Ontem, o Maracanã presenciou o maior Fla-Flu do ano. Afinal, foi o único clássico em que as duas equipes escalaram seus quadros titulares. E foi um grande jogo, à altura dos Fla-Flus da época de Nelson Rodrigues.

A peleja começou movimentada, com chances dos dois lados. Até que Conca, em um balaço de fora da área, acertou o ângulo do goleiro rubro-negro: 1 a 0 para o Tricolor. Devo registrar que foi um golaço, que deveria ser imediatamente guardado em um museu de relíquias. O gol obrigou a equipe da Gávea a sair para o jogo, abrindo-se para os contra-ataques tricolores. Em um deles, Washington perdeu um gol feito, desses que não se pode perder em um clássico. O troco veio quase imediatamente. Após uma profusão de chutes contra a meta de Fernando Henrique (todos defendidos), o juiz validou o tento do Flamengo, alegando que em um dos chutes o arqueiro pó-de-arroz retirou a bola de dentro do gol. Confesso que não sei até agora se a pelota entrou ou não. Pouco importa, o escore estava empatado.

Após a volta do intervalo, o Clássico das Multidões continuou eletrizante. As duas equipes se jogavam para o ataque, buscando o gol de desempate. Aqui cabe falar sobre as torcidas: eu jamais havia presenciado um Fla-Flu com tamanha diferença numérica entre as torcidas. Dos pouco mais de 60 mil presentes no Maracanã, pelo menos 50 mil vestiam preto e vermelho. Cabe ressaltar que os 10 mil tricolores presentes se fizeram ouvir, tanto quanto ou até mais que a maioria flamenga.

Eis que, em um dado momento do segundo tempo, a multidão rubro-negra cometeu o grave erro. Ecoou no cimento sagrado do Maior do Mundo o grito imortal: "Timinho! Timinho! Timinho!". Eles estão certos, essa é a mais pura verdade: o Fluminense é mesmo um Timinho! O Pó-de-Arroz sempre foi chamado de Timinho. Mas, quando a verdade nos é dita, na cara, como foi ontem, nós adquirimos um poder mágico. Digo "nós" porque o grito de Timinho mexe com todos no Fluminense: instituição, jogadores, torcedores vivos e mortos. Ia dizendo que adquirimos um poder mágico quando ouvimos a verdade, e já explico: ouvir a verdade nos dá o poder de transformá-la em mentira. O Timinho se agiganta! Deixa de ser Timinho! Ainda ecoava o grito de "Timinho" quando a bola de Maurício, em impressionante curva, caiu no ângulo do goleiro Bruno. O quadro de Álvaro Chaves fez 2 a 1 e deixou de ser Timinho!

Porém, clássico é clássico, e não acaba enquanto não terminar. No apagar das luzes, Kleberson - ironia do destino, justo ele que seria substituído - empatou para o Flamengo. 2 a 2. Assim terminou o maior Fla-Flu do ano.

Na minha volta para casa, um rubro-negro, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, me pergunta: "por que nossa camisa e nossa torcida, que vencem a todos os outros, não funcionam contra vocês?". Após segundos de reflexão, respondo: "porque o Fluminense é um Timinho, mas mesmo assim é maior que tudo, é maior que todos!".

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Todos derrotados

Serei breve no meu comentário sobre a rodada carioca do fim de semana. No sábado, em pleno Maracanã, o Fluminense empatou com o Sport do Recife. No domingo, o Flamengo empatou com o Inter no Beira-Rio, e Vasco e Botafogo empataram entre si no clássico do Maracanã.

No jogo de sábado, o Tricolor não foi nem uma caricatura, nem uma sombra, do time que deu show na Libertadores. O mestre Cuca está inventando demais, improvisando demais. Os sete pontos conquistados no returno vieram da sorte, a mesma sorte que acompanha o sujeito que atravessa a rua e não é atropelado por uma carrocinha de chicabon.

No Beira-Rio, o Rubro-Negro saiu atrás em um frango do goleiro Bruno. Disse frango mas já me corrijo: foi um autêntico e colossal frangaço. Nilmar não bobeou e marcou para o Colorado. O clube da Gávea acabou empatando o confronto, em gol do folclórico Obina.

No clássico do Maracanã, o Botafogo vinha embalado por seis vitórias consecutivas! Já o Vasco vinha aos trancos e barrancos. Tudo me levava a crer, pois, em uma vitória do quadro de General Severiano. E o triunfo alvinegro se desenhou no gol de Wellington Paulista, em jogada do ex-tricolor Carlos Alberto. Mas, amigos, o jogo só acaba quando termina. E, no apagar das luzes, no frigir dos ovos, eis que o time de São Januário igualou o marcador.

Assim, a rodada carioca no campeonato nacional gerou quatro empates. O mestre NR dizia que o empate é uma derrota dupla. Concordo com ele: nada pior que um empate. Saem frustrados os dois times, sai frustrado o trio de arbitragem, sai frustrado o vendedor de chicabon na arquibancada, sai frustrada a massa que pagou para ver um vencedor e viu dois derrotados. Assim foi a rodada para os times do Rio: foram todos derrotados.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vitória nos Aflitos

Começo anunciando que o Fluminense não jogou bem. Nosso segundo triunfo consecutivo somente veio na base das bolas paradas e do talento de Washington. Tivemos sorte. Mas para tudo na vida é preciso sorte. Sem sorte, o sujeito não consegue nem atravessar a rua, podendo ser atropelado por uma carrocinha de Chicabon. (diria o profeta)

O time do Náutico mostrou-se fraco. Os times em geral têm se mostrado fracos nesse campeonato. O próprio líder Grêmio não joga isso tudo que falam. Joga tão pouco que, dentro de seus domínios, precisou da ajuda do juiz para ganhar do São Paulo outro dia. Joga tão pouco que é capaz de perder para o Flamengo amanhã, no Maracanã, apesar da bolinha que o Rubro-Negro vem jogando.

Nesse campeonato de times fracos, um time que tem se mostrado acima da média é o Botafogo. Há tempos não brilhava tão forte a Estrela Solitária. Mas, hoje, também o alvinegro precisou da ajuda do juiz para ganhar do Cruzeiro, em pleno Engenhão. O larápio inventou um pênalti, que Lúcio Flávio converteu com a categoria que lhe é peculiar.

Voltando ao jogo do Tricolor, fizemos 3 a 1 no Náutico, lá nos Aflitos. Um bom resultado, não há dúvidas. Mas não nos enganemos: o time continua desarranjado. Um bando em campo. Se Cuca dará seu jeito no quadro tricolor, só o tempo dirá. Será ajudado pela volta dos Thiagos, que foram passear em Pequim, já que Dunga não quis escalá-los, negando o óbvio e assim perdendo o torneio olímpico.

Daqui a dez dias, tem Fla-Flu. É impressionante como o Pó-de-Arroz cresce às vésperas de um Fla-Flu. Começo a acreditar que as vitórias de agora são a moldura para a vitória no Fla-Flu. O Flamengo tem camisa, é inegável. Mas em Fla-Flu a camisa rubro-negra não pesa. A sorte parece sempre pender para o lado de Álvaro Chaves. E nós não nos envergonhamos disso. Para tudo na vida, é preciso sorte. Sem sorte, o sujeito não consegue nem atravessar a rua.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A Joana d'Arc Tricolor

Quarta-feira passada, estive no Maracanã, para assistir a mais um jogo do Fluminense, contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro. Em meio à crise, por causa da penúltima posição na tabela, a principal torcida organizada do Tricolor resolveu realizar um protesto antes, durante e depois da partida. Seus integrantes vieram todos vestidos de preto, e carregavam cruzes e caixões, simbolizando o enterro de alguns jogadores e do treinador Renato Gaúcho. A vitória do pó-de-arroz sobre o atual bicampeão, pelo escore de 3 a 1, ficou em segundo plano. Os três tentos de Washington levaram os três pontos para Álvaro Chaves, mas o principal momento da noite se deu nas arquibancadas do outrora Maior do Mundo.

O protesto fúnebre da torcida organizada causou reações diversas. Alguns torcedores rivais zombaram do ato, chamando-o de ridículo e cômico. Os jornalistas em geral criticaram-no, apesar de ele ter sido pacífico. Os torcedores do Fluminense no Estádio Mário Filho se dividiram em três grupos: os próprios coveiros, vestidos de preto e dispostos a enterrar o time; os que apoiaram o ato, assistindo a ele passivamente; e os que discordaram, vaiando o protesto. Durante a partida, o primeiro grupo, dos coveiros, somente se manifestou com vaias ao próprio time, e aplausos irônicos ao gol do São Paulo. O último grupo entoou os tradicionais cantos de apoio ao time, durante os 90 minutos de disputa (mesmo após o gol do São Paulo, que inaugurou o placar).

No dia seguinte, tentei me lembrar se já havia ocorrido algo semelhante àquele protesto na história do futebol brasileiro. Ao vasculhar as crônicas de Nelson Rodrigues, encontrei. Em crônica publicada na Manchete Esportiva de 17/03/1956, intitulada "O Martírio", Nelson relata o episódio em que a torcida do Fluminense queimou uma bandeira do próprio clube, outro protesto que gerou indignação. Ele comparou a bandeira queimada a Joana d'Arc, mártir que também morreu queimada. Transcrevo abaixo o brilhante texto do profeta.

'Quando o Fluminense perdeu do Flamengo, por 6 x 1, a torcida tricolor não teve meias medidas: - queimou a bandeira do clube, em pleno Maracanã, numa cerimônia pública e horrenda. E, depois, não saciados, aqueles vândalos, aqueles Neros, aqueles Dráculas sapatearam em cima das cinzas! Lembro-me que o episódio provocou, na ocasião, indignações histéricas. Ninguém entendia que fizessem, com a bandeira Tricolor, naquela tarde, uma Noite de São Bartolomeu. E, no entanto, o incidente oferecia aspectos que escapavam à massa ululante. Eis a verdade: - com o fogaréu improvisado, o martírio invadia o futebol, incorporava-se à tradição do Fla-Flu, dramatizava o clássico, para sempre. Daqui a duzentos anos, quando se encontrarem o Flamengo e o Fluminense, todos hão de se lembrar daquela que, entre todas as bandeiras, foi queimada como uma Joana D’Arc. De resto, ensina a nossa experiência vital que nada se faz sem sofrimento. Até para se beber um copo d’agua é preciso um pouco, um mínimo de martírio.

Por outro lado, devemos considerar o aspecto afetivo do fato. E aqui pergunto: - por que um torcedor rasga a carteirinha do clube ou incendeia a sua bandeira? Respondo: - por causa de uma nítida, taxativa, incontível dor de cotovelo. Sem querer e sem saber, a torcida dava uma feérica demonstração de muitíssimo amor. E nunca, como naquele momento, o Fluminense mereceu tanto a atra e negra inveja dos seus co-irmãos. De fato, ele podia bater no peito e clamar, para qualquer um: "Eu fui queimado e tu, não!"

Findos os 6 x 1, consumado o sacrifício da bandeira, não tardaríamos a verificar que o martírio viera potencializar o time. Senão vejamos: até aquele momento, o quadro estava caindo aos pedaços. Ou a derrota deslavada ou a vitória vergonhosa. E, súbito, sentíamos que a equipe era outra. Ou antes: - era a mesma, porque lá continuavam os Waldo, os Lafaietes, os Bassu. Os resultados é que variavam. Vencemos o Vasco, com dez elementos; o Bonsucesso, de banho; o Flamengo, de 3 x 2; novamente o Vasco, por 2 x 0. Como explicar o inexplicável? A verdade é que, por trás das novas atuações, havia o estímulo novo e irresistível do martírio. Víamos coisas estarrecedoras, como seja: - Lafaiete inexpugnável ou, então, um jogador como Pinheiro, grande, maciço, compacto como uma catedral, a correr, em campo, qual um coelhinho de desenho animado.

Por certo, há outros fatores empurrando o Fluminense. Um deles é a mediocridade, que caracteriza o time. E sejamos justos: - existe nos homens e nos quadros medíocres uma força específica e terrível. Já os geniais são muito mais precários e perecíveis. O América foi genial contra o Flamengo e nunca mais. Explica-se: - o sublime não se repete, é bissexto, acontece uma vez na vida, outra na morte. O Flamengo tem o milagre da camisa. Mas o sobrenatural também pinga as suas manifestações. Ao passo que o Fluminense pode ser medíocre todos os dias, em todos os jogos, chova ou faça sol. Essa constância na mediocridade é que lhe dá uma grandeza inexcedível e talvez o faça campeão. Ele veio se arrastando pelo campeonato. Dir-se-ia que seu lema é o eterno e eficaz: - "devagar e sempre". Resta ainda observar que, no caso do Fluminense, trata-se de uma mediocridade acrescida de martírio.'

Em tempo 1: meu objetivo ao publicar esse texto é pedir respeito mútuo entre os integrantes da Torcida Young Flu e os torcedores que discordaram do protesto da organizada. Todos nós, cada um à sua forma, queremos o bem do Fluminense. Cada um com sua "feérica demonstração de amor" ao Fluminense! Em paz!

Em tempo 2: obrigado por tudo, Renato Gaúcho, eterno ídolo do Fluminense, como jogador e como treinador!

Em tempo 3: boa sorte, Cuca!

Em tempo 4: descanse em paz, Píndaro! A seleção Tricolor no céu ganhou um reforço de peso!

Saudações Tricolores!
PC

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Dois de Julho de 2008

"Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos."

Com as sábias palavras do profeta tricolor, inicio meu texto. Escrevo um dia após a épica final da Libertadores. Ontem foi, certamente, o dia mais emocionante da minha vida. Infelizmente, a sensacional campanha não foi coroada com o troféu. O pedaço de metal vai para a Liga de Quito.

Ficou um sentimento de vazio, sem dúvida. A perda do título foi dolorosa, porque esse time e essa torcida o mereciam, mais do que ninguém. Mas o futebol nem sempre premia o melhor time. O futebol não tem nenhum compromisso com a justiça. Talvez por isso seja esse esporte tão popular.

Orgulho de ser Tricolor. Esse é o sentimento que predomina. Só quem esteve no Maracanã na quarta-feira sabe o que presenciou. Foi o maior espetáculo que uma torcida jamais realizou. A saudação dos mais de 85.000 torcedores à entrada do time, com o pó-de-arroz, as bandeiras, as músicas e os sinalizadores, foi de emocionar tricolores e não-tricolores. Tratando a arquibancada como um pedaço de papel, escrevemos FLUMINENSE. Quando o escrito se apagou, surgiu outro: FÉ. Estávamos perdendo por 2 gols, e precisávamos ter fé.

Eis que, logo no início do jogo, sofremos um duro golpe. Dez segundos de silêncio sepulcral anunciaram o gol da Liga. Agora precisávamos de três gols para empatar o confronto. Essa diferença jamais havia sido igualada em uma final de Libertadores. Mas a fé continuava inabalável. Como já disse, foram dez segundos de silêncio. Assimilado o golpe, a torcida voltou a cantar, a apoiar incondicionalmente o Fluminense.

Então surgiu a grande figura do jogo: Thiago Neves. O camisa 10 teve a melhor atuação individual da história do Maracanã. Marcando três golaços, ele liderou o Fluminense na quebra do último tabu desse campeonato recheado de tabus. O Tricolor conseguiu empatar o inempatável. Os jogadores trajados nas três cores que traduzem tradição mostraram uma garra, uma vontade e um ímpeto inexcedíveis. O placar de 3 a 1 levou o embate para a cruel prorrogação. E esta se arrastou até a disputa de pênaltis. A sorte então sorriu para os equatorianos.

Durante todo o campeonato, não houve time mais constante do que o Tricolor. A melhor campanha de toda a primeira fase, e as épicas batalhas contra São Paulo e Boca Juniors desenharam o campeão. Se justiça houvesse, nisso todos concordam, o pedaço de metal iria envelhecer na Sala de Troféus da Rua Álvaro Chaves. O Fluminense de 2008 se junta à Hungria de 1954 e à Holanda de 1974. Daqui a duzentos anos, ninguém se lembrará dos campeões desses três históricos torneios. Todos se lembrarão apenas dos três times que praticaram o melhor futebol, embora não tenham levado o pedaço de metal para casa.

Neste momento, trovões cruzam os céus da Cidade Maravilhosa, em pleno inverno. Eles certamente mostram a revolta dos deuses do futebol. Para eles, o Fluminense Football Club é o campeão.

Erguendo-me das cinzas da humildade, anuncio: em 2009, vamos ganhar essa taça!

Saudações Tricolores!
PC

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Seremos campeões - por Nelson Rodrigues

Tricolores do Céu e da Terra, anuncio-lhes a Boa Nova! Consegui conversar novamente com nosso sábio Nelson Rodrigues! Ele praticamente ditou para mim a crônica abaixo. Por favor, não atribuam a autoria dela a mim. O texto é 100% do nosso profeta!

"Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória.

Paulinho, meu querido, a Liga teve a sua chance de ouro de conquistar a Libertadores, no segundo tempo em Quito. E a jogou no lixo, recuando covardemente. O Fluminense terá a sua oportunidade no Estádio Mário Filho, e não a desperdiçará. Nossos jogadores mostrarão uma garra, uma vontade e um ímpeto inexcedíveis, e o Pó-de-arroz será o campeão! Isso já está escrito há mais de dez mil anos!

Assisti à batalha de Quito ao lado de Castilho e Ximbica. Daqui de cima pudemos observar as artimanhas de Sobrenatural de Almeida! Ele esteve na nossa grande área, assombrando Fernando Henrique e nossos defensores, durante todo o longo primeiro tempo. O Sobrenatural não torce para nenhum time, você sabe. E ontem ele estava disposto a interromper nossa jornada rumo à glória. Porém, os deuses do futebol são sábios, meu caro. Não se brinca com o Pó-de-arroz, Sobrenatural! Não se brinca com esta instituição centenária! Os deuses espantaram Sobrenatural de Almeida, e ele sumiu no segundo tempo. E também não estará no Estádio Mário Filho, no dia dois de julho! O tricolor Gravatinha, esse sim, é presença garantida!

Quarta-feira, o Fluminense precisa de número. Acontecerá, pois, o suave milagre. Os tricolores vivos, doentes e mortos subirão as rampas. Os vivos sairão de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha. Cem mil fanáticos empurrarão o Pó-de-arroz para a glória! Seremos campeões!"

Arrepiante, não? Obrigado, sábio profeta! Saudações Tricolores!

PC

Eu acredito

Caros,

Escrevo após o primeiro jogo da final da Libertadores. O placar: LDU 4 x 2 Fluminense. O jogo chegou a estar 4 x 1 para os equatorianos. Ninguém, absolutamente ninguém, acreditava que isso poderia acontecer. Pois aconteceu. Os idiotas da objetividade perguntarão: o que aconteceu com a melhor defesa do campeonato? Há culpados pela derrota? Eu vos respondo: isso não importa!

Tricolores do Céu e da Terra: eu acredito! Você também acredita. Isso é o que importa! Nós seremos os campeões. Isso já está escrito há mais de 10 mil anos, segundo Nelson Rodrigues.

Em 1983, o cronômetro já invadia os acréscimos do segundo tempo quando Assis fez o gol do título estadual, contra o Flamengo. Em 1984, a história se repetiu.

Em 1995, vimos o título escorrer pelas mãos com dois gols rubro-negros no segundo tempo. Mas nada estava perdido. Há exatos 13 anos, Renato Gaúcho fez o gol do título, aos 42 minutos.

Em 2005, perdemos o primeiro jogo da final do Campeonato Estadual: Volta Redonda 4 x 3 Fluminense. Uma semana depois, vencemos por 3 a 1, com gol aos 47 do segundo tempo.

Nesta Libertadores, um gol do São Paulo aos 24 do segundo tempo, e tínhamos 20 minutos para fazer 2 gols. Dodô e Washington fizeram os gols. O segundo aos 46 minutos.

Também nesta Libertadores, já no segundo tempo, nos vimos em desvantagem contra o Boca Juniors. A virada aconteceu, e conquistamos novamente a vaga. É por essas e outras que o sábio escreveu:

"A verdade incontestável é que ninguém ganha da forma como nós ganhamos. As vitórias dos outros são simples, quase sem graça. Algumas beiram a banalidade, ao ridículo, as nossas não. As nossas são cardíacas. As dos outros são previsíveis, esquecidas ao apito do primeiro jogo do próximo campeonato, as nossas são inesquecíveis. Por todos, por nós, pelos adversários e até pelo mais indiferente leigo. As nossas vão da extrema falta de perspectiva, do máximo sofrimento, da crueldade, ao êxtase, ao épico, ao apoteótico. Tudo junto, quase sem fronteiras entre esses opostos."

Seremos Campeões!

PC

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Fluminense 3 x 1 Boca Juniors



Rio de Janeiro, madrugada de 4 para 5 de junho de 2008.

Acabo de chegar do Estádio Mário Filho, o mítico Maracanã, onde assisti à brilhante classificação do meu Fluminense contra o poderoso Boca Juniors!

Cabe relembrar algumas das frases ditas antes do primeiro jogo, 2 a 2 em Buenos Aires.

A primeira veio da "boca" (duplo sentido, por favor!) de muitos argentinos. "Não importa o resultado de Buenos Aires. O Boca vai vencer no Rio."

A próxima demonstra o menosprezo dos próprios jogadores xeneizes em relação ao Fluminense. O atacante Palermo disse, para quem quisesse ouvir: "O Boca ganhará os dois jogos."

Seu companheiro Riquelme não deixou por menos: "Palermo quer a artilharia. Ele fará uns cinco gols no Fluminense."

O camisa 10 do Boca ainda falou mais. Já estava pensando no confronto com seu compatriota Tevez, do Manchester United, contra quem o campeão da Libertadores provavelmente jogará no Japão.

As frases acima foram ditas por argentinos. Nada justifica falta de respeito. Mas eles ao menos tinham uma razão para proferi-las: apoiar o time do seu país. Algo que, infelizmente, a imprensa brasileira não fez pelo Fluminense.

Impossível citar aqui, neste curto espaço, todas as frases infelizes ditas pelos jornalistas brasileiros. Assim, citarei apenas o maior absurdo que ouvi: a frase, repetida à exaustão, pelos mais diversos veículos de comunicação: "O Fluminense não tem tradição." Peraí, volta a fita. Não tem tradição? O clube pioneiro do futebol de alto nível no Brasil não tem tradição? O maior campeão carioca não tem tradição? O detentor da Taça Olímpica de 1949 não tem tradição? O campeão mundial de 1952 não tem tradição? Um time com três conquistas nacionais (1970, 1984, 2007) não tem tradição? Então, tá...

Voltando às declarações argentinas... no início do ano, Riquelme foi sondado sobre a possibilidade de defender o Fluminense na Libertadores. Ele respondeu, seco: "Fluminense? Que Fluminense?".

Os jogadores do Boca não menosprezaram apenas o Fluminense. Menosprezaram também o Maracanã. Ganharam do Cruzeiro no Mineirão e do Atlas no Jalisco. Acharam que o Maracanã era só mais um estádio. Não acreditaram na força do Estádio Mário Filho.

Nesta quarta-feira, aconteceu o suave milagre. Os vivos saíram de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. Escorria gente pelas paredes do Maracanã. Todos ávidos por um milagre: a eliminação do Boca, façanha que, dentre todos os times brasileiros, apenas o Santos de Pelé havia realizado.

Começa o jogo. O jogo no primeiro tempo foi estudado. Leve domínio do Boca. Porém, as jogadas de perigo dos xeneizes eram paradas, uma a uma, pelas épicas atuações de Fernando Henrique e Thiago Silva.

Os tricolores sabem que com o Flu tudo é dramático. Evidentemente, no segundo tempo, aconteceu o que todos sabiam que aconteceria: gol dos argentinos. Palermo de cabeça. Seria apenas o primeiro dos cinco que ele achava que marcaria no confronto!

A música mais recente da torcida tricolor diz assim:
"O dale dale dale dale dale Fluminense!
O dale dale dale dale dale Tricolor!
Há tantos anos juntos na vitória e na derrota!
Mas a certeza é que eu nunca vou te abandonar!
Eu canto NENSE quando o time vai bem!
Eu canto NENSE quando o time vai mal!
Um gol sofrido não vai me abater!
NÃO VOU PARAR DE CANTAR!"

Começamos a entoá-la. O Fluminense precisava de nós. Precisou há 10 anos, e nós estávamos lá. Não seria diferente hoje. Nós estávamos lá!

Falta perigosa, sofrida por Dodô, nosso 12º titular, que acabara de entrar em campo. Dali, temos muitos cobradores de qualidade: Thiago Neves, Dodô, Thiago Silva, Washington... Joana, ao meu lado, disse: "O Dodô tem que bater essa falta!". Eu respondi: "Quem bater vai fazer o gol!". Eu tinha certeza. Só não sabia quem faria o gol. Só sabia que faria o gol! Washington executou a cobrança perfeita. Nenhuma chance para o goleiro xeneize. Bola na rede. 1 a 1! Explosão de alegria nas três cores que traduzem tradição!

O Boca novamente se via obrigado a tentar o gol. Com isso, cedia perigosos espaços. Num dos contra-ataques, Dodô achou Conca. O nosso argentino, humilde como não o são os outros aqui citados, partiu em velocidade pela esquerda. Invadiu a área e tocou para o meio. Ibarra desviou, e a bola iria para escanteio. Iria, porque houve um segundo desvio! Sobrenatural de Almeida foi o responsável por ele. Somente os tricolores viram o toque mortal do Sobrenatural naquela bola. Tudo calculado pelo Conca, como disse meu amigo Alan. E ele está certo. Bola na rede! 2 a 1 Flu! E o Boca não empataria mais! Nunca mais!


Isso porque Thiago Silva e Fernando Henrique continuavam com suas atuações épicas lá atrás. O melhor zagueiro do mundo tirou uma bola que já havia passado pelo nosso brilhante goleiro!

O golpe final teria que vir do homem que mudou o jogo, nosso 12º titular. Dodô jogou a última pá de cal no caixão do Boca, aos 47 do segundo tempo (nosso minuto favorito, né, Washington?). 3 a 1. Fim de jogo. Muitas "bocas" caladas na Argentina e no Brasil! Acho que agora o Boca e seu craque Riquelme conhecem o Fluminense. Respeitam o Fluminense. Agora respeitam o Maracanã, e a torcida do Fluminense.

Daqui a décadas, o continente dirá, mordido de nostalgia: "AQUELE Fluminense e Boca!".

Saudações Tricolores!
PC

Vídeo com os gols do Fluminense, na narração emocionante e arrepiante de Luiz Penido:

domingo, 1 de junho de 2008

Fluminense - Libertadores 2008

Nesses dias que antecedem a histórica partida de volta contra o Boca Juniors, pela semifinal da Libertadores, evidentemente não consigo pensar em outra coisa. Publico hoje as palavras que direcionei outro dia a Joana, uma amiga tricolor, fanática como todos os tricolores o são.

"Também acho que merecemos, Joana! Merecemos esse título, sim! E vamos conquistá-lo! Digo "vamos" na primeira pessoa do plural, porque NÓS vamos conquistar a Libertadores. Nós nove milhões de torcedores, vinte e poucos jogadores e comissão técnica deste clube fantástico! O Fluminense somos nós!

Há dez anos, sofríamos o inimaginável rebaixamento à terceira divisão, e não abandonamos este clube. Uma década se passou e estamos entre os 4 maiores clubes da América! Somente um gigante para ressurgir assim das cinzas! Nós somos um gigante! Nós somos o Fluminense! Somos Tricolores de Coração!

Estamos honrando o Fluminense de Nelson Rodrigues, Castilho, Rivellino, Gérson, Felix, Assis, Washington, Branco, Telê, Didi, Bacchi, Marcos Carneiro de Mendonça, Oscar Cox, Thiago Silva e tantos outros! Tenho certeza de que elevaremos o nome do FFC ao topo das Américas, local em que este nome sempre mereceu estar!

Na 4a-feira, os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas. Vamos vencer!"

Saudações Tricolores!
PC

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A profecia de Nelson Rodrigues

Acabo de chegar do Maracanã. Não posso deixar para contar depois a história da épica vitória tricolor. Tenho que escrevê-la agora.

Segunda-feira, de madrugada, tive um animado papo com Nelson Rodrigues. Há quem diga que eu estava sonhando, pelo horário e por acharem que Nelson morreu. Como ele sabe das coisas, perguntei a ele sobre o jogo de quarta-feira, contra o São Paulo, no Maracanã, pela Copa Libertadores da América. Ele me respondeu, seco: "O Flu se classificará. Washington desencantará. Ele fará dois gols!" Bom, não sei se os caros leitores acreditarão em mim, mas eu contei sobre o papo a algumas pessoas, antes do jogo, de modo que tenho testemunhas do fato. Conversamos sobre mais algumas coisas, e nos despedimos com as tradicionais "saudações tricolores". Acreditando nas palavras do sábio mestre, fui ao estádio empurrar o meu time.

Quarta-feira, 21:45, Estádio Jornalista Mário Filho. 80 mil tricolores lotam o mais importante estádio do futebol mundial. Assim que o time entra em campo, fazemos a tradicional festa do pó-de-arroz, e começamos uma cantoria que só pararia ao fim do primeiro tempo. Eu estava posicionado na arquibancada amarela, à esquerda das cabines de rádio, como sempre. Acompanhado de minha família, um amigo e mais uma multidão de torcedores apaixonados.

Como freqüentador assíduo de estádios de futebol, e amante do esporte, devo dizer que nunca havia visto uma torcida tão ativa, tão empolgante, tão concentrada no jogo como a que vi hoje. Foi impressionante, de arrepiar! Cantamos o tempo inteiro, e vaiamos muito o time do São Paulo, que errou muito, estando visivelmente apavorado com a massa que cantava contra ele. Essa torcida merecia a classificação!!!

Ainda nos primeiros minutos do jogo, Washington abriu o placar, com um leve desvio que tirou Rogério Ceni do lance! O mesmo Washington que não marcava há não-sei-quantos jogos. Ele desencantou, e a profecia de Nelson Rodrigues começava a se confirmar.

O time jogou muito, e jogou com raça! Por pouco, não ampliou o placar ainda no primeiro tempo, em lindo chute de Thiago Neves, que bateu caprichosamente na trave! Veio o intervalo... 15 minutos de silenciosa tensão no maior estádio do mundo. A massa poupava sua voz para a batalha do segundo tempo. Ainda precisávamos de um gol.

Apesar de continuar bem no jogo, lá pelos 24 minutos do 2º tempo, aconteceu o que todos temíamos: gol do São Paulo. Sempre ele, Adriano. Agora, precisaríamos de dois gols. Eis que, um minuto depois, a torcida já voltava a incentivar o time após alguns segundos de choque, e... GOL!!!! Gol do Fluminense! Dodô, o artilheiro dos gols bonitos, em chute fraquinho! 2 a 1. Novamente, só faltava um gol.

"O Flu se classificará. Washington desencantará. Ele fará dois gols!" O Flu atacava, o time jogava com raça, a torcida empurrava das arquibancadas com uma força que eu jamais vi torcida alguma fazer. Mas o gol não saía.

Quando já estávamos nos acréscimos do juiz, escanteio. 46, talvez 47 do segundo tempo. Thiago Neves foi para a cobrança. Seria talvez nossa última chance. A cobrança do habilidoso meia encontrou a cabeça de Washington. E ele, tal qual seu xará da década de 80, sabe usar a cabeça. A bola entrou. GOL!!!! Vivi um momento de êxtase inexplicável, inenarrável. Chorei. Chorei muito. O segundo gol de Washington! A profecia de Nelson Rodrigues estava quase cumprida. Só faltava terminar o jogo!

O São Paulo ainda teve uma chance de se classificar, mas nosso goleiro Fernando Henrique coroou a belíssima atuação com uma defesa segura. Acabou. O Fluminense se classificou. A profecia estava cumprida. A torcida, os jogadores, e o técnico Renato Gaúcho puderam então comemorar a merecida vitória. A épica vitória! A espetacular vitória!

Obrigado, torcida do Fluminense. Fazemos parte da mais fantástica torcida que uma agremiação esportiva jamais reuniu. Sou Tricolor de Coração...

Obrigado, jogadores do Fluminense. Vocês honraram o manto que vestem, e nos representaram com amor e com vigor! Fizeram a torcida querida vibrar de emoção...

Obrigado, Renato Gaúcho. Você foi o perfeito comandante. A imagem de você, sentado no gramado, ainda emocionado minutos após a vitória, jamais sairá de minha memória.

Obrigado, Nelson Rodrigues. Você provou para nós que não está morto. Você é imortal! E mostrou que sabe das coisas! "O Flu se classificará. Washington desencantará. Ele fará dois gols!" Aguardo ansiosamente nosso próximo papo!

Saudações Tricolores!
PC

sábado, 10 de maio de 2008

Maracanazo

Dezesseis de julho de mil novecentos e cinqüenta. Final da Copa do Mundo, Maracanã, Brasil x Uruguai. O ambiente era todo favorável ao primeiro título brasileiro, em casa, no estádio mais importante do mundo, recém construído. O resultado foi completamente inesperado, vitória dos uruguaios por 2 a 1, e um Maracanã lotado, com cerca de duzentas mil pessoas (!!!), se calou. Esse jogo ficou conhecido como Maracanazo, e representa uma das maiores decepções no futebol brasileiro, e até mesmo mundial.

Sete de maio de dois mil e oito. Eu vivi meu próprio Maracanazo. Meu não, do meu time, Flamengo. Três dias após o conquistar o bicampeonato carioca sobre o Botafogo, o time rubro-negro jogava para chegar às quartas-de-final da Libertadores contra o América do México, após ter vencido o jogo de ida em pleno estádio Azteca por 4 a 2. Para incrementar a vantagem do Flamengo, o América vivia uma crise profunda, lanterna do campeonato mexicano; por outro lado, o time carioca se despedia de seu treinador, Joel Santana, responsável por grandes resultados recentemente. Tinha tudo para ser uma grande partida para o Flamengo, com vitória garantida e vaga assegurada para a próxima fase.

Nenhum torcedor rubro-negro, nenhum mesmo, por mais pessimista que fosse, poderia imaginar que o Flamengo não se classificaria. NENHUM!!! Conversei com vários amigos também flamenguistas ao longo do dia, perguntando se também iriam ao jogo, e de todos obtive a mesma resposta: "Pô cara, esse jogo tá ganho... vou esperar pra ir contra o Santos". Todos davam como certa a classificação do time. Ninguém, nem mesmo tricolores e alvinegros esperavam o que aconteceu. Acredito que muitos nem viram o jogo.

Mas... aconteceu. É a reafirmação da velha máxima: "O futebol é uma caixinha de surpresas". Se alguém apostou dois reaizinhos na classificação do América no jogo de ontem, hoje está muito rico.

Maracanã bastante cheio, quase lotado para os padrões de hoje em dia. Festa do título, festa do treinador, festa da classificação. A torcida empolgada como poucas vezes havia visto.

Começa o jogo, e como era esperado, o Flamengo parte para cima dos mexicanos. Inúmeras chances foram desperdiçadas, mas ao que tudo indicava, teríamos uma goleada. E de repente, gol do América.

Tudo bem, vacilamos na defesa, mas 1 a 0 ainda é nosso. Novamente o Fla pressiona, perde várias chances e num erro bobo, mais um gol mexicano. Nesse momento, todos começaram a mostrar certa apreensão. Mas a confiança ainda era grande, pois continuávamos nos classificando, e no intervalo o Papai Joel ia dar uma bronca nos jogadores, provavelmente ia mexer no time, e no segundo tempo poderíamos até virar o jogo.

A etapa final começa como a anterior. Flamengo pressiona, e perde gols incríveis. O time mexicano joga só na defesa, mostra-se incapaz de fazer qualquer coisa. E a torcida cantando cada vez mais forte. Um detalhe que eu observei, durante o jogo todo, a torcida cantou apenas para incentivar o time. Nenhum dos gritos foi para tirar sarro com os outros clubes cariocas... acho que nunca tinha presenciado isso também.

E aí veio o golpe. Falta boba na frente da área, a bola desvia na barreira, mata o goleiro e... silêncio. Quando um time é rebaixado, o sofrimento é diluído pela péssima campanha ao longo do campeonato. Quando um time perde uma final, ainda mais num clássico, a surpresa não é tão grande, pois as chances são de 50% para cada lado. Mas em um jogo desses, onde, volto a frisar, NINGUÉM esperava a derrota do Flamengo, o golpe foi incrível. Metade da torcida (eu inclusive) não tinha forças nem para xingar os jogadores. Pouquíssimos continuavam incentivando, acreditando que o golzinho salvador viria. Muitos deixavam o estádio. E todos tinham no rosto a mesma expressão de incredulidade. Mas o sentimento era mais do que de incredulidade, era algo que não consigo descrever.

Se fosse botafoguense, emo, ou um pouco menos comedido em minhas reações, teria ido às lágrimas naquele momento. Mas apenas fiquei ali, sentado, com as mão na cabeça, sem acreditar que estávamos desclassificados. Quarenta e cinco minutos, meu irmão falou para irmos logo embora, não valia a pena continuar sofrendo ali. Desde o gol, não falei mais nada, e o silêncio se manteve até chegar em casa. No caminho, com milhões de coisas passando pela cabeça, lembrei do fato histórico que abriu minha narrativa, e concluí que o que os brasileiros sentiram naquela época deve ter sido mais ou menos a mesma coisa.

Não quero falar sobre o que o Flamengo devia ou não devia ter feito, nem filosofar sobre os motivos da derrota. Quero apenas dar o meu relato sobre um grande revés, inimaginável, talvez até mesmo pelos jogadores do América.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Fla-Flu

Acabo de chegar do Maracanã, onde assisti a mais um Fla-Flu, o clássico dos clássicos!

Hoje de manhãzinha, Nelson Rodrigues acordou cedo, e foi bater na porta de São Pedro. Ele pediu chuva no Maracanã. A chuva traz sorte para o Fluminense no Fla-Flu, todo mundo sabe. Choveu em 25 de junho de 1995, o dia do gol de barriga do Renato Gaúcho. Choveu hoje.

O primeiro tempo foi só ameaça. Tanto ameaça de chuva quanto ameaça de gols, dos dois lados. Trovões e relâmpagos cortavam a paisagem ao redor do Maior do Mundo. Chutes raspavam a trave em campo, mas iam para fora.

Finalmente, no intervalo, o santo que regula as chuvas atendeu ao pedido do ilustre tricolor. Caiu muita água no Maracanã. Tanta água, que até acabou a luz no intervalo. Eu já lamentava na arquibancada, achando que não haveria mais jogo. Logo agora que havia chovido e que o Fluminense venceria... Mas a energia foi reestabelecida, o jogo recomeçou, e... gol do Flamengo!

Mau presságio? Não! Os tricolores sabem que muitas vitórias históricas do Fluminense começaram com um gol do Flamengo. Eu tinha a certeza da virada.

Falta na entrada da área, pela direita. Posição ideal para um cobrador canhoto. Lá foi Thiago Neves para a bola. Bateu no canto esquerdo do goleiro. GOL! Estava empatada a partida.

Outra falta, na mesma posição. Lá foi Thiago Neves para a bola. Dessa vez, o chute foi no ângulo direito do goleiro, por cobertura. Um golaço! 2 a 1 Flu!

O terceiro gol é um espetáculo. Uma seqüência de dribles incluindo um entre as pernas, e o toque na saída do goleiro. Três gols em um só Fla-Flu. Thiago Neves! Esse escreveu seu nome na história do clássico dos clássicos.

Para ficar mais bonito, Maurício completou a goleada: Fluminense 4, Flamengo 1! Para festa da torcida tricolor, maior média de público do campeonato, dando show jogo após jogo!

Isso é Fla-Flu, meus caros! No fim de semana que vem, as semifinais: Fluminense x Botafogo e Flamengo x Vasco. Quem sabe, daqui a quinze dias, não teremos outro Fla-Flu, dessa vez para decidir a Taça Guanabara de 2008?

Saudações Tricolores!
PC

Observação 1: com o 4 a 1 sobre o Flamengo, o Fluminense igualou seu recorde histórico de 18 jogos seguidos sem derrota no Maracanã. Se empatarmos ou ganharmos do Botafogo no sábado, o recorde terá sido batido.

Observação 2: já que falamos em invencibilidade... com a derrota do Botafogo, resta apenas um invicto no Rio em 2008: o Tricolor!