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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Faz 115 anos

Amigos, faz 115 anos. Era 14 de abril de 1895.

Quando Charles Miller reuniu onze homens da São Paulo Railway e onze homens da Companhia de Gás, num pedaço de terra no Brás, para chutar uma bola de couro, será que ele tinha noção do que estava fazendo?

Será que ele sabia as potencialidades que aquele encontro estava liberando?

Teria Charles Miller a idéia de que nascia ali a maior paixão de um país inteiro?

Sim, porque cada povo tem a sua paixão, aquilo que aperta o coração de cada indivíduo.

A França tem a Marselhesa. Os Estados Unidos têm aquela bandeira estrelada. O Brasil tem o futebol.

Ali, na Várzea do Carmo, na rua do Gasômetro, no Brás, nascia a alma do brasileiro.

São Paulo Railway 4, Companhia de Gás 2. Venceu o time de Charles Miller.

Menos de três décadas depois, em 21 de julho de 1914, em Laranjeiras, Oswaldo Gomes marcaria o primeiro gol da Seleção Brasileira. Brasil 2, Exeter City 0.

Setenta e cinco anos depois do jogo no Brás, em 21 de junho de 1970, no México, Carlos Alberto Torres completava uma jogada maravilhosa, e o Brasil vencia seu terceiro Mundial, tornando-se o maior escrete de todos.

Quase cem anos depois, em 17 de julho de 1994, nos Estados Unidos, o mesmo país vencia sua quarta Copa do Mundo, tornando-se novamente o maior de todos.

Exatos cento e quinze anos depois, estou aqui, escrevendo sobre aqueles vinte e dois rapazes que corriam atrás de uma bola de couro.

Aqueles seis gols, quatro da São Paulo Railway, dois da Companhia de Gás, tiveram poucas testemunhas oculares. O trágico é que nenhuma mais está viva. Nem o campo existe mais.

Mas aqueles seis gols continuam ecoando. Em cada Fla-Flu no Maracanã, em cada Grenal, em cada clássico, em cada jogo da Seleção, os gols que saem são meras repetições daqueles seis.

Não posso me despedir de outra forma: muito obrigado, Charles Miller.

PC