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| Foto: agência Photocamera. |
O jogo contra o Goiás parecia irremediavelmente perdido para o Fluminense. Afinal, o Tricolor já estava desfigurado por uma série de desfalques (Diego Cavalieri, Fred e Jean na Seleção, Deco e Michael suspensos, Samuel de luto pelo falecimento do pai, e outros tantos lesionados). E ainda teve Rhayner expulso num lance infantil. Com dez contra onze, ainda sofreu um gol aos 26 minutos do segundo tempo. A reação parecia impossível.
Acontece que o Fluminense nasceu para desafiar este tal de impossível. Desde 1902, estamos aí, provando repetidamente que o impossível é um detalhe, que o impossível é temporário, que o impossível não existe.
Quase quarenta minutos do segundo tempo: Rafael Sobis briga contra dois marcadores por uma bola praticamente perdida na lateral. Ganha a disputa, e de fora da área manda um canudo de canhota para o gol. O goleiro ainda pulou, em vão. Era o gol de empate que, convenhamos, já estava até de bom tamanho, dadas as circunstâncias do jogo.
Mas o melhor estava por vir. Quarenta e dois minutos do segundo tempo: Monzón levanta a bola na área, Gum escora para o meio, e no meio da confusão Denílson chuta para o gol e sacramenta o sonho, fazendo da utopia realidade, e da realidade utopia. Fluminense 2, Goiás 1.
O menino Denílson, 17 anos de idade, entrara no intervalo do jogo, numa tentativa de Abel de reestruturar o time após a expulsão de Rhayner. Amigos, foi o primeiro jogo de Denílson como profissional do Fluminense. Sim, amigos, foi a estreia do menino. E, após 45 minutos de suor, Denílson já está na história do Fluminense.
Porque este não foi um mero e simples gol, amigos. Foi um autêntico, merecido, irrevogável e santificador milagre.
Vocês provavelmente sabem que o Fluminense já teve um herói chamado Denílson, multicampeão nas décadas de 60 e 70, que Nelson Rodrigues apelidou sabiamente de Rei Zulu.
Hoje, olhando para o jovem Denílson, enquanto celebrávamos euforicamente seu santo gol, baixou em mim uma certeza devastadora: o Fluminense tem um Novo Rei Zulu.
Muito prazer, nossa majestade.
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Rapidinhas:
I) Quem foi que inventou essa bola laranja? A enorme dificuldade para enxergá-la nas transmissões de TV deveria ser suficiente para que nunca mais fosse utilizada. Um antigo sábio - provavelmente tricolor - já dizia que, no futebol, o pior cego é aquele que só enxerga a bola. Mas é muito esquisito assistir a um jogo sem enxergar a bola. Está parecendo hóquei no gelo - aquele esporte em que a gente não consegue enxergar o disco - como disse meu amigo Vinicius.
II) Boa vitória da Seleção mais cedo em Porto Alegre. Escreverei sobre o Brasil 3 x 0 França durante a semana.
III) Já me imagino em dezembro, comemorando nosso quinto Campeonato Brasileiro, conquistado com um único e escasso pontinho de vantagem... E então nos recordaremos da saudosa noite em que o Fluminense apresentou seus torcedores a Denílson, o seu Novo Rei Zulu...
PCFilho