
(crédito da imagem: Globoesporte.com)
Amigos, os dois assuntos têm dominado a imprensa esportiva nos últimos dias. Só se fala em "mala branca", só se fala em "entrega de jogos". Muita gente tem me perguntado minha opinião sobre as polêmicas. Então, resolvi expô-las.
Começarei pelo assunto mais fácil: a "entrega de jogos". Evidentemente, condeno a postura de uma equipe que entre em campo para perder uma partida. Isso é desonesto com os outros times, e principalmente desonesto com o torcedor. A justificativa de perder um jogo para prejudicar um rival é patética. A rivalidade entre dois clubes é saudável quando um luta para melhorar e suplantar o outro. Deixa de ser saudável quando um quer somente prejudicar o outro.
Alguns dirão: "ah, mas o Flamengo já entregou um jogo para rebaixar o Fluminense". Verdade. Mas isso, amigos, é problema do Flamengo e dos flamenguistas, não meu. Eu sempre torcerei para que o Fluminense vença os seus jogos, sejam quais forem as consequências da vitória. Se, um dia, o Tricolor entrasse em campo para perder, sentiria, pela primeira vez na vida, vergonha do clube. Seria uma triste mancha em sua tão bela história.
Domingo, vou à Arena Barueri, e espero ver um São Paulo à altura de sua tradição, lutando com raça pela vitória contra o Fluminense. Na condição de tricolor nato e hereditário, obviamente torço para que o Fluminense vença. Mas também torço para que o São Paulo seja um adversário correto e digno. "Ah, mas o Corinthians entregou ano passado, para prejudicar o São Paulo". Verdade. Mas isso, amigos, é problema do Corinthians e dos corintianos.
O outro assunto prometido é a "mala branca", isto é, um incentivo financeiro que um clube paga a outro, para que este consiga um resultado contra um adversário direto. Por exemplo, o Corinthians, recentemente, ofereceu a mala branca aos jogadores de Vasco e Goiás, como incentivo extra para que esses clubes tentassem tirar pontos do Fluminense. O goleiro Fernando Prass, do Vasco, até foi para a área no último minuto, para tentar o empate que lhe garantiria um Natal mais gordo. Já o Goiás, virtualmente rebaixado, lutou no Engenhão como se estivesse disputando uma final de Copa do Mundo.
Há quem diga que a prática da "mala branca" é condenável. Eu discordo. Ora, o incentivo é pago para que os jogadores cumpram o seu objetivo normal, que é vencer. Não consigo ver nada de errado nisso. (É bom que se diga: se eu fosse atleta, uma "mala branca" não afetaria meu rendimento. Eu jogaria com a mesma garra e a mesma motivação de sempre. Mas aceitaria o dinheiro extra - por que não aceitar?)
(Outra coisa - bem diferente - é a "mala preta", incentivo financeiro para que um time perca sua partida. Nesse caso, nem preciso dizer que a prática é abominável, ilegal e desonesta. Sequer cabe discussão sobre isso.)
A matéria recente do Globoesporte.com mostra como são feitas as negociações da "mala branca". Tudo ocorre mais ou menos como eu sempre imaginei: um emissário do clube interessado fala com o líder do time, mostra a grana e, caso o resultado desejado seja cumprido, entrega o dinheiro combinado.
Anti-ético? Eu não acho. Tenho minhas críticas com relação ao caráter dos jogadores que correm mais só por causa do incentivo. Mas isso já é outra história...
PC