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domingo, 27 de setembro de 2009

O Fluminense sobrevive

Amigos, foi suado, dramático, cardíaco, desesperador. Mas o Fluminense conseguiu os preciosos três pontos.

Vinte mil tricolores ocuparam as arquibancadas e cadeiras do Estádio Mário Filho. E não era uma multidão qualquer: era uma multidão disposta a vencer ou perecer. Poderiam ter ficado em casa, se abanando com a Revista do Globo. Poderiam ter aproveitado o domingo de sol na praia. Mas havia um objetivo maior no domingo: a vitória do Fluminense contra o Avaí. Por ela, largamos tudo, e fomos subir as rampas do Maracanã.

Amigos, o que se viu no Maior do Mundo foi espantoso. Primeiro, a tempestade de bandeiras e de cânticos. As vinte mil vozes ecoavam como se fossem as 90.000 de 2008, ou as 120.000 de 1970. Vinte mil vozes que acreditavam no milagre. Antes do começo, pedimos a benção a João de Deus, nosso padroeiro. E então tímidas e doces lágrimas correram pelo rosto deste escriba chorão.

Mas em campo o Avaí começou melhor. A defesa tricolor batia cabeça, e o goleiro Rafael precisava operar milagres. Certa hora, um atacante avaiano tentou encobri-lo, e ele fez a defesa com uma segurança de Marcos Carneiro de Mendonça. Para os que não conhecem, Marcos foi o primeiro grande goleiro do Fluminense. E também foi o primeiro arqueiro da Seleção. E agarrava muito. No Fla-Flu de 1919, pegou um pênalti e, não satisfeito, defendeu os dois rebotes impossíveis. E hoje Marcos estava lá, ajudando Rafael a guardar os arcos tricolores.

Mesmo com os milagres de Rafael, o Avaí abriu o placar. Que desespero: a derrota significava o rebaixamento antecipado. Mas abençoado seja o estreante Fábio Neves, que fez grande jogada e cruzou da direita. E então Alan, o príncipe pó-de-arroz, mostrou o habitual oportunismo: era o gol de empate.

Os minutos do primeiro tempo ainda escoavam, quando a zaga tricolor novamente bateu cabeça, e o Avaí fez 2 a 1. Continuava o drama em verde, branco e grená. Porém, eis que surge outro grande nome da partida: Darío Leonardo Conca. Na raça argentina, ele luta por uma bola impossível, e a ganha. O passe para Fábio Neves é perfeito, e o gol de Fábio Neves é perfeito para as pretensões tricolores: 2 a 2, ainda na primeira etapa.

Vem então o segundo tempo, e as vinte mil vozes continuam lá, ecoando no fundo das botinadas dos nossos atletas. Cuca faz substituições ofensivas, e entre os substitutos está Adeílson. Foi ele que cruzou: Ruy subiu junto com o goleiro Eduardo Martini, e a bola sobrou para Alan. O príncipe pó-de-arroz emendou de primeira. Era o gol da virada: a doce e santa virada tricolor.

E, contrariando todos os prognósticos da imprensa calhorda, o Fluminense sobrevive. Ainda na UTI, é bem verdade. Mas sobrevive. E a certeza é que essas vinte mil vozes nunca vão te abandonar. Domingo é dia de Fla-Flu: o milagre continuará. Vencerá o Fluminense, com o verde da esperança.

PC

(a ilustração é arte do amigo Marco)

Ficha técnica: Fluminense 3 x 2 Avaí.
26ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2009.
Local: Maracanã, Rio de Janeiro.
Data e hora: 27/09/2009, 16:00.
Fluminense: Rafael; Ruy, Gum, Luiz Alberto e Paulo César (Dieguinho); Diguinho, Urrutia, Marquinho (Adeílson) e Conca; Fábio Neves e Alan (Fabinho). Técnico: Cuca.
Avaí: Eduardo Martini; Anderson (Caio), Emerson e Augusto; Luís Ricardo (Roberto), Ferdinando, Léo Gago, Marquinhos e Eltinho; Muriqui e Willian (Leonardo). Técnico: Silas.
Árbitro: André Luiz de Freitas (GO).
Auxiliares: Fabrício Vilarinho da Silva e Cristhian Passos Sorence (ambos de Goiás).
Gols: Willian 9'/1T (0-1); Alan 14'/1T (1-1) e 13'/2T (3-2); Muriqui 31'/1T (1-2) e Fábio Neves 43'/1T (2-2).
Cartões amarelos: Marquinho, Diguinho, Gum e Rafael (FLU); Eltinho, Luis Ricardo, Willian (Avaí).
Expulsões: Não houve.
Público: 19.098 pagantes / 20.178 presentes.