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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os personagens do ano


Amigos, chegou o momento de revelar o meu personagem do ano. Muitos nomes mereceriam a honra. Começo citando o argentino Verón, que repetiu o pai e ergueu a Libertadores pelo Estudiantes de La Plata. O também hermano Messi também poderia conquistar o ilustre posto, por ser o craque do melhor time do planeta, o Barcelona. O árbitro gaúcho Simon é outro que teve destaque em 2009, ao novamente vencer as câmeras. O que dizer de César Cielo, o nadador mais rápido da história do esporte? O ressuscitado meia sérvio Petkovic provou que futebol não tem idade. Marta provou que futebol não é mais esporte exclusivo de homem. O técnico Cuca provou que futebol só acaba quando termina. A altitude de Quito novamente conquistou a América, e também poderia ser eleita. Todos os citados poderiam ser eleitos.

Porém, no dia, ou melhor, na noite de 26 de novembro, aconteceu o fato esportivo mais importante do ano. O mais engraçado é que o feito não foi realizado num estádio, numa quadra, num ginásio, numa pista, ou numa piscina. Não. A maior façanha esportiva de 2009 se deu em um aeroporto. O Galeão, para ser mais preciso. Ou melhor, o ex-Galeão, que agora recebe o glorioso nome de Tom Jobim. Foi lá que aquelas 300 pessoas fizeram história.

O Fluminense, já guerreiro, já lutador, já com aquela garra inexcedível, havia perdido a primeira partida da decisão da Copa Sul-Americana: Liga da Altitude 5 a 1. É o fundo do poço, é o fim do caminho? Para a pétrea e burra objetividade do ser humano comum, sim. Para aquelas 300 pessoas, não.

É a promessa de vida no teu coração...

Empurradas por um amor inabalável, aquelas 300 pessoas foram recepcionar os heróis temporariamente derrotados, tarde da noite, no terminal 2 do Tom Jobim. Quando desembarcaram, lá estava a multidão a cantar e apoiar. Se um alienígena passasse por ali, haveria de anotar no seu caderninho: "o Fluminense foi campeão". E, no entanto, o time havia sido goleado impiedosamente.

Um cidadão impressionado, ao ver aquela cena surreal, comentou: "a torcida tricolor está de parabéns. O time perdeu de 5 a 1, e olha os caras aqui apoiando! Imagina se tivessem vencido!". A resposta do meu amigo Marco Aquino foi genial: "se tivéssemos vencido, não estaríamos aqui".

Nos dois jogos seguintes, empurrado por essa legião de fanáticos, o Fluminense aplicou duas goleadas: 4 a 0 no Vitória e 3 a 0 na LDU. O triunfo não foi suficiente para erguer a taça, mas o troféu já passava a ser mero detalhe, diante da grandeza que o Tricolor demonstrou naquela semana.

Aquela recepção no Tom Jobim foi um gol de placa da torcida tricolor. Trata-se de um fato inédito na história do esporte mundial. E é por isso que nós, os 300 do Galeão, somos os meus personagens do ano de 2009.

PC