Amigos, vocês conhecem a história da Leiteria? Na década de 50, Castilho ganhou fama no Fluminense como um goleiro bastante sortudo. O guardião fazia suas intervenções extraordinárias, sobrenaturais até, mas quando a bola passava por ele, o imponderável acabava ajudando-o, e a dita sempre explodia na trave. Reza a lenda que, em um jogo contra o America, em 1951, quatro bolas seguidas chocaram-se contra os paus, diante de milhares de torcedores perplexos no Maracanã. Daí veio o apelido de Leiteria, sinônimo de sortudo, devido a um leiteiro de Laranjeiras, que ficara famoso por ganhar dois prêmios gordos na loteria da época. (Cabe registrar que, coincidentemente, Castilho trabalhara um tempo como entregador de leite em sua adolescência.)
Desde então, a Leiteria passou a ser o décimo-segundo jogador do Fluminense, uma espécie de segundo goleiro, a salvar as bolas que o goleiro de fato deixa passar. A sorte seguiu acompanhando Castilho, e depois também foi fiel companheira de Félix e de Paulo Victor, outros arqueiros lendários do Fluminense. Nesta quarta-feira, no Maracanã, Diego Cavalieri provou que também tem um casamento com a danada da Leiteria.
O chute de Fellipe Bastos, da entrada da área, foi um foguete. Diego Cavalieri nem pulou: ficou estático, e evitou o gol com o olhar, tal qual Castilho - a bola explodiu em sua trave esquerda. Depois foi a vez de Barcos cabecear com perigo - novo golpe de vista de Diego Cavalieri, e a bola explodiu no travessão. Duas intervenções sensacionais da Leiteria, garantindo o zero a zero e salvando o Fluminense da catástrofe da derrota.
No ataque, o Fluminense produziu pouco durante os noventa minutos. Sem a criatividade e o gênio de Nossa Majestade o Rei Darío Leonardo Conca Primeiro e Único, o Fluminense é um time totalmente previsível. A retranca gremista armada por Felipão conseguiu neutralizar os ataques tricolores. No segundo tempo, até tivemos algumas chances, que acabaram desperdiçadas pelos atacantes.
Enfim, devemos este pontinho do empate a Diego Cavalieri e à Leiteria. Felizmente, a lenda de Castilho é tão forte que continua decidindo jogos para o Fluminense. Abençoado é o clube que teve e tem Castilho em suas fileiras.
PCFilho
NOTAS DO ONZE:
Diego Cavalieri: Sempre que possível, defendeu. Quando não dava, contou com a trave. Um goleiro que tem a sorte de levar duas bolas na trave merece... 10,0
Bruno: Mostrou alguma disposição, mas não conseguiu grande coisa. 4,5
Elivélton: Boa atuação. 6,5
Marlon: Muito bem. 7,5
Carlinhos: Sonolento. 4,0
(Chiquinho): Melhor que o titular. 6,5
Rafinha: Qualidade na saída de bola. 6,0
(Gustavo Scarpa): entrou aos 40 do segundo tempo. 6,0
Jean: Combativo. 6,0
Cícero: Um bom chute no 1º tempo, e só. 4,5
Wagner: Pouco criativo, mas ao menos tentava. 5,0
Rafael Sobis: Sonolento. 4,0
(Kenedy): Melhor que o titular. 6,5
Fred: Não recebeu uma única e escassa bola em boas condições. 5,0
T. Cristóvão Borges: Sem Dario Conca, não conseguiu fazer o time ser criativo. 4,5
Árbitro Heber Roberto Lopes: Boa arbitragem. 6,5
