Houve, durante os noventa minutos, um suspense mortal. Os Estados Unidos fizeram 1 a 0, e depois fizeram 2 a 0. Eu assisti ao jogo em um boteco, rodeado por anônimos como eu. Ainda bem que eu não estava ao lado dos cronistas esportivos da nossa imprensa. Tenho certeza que, quando saiu o segundo gol americano, eles começaram a babar bovinamente. Já estavam espumando para ter a chance de voltar a esculhambar Dunga e a Seleção.
Mas veio o segundo tempo e trouxe com ele a virada, a doce e santa virada. Luís Fabiano, de novo ele, foi o grande nome. Seu primeiro gol foi uma obra de arte. Se fosse um filme, ganharia o Oscar. Se fosse um quadro, estaria exposto no Museu do Louvre. O chutaço de canhota é futebol, e por isso está eternamente gravado nas nossas retinas. O segundo gol não foi apenas a cabeçada do Luís Fabiano. Fomos 180 milhões a cabecear aquela bola junto com ele. Convenhamos que, contra toda a multidão tupiniquim, o goleiro Howard nada pôde fazer.
O terceiro e decisivo gol foi, e só poderia ter sido, do capitão Lúcio. O zagueiro subiu na área e desferiu a cabeçada fatal: outro golaço autêntico. Brasil 3 a 2. Conforme escrevi aqui outro dia, Lúcio está conseguindo aliar sua tradicional garra a uma surpreendente técnica. Outro dia, ele deu uma de ponta-esquerda, e saiu driblando joões, feito Garrincha. É por isso que eu digo: o Lúcio mereceu, mais do que todos, marcar o tento do título.
Ainda tivemos que jogar contra o juiz, amigos. O larápio nos garfou o gol de Kaká como bandido rouba doce de criancinha. Mas isso não importa mais, afinal somos os tricampeões da Copa das Confederações. Os leitores mais antigos são testemunhas de que sempre apoiei o trabalho de Dunga. E o tricampeonato mostra que a Seleção está mesmo no caminho certo.
Daqui a um ano, voltaremos à África do Sul. E então 180 milhões de corações brasileiros empurrarão o escrete para a glória do hexacampeonato mundial.
PC
