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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Treinadores estrangeiros na história do Fluminense

Luis Zubeldía chegando ao Fluminense.

Com a contratação do argentino Luis Zubeldía, o Fluminense volta a ter um estrangeiro no comando técnico de seu time principal, algo que não ocorria desde 1997, quando o uruguaio Hugo de León teve uma passagem curtíssima por Laranjeiras.

Zubeldía será o 16º gringo a treinar o Fluminense. Vamos fazer um passeio pela história tricolor, listando todos os homens nascidos fora do Brasil que já treinaram o time principal do Fluminense?

Charles Albert Williams (Inglaterra) (1911-1912 e 1924-1926)
O inglês Charlie Williams foi o primeiro treinador contratado para atuar no Brasil, tendo sido uma peça fundamental para elevar o nível do futebol brasileiro nos primórdios. Após sua carreira como atleta (em que ganhou fama por ter marcado o primeiro gol de goleiro da história do futebol), Charlie Williams começou como treinador na seleção nacional da Dinamarca, vice-campeã olímpica em 1908. A convite de Oscar Cox, assumiu o comando técnico do Fluminense em 1911, ano em que conquistou o Campeonato Carioca de maneira invicta. Charlie foi um dos responsáveis pela elevação do nível do futebol praticado no Brasil. Ele voltou ao Fluminense em 1924, quando foi novamente campeão Carioca, conquistando também os Torneios Início de 1924 e 1925.

Charlie Williams, o primeiro professor do futebol brasileiro.

Quincey Taylor (Inglaterra) (1917-1918 e 1934-1935)
O inglês Quincey Taylor, que trabalhava como professor de Educação Física no Gymnasio Anglo-Brasileiro, assumiu o comando técnico do Fluminense em 1917, liderando as duas primeiras conquistas do tricampeonato Carioca de 1917, 1918 e 1919.  Ainda voltou ao clube para mais uma passagem, nos anos 1930.

O elegante Quincey Taylor com seus comandados em 1917.

Ramón Platero (Uruguai) (1919)
O uruguaio Ramón Platero assumiu o comando técnico do Fluminense em 1919, substituindo o inglês Quincey Taylor, que havia sido bicampeão em 1917 e 1918. Platero manteve o ritmo e conquistou o tri, treinando aquele timaço inesquecível, que todo torcedor carioca sabia recitar: "Marcos; Vidal e Chico Netto; Laís, Oswaldo e Fortes; Mano, Zezé, Welfare, Machado e Bacchi". Comandou o Tricolor apenas no Torneio Início e naquelas 18 partidas do Campeonato Carioca de 1919, no qual teve o incrível retrospecto de 17 vitórias e 1 derrota, 68 gols-pró e 20 gols-contra.



Pode Pedersen (Dinamarca) (1920-1923)
O dinamarquês Pode Pedersen chegou ao Fluminense em 1920, em mais uma tentativa do Tricolor de trazer ideias de outros países, para melhorar o nível do futebol praticado no Brasil. Não chegou a conquistar títulos, tendo como melhor campanha o vice-campeonato Carioca de 1920.

Eugênio Medgyessi (Hungria) (1927-1928)
O húngaro Eugênio Medgyessi, também conhecido como Marinetti, trabalhou em diversos clubes brasileiros entre os anos 1920 e 1930. No Fluminense, conquistou o Torneio Início de 1927 (que viria a ser anulado após o próprio clube denunciar uma irregularidade em sua escalação) e a Taça Vulcain contra o Sporting de Lisboa em 1928 (o primeiro troféu internacional conquistado por um clube brasileiro).

Eugênio Medgyessi com uma camisa do Racing.

Humberto Cabelli (Uruguai) (1935-1936 e 1944-1945) e Hector Cabelli (Uruguai) (1936 e 1945)
Entre 1935 e 1936, os irmãos uruguaios Humberto e Hector Cabelli trabalharam juntos na comissão técnica do Fluminense. Ambos chegaram a treinar a equipe profissional. Na primeira passagem, ficaram pouco tempo, mas ajudaram a montar um dos times mais espetaculares da história do futebol brasileiro, que manteria uma hegemonia impressionante durante os seis anos seguintes. Os irmãos Cabelli foram embora no meio do Campeonato de 1936, entregando o comando ao compatriota Carlos Carlomagno, mas ainda voltariam ao Fluminense entre 1944 e 1945, para mais uma passagem.

Carlos Carlomagno (Uruguai) (1936-1938)
O uruguaio Carlos Carlomagno ajudou o Fluminense a estabelecer a maior hegemonia da história do futebol carioca, comandando o time avassalador que conquistou o tricampeonato Carioca entre 1936 e 1938. Os esquemas táticos de Carlomagno se destacavam especialmente contra o Flamengo, o segundo melhor time brasileiro da época, tanto que ele foi um treinador invicto em Fla-Flus, com 9 vitórias e 4 empates em 13 jogos.

Carlomagno, o rei dos Fla-Flus.

Ondino Viera (Uruguai) (1938-1942 e 1948-1950)
O uruguaio Ondino Viera é um dos gigantes da história do Fluminense. Com mais de 300 partidas, é o terceiro treinador com mais jogos no comando técnico tricolor, superado apenas por Zezé Moreira e Abel Braga. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1938, 1940 e 1941, além dos Torneios Início de 1940 e 1941, do Torneio Extra de 1941 e do Torneio Municipal de 1948. Valorizando tática e treinamentos individuais, Ondino é considerado o inventor do esquema 4-2-4, que revolucionou o futebol brasileiro. No Brasil, ele também comandou Bangu, Botafogo, Vasco, Palmeiras e Atlético Mineiro. Ondino foi também o treinador da seleção nacional do Uruguai na Copa do Mundo de 1966.

Ondino Viera, lenda tricolor, instruindo seus atletas.

Athuel Velázquez (Uruguai) (1943-1944)
O uruguaio Athuel Velázquez comandou o Fluminense em 41 jogos entre as temporadas de 1943 e 1944.

Adolpho Milman "Russo" (Argentina) (1955)
Adolpho Milman, o Russo, ídolo tricolor nascido na Argentina, filho de ucranianos, trabalhou no Fluminense principalmente como auxiliar e treinador de times juvenis, mas chegou a ser técnico do time principal em 1955. Ele trabalhou também na comissão técnica da Seleção Brasileira (como Russo era cidadão brasileiro, muitas vezes não é citado como estrangeiro, vide meu texto sobre ele: Afinal, onde nasceu Adolpho Milman, o Russo, ídolo do Fluminense?).

Russo e João Saldanha, em jogo da Seleção no Maracanã, em 1969 (foto: Agência O Globo).

Fleitas Solich (Paraguai) (1963-1964)
O treinador paraguaio Fleitas Solich, que comandou o Flamengo durante muitos anos, teve também uma breve passagem pelo Fluminense, com 30 jogos entre 1963 e 1964, tendo sido vice-campeão carioca em 1963.

Fleitas Solich no Maracanã.

Alfredo González (Argentina) (1967)
O argentino Alfredo González, que atuou como jogador e treinador em diversos clubes brasileiros, teve uma curta passagem no comando técnico do Fluminense, durante três meses da temporada de 1967.

Alfredo González.

José Omar Pastoriza (Argentina) (1985)
O argentino José Omar Pastoriza, campeão da Copa Libertadores de 1984 com o Independiente, chegou ao Fluminense para comandar o clube na Copa Libertadores de 1985, mas se desentendeu com a diretoria e comandou o time somente em um amistoso.

Hugo de León (Uruguai) (1997)
A passagem relâmpago de Hugo de León pelo comando técnico do Fluminense em 1997 foi simbólica do caos que era a gestão do clube naqueles tempos: ele permaneceu somente uma semana no cargo, sendo demitido após três jogos (vitória sobre o Botafogo, derrota para o Palmeiras e empate com o Cruzeiro).

Observação:
- nos primórdios, o Fluminense era comandado por uma comissão técnica chamada Ground Committée, composta por um grupo dos próprios jogadores. Em algumas dessas ocasiões, havia estrangeiros nessa comissão, mas para efeitos deste post considerei somente os treinadores de fato.

Boa sorte, Luis Zubeldía!

PCFilho

domingo, 10 de setembro de 2017

Efemérides tricolores - 10 de setembro


1905: em amistoso no campo do Fluminense, na rua Guanabara, a "Seleção do Rio" ganhou por 1 a 0 da Seleção de Niterói, com um gol de Félix Frias, no segundo tempo do jogo, que foi disputado como desempate da partida de 30 de julho. A "Seleção do Rio" foi composta inteiramente por jogadores do Fluminense: Francis Walter; Victor Etchegaray e Walter Salmond; Luis Pederneiras, Adolpho Simonsen e Edgard Gulden; Charles Hargreaves, Ataliba Sampaio, Edwin Cox, Emile Etchegaray e Félix Frias. Por isso, alguns historiadores consideram este o 31º jogo da história do clube.

1911: em partida válida pelo returno do Campeonato Carioca, no campo da rua Guanabara (atual Estádio de Laranjeiras), o Fluminense venceu o Rio Cricket por 5 a 0, e garantiu o título antecipadamente. Os gols da vitória tricolor foram de Gustavinho de Carvalho, Ernesto Paranhos, Gallo, James Calvert e Oswaldo Gomes. Nos preparativos para esta partida, aconteceu o desentendimento que ocasionaria a cisão, que daria origem ao futebol do Flamengo. Alberto Borgerth, que vinha sendo titular, ficou insatisfeito ao ser preterido por Ernesto Paranhos - como a diretoria não admitiu a tentativa de interferência na escalação, um grupo de nove jogadores, liderado pelo próprio Borgerth, decidiria sair do clube, em 3 de outubro, dois dias após a partida final do Campeonato.
Foto posada com os jogadores de Fluminense e Rio Cricket misturados.
Sede do Fluminense na rua Guanabara, 10 de setembro de 1911.

1916: em partida válida pelo returno do Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 2 a 1 do São Cristóvão, no campo da rua Figueira de Melo. Os gols tricolores foram de Chico Netto (de pênalti) e Couto.

1944: em jogo válido pelo returno do Campeonato Carioca, no campo da rua Conselheiro Galvão, o Fluminense derrotou o Madureira por 3 a 1. Os gols da vitória tricolor foram assinalados por Pedro Amorim (2) e Magnones (de pênalti).

1969: na segunda rodada do Campeonato Brasileiro, o Fluminense ganhou por 3 a 1 do Bahia, na Fonte Nova, em Salvador. Os gols da vitória tricolor foram de Samarone e Flávio (2).

1972: em sua estreia no Campeonato Brasileiro, o Fluminense empatou em 1 a 1 com o Corinthians, diante de 32.313 pagantes no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O gol tricolor na partida foi marcado por Jair Pereira.

1978: em partida válida pelo Campeonato Carioca, em Moça Bonita, o Fluminense ganhou por 2 a 0 do Campo Grande, gols de Fumanchu e Marinho Chagas. Uma curiosidade deste jogo é que o Fluminense utilizou dois uniformes: a camisa tricolor no primeiro tempo, e a camisa branca na etapa complementar.

1988: em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio do Maracanã, o Fluminense venceu o Bahia por 3 a 0, gols de Edinho (de pênalti), Washington e Rangel. Os dois clubes voltariam a se enfrentar na fase semifinal daquela competição, em que o Bahia se classificaria, para depois se sagrar campeão ao vencer o Internacional na decisão.

2005: o Fluminense derrotou o Brasiliense por 3 a 0, no Raulino de Oliveira, ultrapassou o Santos e alcançou a liderança do Campeonato Brasileiro. Tuta, que fez dois gols, e o aniversariante Petkovic, que marcou um, foram os destaques da equipe tricolor, sob o comando técnico de Abel Braga. Posteriormente, esta partida seria anulada, por ter sido um dos onze jogos apitados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho - no jogo remarcado, em 24 de outubro, os clubes empatariam em 1 a 1.

2017: em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense empatou em 2 a 2 com o Vitória, no Barradão, em Salvador. Neílton abriu o placar para o Vitória no primeiro tempo, e Wendel empatou para o Fluminense no início da etapa final. Mesmo jogando com dez, após o estreante Robinho ser expulso, o Fluminense conseguiu virar para 2 a 1, com Henrique Dourado cobrando pênalti sofrido por Wellington Silva. No entanto, o Vitória obteve o empate nos minutos finais, com gol de Kanu.

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Aniversariantes do dia:

Ondino Leonel Viera Palaserez, o Ondino Viera (1901), treinador uruguaio com três passagens pelo comando técnico do Fluminense. Ondino foi um dos grandes treinadores da história tricolor, tendo conquistado os Campeonatos Cariocas de 1938, 1940 e 1941, o Torneio Extra de 1941 e o Torneio Municipal de 1948. Ondino é até hoje o segundo treinador com mais partidas na história do clube (297), atrás apenas de Zezé Moreira (474). Valorizando tática e treinamentos individuais, Ondino é considerado o inventor do esquema 4-2-4, que revolucionou o futebol brasileiro. No Brasil, ele também treinou Bangu, Botafogo, Vasco, Palmeiras e Atlético Mineiro. Ondino foi o treinador da Seleção do Uruguai na Copa do Mundo de 1966.
Foto: segurando a bola, Ondino Viera instrui seus atletas.

Cláudio Galbo Garcia (1943), meia-atacante com 35 gols marcados em 164 partidas pelo Fluminense, entre as temporadas de 1967 e 1971. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1969 e 1971, as Taças Guanabara de 1969 e 1971, e o Campeonato Brasileiro de 1970. Após pendurar as chuteiras, tornou-se treinador, e assumiu o comando técnico do Fluminense em 1983. Logo após conquistar a Taça Guanabara (primeiro turno do Campeonato Carioca - vide efemérides de amanhã), resolveu trocar o Fluminense pelo Flamengo no meio da competição - que terminaria com o Fluminense campeão, e o Flamengo vice.
Foto: Cláudio Garcia em ação no épico Fla-Flu de 1969.

Dejan Petković (1972), meia-atacante sérvio, com 19 gols marcados em 62 jogos pelo Fluminense, entre as temporadas de 2005 e 2006. Teve algumas atuações espetaculares e marcou alguns golaços com a camisa tricolor, mas não chegou a conquistar títulos pelo Fluminense.
Foto: Petković com a camisa tricolor.

PCFilho