quinta-feira, 22 de maio de 2008
A profecia de Nelson Rodrigues
Segunda-feira, de madrugada, tive um animado papo com Nelson Rodrigues. Há quem diga que eu estava sonhando, pelo horário e por acharem que Nelson morreu. Como ele sabe das coisas, perguntei a ele sobre o jogo de quarta-feira, contra o São Paulo, no Maracanã, pela Copa Libertadores da América. Ele me respondeu, seco: "O Flu se classificará. Washington desencantará. Ele fará dois gols!" Bom, não sei se os caros leitores acreditarão em mim, mas eu contei sobre o papo a algumas pessoas, antes do jogo, de modo que tenho testemunhas do fato. Conversamos sobre mais algumas coisas, e nos despedimos com as tradicionais "saudações tricolores". Acreditando nas palavras do sábio mestre, fui ao estádio empurrar o meu time.
Quarta-feira, 21:45, Estádio Jornalista Mário Filho. 80 mil tricolores lotam o mais importante estádio do futebol mundial. Assim que o time entra em campo, fazemos a tradicional festa do pó-de-arroz, e começamos uma cantoria que só pararia ao fim do primeiro tempo. Eu estava posicionado na arquibancada amarela, à esquerda das cabines de rádio, como sempre. Acompanhado de minha família, um amigo e mais uma multidão de torcedores apaixonados.
Como freqüentador assíduo de estádios de futebol, e amante do esporte, devo dizer que nunca havia visto uma torcida tão ativa, tão empolgante, tão concentrada no jogo como a que vi hoje. Foi impressionante, de arrepiar! Cantamos o tempo inteiro, e vaiamos muito o time do São Paulo, que errou muito, estando visivelmente apavorado com a massa que cantava contra ele. Essa torcida merecia a classificação!!!
Ainda nos primeiros minutos do jogo, Washington abriu o placar, com um leve desvio que tirou Rogério Ceni do lance! O mesmo Washington que não marcava há não-sei-quantos jogos. Ele desencantou, e a profecia de Nelson Rodrigues começava a se confirmar.
O time jogou muito, e jogou com raça! Por pouco, não ampliou o placar ainda no primeiro tempo, em lindo chute de Thiago Neves, que bateu caprichosamente na trave! Veio o intervalo... 15 minutos de silenciosa tensão no maior estádio do mundo. A massa poupava sua voz para a batalha do segundo tempo. Ainda precisávamos de um gol.
Apesar de continuar bem no jogo, lá pelos 24 minutos do 2º tempo, aconteceu o que todos temíamos: gol do São Paulo. Sempre ele, Adriano. Agora, precisaríamos de dois gols. Eis que, um minuto depois, a torcida já voltava a incentivar o time após alguns segundos de choque, e... GOL!!!! Gol do Fluminense! Dodô, o artilheiro dos gols bonitos, em chute fraquinho! 2 a 1. Novamente, só faltava um gol.
"O Flu se classificará. Washington desencantará. Ele fará dois gols!" O Flu atacava, o time jogava com raça, a torcida empurrava das arquibancadas com uma força que eu jamais vi torcida alguma fazer. Mas o gol não saía.
Quando já estávamos nos acréscimos do juiz, escanteio. 46, talvez 47 do segundo tempo. Thiago Neves foi para a cobrança. Seria talvez nossa última chance. A cobrança do habilidoso meia encontrou a cabeça de Washington. E ele, tal qual seu xará da década de 80, sabe usar a cabeça. A bola entrou. GOL!!!! Vivi um momento de êxtase inexplicável, inenarrável. Chorei. Chorei muito. O segundo gol de Washington! A profecia de Nelson Rodrigues estava quase cumprida. Só faltava terminar o jogo!
O São Paulo ainda teve uma chance de se classificar, mas nosso goleiro Fernando Henrique coroou a belíssima atuação com uma defesa segura. Acabou. O Fluminense se classificou. A profecia estava cumprida. A torcida, os jogadores, e o técnico Renato Gaúcho puderam então comemorar a merecida vitória. A épica vitória! A espetacular vitória!
Obrigado, torcida do Fluminense. Fazemos parte da mais fantástica torcida que uma agremiação esportiva jamais reuniu. Sou Tricolor de Coração...
Obrigado, jogadores do Fluminense. Vocês honraram o manto que vestem, e nos representaram com amor e com vigor! Fizeram a torcida querida vibrar de emoção...
Obrigado, Renato Gaúcho. Você foi o perfeito comandante. A imagem de você, sentado no gramado, ainda emocionado minutos após a vitória, jamais sairá de minha memória.
Obrigado, Nelson Rodrigues. Você provou para nós que não está morto. Você é imortal! E mostrou que sabe das coisas! "O Flu se classificará. Washington desencantará. Ele fará dois gols!" Aguardo ansiosamente nosso próximo papo!
Saudações Tricolores!
PC
sábado, 10 de maio de 2008
Maracanazo
Sete de maio de dois mil e oito. Eu vivi meu próprio Maracanazo. Meu não, do meu time, Flamengo. Três dias após o conquistar o bicampeonato carioca sobre o Botafogo, o time rubro-negro jogava para chegar às quartas-de-final da Libertadores contra o América do México, após ter vencido o jogo de ida em pleno estádio Azteca por 4 a 2. Para incrementar a vantagem do Flamengo, o América vivia uma crise profunda, lanterna do campeonato mexicano; por outro lado, o time carioca se despedia de seu treinador, Joel Santana, responsável por grandes resultados recentemente. Tinha tudo para ser uma grande partida para o Flamengo, com vitória garantida e vaga assegurada para a próxima fase.
Nenhum torcedor rubro-negro, nenhum mesmo, por mais pessimista que fosse, poderia imaginar que o Flamengo não se classificaria. NENHUM!!! Conversei com vários amigos também flamenguistas ao longo do dia, perguntando se também iriam ao jogo, e de todos obtive a mesma resposta: "Pô cara, esse jogo tá ganho... vou esperar pra ir contra o Santos". Todos davam como certa a classificação do time. Ninguém, nem mesmo tricolores e alvinegros esperavam o que aconteceu. Acredito que muitos nem viram o jogo.
Mas... aconteceu. É a reafirmação da velha máxima: "O futebol é uma caixinha de surpresas". Se alguém apostou dois reaizinhos na classificação do América no jogo de ontem, hoje está muito rico.
Maracanã bastante cheio, quase lotado para os padrões de hoje em dia. Festa do título, festa do treinador, festa da classificação. A torcida empolgada como poucas vezes havia visto.
Começa o jogo, e como era esperado, o Flamengo parte para cima dos mexicanos. Inúmeras chances foram desperdiçadas, mas ao que tudo indicava, teríamos uma goleada. E de repente, gol do América.
Tudo bem, vacilamos na defesa, mas 1 a 0 ainda é nosso. Novamente o Fla pressiona, perde várias chances e num erro bobo, mais um gol mexicano. Nesse momento, todos começaram a mostrar certa apreensão. Mas a confiança ainda era grande, pois continuávamos nos classificando, e no intervalo o Papai Joel ia dar uma bronca nos jogadores, provavelmente ia mexer no time, e no segundo tempo poderíamos até virar o jogo.
A etapa final começa como a anterior. Flamengo pressiona, e perde gols incríveis. O time mexicano joga só na defesa, mostra-se incapaz de fazer qualquer coisa. E a torcida cantando cada vez mais forte. Um detalhe que eu observei, durante o jogo todo, a torcida cantou apenas para incentivar o time. Nenhum dos gritos foi para tirar sarro com os outros clubes cariocas... acho que nunca tinha presenciado isso também.
E aí veio o golpe. Falta boba na frente da área, a bola desvia na barreira, mata o goleiro e... silêncio. Quando um time é rebaixado, o sofrimento é diluído pela péssima campanha ao longo do campeonato. Quando um time perde uma final, ainda mais num clássico, a surpresa não é tão grande, pois as chances são de 50% para cada lado. Mas em um jogo desses, onde, volto a frisar, NINGUÉM esperava a derrota do Flamengo, o golpe foi incrível. Metade da torcida (eu inclusive) não tinha forças nem para xingar os jogadores. Pouquíssimos continuavam incentivando, acreditando que o golzinho salvador viria. Muitos deixavam o estádio. E todos tinham no rosto a mesma expressão de incredulidade. Mas o sentimento era mais do que de incredulidade, era algo que não consigo descrever.
Se fosse botafoguense, emo, ou um pouco menos comedido em minhas reações, teria ido às lágrimas naquele momento. Mas apenas fiquei ali, sentado, com as mão na cabeça, sem acreditar que estávamos desclassificados. Quarenta e cinco minutos, meu irmão falou para irmos logo embora, não valia a pena continuar sofrendo ali. Desde o gol, não falei mais nada, e o silêncio se manteve até chegar em casa. No caminho, com milhões de coisas passando pela cabeça, lembrei do fato histórico que abriu minha narrativa, e concluí que o que os brasileiros sentiram naquela época deve ter sido mais ou menos a mesma coisa.
Não quero falar sobre o que o Flamengo devia ou não devia ter feito, nem filosofar sobre os motivos da derrota. Quero apenas dar o meu relato sobre um grande revés, inimaginável, talvez até mesmo pelos jogadores do América.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Fla-Flu
Hoje de manhãzinha, Nelson Rodrigues acordou cedo, e foi bater na porta de São Pedro. Ele pediu chuva no Maracanã. A chuva traz sorte para o Fluminense no Fla-Flu, todo mundo sabe. Choveu em 25 de junho de 1995, o dia do gol de barriga do Renato Gaúcho. Choveu hoje.
O primeiro tempo foi só ameaça. Tanto ameaça de chuva quanto ameaça de gols, dos dois lados. Trovões e relâmpagos cortavam a paisagem ao redor do Maior do Mundo. Chutes raspavam a trave em campo, mas iam para fora.
Finalmente, no intervalo, o santo que regula as chuvas atendeu ao pedido do ilustre tricolor. Caiu muita água no Maracanã. Tanta água, que até acabou a luz no intervalo. Eu já lamentava na arquibancada, achando que não haveria mais jogo. Logo agora que havia chovido e que o Fluminense venceria... Mas a energia foi reestabelecida, o jogo recomeçou, e... gol do Flamengo!
Mau presságio? Não! Os tricolores sabem que muitas vitórias históricas do Fluminense começaram com um gol do Flamengo. Eu tinha a certeza da virada.
Falta na entrada da área, pela direita. Posição ideal para um cobrador canhoto. Lá foi Thiago Neves para a bola. Bateu no canto esquerdo do goleiro. GOL! Estava empatada a partida.
Outra falta, na mesma posição. Lá foi Thiago Neves para a bola. Dessa vez, o chute foi no ângulo direito do goleiro, por cobertura. Um golaço! 2 a 1 Flu!
O terceiro gol é um espetáculo. Uma seqüência de dribles incluindo um entre as pernas, e o toque na saída do goleiro. Três gols em um só Fla-Flu. Thiago Neves! Esse escreveu seu nome na história do clássico dos clássicos.
Para ficar mais bonito, Maurício completou a goleada: Fluminense 4, Flamengo 1! Para festa da torcida tricolor, maior média de público do campeonato, dando show jogo após jogo!
Isso é Fla-Flu, meus caros! No fim de semana que vem, as semifinais: Fluminense x Botafogo e Flamengo x Vasco. Quem sabe, daqui a quinze dias, não teremos outro Fla-Flu, dessa vez para decidir a Taça Guanabara de 2008?
Saudações Tricolores!
PC
Observação 1: com o 4 a 1 sobre o Flamengo, o Fluminense igualou seu recorde histórico de 18 jogos seguidos sem derrota no Maracanã. Se empatarmos ou ganharmos do Botafogo no sábado, o recorde terá sido batido.
Observação 2: já que falamos em invencibilidade... com a derrota do Botafogo, resta apenas um invicto no Rio em 2008: o Tricolor!
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Jamaica 40 graus*

Nas duas últimas semanas, a Cidade Maravilhosa foi o palco dos Jogos Pan-americanos. Não tive muitas oportunidades de fazer parte desta festa devido à voraz fome de ingressos por parte do público (e principalmente dos cambistas), mas pude ir a dois jogos. Um foi a fácil vitória da Seleção Brasileira de Vôlei Masculino sobre o fraco time mexicano. Sobre esse jogo, nada de especial há de se comentar, apenas a atuação segura do time “reserva” brasileiro (entre aspas, porque time reserva naquele nível não é para qualquer um!) e a festa da torcida que não compareceu em massa, pois esse jogo realmente não tinha atrativos extras. Por isso consegui ingressos. Aliás, que os conseguiu foi o meu nobre colega jornalheiro Paulo Cezar.
A segunda partida que acompanhei, essa sim merece vários comentários. Final do torneio de futebol masculino. Palco: Estádio Mário Filho, o Maracanã. Valendo o ouro! Jamaica e Equador se enfrentavam em busca do sonho dourado e... Opa, Equador? E Jamaica???
Pois é, Jamaica e Equador (que eliminou o Brasil nas quartas) faziam a final, precedidos pela disputa do ouro entre México (ok, México é bom, sempre ganha do Brasil, mas não está na final??) e Bolívia (sem comentários). Os jogos tinham tudo para ser um saco. E foram. Mas o pensamento (meu e da grande maioria) foi estampado em um dos cartazes da galera: “Comprei o ingresso e me dei mal, o Brasil não está na final”. Como estava difícil assistir aos jogos pela falta de ingresso, lá fui eu. Afinal, é Maraca, não é mesmo?
Foi um dos dias mais incomuns da história do Maior do Mundo (que não é mais o maior, mas que se dane). Dia de final e o estádio estava vazio (nem todos pensaram como eu). Isso e mais o fato de a segurança no Pan ter sido exemplar fizeram com que as máquinas digitais estivessem nas mãos de quase todos, fotografando o estádio mais importante do mundo, e também a espetacular pira Pan-americana. O orkut de todos deve ter sido renovado nesse dia.
Mas e os jogos? Ah, sim, os jogos! Bom, México e Bolívia eu não vi, entrei atrasado, fiquei tirando fotos, mas acho que o México venceu por 1 a 0, apesar de a maioria estar torcendo pelos bolivianos. Aliás, a torcida foi um show à parte. Foi muito divertido ver torcedores dos quatro grandes brincando todos juntos, cada um gritando pelo seu time, mas só na brincadeira mesmo, sem violência, na paz. Aliás, outra coisa estranha: a maior parte da torcida estava nas cadeiras (eu inclusive) e não na arquibancada, e foi nelas que a festa foi mais animada, principalmente devido à proximidade do animador que ficava (desculpem) enchendo o saco nos intervalos.
Mas e a grande decisão?? Putz, quase me esqueci dela. 99,9% da torcida era pelos Reagge Boyz. E eles abrem o placar logo no início do jogo, levando a “massa” ao delírio. E depois, mais nada de útil até os 30 do segundo tempo. Nesse intervalo que durou o jogo quase todo, a torcida deu um show de criatividade, adaptando os tradicionais gritos de guerra dos clubes cariocas à Seleção da Jamaica. Extremamente engraçado. “Domingo eu vou ao Maracanã” virou Sexta-feira e o time do coração virou a Jamaica. Tentem imaginar. Ja-mai-ca! Ja-mai-ca! Quando o Bob canta, a galera se levanta... E só dá Jamaica, ... E por aí vai, todos os “hinos” foram “remixados”. Muito bom. Só isso já teria valido pagar cinco pratas pela meia-entrada nas cadeiras para ver esse clássico às avessas. Sem contar as “olas”. Mas não parou por aí.
Completamente esquecido, o jogo se desenrolava num marasmo de dar dó, quando um jogador, que não me lembro nem de qual dos dois times era, chutou a bola para a lateral e ela veio parar nas cadeiras. O garoto que a pegou, ao invés de jogar de volta para os gandulas no campo, resolveu iniciar a brincadeira que fez mesmo valer a pena ter ido ao Maraca naquela tarde cinzenta de sexta-feira. Jogou a bola para trás, pro meio da torcida, e um foi jogando para o outro, e este para o outro, e assim foi até chegar do outro lado da torcida que basicamente só ocupava metade do anel das cadeiras do Maracanã. E quando chegou lá, do lado de cá se iniciou o grito de “Volta! Volta!”, que se costuma fazer com a ola. A brincadeira foi duradoura, o tempo até passou mais depressa, mas enfim chegou um estraga-prazeres politicamente correto e devolveu a bola ao campo de jogo.
Enquanto isso, o jogo estava rolando, e nada aconteceu nesse período. Até que mais uma bola foi isolada, desta vez nas arquibancadas brancas (do outro lado de onde eu estava) e bem perto da pira! A brincadeira de jogar a bola foi repetida, enquanto do lado de cá nós gritávamos: “Joga na pira!”. Sinceramente, não temos nada na cabeça... Até que alguém naquele lado parecia compartilhar do nosso vazio cerebral e aparentemente tentou jogar a bola nas chamas pan-americanas. Sem sucesso.
O jogo se encaminhava para o final, quando lá pelos 30 um equatoriano empatou a partida. Sob a perspectiva de ver uma decisão por pênaltis, mas sem jamais deixar de apoiar os jamaicanos, a torcida voltou a ter interesse no jogo. Torceu-se como se torceria numa final entre América (segundo time de todo carioca) e qualquer outro time que não fosse um dos quatro grandes do Rio.
Mas, assim como na partida anterior, o time mais favorecido pela torcida não saiu vencedor. Penalidade Máxima para o Equador literalmente aos 44 do segundo tempo. Gol, fim de jogo, Equador campeão.
Mas valeu, valeu muito, pela festa, pelas fotos, pela paz e segurança, pela diversão. Nos outros jogos que fui ao Maracanã, fui para torcer pelo Mengão, e sempre era algo meio tenso. A diversão só vinha no final, se o Flamengo ganhasse.
Ah, mais uma coisa que estava me esquecendo. No fim dos dois jogos, a torcida corria em direção aos bancos dos dois times para pedir as camisas dos jogadores (inclusive este que vos escreve). O engraçado é que os “craques” nunca entendiam o que queríamos, e quando conseguiam compreender, jogavam tudo: chuteiras, caneleiras, até as garrafas de Gatorade (cheias!!). Mas camisa mesmo, nada!
Espero ter saciado a vossa vontade de leitura, já que havia muito eu não contribuía para esse brilhante site. Abraços a todos.
* para quem não captou: tentei fazer um trocadilho entre o engraçadíssimo filme “Jamaica abaixo de zero” e a expressão “Rio 40 graus”.
rafs
terça-feira, 22 de maio de 2007
1000

Depois de um longo período sem escrever (longo mesmo), convivendo com o fantasma da “folha em branco”, eis que, finalmente, veio a inspiração! Novamente recorro ao mundo esportivo, dessa vez numa homenagem ao jogador mais importante que eu vi jogar: Romário. Antes de mais nada, só gostaria de dizer que quando comecei a acompanhar o futebol, o Maradona já estava começando a trocar a pelota pelas drogas, e portanto o Romário é o melhor jogador que eu vi em atividade. Não o mais habilidoso, mas o mais decisivo.
Sou um dos que pregam o lema de que o Baixinho ganhou a Copa de 94 praticamente sozinho. Não vivi os 24 anos de espera, nem o desastre da Copa de 90, mas lembro-me perfeitamente da emoção de ver o Brasil conquistar o Tetra nos EUA. Tudo por “culpa” daquele cara marrento, a quem chamam de “baixinho”, mas que é um gigante dentro da grande área (gigante mesmo, vide o gol que ele fez contra a Suécia!!!).
Depois dessa conquista magnífica, ele não precisaria ter feito mais nada na carreira para ser lembrado eternamente entre os gênios do futebol. Mas fez muito mais. Com raro oportunismo e com a língua afiada, ganhou desafetos, mas sempre deixou sua marca. Em gols e frases. Destaco aqui as melhores, na minha opinião:
“O Pelé de boca fechada é um poeta” – sobre uma declaração do Rei do Futebol sobre o Baixinho.
“Agora toda a corte está feliz: o rei, o príncipe e o bobo” – rebatendo uma frase do Edmundo na qual o rei (Eurico) favorecia o Romário (príncipe) em detrimento do Animal (bobo).
“Rei existem vários, qualquer um pode ser rei. Mas Deus, só tem um: eu sou Deus” – sobre o fato de Renato Gaúcho ter sido chamado de “rei do Rio” no Carioca do ano anterior.
Alfinetadas a parte, Romário pode não ser unanimidade, mas foi (e ainda é) um jogador muito importante para a História do futebol mundial. Torci muito para que ele fizesse o milésimo gol (só não queria que fosse contra o Mengão). Preferia que fosse no Maraca, o palco sagrado do esporte, mas o que importa é que ele fez o tão esperado gol 1000. Não importa se os gols foram ou não marcados como profissional. O que importa é que foram gols. E foram 1000! Acho que isso aumenta a paixão que temos pelo esporte (esporte no sentido amplo, não apenas o futebol).
Mais do que ver o milésimo gol do Romário, todos fomos espectadores de um momento histórico, que será lembrado por gerações, e reforçado quando alguém chegar perto da marca outra vez, como aconteceu com o Pelé.
Torci muito para que ele fizesse o milésimo, assim como torci para que o Michael Schumacher fosse heptacampeão vencendo todas as suas corridas há umas três temporadas atrás (quando ele venceu as cinco primeiras e a Ferrari era imbatível); assim como torci para ver o Mão-Santa Oscar jogar no Flamengo ao invés de encerrar a carreira; assim como torci para que Michael Jordan voltasse ao basquete, mesmo que fosse jogando pelo modesto Washington Wizards, com todo o peso dos anos em seus ombros. Torci, para que eu pudesse um dia contar aos meus filhos e netos que vi homens estupendos realizarem feitos gloriosos (como me era contado pelo meu pai). Como fazer o milésimo gol da carreira.
Parabéns Romário! E muito obrigado!!!
by rafs
terça-feira, 8 de maio de 2007
Futebol - A verdade sobre 1996
Uma observação: mesmo brigando contra o rebaixamento, o Fluminense se recusou a ir ao tribunal para ganhar os pontos da partida perdida para o Santos, que escalara o colombiano Usuriaga de maneira irregular [caso citado aqui]. Mas isso os detratores preferem não lembrar...
sábado, 28 de abril de 2007
O Show do Evanescence
22 de abril de 2007. Riocentro. 20:40. Já há alguns minutos, olhávamos todos ansiosos para aquela gigantesca cortina alvinegra que cobria o palco. A apresentação que eu aguardava havia seis longos anos estava prestes a começar! Parecia um sonho...
Um segundo antes da abertura da cortina, escutamos aquela magnífica voz entoar: “It’s true...”! Delírio!!! O show não poderia ter começado melhor: “é verdade”, diz o primeiro verso de “Sweet Sacrifice”! Não era um sonho! Era verdade! Dessa música, adoro o verso “Fear is only in our minds, taking over all the time...”!
O show seguiu com “Weight of the World”: “Free fall, free fall, all through life...”! Jamais vou esquecer os oitenta minutos desse espetáculo! A voz de Amy Lee é de arrepiar!!!
Quando ouvimos essa voz cantar “Now I will tell you what I’ve done for you... Fifty thousand tears I’ve cried...”, tivemos o primeiro grande momento do concerto: “Going Under” é uma das canções mais famosas do Evanescence, e a platéia cantou junto com a vocalista, até o final. Emocionante!!!
A seguir, veio “The Only One”: “all our lives, we’ve been waiting... for someone to call our leader...”! Eu gosto de todas as músicas do grupo… :-).
A quinta música foi o sucesso do momento: “Lithium”: “wonder what’s wrong with me...”! Amy Lee ria à frente do piano. Seus belos olhos mostravam que ela estava feliz com o entusiasmo do público.
Nossa musa seguiu no piano, em “Good Enough”, outra belíssima canção! “Under your spell again, I can’t say no to you...”! Após, vieram “Haunted” e “Tourniquet”, dois sucessos do álbum “Fallen” (o meu preferido). Que espetáculo!!!
Em “Call Me When You’re Sober”, tivemos mais uma demonstração do fascinante poder da voz de nossa deusa! “So, don’t cry to me, if you loved me, you would be here with me!”. Seguimos com “Imaginary”, magnificamente executada pela banda!
Em “Bring Me To Life”, novamente intensa participação do público! “How can you see into my eyes like open doors?”. No final, Amy Lee nos elogiou: “I’ve never seen an audience like this before!”. :-)
O concerto seguiu com “Whisper”, outro musicaço (sou suspeito pra falar, eu sei...). “Don’t turn away, don’t try to hide, don’t close your eyes, don’t turn out the light!”.
Nos aproximamos do final com “All That I’m Living For” – “lock the last open door, my ghosts are gaining on me...”.
Após a execução de “Lacrymosa” (“Blame it on me, set your guilt free!”), a banda saiu do palco. Dois minutos ininterruptos de aplausos depois, voltaram triunfantes para as duas últimas músicas, ambas com Amy Lee sentada ao piano: “My Immortal” e “Your Star”. Destaque para o momento de “My Immortal” em que a vocalista pára de cantar e tocar o piano, e a música segue inteiramente conduzida por nós! O telão exibiu o sorriso de Amy Lee, os olhos quase lacrimejando! Só esse momento já valeria o ingresso!
Termino esse longo texto com um agradecimento aos integrantes do Evanescence! Amy Lee, John LeCompt, Terry Balsamo, Tim McCord e Rocky Gray, obrigado por me proporcionarem a melhor noite de minha vida!
Basquete, Pátria e etc...

Muito tempo se passou desde a última vez que escrevi para esse blog. A maldita folha em branco me assombrou por um tempo, mas finalmente consegui um tema sobre o qual posso dissertar. Esporte, claro; aliás, foi escrevendo sobre esportes que esse blog foi concebido.
Há algum tempo o Fantástico (programa que só vejo para ver os gols da rodada de domingo) vem exibindo uma espécie de documentário sobre as participações de Brasileiros notáveis em Pan-Americanos. Pois bem, um belo dia (noite, para ser mais preciso) um desses quadros foi exibido logo após os gols da rodada, e falava sobre a estupenda medalha de ouro conquistada pela nossa saudosa (sim, saudosa, porque a seleção de hoje é uma desgraça...) Seleção Brasileira, liderada pelo Mão Santa, Oscar Schmidt. O Brasil venceu a poderosíssima seleção norte-americana, e conquistou o título nessa modalidade nos Jogos de Indianápolis em 1987. Feito inédito, pois nenhuma seleção jamais havia vencido o Dream Team. Só para constar, outro grande nome do time Brazuca foi o Marcel. A cena mais marcante foi quando o Oscar, com a redinha da cesta no pescoço, chorava de emoção. Esse é um dos momentos que me arrepiam e enchem de emoção.
Após uma seqüência de exibições de gala, Oscar recebeu inúmeros convites para jogar na NBA, o que poderia torná-lo, com toda justiça, o primeiro jogador Brasileiro a jogar na mais importante liga de Basquete do mundo.
Porém, o nosso maior ídolo nesse esporte, e um dos maiores ídolos no esporte em geral, recusou todos esses convites, por um simples motivo: se fosse jogar na NBA, não poderia defender a Seleção Brasileira. Patriotismo puro!
Hoje vemos alguns jogadores brasileiros jogando na NBA, com destaque para Nenê Hilário, que foi o pioneiro, jogando pelo Denver Nuggets, e Leandrinho Barbosa, que vem se destacando pelo Phoenix Suns. Hoje em dia, não existe mais o impedimento de que os jogadores não possam defender a seleção de seu país. Mas mesmo assim, eles preferem abrir mão desse direito (dever, na verdade!) para não prejudicarem seu desempenho na liga norte-americana. Se não estou enganado, alguns até jogam pela seleção, mas seu desempenho não chega aos pés do que fazem na NBA.
Acho isso, antes de mais nada, um desrespeito com a pátria na qual nasceram. Imaginem se o Oscar tivesse largado isso e tivesse ido jogar nos EUA. O basquete no Brasil não seria nada! Não sei se a Hortência e a Magic Paula (falar de Basquete Nacional sem falar delas duas não dá, né?) conseguiriam levantar essa bandeira sozinhas.
Escrevo, portanto, para demonstrar minha indignação com o descaso que a Seleção Brasileira de Basquete vem sofrendo por parte dos atletas Brasileiros que jogam no exterior. Espero que os outros esportes não sigam por esse caminho, pois cada vez mais nossos craques abandonam as terras Tupiniquins para ganhar a vida em outras nações.
Que a grande final da Superliga Feminina de Vôlei sirva de exemplo: a grande maioria das jogadoras que disputaram a final entre Rio e Osasco formam a Seleção Brasileira, uma das melhores do mundo!
by rafs
domingo, 22 de abril de 2007
Probabilidades
A área mais fascinante da matemática para mim é a das probabilidades. Nela, é preciso muito raciocínio, em detrimento de “fórmulas mágicas”. Como veremos aqui, nem sempre nossa intuição está certa em problemas probabilísticos...
Outro probleminha: Alberto, Bernardo e Carlos estão presos. O carcereiro sabe qual deles está condenado à morte, e quais os dois que serão libertados. Alberto, que tem uma chance de 1/3 de ir para a forca, escreve uma carta para a mãe, e quer que ela seja entregue por Bernardo ou Carlos. Então, ele pergunta ao carcereiro se deve entregar a carta a Bernardo ou Carlos. O carcereiro se vê em um dilema: ele acha que, se revelar a Alberto o nome do homem que será libertado, então Alberto terá uma chance de 1/2 de ser condenado à morte, já que Alberto ou o homem não-indicado será executado. Se ele ocultar a informação, as chances de Alberto seguem em 1/3. Alberto já sabe que pelo menos um dos seus colegas será libertado. Como suas chances de ser executado podem ser afetadas pelo simples fato de ele saber o nome do homem que ganhará a liberdade? A resposta: as chances de Alberto não mudam! A preocupação do carcereiro é equivocada. Mesmo sabendo o nome do companheiro a ser libertado, a chance de Alberto continua sendo de 1/3. O companheiro não-indicado agora tem uma probabilidade de 2/3 de morrer! Isso contradiz nossa intuição!
Há quatro cenários nesse caso:
1. Alberto é o condenado, e o carcereiro diz que Bernardo está livre. Probabilidade: 1/6.
2. Alberto é o condenado, e o carcereiro diz que Carlos está livre. Probabilidade: 1/6.
3. Bernardo é o condenado, e o carcereiro diz que Carlos está livre. Probabilidade: 1/3.
4. Carlos é o condenado, e o carcereiro diz que Bernardo está livre. Probabilidade: 1/3.
Se o carcereiro disser que Bernardo está livre (cenário 1 ou 4), Carlos tem uma chance 2 vezes maior de ser o condenado que Alberto (2/3 contra 1/3). Se o carcereiro disser que Carlos está livre (cenário 2 ou 3), Bernardo tem uma chance 2 vezes maior de morrer que Alberto (2/3 contra 1/3). Esse é o clássico problema da escolha restrita: nos cenários em que Alberto não é condenado, o carcereiro não tem escolha. Isso é assunto para um outro texto, talvez até um livro.
Encerro por aqui, para evitar que meus caros leitores fiquem com um nó no cérebro. Espero não ter escrito nenhuma besteira. A matemática é a ciência exata, e por isso é muito perigoso escrever sobre ela. Arrivederci!
terça-feira, 3 de abril de 2007
SE2007

Começo agradecendo aos "verdinhos". Vocês foram parte essencial para o sucesso do evento. Obrigado também a Letícia, Isabel e Romulo, que se juntaram à equipe nas últimas semanas e também foram muito importantes. Deixo meu agradecimento também a três veteranos: Celso, por ter fundado o Gecom e por continuar a contribuir com a gente; Danilo, por continuar nos socorrendo com paciência infinita; e Jesus, por ser o amigo e o conselheiro tão especial.
É tanta gente para agradecer! Meus amigos de turma Allan, PV, Marcos e Diego, com os quais sempre aprendo valiosas lições! E que tanto ajudaram nesses últimos dias! Amaro, talvez o melhor amigo que eu já tive e jamais terei: você é o cara!
Por fim, direciono minhas palavras às cinco meninas que fizeram tudo acontecer: Amandinha, Ju, Dadá, Camila e Aninha. Vocês foram demais! Não me arrependo de ter matado alguns dias de estágio, nem de ter me atrasado em vários outros dias: a companhia de vocês valeu a pena! Acompanhei de perto a caminhada de vocês, vi o amadurecimento pessoal, profissional (e ortográfico!!!) de cada uma, e fico muito feliz de saber que fiz parte dele.
Obrigado, Amanda, pela sua dedicação, pela sua cumplicidade, pelo seu carinho. Sabemos que você teve que superar muitas dificuldades nesses meses. Você foi dez!
Obrigado, Ju! Nas duas últimas semanas, passei um bom tempo com você. Presenciei seu espírito de equipe, sua dedicação. Foi tempo suficiente para saber que você é uma pessoa e tanto! Sequer te conhecia antes daquele dia em que a Amanda te levou para a reunião. Hoje tenho uma grande amiga!
Obrigado, Dadá! Suas caronas musicais para o Jardim Botânico foram talvez os melhores momentos que eu vivi nos últimos anos! Sua liderança foi fundamental para o nosso sucesso.
Obrigado, Camila! Você superou todos os obstáculos que tivemos em nossa caminhada, e também está de parabéns!
Obrigado, Aninha! Voz e aparência de uma menininha, inteligência e atitudes tão maduras! Sua grade de palestras foi muito elogiada! Um dos pontos altos do evento!
Os momentos que passei com vocês são como aquela tarde remota em que o pai de Aureliano o levou para conhecer o gelo: inesquecíveis! Eu amo vocês!
domingo, 1 de abril de 2007
SE2007

Nos dias 28, 29 e 30 de Março desse ano foi realizada na UFRJ a 4ª edição da Semana de Eletrônica e Computação, a SE2007. Muita coisa mudou em relação à edição do ano passado. Stands, Mini-Curso de Áudio e Trilhas do Sucesso foram algumas das inovações para esse ano. Meu objetivo aqui não é falar sobre o evento jornalisticamente, até porque eu quase não assisti nenhuma palestra. Gostaria de falar de outras mudanças que ocorreram nessa edição. A principal delas estava por trás das cortinas. A Comissão Organizadora era predominantemente feminina, o que, indiscutivelmente deu um toque de qualidade mais elevado ao evento.
Não que as edições anteriores tenham sido ruins, longe disso (como organizador da edição anterior, nem passaria pela minha cabeça dizer uma coisa dessas). Mas esse ano foi especial, parece que foi mais atraente em todos os detalhes. Detalhes, aliás, que eram todos percebidos pelos aguçados olhos de nossas bravas guerreiras.
Guerreiras mesmo, pois só quem acompanhou de perto, como eu tive o privilégio de acompanhar, sabe o quanto elas batalharam para fazer esse evento acontecer. A sala do professor Rhomberg nunca foi tão bem freqüentada (e ele realmente deve ter ficado muuuito satisfeito com isso), mas o nível de estresse era cada dia mais alto. A burocracia para realizar algo como a SE é impressionante.
No ano passado, quando fui Coordenador de Eventos, passei os três dias completamente estressado, não ficava tranqüilo em momento algum, e tive medo que as meninas não conseguissem segurar a barra (tentava conversar com elas todos os dias para saber como estavam, mas nem sempre conseguia fazê-lo)... Mas essa história de sexo frágil é puro machismo de nossa sociedade. Elas se saíram muitíssimo bem, e apesar de um ou outro excesso de hormônios aflorando, todas mantiveram a cabeça no chão (como diz um sábio chefe de um nobre colega escritor desse mesmo blog).
Orgulho-me muito de ter acompanhado essas meninas ao longo dessa árdua caminhada, que foi encerrada com chave de ouro. Desde o ano passado estivemos dividindo o nosso tempo entre a organização da SE e todo o resto... Agora, fica aquela sensação de vazio... Está certo que logo os nossos professores vão se encarregar de ocupar esse espaço com provas e trabalhos, mas é que foi tão bom passar as férias inteiras indo à Ilha do Fundão... :S
Gostaria de agradecer profundamente a todos da organização, principalmente a cinco belas damas (que todos os outros envolvidos me desculpem, mas estas aqui merecem destaque especial) que deram bem mais que o seu tempo em prol da SE, e que se tornaram grandes amigas: Camila, Adriana, Amanda, Júlia e Aninha. Espero que todo o trabalho que tiveram comece a render bons frutos logo.
segunda-feira, 26 de março de 2007
O dia em que o Rock morreu

Lembro exatamente do dia em que recebi essa bomba... foi no último dia do ano de 2005. Estava me preparando para sair e curtir com a galera, mas fiquei extremamente chocado, pois a única coisa que eu ouvia era a Rádio Cidade!!! Nem CD’s eu escutava, pois as músicas que eu gostava estavam sempre tocando.
Depois de muito procurar por informações, finalmente admiti a derrota... a Rádio Cidade ia mesmo acabar, e daria lugar à oi fm. A primeira coisa era saber se essa nova rádio era boa. Já existiam outras filiais dessa maldita rádio em outros estados, e a programação me deixou ainda mais infeliz... era mais uma Jovem Pan, mais uma Transamérica, que ia ao ar.
Para a sorte de todos os fãs da Rádio Rock, o fatídico dia em que ela sairia do ar foi modificado, mais de uma vez, e pudemos desfrutar de um bônus, por mais algum tempo.
Nunca vou me esquecer do discurso emocionado do Demy Morales, que nos últimos instantes agradeceu a todos pelos longos anos de companhia. E também da modificação que ele fez na grade, mudando a última música da História da Rádio Rock, que seria uma do The Clash, mas no fim das contas foi All Those Years Ago, do George Harrison. É difícil não me emocionar relembrando esse momento, dos mais tristes que já passei. Foi como se um ente querido falecesse.
Após esse dia, ainda passamos por momentos de dureza, tendo que ouvir um “Rock Bola” na fm o dia, que jamais tocou Rock nos intervalos, apenas sambe axé e pagode (!!!). Pelo menos estão de volta ao 102,9.
Muitos programas não mais existem, mas pelo menos nos foi deixada uma herança, o Cidade Web Rock. Programas que eu gostava muito, e que eu ouvia, sempre que possível, como a Hora dos Perdidos e o Do Balacobaco, se perderam... (a Hora dos Perdidos está no Web Rock, mas o Do Balacobaco, acho que não). Mas não é a mesma coisa, pois não podemos sintonizá-lo no carro, no meio de um engarrafamento, ou enquanto andamos pela rua...
Hoje em dia, já não sei mais o que está acontecendo no cenário Rock’n Roll mundial, quais bandas estão surgindo... parei no tempo, exatamente nesse dia triste.
O dia em que o Rock morreu, 05/03/2006 deve ser lembrado por todos, pois jamais podemos nos esquecer da maior Rádio que essa Cidade já conheceu, a única que tocava música de verdade!!!
Termino com uma das mais clássicas vinhetas da Cidade: UM-ZERO-DOIS-NOVE!!
RÁDIO CIDADE FOREVER!!!!!
RAFS