
Amigos, nesta segunda-feira a imprensa esportiva brasileira deu destaque a um estudo realizado pela Crowe Horwath RCS, sobre o valor da marca dos grandes clubes brasileiros. Antes de começar, cabe dizer que a empresa tem participação do senhor Raul Corrêa da Silva, vice-presidente de Finanças do Corinthians. Será que ela é isenta o suficiente para realizar este estudo? Não haveria aí um claro conflito de interesses?
Seguindo em frente, constato que o "profissional" responsável pela pesquisa é Amir Somoggi, suposto especialista em marketing esportivo. Em meu texto "Os grandes do futebol brasileiro", de janeiro deste ano, eu já havia atacado as pseudo-verdades defendidas pelo senhor Somoggi. Recomendo que leiam meu artigo, para perceberem que estamos lidando com um sujeito mentalmente defasado: entre outras asneiras, Somoggi afirmou na época que "o Botafogo é o Wigan do futebol brasileiro". Além do Botafogo, para ele "Atlético Mineiro e Fluminense não são clubes grandes do Brasil".
Vamos analisar a tal pesquisa. Segundo ela, o Corinthians passou a ser o clube com a marca mais valorizada do futebol brasileiro (favor reler meu primeiro parágrafo). Em 2009, a marca do Timão valia R$ 562,6 milhões, e hoje vale R$ 749,8 milhões. A valorização de R$ 187,2 milhões, de 33%, deve ser justificada pelo excepcional desempenho do Corinthians neste ano. A torcida deve ter se empolgado com as numerosas conquistas do ano do centenário, né?
A marca do Flamengo também se valorizou, de acordo com o estudo. Valia R$ 568,1 milhões, e passou a valer R$ 625,3 milhões. O aumento deve estar relacionado ao caso do goleiro Bruno, que tanto valor agregou à marca do Flamengo em 2010. Talvez a demissão do ídolo Zico tenha ajudado também. As inúmeras conquistas em campo, principalmente o décimo-quarto lugar do Campeonato Brasileiro, decerto contribuíram para o aumento.
A marca do Fluminense se desvalorizou: de R$ 108,5 milhões para R$ 104,2 milhões. As contratações de Muricy Ramalho e Deco certamente não possuem impacto sobre o valor da marca. Um título de Campeonato Brasileiro também faz pouca diferença. A segunda maior média de público do Campeonato Brasileiro, idem. A Unimed Rio, patrocinadora do clube, deve estar amargando um prejuízo incalculável, ao injetar mais de R$ 30 milhões por ano num clube com a marca tão pouco valorizada.
O Botafogo, campeão carioca, também desvalorizou: de R$ 97,1 milhões para R$ 89,9 milhões. Aliás, só o aumento do valor do Corinthians já é maior que o valor inteiro do Botafogo, do Fluminense, do Atlético Mineiro, do Cruzeiro, do Santos, e do Vasco. Andrés Sánchez deve ser um milagreiro. Talvez seja capaz de transformar água em vinho, ou quem sabe de andar sobre as águas do Tietê...
Eu poderia continuar aqui citando exemplos e mais exemplos de incoerências monstruosas nos números apresentados pela pesquisa. Mas preciso?
PC
