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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobre a pesquisa de valor da marca dos clubes


Amigos, nesta segunda-feira a imprensa esportiva brasileira deu destaque a um estudo realizado pela Crowe Horwath RCS, sobre o valor da marca dos grandes clubes brasileiros. Antes de começar, cabe dizer que a empresa tem participação do senhor Raul Corrêa da Silva, vice-presidente de Finanças do Corinthians. Será que ela é isenta o suficiente para realizar este estudo? Não haveria aí um claro conflito de interesses?

Seguindo em frente, constato que o "profissional" responsável pela pesquisa é Amir Somoggi, suposto especialista em marketing esportivo. Em meu texto "Os grandes do futebol brasileiro", de janeiro deste ano, eu já havia atacado as pseudo-verdades defendidas pelo senhor Somoggi. Recomendo que leiam meu artigo, para perceberem que estamos lidando com um sujeito mentalmente defasado: entre outras asneiras, Somoggi afirmou na época que "o Botafogo é o Wigan do futebol brasileiro". Além do Botafogo, para ele "Atlético Mineiro e Fluminense não são clubes grandes do Brasil".

Vamos analisar a tal pesquisa. Segundo ela, o Corinthians passou a ser o clube com a marca mais valorizada do futebol brasileiro (favor reler meu primeiro parágrafo). Em 2009, a marca do Timão valia R$ 562,6 milhões, e hoje vale R$ 749,8 milhões. A valorização de R$ 187,2 milhões, de 33%, deve ser justificada pelo excepcional desempenho do Corinthians neste ano. A torcida deve ter se empolgado com as numerosas conquistas do ano do centenário, né?

A marca do Flamengo também se valorizou, de acordo com o estudo. Valia R$ 568,1 milhões, e passou a valer R$ 625,3 milhões. O aumento deve estar relacionado ao caso do goleiro Bruno, que tanto valor agregou à marca do Flamengo em 2010. Talvez a demissão do ídolo Zico tenha ajudado também. As inúmeras conquistas em campo, principalmente o décimo-quarto lugar do Campeonato Brasileiro, decerto contribuíram para o aumento.

A marca do Fluminense se desvalorizou: de R$ 108,5 milhões para R$ 104,2 milhões. As contratações de Muricy Ramalho e Deco certamente não possuem impacto sobre o valor da marca. Um título de Campeonato Brasileiro também faz pouca diferença. A segunda maior média de público do Campeonato Brasileiro, idem. A Unimed Rio, patrocinadora do clube, deve estar amargando um prejuízo incalculável, ao injetar mais de R$ 30 milhões por ano num clube com a marca tão pouco valorizada.

O Botafogo, campeão carioca, também desvalorizou: de R$ 97,1 milhões para R$ 89,9 milhões. Aliás, só o aumento do valor do Corinthians já é maior que o valor inteiro do Botafogo, do Fluminense, do Atlético Mineiro, do Cruzeiro, do Santos, e do Vasco. Andrés Sánchez deve ser um milagreiro. Talvez seja capaz de transformar água em vinho, ou quem sabe de andar sobre as águas do Tietê...

Eu poderia continuar aqui citando exemplos e mais exemplos de incoerências monstruosas nos números apresentados pela pesquisa. Mas preciso?

PC

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os grandes do futebol brasileiro

Amigos, de vez em quando me perguntam, "quais são os grandes clubes do futebol brasileiro?". Não entendo por que essa discussão sempre vem à tona. A resposta é óbvia, mas o óbvio às vezes é invisível, então é melhor escrever por extenso. Para ninguém ficar de "mimimi", o faço em ordem alfabética: Atlético, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, e Vasco. Se assim preferirem: os quatro do Rio de Janeiro, os quatro de São Paulo, os dois mineiros, e os dois gaúchos. Esses doze são aqueles que podem ganhar o Campeonato Brasileiro esse ano, e ninguém pode dizer que terá sido zebra. E podem ter certeza: daqui a trinta anos, os doze estarão na Primeira Divisão (salvo um ou outro, que cai e logo depois volta). Mais: os doze ainda serão os favoritos.

Dirão alguns: "ah, o Atlético Paranaense ganhou um Campeonato Brasileiro nessa década". Outros: "o Goiás tem melhorado". Outros: "o Grêmio Barueri tem estrutura". Tudo verdade. Mas para ser grande a nível nacional, é necessário mais. Os clubes do G-12 têm mais história, têm mais torcida, têm mais dinheiro. O abismo entre o G-12 e o resto é difícil de ser suplantado. Com uma boa base de torcedores, seguidas administrações competentes e uma dose de sorte, é possível vencer esse abismo. São os casos de Bahia, Vitória, Goiás, Atlético Paranaense, Coritiba, Paraná, Sport Recife, Naútico, Santa Cruz, Ceará, Fortaleza, Figueirense, Avaí, Guarani, Ponte Preta. É possível, mas é muito difícil. O G-12 está acima do restante, isso é quase unanimidade.

Alguns tentam dividir o G-12, tentam achar um grupo de grandes dentro dos grandes. O caso de Amir Somoggi, suposto especialista em marketing esportivo, em recente artigo sobre o assunto. Segundo ele, os grandes são apenas sete: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Internacional, Palmeiras e São Paulo. Santos e Vasco viriam um patamar abaixo. E mais abaixo ainda estariam Atlético MG, Botafogo e Fluminense. Esses três não seriam mais clubes grandes. Ele expõe diversos argumentos para justificar essa divisão. Será que são sólidos?

"Nós temos que esperar dois, três anos de Brasileirão, para poder tirar alguma conclusão. Se São Paulo ou Flamengo for campeão, fica a fotografia igualzinha à da Europa. Todo mundo fala que aqui é diferente, que pode ter sete, oito, dez campeões, mas nunca vi isto acontecendo" (Amir Somoggi)

Se ele nunca viu, a gente mostra para ele:
- Campeões Brasileiros nos últimos 10 anos: Vasco, Atlético PR, Santos, Cruzeiro, Corinthians, São Paulo e Flamengo. (totalizando 7 clubes)
- Campeões Espanhóis nos últimos 10 anos: La Coruña, Real Madrid, Valencia e Barcelona. (totalizando 4 clubes)
- Campeões Italianos nos últimos 10 anos: Lazio, Roma, Juventus, Milan e Internazionale. (totalizando 5 clubes)
- Campeões Ingleses nos últimos 10 anos: Manchester United, Arsenal e Chelsea. (totalizando 3 clubes)

Se estendermos a janela para 15 ou 20 anos, a "vantagem" do Campeonato Brasileiro aumenta muito. Mais uma: quais foram os quatro primeiros colocados do último Campeonato Inglês? Até uma cambaxirra sabe responder: Manchester United, Arsenal, Chelsea e Liverpool, não necessariamente nessa ordem. (É sempre assim.) E os do Campeonato Brasileiro? Bem mais difícil de lembrar, porque sempre mudam. É, parece que o primeiro argumento de Somoggi está desqualificado.
(esse é o Amir Somoggi, suposto especialista)

"Ficam com esta teoria, todo ano, de que o Botafogo pode ser campeão. Não vai ser campeão nunca. Com o faturamento e o gasto com futebol que tem, não tem jeito. O Botafogo é o Wigan, da Inglaterra" (Amir Somoggi)

Amir certamente já era vivo em 1995, há menos de 15 anos, quando viu o Botafogo ganhar um Campeonato Brasileiro. Internacional e Palmeiras, grandes de acordo com Somoggi, estão há mais tempo sem ganhar. O Wigan conquistou a Premier League alguma vez em sua história? Vou parar por aqui, porque essa comparação não tem cabimento algum. Mais um argumento de Somoggi desqualificado.

"O Flamengo arrecadou R$ 53 milhões em 2003; em 2008, R$ 118 milhões. O Vasco, que faturou R$ 36 milhões em 2003, só conseguiu R$ 52 milhões. O Fluminense passou de R$ 32 milhões para R$ 66 milhões. Por ano, São Paulo, Corinthians e Palmeiras arrecadam acima de R$ 100 milhões, cada um" (Amir Somoggi)

Até quando utiliza números Somoggi se enrola. Quem lê essa frase dele pode jurar que Vasco e Fluminense estão num mesmo patamar, ou então que o Fluminense está acima do Vasco. No entanto, Somoggi diz que o Vasco está acima do Fluminense. Os resultados do Tricolor em campo nos últimos anos também são melhores que os do Vasco (1 Copa do Brasil, 2 Estaduais e 2 vices continentais, contra 1 Estadual e 1 rebaixamento). A média de público do Fluminense também é maior que a do Vasco no período. Então, a análise de Somoggi não se baseia em dinheiro, nem em desempenho esportivo, nem em participação de torcida. Em que será que se baseia?

Poderia continuar aqui o dia inteiro, desmoralizando as verdades do especialista. Mas não é necessário. Quem leu até aqui já deve estar convencido do meu ponto de vista.

PC