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sábado, 23 de dezembro de 2023

Mundial de Clubes da FIFA - Fluminense 0 x 4 Manchester City



"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas" (José Saramago)

"Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. Podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos!" (Nelson Rodrigues)

Amigos, quando terminou a decisão do Mundial de Clubes, lá nas Arábias, o Profeta tratou de juntar os seus trapos e ir embora de Laranjeiras, mas de cabeça erguida. O velho sábio era um vencido? Nunca, jamais, em hipótese alguma! Vencido, como?, se temos de admitir a verdade límpida e cristalina de que o Fluminense merecia sorte melhor?

Não cabe, contra tal constatação, nenhum argumento, nenhuma questão, nenhum sofisma, nenhuma dúvida. Alguém poderá dizer que o Profeta não previu a força bruta dos bilhões de dinheiros dos europeus.

Exato, não previu mesmo. O Profeta é do tempo do tricampeonato, quando o futebol era amador, no sentido real da palavra: os futebolistas jogavam por amor, e nossos torneios eram decididos com o coração na ponta da chuteira. Seus ídolos são Marcos, Vidal e Chico Netto, Laís, Oswaldo e Fortes, Mano, Zezé, Welfare, Machado e Bacchi, os campeões de 1919.

É que, no âmbito doméstico, o Fluminense de 2023 conseguiu vencer o abismo financeiro que o separa dos mais ricos – há uns 8 ou 9 ou 10 times com mais grana no Brasil, alguns com muito mais, e ainda assim foi o Tricolor que levantou a Copa Libertadores aos céus do Rio de Janeiro, sob os olhares atentos da nossa América de futebol.

Talvez por isso, o Profeta – e todos nós, tricolores como ele – tenhamos nos iludido com a possibilidade de derrotar o Manchester City, em Jeddah. Afinal, se submetemos o milionário Flamengo àquela derrota acachapante no Carioca, por que não poderíamos fazer o mesmo com os ingleses no Mundial?

E nós encaramos com uma coragem espetacular os campeões europeus. Qualquer outro time teria recuado, teria armado uma retranca ou um ferrolho. O Fluminense não! O Fluminense não abdicou de jogar o seu futebol, de atacar, de agredir, de partir para cima. O Tricolor aprendeu a não abaixar a cabeça para ninguém.

O próprio Guardiola admite que, se a sorte tivesse sorrido primeiro para o Fluminense, o jogo seria outro. Infelizmente, o acaso estava do lado do Manchester City. Quem poderia prever que eles ganhariam um gol com menos de um minuto de jogo? Quem diria que a tecnologia burra da FIFA marcaria o impedimento inexistente de Germán Cano, num lance óbvio de mesma linha? E o gol-contra, então, que escaparia até à vidência de um Maomé?

No segundo tempo, mesmo com a desvantagem de dois gols, contra o melhor time da face da Terra, o Fluminense continuou bravo, tentando escalar aquele Everest intransponível. Três a zero, e os guerreiros insistiam em lutar. Que time corajoso é o Carrossel Tricolor de Fernando Diniz, que não joga a toalha em momento nenhum.

O Fluminense termina 2023 como o Profeta, de cabeça erguida, orgulhoso da jornada maravilhosa que cumpriu. O ano que vem tem novos desafios. Vamos tratar da Recopa contra a LDU, do tri Carioca, do bi da Libertadores, do quinto Brasileirão. A abarrotada sala de troféus da rua Álvaro Chaves continua clamando por novos habitantes. Afinal, é de glórias que o Fluminense vive: da Taça Colombo, dos heróis de 1919, à recente Copa Libertadores, dos guerreiros de 2023.

A revolução tricolor está só começando. Quem viver verá.

PCFilho
(inspirado, como sempre, em N. R.)

domingo, 7 de maio de 2023

O Carrossel Tricolor


Amigos, na terça-feira 2 o Maracanã foi palco de uma das maiores exibições de futebol do século, quando o Fluminense impôs ao River Plate sua maior derrota na história da Copa Libertadores, com inapeláveis 5 a 1, que poderiam ter sido mais.

Ainda que o ótimo quadro argentino tenha conseguido equilibrar as ações no primeiro tempo, não resistiu na etapa complementar, sucumbindo à envolvente troca de passes do Carrossel Tricolor – um Fluminense que transforma ordem em caos e conduz o adversário a uma densa floresta em que somente ele, o Fluminense, conhece a saída.

O time de Fernando Diniz dita o ritmo do jogo, qualquer que seja o adversário. O Carrossel Tricolor é um Fluminense que comanda as ações, que conhece o seu tamanho, que faz jus à sua história. A bola é nossa, os rivais que corram atrás.

Estamos sendo testemunhas de recitais de uma orquestra – que, como qualquer sinfônica internacional, precisa de um maestro qualificado. Amigos, tal qual Romeu Pellicciari no timaço hegemônico dos anos 30 e 40, Paulo Henrique Ganso é onipresente. Onde quer que o Fluminense esteja trocando passes, lá está o camisa 10, se apresentando como opção ou indicando para quem o próximo passe deve ir – com uma capacidade analítica monstruosa, de quem parece enxergar o jogo de cima.

Mas não é só de arte que vive o Fluminense. No futebol, é necessário ser agressivo – e esse time sabe ser agressivo. Quando o oponente ousa tomar nosso brinquedo favorito, a bola, os guerreiros tricolores improvisam uma blitz para recuperar sua posse imediatamente. Ela é nossa, não de vocês. É com a gente que ela tem que ficar.

Falando em agressividade, lembro-me de Jhon Arias e Germán Cano, a dupla dinâmica responsável pelos cinco gols que destruíram a cidadela do River Plate. É uma pareja letal, que está ali justamente para fazer desmoronar qualquer muro que o adversário construa em sua grande área. Nossos atacantes fazem guerra – ainda que seus gols sejam autênticas obras de arte, que poderiam estar expostas no Louvre ou no Prado. Também há beleza na destruição.

Ainda não sabemos se o Fluminense conquistará as glórias que a torcida tricolor tanto almeja, a inédita Copa Libertadores, o Campeonato Brasileiro que não vem desde 2012, a Copa do Brasil que sua irmã de 2007 espera. Mas desfrutem desse time: o Carrossel Tricolor é um espetáculo em si.

O futebol há de nos dar o que nós merecemos.

PCFilho