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domingo, 21 de março de 2021

Foto: o olhar do tricampeão


Na foto, se vê o olhar de Ayrton Senna pelo retrovisor de sua McLaren em Suzuka, no GP do Japão de 1991, logo antes da corrida em que o piloto brasileiro conquistaria seu terceiro título na Fórmula 1.

Segundo o autor da imagem, o fotógrafo italiano Ercole Colombo, "é como se Senna olhasse a sua história pelo retrovisor".

Neste domingo, 21 de março, Ayrton Senna completaria 61 anos, se não fosse o maldito acidente que tirou sua vida em Imola, no dia 1º de maio de 1994, no GP de San Marino.

Que saudade desgraçada.

PCFilho

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

F1 - GP do Japão 1991 - Ayrton Senna Tricampeão



Classificação final:
1) Gerhard Berger (Áustria) - McLaren-Honda / 1:32:10.695
2) Ayrton Senna (Brasil) - McLaren-Honda / + 0.344
3) Riccardo Patrese (Itália) - Williams-Renault / + 56.731
4) Alain Prost (França) - Ferrari / + 1:20.761
5) Martin Brundle (Grã-Bretanha) - Brabham-Yamaha / + 1 volta
6) Stefano Modena (Itália) - Tyrrell-Honda / + 1 volta
7) Nelson Piquet (Brasil) - Benetton-Ford / + 1 volta
8) Maurício Gugelmin (Brasil) - Leyton House-Ilmor / + 1 volta
9) Thierry Boutsen (Bélgica) - Ligier-Lamborghini / + 1 volta
10) Alex Caffi (Itália) - Footwork-Ford / + 2 voltas
11) Gabriele Tarquini (Itália) - Fondmetal-Ford / + 3 voltas

Observação: com o resultado, Ayrton Senna sagrou-se tricampeão da Fórmula 1. Terminou o campeonato com 91 pontos conquistados, contra 69 de Nigel Mansell, 52 de Riccardo Patrese, 41 de Gerhard Berger e 34 de Alain Prost.

PC

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recordar é Viver especial F1 - A revanche em Suzuka


Amigos, o clima na F1 depois do incidente na penúltima corrida da temporada de 1989 não era dos melhores. Senna ainda vinha mordido por ter a vitória no Japão arrancada de suas mãos e queria o título de 90 de qualquer maneira.

Do outro lado, Prost, que saíra da McLaren e passou a correr pela Ferrari, disputava cada pedaço da pista com o brasileiro. Ayrton obteve seis vitórias e Alain cinco. Novamente o GP de Suzuka, penúltimo da temporada, poderia decidir o campeonato.

Nos treinos, Senna pediu à organização do GP que trocasse o lado da pole position, pois o piloto mais rápido nos treinos seria obrigado a largar na parte suja da pista. Contando com isso, Ayrton fez o tempo mais rápido no sábado. Mas, sob orientação do seu desafeto Jean-Marie Balestre, a pole não foi alterada, o que deixou o piloto brasileiro revoltado.

"Ok, aconteça o que acontecer, eu vou entrar na primeira curva antes - Eu não estava preparado para deixar o outro (Alain Prost) chegar na curva antes de mim. Se eu estou perto o suficiente dele, ele não poderá virar na minha frente - e ele será obrigado a me deixar seguir." Eu não me importo em bater; eu fui para isso. E ele não quis perder a chance, virou e batemos. Foi inevitável. Tinha que acontecer."*


Realmente, foi inevitável. Senna não queria perder a ponta, Prost não queria perder a chance de pular na ponta, então os dois se chocaram. Mas não foi uma batidinha de leve como na corrida de um ano antes. Eles bateram forte, e foram parar no final da caixa de brita. Emergiram da nuvem de poeira, sem trocar uma palavra; nem mesmo um olhar. Ali o campeonato estava decidido. Ayrton Senna era Bicampeão Mundial.

Senna estaria revidando o acidente e dos seus desdobramentos no ano anterior? Será que estava trocando com Prost o papel de Dick Vigarista? A impressão que ficou foi de que, realmente, Ayrton manteve a trajetória para forçar a batida e tirar os dois da prova, o que era suficiente para que fosse campeão. Mas ele afirma que estava certo na sua decisão de não abrir mão da primeira posição:

"'Então você deixou isso acontecer', alguém diria. Por que eu causaria isso? Se você se ferrar cada vez que estiver fazendo o seu trabalho limpo, conforme o sistema, o que você faz? Volta para trás e diz 'Obrigado'? De jeito nenhum! Você deve lutar para o que você acha que é certo. Se a pole estivesse colocada na esquerda, eu teria chegado na frente na primeira curva, sem problemas. Que foi uma péssima decisão manter a pole na direita, e isso foi influenciado pelo Balestre, isso foi. E o resultado foi que aconteceu na primeira curva. Eu posso ter contribuído, mas não foi minha responsabilidade*


É um desfecho muito interessante para o episódio iniciado um ano antes. Típico capricho dos Deuses da Velocidade. Um acidente decidiu o título a favor de Alain Prost em 89. Um acidente decidiu o título a favor de Ayrton Senna em 90. Mesma curva, mesma corrida, mesmos pilotos.

Detalhe: Esta corrida teve dobradinha do Brasil e da Benetton: Nelson Piquet em primeiro, Roberto Pupo Moreno em segundo.

rafs

O Acidente:



Senna fala após a corrida:



* - Os trechos de comentários do Senna colocados neste texto e no post sobre Suzuka-89 são de uma entrevista no Japão em 1991. Esse trecho da entrevista pode ser vista no vídeo abaixo:

terça-feira, 28 de abril de 2009

Recordar é Viver especial F1 - A batalha de Suzuka


Após um ano de intensa rivalidade com seu companheiro de equipe Alain Prost, Senna, atual campeão tinha tudo para, novamente, levantar o caneco ao final da temporada. Antes disso, até, já que fazia um campeonato belíssimo.

Tão arrasador era o seu desempenho que o seu maior rival, mesmo pilotando uma McLaren igual à do brasileiro, insinuava que a equipe privilegiava o atual campeão, fornecendo-lhe melhor material. Mas os Deuses da Velocidade trataram de desfazer qualquer mal-entendido gerado pelas acusações, e acabaram prejudicando o Ayrton: duas quebras de motor (Phoenix e Itália) e uma de câmbio (França) além de ele também não completar as provas de Silverstone (errou dele mesmo) e Portugal (acidente com Mansell, que fez todas as besteiras possíveis nessa prova). Com isso, o piloto francês passou à frente no campeonato e, na penúltima prova do ano, em Suzuka, só restava uma opção ao Senna: vencer! Qualquer outro resultado dava o título ao Prost.

Veio então a fatídica corrida, e não deu outra: Senna e Prost disputavam a liderança. A sete voltas do fim, Senna tenta a ultrapassagem na chicane, e Prost não evita o toque. Afinal, se ambos abandonassem a prova, ele seria campeão. Mas Senna não queria desistir, e pediu ajuda aos comissários para voltar, já que o motor de seu carro tinha morrido.

No toque, Ayrton teve a asa dianteira quebrada, e precisou parar nos boxes para trocá-la. Ele tinha cinco voltas para tentar chegar à primeira posição, que era de Alessandro Nannini, piloto italiano da Benetton. Senna acelerou muito, voou baixo, foi lá e conseguiu a vitória, que adiava a decisão para a Austrália. Mas aí veio a má notícia: na sua volta à pista, depois da batida com Prost, Senna cortou a chicane, e por isso foi desclassificado (alguns acham que foi porque ele foi ajudado pelos fiscais, mas isso é - ou era - permitido no regulamento). Com isso, Nannini venceu a corrida, e Prost foi campeão mundial naquele ano. Tri-campeão.

Senna não só foi desclassificado, como teve sua superlicença cancelada. Eis o que ele disse sobre o incidente:

"Eu acho que o que aconteceu em 1989 foi imperdoável e eu nunca irei esquecer isso. Eu me empenho em lutar até hoje. Você sabe o que aconteceu aqui: Prost e eu batemos na chicane, quando ele virou sobre mim. Apesar disso, eu voltei à pista, ganhei, e eles decidiram contra mim, o que não foi justo. E o que aconteceu depois foi "teatro", mas eu não sei o que pensei. Se você faz isso, você será penalizado, multado e talvez perca sua licença. Essa é a forma correta de trabalhar? Não..."


Aí começaram seus desentendimentos com o presidente da FIA, Jean-Marie Balestre. Aí também sua rivalidade com Prost atingia níveis mais intensos. Esta batalha estava perdida, mas haveria outra, no mesmo cenário, mas com desfecho diferente.

rafs

Volta da pole position:

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Senna campeão mundial


Japão, 30 de outubro de 1988.

Amigos, Suzuka foi mais que a vitória de Ayrton Senna. Em termos gerais, Suzuka foi o triunfo do povo brasileiro. Em termos particulares, Suzuka foi a vitória de cada homem tupiniquim. Sim, cada cidadão brasileiro foi vencedor na madrugada deste domingo. Do piloto da carrocinha de chicabon ao Presidente da República, passando por mim e por você, todos nós, somos, de fato, desde a madrugada, uns campeões mundiais de automobilismo.

Ayrton Senna não completou ainda trinta anos, mas já é o maior, amigos: o maior de todos os tempos! Dentro do cockpit de um Fórmula 1, ninguém jamais foi tão perfeito, tão consistente, tão avassalador quanto Senna. Examinemos a corrida: ele largou de primeiro lugar, o que já é uma vantagem considerável. A previsão do tempo indicava chuva, e isso também é favorável a ele. Tudo conspira para o campeonato mundial de Ayrton Senna. E então o que acontece? Na hora H, o carro morre. Minha Nossa Senhora Aparecida, tudo bem o meu carro morrer, o carro do meu vizinho morrer, ou o carro do meu chefe morrer. Mas o carro do Senna não poderia ter morrido, justo na largada da corrida mais importante da vida do piloto. Mas aconteceu. Ouviu-se um urro de dor coletiva em cada canto desse país: aquela falha mecânica era uma punhalada em cada um de nós. Até a McLaren pegar no tranco, quinze carros haviam ultrapassado Senna. "Está tudo acabado", lamentamos todos nós, do Oiapoque ao Chuí.

Na primeira volta, Senna está em décimo-sexto lugar. Quinze carros à frente: o suficiente para desanimar até mesmo o mais otimista. Porém, a chuva ajuda o brasileiro a ganhar terreno e, ainda na terceira volta, Senna já é o quarto. Então, Senna passa Gerhard Berger e assume o terceiro lugar. A chuva ajudava cada vez mais, e agora era a vez de Ivan Capelli: um bote certeiro, e Senna assume a vice-liderança da prova. Porém, a distância para Alain Prost era a eternidade de 17 segundos. Com o mesmo equipamento do professor Prost, tratava-se de uma diferença praticamente inexpugnável. Porém, Senna acelerava com vigor, atacava ousadamente cada curva, freava o mínimo possível, e ganhava a cada manobra preciosos milésimos de segundo. Ele acreditou tanto no milagre, que o milagre foi se concretizando.

Volta a volta, a distância diminuía. Até que, na vigésima-sétima volta, ocorre a consumação do suave, doce e santo milagre: Ayrton Senna ultrapassa Alain Prost. Então, foi só guiar a McLaren até a bandeirada consagradora. O jovem Ayrton se junta ao bicampeão Emerson Fittipaldi e ao tricampeão Nelson Piquet, na galeria de brasileiros que atingiram a suprema glória do automobilismo.

"Foi Deus que me deu esse campeonato", declarou Senna após o triunfo. Ele tem toda a razão ao agradecer aos céus, pois o talento que possui é extraordinário. Aliando esse talento à fé, Senna provou-nos que não há limites para o ser humano determinado. As 12 pole-positions e 8 vitórias são incontestáveis: Senna não foi apenas o campeão de 1988. Ayrton Senna do Brasil foi o maior campeão da história da Fórmula 1. Já sinto o cheiro do bicampeonato.

PC

Vídeo da TV Globo dos momentos finais da corrida:



Classificação final do GP do Japão de 1988:
1) Ayrton Senna (Brasil) - McLaren-Honda / 1:33:26.173
2) Alain Prost (França) - McLaren-Honda / + 13.363
3) Thierry Boutsen (Bélgica) - Benetton-Ford / + 36.109
4) Gerhard Berger (Áustria) - Ferrari / + 1:26.714
5) Alessandro Nannini (Itália) - Benetton-Ford / + 1:30.603
6) Riccardo Patrese (Itália) - Williams-Judd / + 1:37.615
7) Satoru Nakajima (Japão) - Lotus-Honda / + 1 volta
8) Philippe Streiff (França) - AGS-Ford / + 1 volta
9) Philippe Alliot (França) - Lola-Ford / + 1 volta
10) Maurício Gugelmin (Brasil) - March-Judd / + 1 volta
11) Michele Alboreto (Itália) - Ferrari / + 1 volta
12) Jonathan Palmer (Grã-Bretanha) - Tyrrell-Ford / + 1 volta
13) Pierluigi Martini (Itália) - Minardi-Ford / + 2 voltas
14) Julian Bailey (Grã-Bretanha) - Tyrrell-Ford / + 2 voltas
15) Luis Perez-Sala (Espanha) - Minardi-Ford / + 2 voltas
16) Aguri Suzuki (Japão) - Lola-Ford / + 3 voltas
17) René Arnoux (França) - Ligier-Judd / + 3 voltas