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quinta-feira, 24 de junho de 2010

A maior partida da história do tênis


Amigos, hoje finalmente terminou a maior partida da história do tênis. Quando o americano John Isner e o francês Nicolas Mahut pisaram na grama anteontem, na quadra 18 de Wimbledon, jamais poderiam imaginar o que estava por vir...

Após onze horas e cinco minutos de jogo (espalhadas por anteontem, ontem e hoje), Isner saiu vencedor, por 6/4, 3/6, 6/7(7), 7/6(3) e 70/68. Você não leu errado: o placar do quinto set foi 70 a 68 (setenta a sessenta e oito).

Os sets normalmente vão até um tenista alcançar 6 games. Porém, na regra atual de Wimbledon, o quinto set somente se decide se um tenista abrir 2 games de vantagem para o outro. Isner e Mahut se equilibraram tanto que simplesmente não conseguiam desempatar a partida...

Como era de se esperar, praticamente todos os recordes da história do tênis foram quebrados com alguma sobra.

Por exemplo, antes de hoje a partida mais longa da história havia durado 6 horas e 33 minutos (Arnaud Clement x Fabrice Santoro, Roland Garros, 2004), 4 horas e 32 minutos a menos que o novo recorde. O quinto set sozinho durou 8 horas e 11 minutos, mais que o confronto inteiro de 2004.

A partida de simples com maior número de games havia sido disputada entre Pancho González e Charlie Pasarell, em 1969, também em Wimbledon. Na ocasião, foram disputados 112 games. O recorde geral de games disputados pertencia à partida de duplas Smith/Van Dillen (EUA) x Cornejo/Fillol (CHI), na Copa Davis de 1973, quando foram jogados 122 games. As marcas bizarras parecem nanicas, perto dos 183 games disputados por Isner e Mahut.

O maior quinto set anterior havia sido disputado no Australian Open de 2003, entre Andy Roddick e Younes El Aynaoui: 21/19. O maior set antes jogado ocorrera no US Open de 1969, entre John Newcombe e Marty Reissen, 25/23 no quarto set. Não dá nem pra comparar com 70/68, né?

O recorde de aces (pontos conquistados diretamente no saque) é ainda mais assustador. Ao todo, John Isner obteve 112 aces, contra 103 de Nicolas Mahut. A partida anterior com mais aces foi jogada no ano passado, entre Radek Stepanek e Ivo Karlovic: os dois tenistas, juntos, haviam obtido 96 aces. Tanto Isner quanto Mahut superaram a marca com alguma sobra.

Ao todo, foram disputados 980 pontos, outro recorde absoluto e imbatível.

Um número incrivelmente baixo no confronto foi o de quebras de serviço: foram apenas três (duas para Isner e uma para Mahut), em dezessete oportunidades. A marca pequena se justifica pelos bons saques de ambos os tenistas, que davam ao oponente poucas chances de quebras.

Hoje, quando o juiz Mohamed Lahyani anunciou a retomada da partida, disse: "Isner lidera por 60 games a 59". A platéia da quadra 18 caiu em gargalhadas, cena rara no mundo do tênis.

Oficialmente, a partida terminou. Mas daqui a quarenta, cinquenta, sessenta anos, quando Isner ou Mahut forem entrevistados, a primeira pergunta sempre será sobre a lendária partida que não tinha fim.

Porque a batalha acabou, sim, mas foi infinita enquanto durou.

PC

terça-feira, 7 de julho de 2009

Quinze vezes Roger Federer


Amigos, há um mês escrevi aqui sobre o décimo-quarto torneio de Grand Slam do suíço Roger Federer, conquistado no saibro de Roland Garros. No último domingo, veio o décimo-quinto troféu, na grama de Wimbledon. Pela sétima vez seguida, o mito suíço chegava à final do torneio britânico. Nas cinco primeiras, sagrou-se pentacampeão, igualando a marca do lendário Björn Borg. Em 2008, perdeu a final para um genial Rafael Nadal, em dia perfeito. Domingo, voltou a vencer. Em uma batalha espetacular contra o americano Andy Roddick, Roger Federer obteve uma de suas mais belas vitórias.

No primeiro set, A-Rod mostrou uma consistência impressionante em seu jogo. No décimo-primeiro game, ele conseguiu salvar quatro break-points, verdadeira façanha para quem está enfrentando o maior tenista da história. Depois, Federer cedeu uma quebra a Roddick, ao cometer três erros não-forçados. Fim de primeiro set, Roddick 7-5.

No segundo set, todos esperavam um suíço avassalador, para espantar de vez a zebra. Mas Andy Roddick continuava impossível. Seus saques violentíssimos deixavam Federer sem ação. Por sua vez, o suíço também confirmava seus serviços. Resultado: 6-6, e tie-break. A-Rod percebeu então que sua grande chance era vencer esse desempate. Jogando com muita agressividade, o americano conseguiu abrir 6-2 no tie-break. Tinha, portanto, quatro set points, sacando em dois deles. Se vencesse uma das quatro batalhas, Roddick abriria uma vantagem colossal: 2 sets a 0. Porém, estava lá a defender estas quatro bolas um homem chamado Roger Federer. E ele salvou, um a um, todos os quatro set points. (OK, confessemos que, em um deles, A-Rod vacilou, errando um smash fácil de acertar.) Placar final do segundo set: Federer 7-6 (8-6).

O terceiro set também transcorreu sem quebras de serviço, terminando em mais um tie-break. Novamente, o suíço genial impôs seu jogo, vencendo o desempate. Placar do terceiro set: 7-6 (7-3).

Muitos já apontavam o título de Federer como certo. Mas Roddick estava complicando o jogo, e não seria diferente no quarto set. Os serviços do americano continuaram intactos. Nem mesmo o maior tenista da história consegue quebrá-los. Já A-Rod conseguiu uma quebra, a segunda do jogo. E assim fechou o quarto set: 6-3.

Nas finais dos torneios Grand Slam, o quinto e decisivo set não possui tie-break. O jogo é prolongado até um dos oponentes abrir dois games de vantagem. Para Federer, isso significava que seria necessário quebrar o serviço de Roddick pelo menos uma vez. 5 a 5, 6 a 6, 7 a 7, 8 a 8, 9 a 9, 10 a 10, 11 a 11, 12 a 12, 13 a 13, 14 a 14... Amigos, foi o quinto set mais longo da história de Wimbledon.

Encerro a crônica com emocionantes palavras de Muhammad Ali, o maior boxeador de todos os tempos: "Champions aren't made in gyms. Champions are made from something they have deep inside them: A desire, a dream, a vision. They have to have last-minute stamina, they have to be a little faster, they have to have the skill and the will. But the will must be stronger than the skill."

Em tradução livre: "Campeões não são feitos em academias. Campeões são feitos de algo que eles têm bem dentro deles: um desejo, um sonho, uma visão. Eles têm que ter uma resistência de último minuto, eles têm que ser um pouco mais rápidos, eles têm que ter a habilidade e a vontade. Mas a vontade precisa ser mais forte que a habilidade."

Roger Federer é um campeão. Ele tem a tal resistência de último minuto. Ele tem uma vontade inexcedível. 16-14 no quinto set, e 3 sets a 2 no jogo. Por isso, conquistou seus 15 troféus de Grand Slam. Por isso, é o maior da história.

PC