Mostrando postagens com marcador 1961. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1961. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de junho de 2025

14/06/1961 - Internazionale 1 x 1 Fluminense


Quando Fluminense e Internazionale entrarem em campo pelas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes, em Charlotte, nesta segunda-feira 30, não será o primeiro duelo entre os clubes na história. Vamos recordar aqui o encontro original entre estas duas lendárias equipes do futebol mundial?

Na noite de 14 de junho de 1961, uma quarta-feira, durante um giro do Fluminense pela Europa, aconteceu um empate em 1 a 1 com a Internazionale, diante de 50.000 pessoas no Estádio San Siro, em Milão. Os gols saíram no segundo tempo: o Fluminense abriu o placar com o artilheiro Waldo, cobrando perfeitamente uma falta sofrida por Jaburu, e a Internazionale empatou com Mauro Bicicli, em bola dividida dentro da área após cruzamento de Luisito Suárez (sim, um xará antigo do uruguaio mordedor dos tempos de hoje, craque espanhol que fazia naquele dia sua estreia pelo clube italiano).

Os dois gols aconteceram na etapa complementar, mas há divergência nas fontes quanto aos tempos: segundo o site oficial da Internazionale, o Fluminense abriu o placar aos 21 minutos e sofreu o empate aos 31; segundo o Jornal dos Sports do dia seguinte ao jogo, o Fluminense fez um a zero aos 6 minutos e a Internazionale igualou aos 26.

A notícia da partida na primeira página do Jornal dos Sports do dia 15/06/1961.

O duelo também foi notícia em jornais italianos, destacando a estreia do espanhol Luisito Suárez.

Um dos times mais fortes da história do Fluminense, campeão do Carioca de 1959 e do Torneio Rio-São Paulo de 1960, aquele elenco era também muito identificado com o clube, sendo composto por alguns dos jogadores que mais atuaram com A Camisa em todos os tempos (casos, por exemplo, de Castilho, Pinheiro, Altair e Waldo). O goleiro Castilho, aliás, teve uma atuação espetacular, realizando defesas monumentais, que foram aplaudidas até pelos torcedores italianos.

A Internazionale também vivia ótima fase: havia terminado a temporada de 1960-61 em terceiro lugar no Campeonato Italiano e seria vice-campeã em 1961-62, campeã em 1962-63, novamente vice-campeã em 1963-64 e de novo campeã em 1964-65 e 1965-66. Em 1964, conquistaria seu primeiro título europeu, vencendo o Real Madrid na decisão em Viena. Em 1965, levantaria o bicampeonato europeu, derrotando o Benfica na final em Milão. Alguns titulares destas duas campanhas vitoriosas na Copa Europeia estiveram no jogo com o Fluminense em 1961.

Nesta partida contra o Fluminense, o clube italiano estreava dois jogadores estrangeiros: o alemão Erwin Waldner (que acabaria não assinando contrato) e o já citado craque espanhol Luisito Suárez (considerado o maior reforço para a nova temporada, que chegava contratado junto ao Barcelona e faria história pelos nerazzurri nos anos seguintes).

O golaço de falta foi o gol número 312 de Waldo pelo Fluminense, em seu 400º jogo com A Camisa. Nos três jogos seguintes daquela excursão pela Europa, ele marcaria mais sete gols: dois na vitória de 2 a 1 sobre o Espanyol, três na goleada de 6 a 0 sobre o Deportivo Málaga e dois na vitória de 3 a 2 sobre o Valencia – este último jogo foi sua despedida do Fluminense, uma vez que o adversário acabaria comprando o artilheiro máximo da história tricolor. Até hoje, somente dez jogadores completaram 400 jogos com A Camisa – e Waldo é o único a ter marcado 300 gols pelo Fluminense.

Revista do Esporte: Waldo já posando com o uniforme do Valencia, em 1961.

Sessenta e quatro anos depois daquele primeiro duelo, Fluminense e Internazionale voltarão a quebrar lanças em uma arena, agora valendo uma vaga nas quartas de final da primeira Copa do Mundo de Clubes da FIFA – um jogo que já é histórico para ambos os times. Quem viver verá.

PCFilho
(agradecimentos especiais ao meu amigo Ygor Moreira [perfil Flupedia], que encontrou e publicou o precioso vídeo dos melhores momentos da partida)

Ficha Técnica:
14/06/1961 - Internazionale 1 x 1 Fluminense - San Siro (Milano, Itália)
Motivo: Amistoso internacional.
Público: 50.000 presentes.
Árbitro: Giorgio Genel (Itália).
Internazionale: Mario Da Pozzo; Enea Masiero e Giacinto Facchetti; Franco Zaglio, Aristide Guarneri e Costanzo Balleri; Mauro Bicicli, Bengt Lindskog, Erwin Waldner (Eddie Firmani, no intervalo), Luisito Suárez e Egidio Morbello. Técnico: Helenio Herrera. 
Fluminense: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro e Altair; Edmilson e Clóvis; Calazans (Jaburu, no intervalo), Paulinho Omena, Waldo, Jair Francisco (Oldair, aos 26 do 2º tempo) e Hilton Oliveira. Técnico: Zezé Moreira.
Gols:
0-1: Waldo, de falta, aos 6 do 2º tempo [em cobrança de falta sofrida por Jaburu];
1-1: Mauro Bicicli, aos 26 do 2º tempo [assistência de Luisito Suárez].

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Recordar é viver - Fluminense 2 x 1 Al Ahly em 1961

Notícia da vitória do Fluminense sobre o Al Ahly em 1961.
A Noite Esportiva, 27/05/1961.

Na segunda-feira 18, Fluminense e Al Ahly, do Egito, se enfrentarão na semifinal do Mundial de Clubes da FIFA, na Arábia Saudita. Os dois clubes já duelaram uma vez antes, em 1961, em um amistoso internacional no Cairo, capital da então República Árabe Unida (fusão do Egito com a Síria, que durou de 1958 a 1961).

Treinado pelo lendário Zezé Moreira, o Fluminense estava começando uma excursão internacional. No dia 24 de maio de 1961, havia jogado em Lisboa contra o Sporting, de Portugal (derrota de 2 a 0). No dia 26, o Tricolor entrou em campo no Cairo, para enfrentar o Al Ahly, clube mais famoso do Egito. Foi o primeiro jogo da história do Fluminense contra uma equipe africana, e também a primeira partida do Fluminense na África.

O Fluminense posado para o amistoso no Cairo.
Em pé: Clóvis, Jair Marinho, Edmílson, Altair, Castilho e Pinheiro.
Agachados: Calazans, Paulinho Omena, Waldo, Telê e Escurinho.

O encontro foi realizado no Estádio Internacional do Cairo, palco que havia sido inaugurado no ano anterior. O Fluminense venceu por 2 a 1, gols de Waldo e Telê, com Saleh Selim descontando para o Al Ahly. Na imprensa brasileira, o nome do time egípcio foi traduzido para "Nacional", significado de "Al Ahly" em árabe.

O diário A Noite noticiou assim a partida, no dia 27: "CAIRO (UPI - A NOITE): O Fluminense, do Rio de Janeiro, venceu o Nacional Esportivo do Cairo Sporting Club, por 2 x 1, em partida realizada ontem, nesta capital. Os gols da partida foram assinalados por Valdo, aos 43 minutos do primeiro tempo, e Telê, aos 4' do segundo tempo para o Fluminense e Saleh, o único dos locais, aos 33' da segunda fase. Presenciaram ao encontro 18 mil espectadores que ovacionaram a equipe brasileira quando esta deixava o gramado após a vitória".

Em seguida, fez um resumo da partida: "Logo ao início da partida os visitantes demonstraram maior capacidade de jôgo e, de imediato, não conseguiram tentos pois seus ataques (constantes) esbarravam na defensiva local. Apesar da maior presença na cancha da equipe brasileira, os locais conseguiram equilibrar a partida durante um certo período e somente aos 43' da primeira fase, Valdo, centroavante dos visitantes, atirando de oito metros de distância, conseguiu marcar o primeiro gol. Para a segunda etapa os locais voltaram mais harmonizados e realizaram vários ataques de perigo, todos neutralizados pela defensiva visitante. Aos 4', Telê, invadindo a área egípcia, marcou o segundo ponto dos brasileiros. Somente aos 33', Saleh, avante local, assinalou o ponto de honra dos locais e o jôgo não teve outra modificação no placar terminando com a vitória do Fluminense por 2 x 1".

O Jornal dos Sports também publicou uma nota sobre a partida: "Sem exibir todo o seu football, o Fluminense venceu ontem, na cidade do Cairo, capital da República Árabe Unida. Os dois a um mostram que o prélio foi duro e exigiu dos jogadores cariocas o máximo de empenho para que fôsse possível o triunfo. O nosso companheiro Carlos Alberto disse em seu telegrama, que os jogadores egípcios lutaram com alma, mas tiveram que se curvar ante a maior categoria do Fluminense".

No dia 28, o Fluminense voltou a campo na República Árabe Unida, para enfrentar o Tanta Sports Club, em Tanta, outra cidade do Egito: foi uma nova vitória tricolor, por 3 a 0, gols de Pinheiro (de pênalti) e Henrique Jaburú (2). Após essa partida, o elenco retornou à Europa, realizando mais alguns amistosos, em Bulgária, França, Itália e Espanha. Foi no último jogo desta excursão que Waldo deu um show contra o Valencia, marcando dois gols na vitória tricolor por 3 a 2 (vide Efemérides Tricolores - 1º de julho). Ele acabaria sendo negociado com o próprio Valencia, que buscava um centroavante após a trágica morte do brasileiro Walter Marciano de Queirós, em acidente automobilístico dias antes. Assim, os jogos dessa excursão foram os últimos de Waldo com a camisa do Fluminense.

De volta ao Brasil, já sem Waldo, o Fluminense faria um Campeonato Carioca ruim, terminando somente na quarta colocação, empatado com o Bangu. Com 319 gols marcados, um deles contra o Al Ahly, Waldo é até hoje o maior artilheiro da história tricolor.

Waldo, mito tricolor.

Ficha Técnica
26/05/1961 - Al Ahly 1 x 2 Fluminense - Estádio Internacional do Cairo (Cairo, República Árabe Unida)
Público: 18.000 presentes.
Al Ahly: Adel Heikal (Marwan Kanafani); Tarek Selim e Foad Abou Ghedia (Said Aboul Nour); Talaat Abdel Hamid, Rifaat El-Fanageely e Taha Ismail; Mimi El-Sherbini, Anwar Saleh, Saleh Selim, Ezzat Aboul Rous (Awadain) e Mahmoud El-Gohary.
Fluminense: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis (Dari) e Altair; Edmílson (Edil) e Paulinho Omena (Henrique Jaburú); Calazans, Telê (Oldair), Waldo e Escurinho (Hílton Oliveira). Técnico: Zezé Moreira.
Gols: 
0-1: Waldo (aos 43 minutos do 1º tempo);
0-2: Telê (aos 4 minutos do 2º tempo);
1-2: Saleh Selim (aos 33 minutos do 2º tempo).

PCFilho
(com informações do Almanaque Tricolor (Alexandre Berwanger, Gunter Angelkorte e Sergio Trigo), do Jornal dos Sports e d'A Noite)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

11/03/1961 - Flamengo 1 x 7 Santos



Ficha Técnica
11/03/1961 - Flamengo 1 x 7 Santos - Maracanã (Rio de Janeiro)
Motivo: Torneio Rio-São Paulo de 1961.
Público: 90.218 presentes (87.868 pagantes).
Renda: Cr$ 6.675.580,00.
Árbitro: Olten Aires de Abreu.
Flamengo: Fernando; Joubert, Bolero e Jordan; Nelinho (Jadir) e Carlinhos; Joel, Gerson, Henrique (Luis Carlos), Dida e Babá (Germano). Técnico: Fleitas Solich.
Santos: Laércio; Dalmo, Mauro (Formiga) e Fioti (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
Gols: Pepe aos 23' e Pelé aos 31' do primeiro tempo; Pelé aos 4' e aos 19', Coutinho aos 6', Henrique aos 8', Dorval aos 10' e Pepe (pênalti) aos 12' do segundo tempo.

PCFilho

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Laranjeiras, 21 de dezembro

Foto de 21/12/1961 - começo da demolição parcial do Estádio de Laranjeiras.

21 de dezembro é uma data marcante para o Estádio das Laranjeiras, antigo campo do Fluminense e primeira casa da Seleção Brasileira. No ano de 1961, em virtude da construção do Túnel Santa Bárbara e da consequente ampliação da rua Pinheiro Machado, o Fluminense foi obrigado a aceitar a demolição parcial da arquibancada de seu estádio. De acordo com Eduardo Coelho [1], o Fluminense foi indenizado com um cheque de Cr$ 81.058.000,00, entregue pelo Governador Interino da Guanabara Lopo Coelho ao Presidente do clube, Jorge Frias de Paula. (para se ter uma idéia do valor da indenização, um Fla-Flu com 87.010 pagantes no Maracanã em 1961 teve renda de Cr$ 3.182.113,00 - isto é, o valor equivaleu à renda de cerca de 25 jogos cheios no Maracanã - estimando que um jogo cheio hoje tenha renda de R$ 3.000.000,00, podemos chutar que a indenização equivaleria hoje a R$ 75.000.000,00)

Entretanto, o 21/12 não é apenas a data da triste mutilação da arquibancada de Laranjeiras. No dia 21 de dezembro de 1919, o Fluminense conquistava o primeiro título em seu recém-construído Estádio. E não foi um título qualquer: com a goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo, o Tricolor sagrou-se tricampeão carioca, ficando com a posse definitiva da cobiçada Taça Colombo. Este foi o famoso Fla-Flu assistido pelo presidente da República Epitácio Pessoa. Quando a partida ainda estava 0 a 0, o goleiro tricolor Marcos Carneiro de Mendonça defendeu um pênalti, tornando-se o primeiro grande herói do Fluminense. Depois, o Tricolor construiu a vitória com gols de Machado (2), Welfare e Bacchi. O Estádio de Laranjeiras estava completamente lotado, com público estimado em cerca de 30 mil presentes, de acordo com Alexandre Magno Barreto Berwanger [2].

A celebração da conquista de 1919 foi intensa: Paulo Coelho Netto descreveu assim a festa: "os jogadores foram carregados em triunfo e numerosos sócios do Fluminense, com a bandeira do clube desfraldada e tendo à frente a banda do Batalhão Naval, fizeram uma volta completa no campo, aclamando os vencedores e aplaudidos pelo público". De acordo com Laércio Becker, em seu ótimo livro "Do Fundo do Baú" [3], esta foi possivelmente a primeira "volta olímpica" da história do futebol.

PC

Fontes citadas no texto:
[1] Eduardo Coelho, blog Cidadão Fluminense: "Estádio das Laranjeiras - 93 anos".
[2] Alexandre Magno Barreto Berwanger, RSSSF Brasil, "Best attendances in matches of Fluminense".
[3] Laércio Becker, livro Do Fundo do Baú, capítulo "Primeira volta olímpica".

Outras fontes consultadas:
- Nelson Rodrigues, crônica "Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem".
- Paulo Coelho Netto, livro "História do Fluminense: 1902-2002".
- site Estatísticas Fluminense.