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sábado, 6 de setembro de 2014

Stop it, Chirac

Seleção da Suíça posando com faixa de protesto contra Jacques Chirac.
6 de setembro de 1995, Suécia 0 x 0 Suíça, Estádio Nya Ullevi (Gotemburgo).
Eliminatórias da Eurocopa 1996.

Jacques Chirac, o presidente da França, estava conduzindo testes nucleares
no Oceano Pacífico Meridional.

Os protestos mundiais foram em vão. No mesmo dia 6 de setembro de 1995, a França detonou uma arma atômica enterrada em um atol de corais no Pacífico Sul, tendo sido alvo de críticas de governos estrangeiros e grupos ambientais. Foi o primeiro de uma série de testes nucleares franceses naquela região.

A explosão nuclear no Atol Mururoa, localizado cerca de 1200 quilômetros a sudeste do Taiti, ao meio-dia e meia, hora local, foi detectada minutos depois por estações de monitoramento de abalos sísmicos na Austrália.

Foram divulgados poucos detalhes sobre o tipo de arma testada. O Ministro da Defesa declarou em Paris que a explosão teve força de menos de 20 quilotoneladas de TNT (para efeito de comparação, a bomba lançada sobre Hiroshima em 1945 tinha força de 15 quilotoneladas de TNT).

O governo francês realizou vários testes nos meses seguintes, até finalmente assinar o Tratado para a Proibição Completa dos Testes Nucleares, no dia 10 de setembro de 1996, em Nova York. Infelizmente, este Tratado até hoje não está em vigor, uma vez que oito países se recusam a ratificá-lo (Egito, Estados Unidos, Índia, Irã, Israel, Paquistão, China e Coreia do Norte).

Desde a primeira explosão nuclear produzida pelo homem (no Novo México, em 16 de julho de 1945), mais de 2000 testes nucleares já foram conduzidos no mundo. O último teste nuclear de que se tem notícia foi realizado pela Coreia do Norte, no dia 12 de fevereiro de 2013.

PCFilho

segunda-feira, 21 de junho de 2010

História - Coréia do Norte x Portugal

(foto: Getty Images)

Amigos, o único jogo disputado até hoje entre Coréia do Norte e Portugal foi de tirar o fôlego. O confronto valeu pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1966, e foi disputado no Goodison Park, em Liverpool. É até hoje a maior virada da história das Copas:
23/07/1966 - Portugal 5 x 3 Coréia do Norte - Goodison Park (Liverpool, Inglaterra)

Aos 25 minutos do primeiro tempo, a Coréia do Norte já vencia por 3 a 0, com gols de Seung Zin Pak, Dong Woon Li, e Seung Kook Yang. Mas, ainda no primeiro tempo, começaria a reação portuguesa.

Aos 27, Eusébio descontou. Aos 43, cobrando pênalti, Eusébio assinalou mais um. Aos 11 do segundo tempo, um Eusébio impossível marcou seu terceiro gol, igualando o placar. Três minutos depois, mais uma vez cobrando pênalti, Eusébio assinalou o quarto. Aos 35, o ponta-direita José Augusto deu números finais à partida: Portugal 5 a 3.

A Seleção Portuguesa de 1966, comandada pelo brasileiro Otto Glória, é tida até hoje como o melhor selecionado a ter defendido a bandeira lusitana. O discurso de Otto no intervalo daquele jogo fatídico está até hoje vivo na memória de José Augusto: "Seus filhos da mãe, vocês me deram uma grande alegria ao vencerem meus irmãos brasileiros, mas agora proporcionam um enorme desgosto. Voltem lá e comam os coreanos vivos". As duras palavras deram resultado...

No entanto, Portugal acabou eliminado pela Inglaterra na semifinal, por 2 a 1 (gols de Bobby Charlton para os ingleses e, claro, Eusébio para os portugueses). Eusébio recebeu a Chuteira de Ouro como melhor jogador daquele Mundial.

Os quatro gols de Eusébio contra a Coréia do Norte constituíram um recorde em Copas do Mundo até 1994, quando o russo Oleg Salenko marcou cinco contra Camarões.

PC

PS: descrição da foto: no chão, Eusébio divide a bola com o zagueiro Yung Kyoo Shin e o goleiro Chang Myung Lee, na histórica partida de 1966, no Goodison Park, em Liverpool.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A estreia da Seleção

Jong Tae Se chora durante o hino...

A batalha do escrete contra a Coréia do Norte começou com a emocionante cena de Jong Tae Se aos prantos durante a execução do hino da nação asiática. Aquele choro incontido é a melhor definição de Copa do Mundo que se pode obter. Ao observar as lágrimas pela televisão, eu mesmo quase derramei as minhas próprias lágrimas. Momento memorável.

Quando começou a partida, brasileiros de amarelo, norte-coreanos de vermelho, vimos os asiáticos com a postura esperada, na defesa. E vimos a Seleção com uma imensa dificuldade de criação. Kaká, ainda sem ritmo, lembra o Raí de 1994. E sem Kaká, amigos, o poder de decisão do escrete diminui de forma colossal.

O primeiro tempo foi bastante sonolento. As tentativas de ataque da Seleção eram muito inócuas. Faltava o apoio dos laterais, faltava a movimentação dos atacantes. A defesa, pouco ameaçada, mal pode ser avaliada. Se o goleiro Júlio César tivesse levado um gibi para o campo, poderia ter sentado no gramado para ler os quadrinhos. O placar dos primeiros 45 minutos não poderia ser outro que não o zero-a-zero. O escore de um jogo no qual um time se recusa a atacar, e o outro não consegue fazê-lo.

Na segunda etapa, o escrete conseguiu seus dois gols. O primeiro foi puro fruto do talento individual de Maicon. O lateral fez a ultrapassagem no momento certo, recebeu o passe de Elano, e foi genial na finalização, enganando o goleiro, tal qual Ghiggia fez com Barbosa na tragédia de 1950. O gol de Maicon aliviou as pressões, e a partir daí o jogo fluiu melhor. O segundo tento da Seleção nasceu de excelente passe diagonal de Robinho para Elano, que só teve o trabalho de desviar do goleiro na conclusão.

Cabe destacar a atuação de Michel Bastos no segundo tempo. O lateral-esquerdo demonstrou grande vontade, e com bons dribles ajudou a desmontar a retranca da Coréia do Norte. Para o mais novo titular do escrete, a personalidade demonstrada por Michel Bastos surpreende. Elano também foi bem, afinal participou dos dois gols, antes de sair para a entrada de Daniel Alves.

A defesa, pouco incomodada durante o jogo, ainda nos brindou com uma bizarra falha coletiva no finalzinho, possibilitando o gol de honra da Coréia do Norte. Até mesmo Júlio César colaborou, saltando antes da hora. No final das contas, foi bom, para mostrar que todos estão sujeitos a falhas, todos, sem exceção. Até mesmo Pelé, em toda a sua realeza, falhava.

O escrete precisa melhorar muito para enfrentar Costa do Marfim e Portugal, que são adversários bem mais qualificados que os norte-coreanos. Definitivamente, a primeira fase não será tranquila como eu esperava. Mas talvez seja melhor assim.

PC

Atuações:
ÓTIMAS: -.
BOAS: Robinho, Maicon, Elano e Michel Bastos.
RAZOÁVEIS: Júlio César, Juan, Lúcio, Felipe Melo, Gilberto Silva, Nilmar, Daniel Alves, Ramires.
RUINS: Kaká, Luís Fabiano.
PÉSSIMOS: -.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Vitórias de Holanda e Japão


Amigos, a Jabulani rolou em três jogos nesta segunda-feira. As primeiras vuvuzelas soaram para o clássico europeu Holanda x Dinamarca, em Johannesburg. O jogo não foi tão bom quanto aquela semifinal da Eurocopa de 1992, quando o goleirão dinamarquês Peter Schmeichel parou Van Basten e companhia. Mas valeu a pena assistir. Com um gol contra no início do segundo tempo e um gol de Kuyt no finalzinho, os holandeses triunfaram por 2 a 0. Fora de campo, as louras beldades holandesas e dinamarquesas faziam a alegria de milhões de telespectadores ao redor do mundo. Escutei hoje, nas calçadas do Rio de Janeiro, pedidos para que a FIFA conceda vaga automática a Holanda e Dinamarca em 2014. Estou de pleno acordo.

O segundo jogo do dia foi entre Japão e Camarões, em Bloemfontein. E a disciplina nipônica derrotou a correria africana: 1 a 0. O gol japonês saiu após bonito cruzamento da direita, que a defesa camaronesa não conseguiu cortar. Lá no segundo pau estava Keisuke Honda, que ajeitou e fuzilou para as redes. Holanda e Japão lideram o Grupo E com 3 pontos, contra nenhum de Dinamarca e Camarões. Na segunda rodada, sábado, os líderes se enfrentam, e os lanternas também. A situação está longe de definida, mas aposto que uma das vagas será dos laranjas. É bom lembrar que o vencedor deste grupo é o provável adversário da Seleção nas quartas-de-final.

A terceira batalha de hoje, entre a atual campeã Itália e o sempre enjoado Paraguai, na Cidade do Cabo, terminou empatada. Os paraguaios abriram o placar com o zagueiro Alcaraz, após belíssima cobrança de falta de Aureliano Torres. O empate da Azzurra veio dos pés de De Rossi, que teve boa atuação. Escrevi "dos pés", mas devo corrigir: foi um gol de canela. "Não existe gol feio, feio é não fazer o gol", diz o folclórico tricampeão Dadá. Nenhum brasileiro pode discutir tão sábia frase, ainda mais vinda de um tricampeão. Vale o registro: o goleirão paraguaio Villar falhou no gol italiano, pois saiu e não conseguiu interceptar o cruzamento vindo da esquerda. O 1 a 1 deu números finais ao encontro.

Amanhã, finalmente, estreará a Seleção Brasileira, contra a Coréia do Norte, em Johannesburg. A equipe asiática deseja repetir 1966, quando eliminou a Itália. O principal destaque dos norte-coreanos é o camisa 23, Jong Tae Se, dono de um potente chute de direita. Se Lúcio e Juan conseguirem anular o "Rooney asiático", a Seleção encontrará poucas dificuldades para vencer na estréia. Kaká, sem ritmo, dificilmente agüentará os noventa minutos. Em seu lugar, podem entrar no segundo tempo Júlio Baptista ou Daniel Alves. Tenho o sentimento do triunfo: vamos vencer com folga.

PC