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| Foto: Aníbal Philot/Agência O Globo. |
Desde 7 de julho de 1912, quando os dissidentes tricolores vestiram rubro-negro pela primeira vez e perderam para seu ex-clube por 3 a 2, Fluminense e Flamengo quebram lanças em épicas batalhas nos gramados do Brasil e do mundo. O Fla-Flu é o Clássico das Multidões, o único jogo entre clubes de futebol que já levou 200 mil pessoas a um estádio. E o fez duas vezes (em 1963 e em 1969).
O ferrenho duelo entre Laranjeiras e Gávea já contabiliza quase quatrocentas partidas ao longo destes cento e poucos anos de Fla-Flu. A maior parte destes jogos, claro, teve como palco o mítico Estádio do Maracanã. E foi no Mario Filho que, na tarde dominical de 30 de janeiro de 1977, Flamengo e Fluminense deixaram a rivalidade de lado e jogaram juntos por noventa minutos. Naquele dia, o combinado Fla-Flu encarou a Seleção Brasileira, que se preparava para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1978.
A Seleção Brasileira havia vencido os dois amistosos anteriores, no Morumbi. No domingo, 1 a 0 sobre a Bulgária, gol de Roberto Dinamite. Na terça-feira, 2 a 0 sobre a Seleção Paulista, gols de Gil (jogador do Fluminense) e Palhinha. Será que o combinado Fla-Flu, desfalcado dos tricolores e rubro-negros convocados para a Seleção, seria páreo para o escrete canarinho?
Aquele confronto não foi um mero amistoso. Frente a frente, estavam dois timaços, recheados de craques. O combinado Fla-Flu era uma mistura da espetacular Máquina Tricolor com o jovem e promissor time rubro-negro. Os jogadores do Fla-Flu estavam magoados por não terem sido convocados por Osvaldo Brandão, e desejavam provar que tinham condições de fazer parte da Seleção Brasileira.
O Maracanã recebeu bom público: 64.084 pagantes, a maioria dos quais preferiu apoiar o combinado Fla-Flu. E como a Seleção não conseguia apresentar bom futebol, pobre tanto coletiva quanto individualmente, foi alvo de sonoras vaias. O combinado jogava melhor que o escrete e dominava as ações do prélio. A Seleção sentia falta do jovem rubro-negro Zico, e principalmente de seu craque, o tricolor Rivellino, que se recuperavam de lesões e não puderam jogar.
Mesmo cumprindo uma atuação nada convincente, a Seleção acabou abrindo o placar, em um lance isolado, com uma contribuição do goleiro Cantarele, aos sete minutos do segundo tempo. Roberto Dinamite cobrou falta com violência, o arqueiro rubro-negro rebateu para o meio, e Palhinha aproveitou o rebote para inaugurar o marcador. Um a zero para o escrete.
O combinado Fla-Flu melhorou com a entrada do tricolor Erivelto no lugar do rubro-negro Luizinho, já que o primeiro estava mais entrosado com os também tricolores Kléber, Carlos Alberto Pintinho e Paulo Cezar Caju. Entretanto, só conseguiu empatar aos 39, com Carlos Alberto Pintinho aproveitando cruzamento do lateral rubro-negro Júnior. O placar igual, no entanto, não fez justiça ao domínio exercido na partida pelo combinado. É bem verdade que os jogadores do Fla-Flu, ressentidos por terem sido preteridos, estavam menos preocupados em fazer gols e mais interessados em se exibir para os espectadores e extravasar a mágoa por não terem sido convocados. Talvez por isso, não tenham conseguido a vitória: o ódio atrapalha o bom futebol.
Seis jogadores daquele combinado Fla-Flu seriam convocados para a Seleção Brasileira nos meses seguintes: Carlos Alberto Torres, Carlos Alberto Pintinho, Paulo Cezar Caju, Toninho, Rodrigues Neto e Dirceu.
No dia seguinte ao empate com o combinado Fla-Flu, a Seleção voou para Bogotá, onde disputaria um amistoso (contra o Millonarios, vitória por 2 a 0) e o primeiro jogo das eliminatórias (contra a Colômbia, empate em 0 a 0). Pressionado pelas críticas generalizadas, apesar do bom retrospecto, Osvaldo Brandão seria substituído no comando técnico por Cláudio Coutinho (então técnico do Flamengo). Na estreia do novo treinador, o escrete, com mais alguns convocados da dupla Fla-Flu, massacrou o combinado Vasco-Botafogo por 6 a 1. Depois, venceu a Colômbia por 6 a 0, o Paraguai por 1 a 0, e seguiu em seu caminho rumo à Copa do Mundo de 1978.
No Mundial da Argentina, Cláudio Coutinho foi o treinador da Seleção Brasileira, com Mário Travaglini de supervisor técnico - exatamente a dupla que comandou o combinado Fla-Flu naquela tarde de domingo. O escrete terminou aquela Copa do Mundo invicto, mas em terceiro lugar, eliminado pela estranha goleada dos anfitriões sobre o Peru.
No Mundial da Argentina, Cláudio Coutinho foi o treinador da Seleção Brasileira, com Mário Travaglini de supervisor técnico - exatamente a dupla que comandou o combinado Fla-Flu naquela tarde de domingo. O escrete terminou aquela Copa do Mundo invicto, mas em terceiro lugar, eliminado pela estranha goleada dos anfitriões sobre o Peru.
PCFilho
Ficha Técnica
30/01/1977 - Combinado Fla-Flu 1 x 1 Seleção Brasileira - Maracanã (Rio de Janeiro)
Público: 64.084 pagantes.
Renda: Cr$ 1.833.355,00.
Árbitro: José Roberto Wright.
Auxiliares: Valquir Pimentel e José Marçal Filho.
Combinado Fla-Flu: Cantarele; Toninho (Júnior), Rondinelli (Jayme), Carlos Alberto Torres e Rodrigues Neto; Carlos Alberto Pintinho, Kléber e Paulo Cezar Caju; Paulinho, Luizinho (Erivelto) e Dirceu (Luiz Paulo). Técnicos: Mário Travaglini e Cláudio Coutinho.
Seleção Brasileira: Leão; Zé Maria, Amaral, Beto Fuscão (Edinho) e Marinho Chagas; Caçapava, Givanildo e Nilson Dias (Palhinha, depois Paulo Isidoro); Gil (Valdomiro), Roberto Dinamite e Lula. Técnico: Osvaldo Brandão.
Gols: Palhinha, aos 7' do 2º tempo; Carlos Alberto Pintinho aos 39' do 2º tempo.
Fontes:
- Enciclopédia da Seleção (Ivan Soter).
- Jornal do Brasil.
- Lancenet.
- Jornalheiros (História - Brasil em Copas do Mundo).




