sexta-feira, 10 de junho de 2011

Recordar é viver - A invasão corintiana em 1976

Charge de Ziraldo no JB do dia seguinte.

Amigos, teremos Corinthians x Fluminense no domingo, e sempre que temos um Corinthians x Fluminense, vêm à nossa mente as recordações dos grandes jogos entre os dois grandes clubes. A glória tricolor nas finais da Copa Rio em 1952, a invasão corintiana na semifinal do Brasileirão de 1976, a revanche tricolor na semifinal do Brasileirão de 1984, a classificação corintiana na semifinal do Brasileirão de 2002, o título tricolor após meses de disputa no Brasileirão de 2010. A história nos mostra: Corinthians e Fluminense parecem ter nascido para quebrar lanças em batalhas memoráveis. (aqui, cabe dizer que a própria idéia do Corinthians surgiu durante uma partida do Fluminense, assistida pelos jovens que fundariam o clube paulista semanas depois)

Sempre que se fala na famosa invasão corintiana em 1976, vem à tona a polêmica: havia quantos paulistas no Maracanã? As reportagens da imprensa na época estimaram em torno de 40 a 50 mil - convenhamos, um número já espetacular, equivalente a aproximadamente um terço dos 146.043 presentes no Estádio Mario Filho. Por algum motivo, relatos posteriores quiseram aumentar o número - como se isto fosse necessário, como se o feito já não fosse extraordinário! Já li textos falando em 70, 80 e até 100 mil corintianos. Tenho a impressão de que o número aumenta conforme o tempo passa. Chegará então o dia em que constataremos, perplexos, que só havia corintianos naquela chuvosa tarde no Maracanã.

O Jornal do Brasil, em sua edição de 06/12/1976, estimou que havia 50 mil corintianos no Maracanã - aproximadamente um terço dos 146 mil presentes.

Aquela semifinal seria disputada em jogo único, e o Fluminense, por ter a melhor campanha, teve o privilégio de jogar em casa. A equipe tricolor era a melhor do país, uma verdadeira Seleção montada pelo presidente Francisco Horta. Mesmo com o desfalque de Paulo Cézar, o favoritismo na semifinal era muito grande: nem mesmo os viajantes corintianos possuíam real esperança de classificação. No entanto, veio dos céus um ingrediente extra para o clássico: um dilúvio bíblico, que inviabilizou o bom futebol do Fluminense no segundo tempo. "Choveu tanto que os fotógrafos tiveram que improvisar caixas de picolés para protegerem seus equipamentos", escreveu o JB.

Antes da chuva, ainda no primeiro tempo, o Fluminense abrira o placar com Pintinho, completando cruzamento aos 18 minutos. Até ali, a ordem natural das coisas estava sendo preservada, e o Tricolor estava se garantindo na grande final. Porém, quando eram decorridos 29 minutos, o Corinthians achou o gol de empate, numa improvável meia-bicicleta de Russo, em lance de escanteio. Seria apenas uma pedra no caminho do Fluminense, se não fosse o cruel dilúvio.

O Fluminense jogava para vencer: dominava o meio-de-campo e atacava muito mais. O Corinthians queria o empate, queria levar o jogo para a prorrogação e depois os pênaltis. E nisso a chuva ajudou muito: o segundo tempo foi muito prejudicado pelas péssimas condições do gramado encharcado. O campo do Maracanã virou um autêntico lamaçal, e a etapa complementar praticamente não viu futebol.

Fluminense tenta atacar no campo encharcado.

Também a prorrogação, de meia hora, se arrastou sem maiores emoções. Uma única oportunidade foi criada, no último minuto, pelo Fluminense, mas Doval perdeu o gol. E então fomos para a cruel e derradeira solução: o desempate com os tiros da marca penal.

Neca fez 1 a 0, Rodrigues Neto perdeu (defesa de Tobias). Russo fez 2 a 0, Carlos Alberto Torres perdeu (nova defesa de Tobias). Moisés fez 3 a 0, Doval fez 3 a 1. Zé Maria fez 4 a 1 e classificou o Corinthians. Sobre a disputa, escreveu n'O Globo o mestre Nelson Rodrigues: "Onde o Corinthians teve sorte foi na cobrança dos pênaltis. A partir dos pênaltis, a competição passa a ser um cara e coroa. O Fluminense perdeu três, não, dois pênaltis, e o Corinthians não perdeu nenhum. Eis regulamento de rara estupidez. Tem que se descobrir uma outra solução. A mais simples, e mais certa, é fazer um novo jogo. Imaginem que beleza se os dois partissem para outro jogo".

No domingo seguinte, o Internacional venceu o Corinthians por 2 a 0 no Beira-Rio, e sagrou-se bicampeão brasileiro. Os dois clubes disputaram a Copa Libertadores de 1977: o Corinthians foi eliminado na primeira fase, e o Internacional caiu na semifinal. A Máquina Tricolor, que vencera até o bicampeão europeu Bayern de Munique, deixou a nítida impressão de que poderia ter levantado mais taças. Mas havia uma invasão e um dilúvio em seu caminho...

PC

Ficha Técnica: Fluminense 1 x 1 Corinthians [PK 1x4].

Reportagem do JB fala em 42 mil ingressos vendidos em SP.

JB, detalhes da organização da caravana da Fiel: incríveis 100 ônibus, que trouxeram 3 mil torcedores ao Rio: cada um pagou Cr$ 150 pela passagem.

Torcida do Corinthians no Maracanã.

Matéria recente da TV Globo, com alguns "erros de memória" dos jogadores:

Vìdeo do Canal 100:

50 comentários:

  1. Sensacionais a sua crítica ao aumento da proporção de corintianos com a passagem do tempo e a crítica do grande Nelson Rodrigues ao esdrúxulo "desempate" na disputa de pênaltis.

    Belo texto. Os fatos expostos com os recortes dos jornais da época não dão margem a invencionices. Só os fatos têm vez.

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  2. Eu estava lá e só a arquibancada estava dividida, com torcedores do Brasil inteiro na torcida corinthiana (a favor dos pobres coitados contra o grande time da época), duas bandeiras do São Paulo e uma do Palmeiras na Torcida Tricolor.

    Nas cadeiras e na Tribuna, predomínio aboluto Tricolor, assim como na geral.

    Pelo menos 60% do público no estádio era Tricolor, segundo penso E VI.

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    1. Você está enganado, meu caro.
      Estava lá também, nas cadeiras onde tinham 3/4 de corinthianos, em uma maioria inconteste e absoluta.
      fato comprovado por dezenas de imagens, livros e depoimentos, como por exemplo, o de Walter Abraão e Eli Coimbra, narradores ao vivo da extinta TV Tupi.
      Nas arquibancadas estava dividido.
      Os tricolores só ganhavam nas gerais onde as pessoas ficavam de pé.
      Abs.

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    2. Os jornais do dia seguinte, documentos mais confiáveis sobre o assunto, por motivos óbvios, dão razão ao Alexandre...

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    3. Não existiu jornal algum, nem no dia seguinte e nem em dia algum, que afirmou que havia mais tricolores que corinthianos.
      Ao contrário, tanto os jornais cariocas como os paulistas, afirmaram que o Maracanã estava DIVIDIDO.
      As cadeiras estavam ocupadas em maioria pelos corinthianos, e não há uma linha de jornal, confiáveis ou não, que fale o contrário.
      Os relatos, livros, imagens e filmagens confirmam essa verdade que só quem não esteve lá é capaz de duvidar.

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  3. Ramón, obrigado pelos elogios.

    Alexandre, obrigado pelo relato de testemunha ocular.

    :)

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  4. Mais um pouco :

    A união com a torcida do Flamengo a partir deste jogo recebeu a alcunha de FLA-FIEL, união que durou até a torcida rubro-negra tomar uma enorme surra dos corinthianos nas quartas de finais do Brasileirão 1984, em São Paulo.
    Roberto Assaf, afirma com propriedade em seu livro sobre a história do Campeonato Brasileiro, que houve consenso na época terem 60.000 pessoas TORCIDO PARA O Corinthians, pois corinthianos mesmo, não creio que eram nem os 42.000 ingressos vendidos em São Paulo, pois muitos não devem ter conseguido vir, pelo número de ônibus, carros e aviões que alegaram ter vindo para cá, bastando fazer os cálculos para se perceber isso, talvez uns 30.000 tenham vindo de São Paulo para ver este jogo.

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  5. Desculpe-me, PC, não prercebi no comentário acima, que quem estava logado em meu computador era omeu filho Matheus.

    Alexandre Berwanger.

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  6. Olá equipe do NetFlu, meu nome é Felipe Siqueira, sou editor-chefe do portal do Esporte Interativo: http://www.esporteinterativo.com.br/

    Em entrevista ao programa 'Zico na Área', aqui do nosso canal de TV, o zagueiro do Milan Thiago Silva, ídolo tricolor, disse que pretende encerrar a carreira no Fluminense!

    Segue o vídeo com a declaração:
    http://www.youtube.com/watch?v=6Z9STD_9a3w

    ST!

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  7. Post citado nos comentários do Blog do Paulinho:
    http://blogdopaulinho.wordpress.com/2012/12/15/invasoes-corinthianas-sao-absoluta-realidade/

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  10. Metade das arquibancadas (55 mil) eram corintianos. 2/3 das cadeiras (20 mil) eram de corintianos. 70 mil ingressos foram vendidos para corintianos na capital paulista em menos de 4 horas. 1500 ônibus saíram de SP para o RJ. O que vocês estão contestando??? Alem do que a torcida do Fluminense sempre foi pequena. Para encher seu lado no Maracanã, precisa levar a família inteira para assistir os clássicos. Sempre foi assim e continua sendo. A unica diferença é que em vez ser sufocada pela torcida do Flamengo (o maior do RJ), a torcida do Fluminense foi sufocada pela torcida do Corinthians (o maior de SP).

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  11. Jose Maria,

    Tudo bem, você quer discutir com o Jornal do Brasil do dia seguinte, que afirmou que foram apenas 42 mil ingressos vendidos em SP... (o recorte de jornal está na postagem, você poderia ao menos ter lido antes de comentar)

    Pode espernear à vontade contra os fatos. Pode alimentar a utopia, à vontade. Mas não reclame se te chamarem de maluco. rsrsrs!

    Sobre a torcida do Fluminense "ser pequena", saiba que 4 dos 10 maiores públicos da história do futebol brasileiro tiveram a presença dessa torcida pequenina. Haja familiar, hein!

    Abraços,
    PC

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  12. PCFilho

    Ainda que o Jornal do Brasil fosse o único jornal com credebilidade para fazer a cobertura desse evento, declararam em suas paginas na edição de 6-12-1976, que haviam 50 mil corintianos presentes e que os mesmos dividiram o Maracanã no meio. Esta escrito isso no mesmo jornal da qual você extraiu essas duas manchetes. Portanto a torcida corintiana é ainda maior do que vocês estão declarando que fosse. Um jornalista da TV Cultura pergunta a uma corintiana antes mesmo dela ocupar seu lado no estadio: 80 mil corintianos no Maracanã, o que você acha disso? Como eles sabiam disso, antes mesmo da torcida ocupar seu lado no estadio? Esta registrado, é só pesquisar. Posso até concordar que 90 mil, 100 mil corintianos é um exagero! O marcanã tinha fama de comportar 200 mil pessoas e como estava cheio, dava aimprensão que haviam essa quantidade extravagante de torcedores de ambas as equipes. A unica falha na cobertura daquele evento foi a pouca importância dada a torcida do Fluminense. Mas o Flu jogava em casa portanto era normal ter sua torcida em peso. A novidade era a torcida do Corinthians que encheu seu lado no Maracanã! Isto é fato comprovado, por fontes tão boas quanto o JB.

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  14. Jose Maria,

    O público pagante no Maracanã em 05/12/1976 foi de 146.043 pessoas.

    Os jornais da época - TODOS - apontam algo entre 40 e 50 mil corintianos (conforme comprovam os recortes no post, que vc parece não ter lido).

    Então, obviamente, o Maracanã não estava dividido meio a meio. No "melhor" cenário para o Corinthians, havia 50 mil corintianos e quase 100 mil tricolores.

    É só fazer as contas. ;)

    PS: cuidado pra não se contradizer, hein. Você já fez isso nesses comentários...

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  15. "O susto, a euforia, a festa ... e a fiel que compareceu em massa (cerca de 70 mil pessoas) ao maior estadio do mundo". - Jornal Folha de S.Paulo, 6-12-1976, caderno de esportes

    "Fiel sem limites dona do Maracanã. Não se tem ideia no futebol mundial, de uma torcida ter invadido outro Estadio como fez a do Corinthians no ultimo domingo no Maracanã... Não estamos exagerando se dissermos que no Corinthians x Fluminense, havia de publico uns 70% de corintianos." - Jornal A Gazeta esportiva de 6-12-1976

    "Nossa! Acho que erramos de estadio! Acho que estamos no Pacaembu em vez do Maracanã!" - Renato, jogador do Fluminense naquela partida, em edição especial pela Rede Globo.

    "Nossa! Isto aqui esta dividido! Vamos contar para ver até a onde vai! As arquibancadas estavam divididas no meio, só que o lado corintiano era mais cheio. Nas cadeiras eram 2/3 ou 3/4 de corintianos. Não havia corintianos na geral." - Basílio, jogador do Corinthians presente naquela partida, em edição especial pela TV Cultura.

    http://jovempan.uol.com.br/esportes/futebol/invasao-corinthiana-no-maracana-completa-33-anos-181699,,0

    Naquela época o Maracanã comportava 171.500 pessoas confortavelmente lotadas. Naquela tarde de domingo, das 120 mil pessoas lotadas nas arquibancadas 60 mil eram corintianos. Das 26.043 pessoas (aproximadamente) lotadas nas cadeiras, 17.362 eram de corintianos. Dos 146.043 pagantes, 77.362 eram de corintianos. Ninguem chamaria de Invasão uma simples presença de 50 mil corintianos no Maracanã. Tambem não chamariam assim se houvessem apoio em massa de outras torcidas cariocas. Se ouve Invasão é porque tinha mais corintianos presentes do que a torcida do Flu.

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  16. Jose Maria, as fontes que você cita são todas convenientemente paulistas, e obviamente bairristas. Além disso, gostaria de ver os recortes dos jornais, como eu fiz com o Jornal do Brasil. Se puder providenciá-los, seria uma contribuição para a discussão. O depoimento de um jogador do Fluminense que você cita foi dado mais de trinta anos depois do fato, e certamente está contaminado pela passagem do tempo (qualquer historiador já ouviu diversas "memórias confusas" de testemunhas de fatos que já ocorreram há muito tempo).

    Repare que não estou diminuindo o feito da torcida do Corinthians, muito pelo contrário. Já escrevi no texto da postagem, mas repito aqui: os 40-50 mil corinthianos que estiveram no Maracanã provavelmente configuram A MAIOR INVASÃO DE UMA TORCIDA VISITANTE NA HISTÓRIA DO FUTEBOL.

    Nunca houve deslocamento sequer semelhante de nenhuma outra torcida na história, nem no futebol nem em outro esporte (nem mesmo da torcida do próprio Corinthians). (se houve, peço que você cite)

    Não há necessidade de inflar ainda mais o feito já extraordinário. Desculpe, mas beira ao ridículo falar em 80 mil corinthianos no Maracanã, sendo que EM NENHUMA OUTRA OCASIÃO NA HISTÓRIA houve mais do que, digamos, 30 mil. Nem mesmo na semana seguinte, quando o Corinthians jogou a final do mesmo Brasileirão no Beira-Rio.

    Os fatos são os seguintes, amplamente noticiados e confirmados: 146.043 pagantes, dos quais, com muito boa vontade, 50 mil estavam torcendo para o Corinthians.

    O resto é fantasia. Conforme escrevi no texto: "por algum motivo, relatos posteriores quiseram aumentar o número - como se isto fosse necessário, como se o feito já não fosse extraordinário! Já li textos falando em 70, 80 e até 100 mil corintianos. Tenho a impressão de que o número aumenta conforme o tempo passa. Chegará então o dia em que constataremos, perplexos, que só havia corintianos naquela chuvosa tarde no Maracanã."

    ;)

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    1. Não há 'boa vontade" para chegar ao número de 70/80.000 corinthianos.
      Basta fazer um cálculo de matemática elementar.
      Na arquibancada do Maracanã dos anos 70, cabiam cerca de 110.000 torcedores (dados públicos)
      Essa é a parte do estádio que ESTAVA RIGOROSAMENTE DIVIDIDA.
      Esse é um fato inquestionável, até pelo maior anticorintiano da face da terra.
      Pois bem, somente nesse setor tinha, seguramente, entre 50.000 e 55.000 torcedores de cada time.
      As cadeiras, como todos sabem, foi tomada por maioria corinthiana.
      A geral por maioria tricolor.
      Público total presente: 160.000 torcedores (aproxim)
      Pronto.
      Sair fora desse raciocínio é defender o indefensável.

      http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://old.gazetapress.com/v.php%253F1:111543:6&imgrefurl=http://www.gazetapress.com.br/pauta/8617/invasao_corintiana_no_maracana_em_1976&h=626&w=955&tbnid=r2O2Vi8exAbzLM:&zoom=1&docid=PpJobbk6aISGQM&ei=JdaBVfjKCMrCggT_vID4CQ&tbm=isch&ved=0CCwQMygQMBA

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    2. Vejam as bendeiras corinthianas no setor das cadeiras, na foto postada por mim, acima.
      Posso postar dezenas delas, que atestam que os corinthianos dominaram com folga esse setor.

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    3. Mais;
      http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.todopoderosotimao.com/imagens/curiosidades/invasao_1976.jpg&imgrefurl=http://www.todopoderosotimao.com/p_curiosi/invasoes_corinthianas.php&h=403&w=600&tbnid=oCn0Y2NoJBESMM:&zoom=1&docid=lXF33Elf7GVGlM&ei=JdaBVfjKCMrCggT_vID4CQ&tbm=isch&ved=0CCQQMygIMAg

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    4. Setor das cadeiras:
      Só Corinthians!

      http://www.gazetapress.com.br/pauta/8617/invasao_corintiana_no_maracana_em_1976#

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  17. Uma boa estimativa de quantos tricolores estariam no Maracanã na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976 seria olhar o público pagante do Maracanã na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1975. Bastante lógico, não? Afinal, foram dois jogos de importância praticamente igual, na mesma época, no mesmo estádio.

    Pois é, exatamente um ano antes da "invasão corinthiana", o Fluminense jogava a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1975, contra o Internacional. E em jogo único, exatamente como em 1976.

    Na tarde de 7 de dezembro de 1975, o Maracanã registrou 97.908 pagantes, a imensa maioria de tricolores, conforme os relatos de todos os jornais.

    Supondo que 97.908 tricolores foram ao Maracanã na semifinal de 1976, teríamos então 48.135 corinthianos.

    "Coincidência", o número bate com os divulgados no Jornal do Brasil, que fala em 40-50 mil corinthianos.

    Podemos encerrar a discussão?

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    1. Texto de jornal não define nada, porque é escrito por jornalistas que tem pouca precisão, se utilizam de métodos nada científicos (achismo) e muitos são parciais.
      Mas abaixo vai Imagem de Jornal da época, em que afirma que 70% do Maracanã estava tomado por corinthianos.

      http://www.gazetapress.com.br/pauta/8617/invasao_corintiana_no_maracana_em_1976#

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    2. Mais um:
      70.000 corinthianos:

      http://www.gazetapress.com.br/pauta/8617/invasao_corintiana_no_maracana_em_1976#

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  18. PCFilho, da mesma forma que você considera os jornais paulistas como fontes duvidosas, eu também posso considerar o Jornal do Brasil como uma fonte duvidosa tambem.

    Tambem achar a torcedores do Fluminense em partidas anteriores aquela é puro achismo.

    Outra coisa não adianta nada alguém entrar no assunto e dizer: "Eu estava la, só havia corintianos nas arquibancadas. O restante do estadio estava tomado por tricolores. Eu tinha 13 anos e fui assistir a partida com meu pai". Uma criança de 13 anos de idade não repararia nestes detalhes. Isto é uma mania de torcedor detalhista e com mais de 25 anos de idade. Alem do que as fotos tiradas do momento da entrada do Corinthians em campo, mostram exatamente o contrario.

    As poucas fotos do evento mostram muito bem a onde tinha torcedores do Fluminense e do Corinthians. A torcida do Corinthians se concentrava nas arquibancadas e nas cadeiras. E a torcida do Fluminense se concentrava nas arquibancadas e nas gerais.

    Vou ficar devendo os recortes que você mui gentilmente me pediu. Mas a titulo de pesquisa, voce pode acessar arcevo.folha.com.br e encontras a manchete do dia 6-12-1976, no caderno de esportes "O susto, a euforia, a festa"

    Um grande
    abraço!

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  19. Jose Maria,

    Já li as reportagens da Folha de São Paulo do dia seguinte ao jogo. E reparei que elas nunca afirmam com certeza sobre a quantidade de corinthianos no Rio de Janeiro. É sempre "aproximadamente 70 mil", "calculada em 70 mil", etc. E me lembro de um trecho menos ufanista, afirmando que eram não 70, mas cerca de 60 mil corinthianos.

    Já o Jornal do Brasil dá relatos muito mais precisos, dando conta até de detalhes da bilheteria (como a informação de que 10 mil dos 52 mil ingressos enviados a São Paulo foram devolvidos).

    E veja só: mesmo que as mais exageradas e bairristas estimativas da Folha estivessem certas, a torcida do Fluminense ainda teria sido a maioria (146.043 pagantes, 76.000 tricolores e 70.000 corinthianos).

    Enfim, eu não gosto de contos de fadas, mas admito que são muito mais atraentes que a realidade. Por isso, entendo os exageros cometidos por vocês. Como escrevi no texto, chegará o dia em que constataremos, perplexos, que só havia corinthianos naquela tarde chuvosa no Maracanã... :)

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    1. Metade para cada lado é razoável tendo em vista que as cadeiras (onde eu estava) tinham maioria corinthiana, na proporção de 3/4.
      Os tricolores só eram maioria na geral.
      metade de 160.000 (público presente estimado) é 80.000.
      Então tinham cerca de 80.000 para cada lado.

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    2. Estimar em 80 mil corinthianos, repito, é conto de fadas. Não há absolutamente nenhuma evidência concreta que apoie essa estimativa.

      Algo entre 40 e 50 mil. O resto é delírio de torcedor...

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    3. Muito pelo contrário, não há evidências de que NÃO HAVIAM de 70.000 a 80.000 corinthianos no Maracanã, como atestam os fartos dados históricos e documentais, confrontados com os números relatados acima.

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  20. PC Filho, concordo plenamente com você. Também não gosto dos exageros, eles servem para contrariar os rivais, mais confundem a cabeça. Por este motivo prefiro as fotos, que são muito poucas.

    Mas se me permite especular dentro daquilo que já coloquei. Havia mais de 146 mil pessoas presentes. 146 mil pessoas se restringia as arquibancadas e as cadeiras. Na geral havia entre 15 a 25 mil pessoas, todas torcendo para o Fluminense. As pouca fotos indicam a exitencia dessas pessoas. Para mim isto é fato comprovado. Exitia publico nas gerais.

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  21. Jose Maria,

    O número de 146.043 é o de pagantes, incluindo arquibancadas, cadeiras e geral.

    Mas concordo que provavelmente havia mais de 160.000 pessoas ao todo, porque já naquela época o número de não-pagantes era grande (e infelizmente não foi divulgado nessa partida).

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  22. Caro Pc, acabo de enviar-lhe um relato que por e-mail, porque, infeliz era muito extenso para o blog. O resumo do resumo é que eu estive naquele épico jogo, com 15 anos à época e te afirmo que a torcida do Corinthians se espremia de forma perigosa, pela super lotação, em metade da arquibancada. Superava em muito a torcida tricolor nas cadeiras e quase inexistia nas gerais que não estavam lotadas. Sobre as publicações da época, apenas o JB mencionou algo menor que 70 mil corinthianos. O livro “A Invasão Corinthiana” de Igor Ojeda e Tatiana Merlino, LF Editorial é uma boa referência porque traz, além de grandes histórias, traz fontes interessantes.
    No e-mail que te passei, há também alguns vídeos que falam por si.
    Abç.

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    1. Recomendo a leitura desse livro, completo e esclarecedor, que tive o prazer de colaborar como depoente.

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  23. Post divulgado em:

    http://www.torcidatricolor.com.br/database/index.php?option=com_agora&task=topic&id=8101&Itemid=13

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  24. Post citado em:
    http://flamengoeternamente.blogspot.com.br/2012/01/invasao-da-torcida-rubro-negra-ao.html

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  25. O primeiro post é de um tricolor doente, que escreveu tudo que quiria e não deixou ninguém escrever o contrario. Ai não vale! Não tem valor. O segundo é uma torcida, bastante numerosa, que resolveu competir com a gente...

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  26. Voltando o assunto, é muito simples explicar o tamanho da Invasão Corinthiana. O Jornal do Brasil considerou apenas as Arquibandadas quando declarou os 50 mil corinthianos, porque estavam cheias, tanto que na mesma nota declara que dividiu o estadio com a torcida do Fluminense. Mas havia corinthianos nas cadeiras em grande quantidade. Portanto havia mais de 50 mil corinthianos legitimos no Maracanã aquele dia.

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  28. Não, Jose Maria.

    O Jornal do Brasil diz claramente "os 50 mil corintianos que vieram ao Rio", sem fazer absolutamente nenhuma distinção entre arquibancadas, cadeiras e gerais.

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    1. Mas esse mesmo jornal, relata em seu texto jornalístico, que o maracanã estava DIVIDIDO, assim como todos os outros jornais esportivos do Rio.

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  29. SOBRE A INVASÃO CORINTHIANA EM 1976:

    (Explicação de Igor Ojeda, autor do livro A INVASÃO CORINTHIANA, que tive o prazer de participar, ao jornalista Juca Kfouri, sobre eventuais "polêmicas" sobre o assunto.)

    É um texto definitivo, que é resultado da maior pesquisa de caráter jornalístico e científico, realizada entre dezenas de personagens que participaram do célebre acontecimento:

    PODEM SE DELICIAR:

    Como um dos autores, juntamente com Tatiana Merlino, do livro-reportagem “A Invasão Corinthiana. O dia em que a Fiel tomou o Rio de Janeiro para ver seu time no maior estádio do mundo” – do qual você assina a quarta-capa –, gostaria de fazer alguns comentários a respeito do debate sobre os números da Invasão Corinthiana de 1976 ocorrido no último programa “Linha de Passe” de 2012.

    PARTE 1:
    Como um dos autores, juntamente com Tatiana Merlino, do livro-reportagem “A Invasão Corinthiana. O dia em que a Fiel tomou o Rio de Janeiro para ver seu time no maior estádio do mundo” – do qual você assina a quarta-capa –, gostaria de fazer alguns comentários a respeito do debate sobre os números da Invasão Corinthiana de 1976 ocorrido no último programa “Linha de Passe” de 2012.

    O livro que Tatiana e eu escrevemos é uma reportagem, ou seja, é inteiramente baseado em informações apuradas durante longos meses e em 30 entrevistas com torcedores, jogadores, jornalistas e dirigentes. Claro, não quero dizer com isso que a obra seja infalível e não admita reparos. Mas temos a tranquilidade de afirmar que, para elaborá-la, buscamos o maior rigor jornalístico possível.

    Números como a quantidade de corinthianos que invadiram o Rio de Janeiro naqueles dias são impossíveis de se cravar, ainda mais porque o evento em questão aconteceu há longínquos 36 anos. No entanto, nossa conclusão, baseados na exaustiva apuração e nas 30 entrevistas realizadas, é que tal número se aproxima justamente dos 70 mil “consagrados” ao longo do tempo.

    Segundo os meios de comunicação da época, na manhã da sexta-feira que antecedeu a partida a Federação de Futebol do Rio de Janeiro enviou 52 mil ingressos a São Paulo. Os jornais relataram, ainda, que em apenas cinco horas todos os bilhetes disponíveis no Parque São Jorge se esgotaram (na sede da FPF e nas agências do Banco Bandeirantes, em duas horas).

    O Jornal do Brasil posteriormente afirmou que 10 mil desses ingressos haviam sido devolvidos e vendidos no próprio Maracanã. No entanto, a nota, de tom ligeiramente rancoroso, não cita a fonte dessa informação. Destoando da maioria dos meios de comunicação (que falavam em 70 mil alvinegros), o diário carioca usou esse dado para dar sua estimativa sobre o número de corinthianos no Maracanã: 50 mil

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  30. PARTE 2:

    ... Entretanto, em primeiro lugar, à luz dos acontecimentos daqueles dias, a informação dos ingressos devolvidos parece bastante inverossímil (embora não impossível). O clima corinthiano sem precedentes vivido em São Paulo naquela semana – em nosso livro há um capítulo inteiro dedicado à descrição dessa loucura – e a notícia de que os bilhetes disponíveis se esgotaram num piscar de olhos permitem-nos especular sem muito exagero que, se pusessem à venda mais 20 ou 30 mil ingressos, estes igualmente se esgotariam rapidamente.

    Além disso, segundo muitos depoimentos e registros em jornais e revistas, um número de corinthianos impossível de calcular e muito difícil de estimar – mas provavelmente bastante significativo – comprou seus ingressos no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas foram à Cidade Maravilhosa partindo do interior do estado de São Paulo ou de outras partes do Brasil – no fim de semana do jogo, esgotaram-se os voos vindos do Recife, por exemplo. Aliás, a Folha de S. Paulo de domingo trazia a informação de que no sábado tanto tricolores como alvinegros formavam filas de “vários quarteirões” nos diversos pontos de venda espalhados pelo Rio.

    Claro, os focos dos meios eram São Paulo e Rio, por isso a carência de relatos e informações sobre outras cidades e regiões. Mas há informações de que uns 170 ônibus saíram somente de três municípios do interior paulista (Sorocaba, São José dos Campos e Taubaté). Mais um detalhe: mesmo entre os torcedores que partiram da capital, muitos viajaram sem ingressos – caso de parte de nossos entrevistados.

    Portanto, nesse contexto, a conta do JB, de que somente 8 mil corinthianos adquiriram bilhetes no Rio de Janeiro (já que “apenas” 42 mil o haviam feito em São Paulo), é bastante conservadora. Sem falar que não se pode cravar o destino dos supostos 10 mil ingressos devolvidos – em que proporção foram para as mãos de alvinegros ou tricolores.

    Sim, a Folha e os meios paulistas carregaram no tom pró-Corinthians naquela semana, especialmente nas suas capas (até como forma de entrar no clima que tomou São Paulo). Internamente, porém, a cobertura foi honesta. Assim como a do Jornal do Brasil. Mas, em nossa opinião, a estimativa de torcedores paulistas do jornal carioca peca por não considerar os elementos descritos anteriormente.

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  31. PARTE 3:

    Aliás, uma curiosidade: na legenda da foto de capa do JB de 6 de dezembro de 1976 (http://news.google.com/newspapers?nid=0qX8s2k1IRwC&dat=19761206&printsec=frontpage&hl=pt-BR) está escrito: “O entusiasmo da torcida do Corinthians, que ocupou MEIO Maracanã…”. Ato falho?

    Outra maneira de “calcular” o número de torcedores corinthianos no Maracanã naquele dia foi a observação visual da divisão entre as torcidas dos dois times no estádio. Claro que é um cálculo impreciso, mas não muito menos do que as informações dos meios de comunicação da época.

    De acordo com a maioria dos depoimentos de pessoas que estavam presentes – não somente corinthianos e, entre eles, jornalistas –, a divisão foi mais ou menos esta: nas arquibancadas, meio a meio; nas cadeiras, uma proporção de entre dois terços a três quartos de corinthianos; e nas gerais quase exclusivamente torcedores do Fluminense.

    Muitos observam que a metade alvinegra das arquibancadas estava muito mais densa: ou seja, as pessoas estavam muito mais espremidas. Além disso, informações dos jornais dão conta que pelo menos por uma vez a torcida do Corinthians “empurrou” o cordão de isolamento em direção ao lado do Fluminense.

    Ou seja, considerando-se que a carga de ingressos reservada para esse espaço foi de 110 mil, é possível estimar que apenas nesse setor havia entre 55 e 65 mil corinthianos – sabe-se que em qualquer estádio do Brasil o setor de arquibancadas quase sempre tem lotação total, ou seja, eventuais sobras de ingressos acontecem nas áreas mais caras.

    Vale destacar ainda que o público oficial de 146 mil é o dos que pagaram ingresso. Não é absurdo nenhum calcular que, entre pagantes e não pagantes, estavam presentes no Maracanã umas 160 mil pessoas.

    É preciso lembrar que a Invasão Corinthiana não se restringiu ao dia 5 de dezembro. A chegada de torcedores alvinegros à Cidade Maravilhosa começou a ser notada durante toda a semana. Na sexta, passou a ser maciça. E, até o início da manhã de domingo, a imensa maioria dos corinthianos já estava na cidade.

    Portanto, os que chegaram após às 8 ou 9 da manhã de domingo faziam parte dos resquícios da Invasão. As notícias de jornais e os depoimentos dos que testemunharam esse acontecimento são claros: os corinthianos foram ao Rio de moto, carro, perua, ônibus, trem e avião. No caso dos transportes coletivos, foram disponibilizados muitos voos e coletivos extras. Ou seja, os alvinegros não viajaram apenas por linhas regulares.

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  32. PARTE 4:

    Os números de coletivos fretados pelas torcidas organizadas informados pelos jornais – eram seis torcidas – são desencontrados. Uns falaram em 700, outros em milhares. Se considerado o primeiro número, somente de caravanas de organizadas foram cerca de 30 mil pessoas (isso sem levarmos em conta a gigantesca possibilidade de muitos passageiros viajarem em pé nos coletivos, já que noções de segurança no trânsito e fiscalização certamente não eram regra na época).

    Mas é preciso esclarecer que não havia apenas coletivos dessas agremiações. Uma quantidade imensa de ônibus foi fretada por agências de turismo (na terça-feira, somente uma delas já havia fretado 220 ônibus, além de 20 aviões e 60 kombis, segundo os jornais), grupos de amigos, vizinhos de bairros, colegas de trabalho e de universidade e até indústrias e empresas – as fábricas do ABC cederam e/ou financiaram muitos desses ônibus para seus funcionários.

    Por fim, gostaria de comentar o argumento mais utilizado pelos que contestam a Invasão Corinthiana: de que grande parte desses 70 mil torcedores era formada por fanáticos de Flamengo, Vasco e Botafogo.

    Posso afirmar que nossa apuração baseada nos registros de meios de comunicação da época e nos 30 depoimentos tomados contatou que sim, havia torcedores dos times rivais do Fluminense. Mais surpreendente ainda: muitos são-paulinos, palmeirenses e santistas foram ao Rio, e torceram pelo Corinthians.

    Entretanto, de acordo com nossa apuração, esse montante de torcedores não-corinthianos não foi significativo. Claro, se tomados isoladamente, eram uma quantidade razoável. Mas não se inseridos no universo de 70 mil torcedores que estavam apoiando o Corinthians.

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  33. última parte:

    A cobertura jornalística sobre a Invasão Corinthiana foi bastante intensa. Quem é da área sabe que num caso desses são feitas inúmeras matérias e notas auxiliares com curiosidades, personagens e aspectos que fogem da notícia central.

    Muito bem. Simplesmente a suposta presença de tamanha quantidade de torcedores rivais do Flu não mereceu uma única matéria, nota ou box adicional – apenas registros perdidos no meio das reportagens principais. Pelas contas dos que negam a presença de 70 mil corinthianos, teriam ido ao Maracanã pelo menos 20 mil flamenguistas, vascaínos e botafoguenses. Seria um fato histórico quase tão importante quanto o deslocamento de 50 mil corinthianos ao Rio, já que nunca antes – ou depois – algo parecido havia ocorrido.

    Ninguém que ouvimos para a elaboração de nosso livro confirmou essa tese – todos afirmaram a mesma coisa: havia sim torcedores de outros times, mas não em número significativo. E não ouvimos apenas corinthianos. Um flamenguista garantiu não ter visto essa tal quantidade enorme de apoiadores de rivais do Flu. O jornalista Alberto Helena Júnior, que diz ter sido são-paulino na infância e hoje não ter time, e até Francisco Horta, presidente do Fluminense na época, falam em “maioria” corinthiana no Maracanã, mas não fazem a ressalva da presença maciça de outros torcedores.

    Nem os tricolores fanáticos Chico Buarque (que também fala em “maioria” corinthiana) e Nelson Rodrigues mencionam algo nesse sentido em suas crônicas nos dias que sucederam o jogo. Ambos estavam no estádio. Imagino que seria motivo de orgulho para os torcedores do Flu se algo tão histórico de fato tivesse acontecido (“somos tão imbatíveis que chegamos a mobilizar milhares de pessoas contra nós”).

    Observando-se fotos e vídeos do dia do jogo, percebe-se que é possível notar, sim, algumas bandeiras ou camisas de rivais do Flu. Mas apenas “algumas”, não milhares, muito menos 20 mil. Acho que todos concordam que na ânsia por secar o Flu, uns 80% ou 90% desses torcedores estariam vestindo a camiseta do seu time para afirmar sua oposição ao Tricolor; e não a do Corinthians. Pode-se alegar: “ah, mas Botafogo e Vasco têm as mesmas cores, que podem ser confundidas no meio da torcida corinthiana”. Ora, certamente num caso desses a cor predominante seria o vermelho do Flamengo, e isso de maneira alguma é percebido.

    Os registros nos jornais apenas confirmam o que apuramos: as descrições são de “uma” bandeira do time x, “algumas” camisas do time y, “vários” torcedores da equipe z. Em nenhum momento se usa qualificações como “milhares”, “muito numerosas”, “quantidade enorme”, “presença maciça” ou coisas do tipo.

    Além disso, me parece ingênuo considerar que o Fluminense – ou qualquer outro time –fosse capaz de deslocar a um estádio tamanha quantidade de gente contra si. Por mais hegemônico que fosse. As outras equipes já haviam sido hegemônicas anteriormente (Botafogo de Garrincha, o Vasco da década de 1940, por exemplo) e não há registros de mobilização parecida contra elas. O que o Flu tinha para despertar tanto ódio? Seria mais plausível que algo assim acontecesse contra o Flamengo, que reúne no Rio uma legião de “desafetos” muitas vezes maior.

    Um ano antes, o mesmo Flu de Rivellino (já vencedor) disputou a semifinal do Brasileiro contra o Inter no mesmo Maracanã – igualmente, era partida única. O público foi de 100 mil torcedores, e não há informações de grande presença de torcedores rivais no estádio (nem de 20 mil, nem de 10 mil, nem de 5 mil).

    Calcular os corinthianos presentes no Maracanã naquele dia não é uma ciência exata. Mas acredito que os elementos e informações disponíveis, alguns deles relatados acima, sugerem fortemente que eram pelo menos 70 mil.

    De qualquer forma, não importa se 30 ou 100 mil corinthianos. A Invasão Corinthiana ao Rio de Janeiro (e não apenas ao Maracanã) foi um acontecimento histórico até hoje não igualado.

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  34. Caro PC Filho,

    Pode até ser que 70 mil, como foi noticiado pela Folha de S.Paulo seja um pouco exagerado! Mas que havia mais de 50 mil corinthianos no Maracanã, há isso havia!

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