sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Recordar é viver - A apoteose de Doval









Rio de Janeiro, 3 de outubro de 1976.

Amigos, durante os cento e quinze primeiros minutos da batalha entre Fluminense e Vasco, o empate parecia ser a vontade de todos no gramado. Apesar de exercer amplo domínio, o Fluminense insistia nas bolas aéreas, que os grandalhões Abel e Renê, do Vasco, isolavam facilmente. Já o Vasco estava mais preocupado em descer o sarrafo sobre Rivellino e Paulo Cezar, os craques do Fluminense, contando para isso com a conivência do árbitro Armando Marques. Nem parecia que a igualdade no placar levaria a decisão do jogo - e de todo o Campeonato Carioca - para a cruel disputa de pênaltis.

Foi nos cinco minutos finais do tempo extra que o Tricolor resolveu vencer. Após noventa minutos de tempo regulamentar, mais vinte e cinco de prorrogação, Roberto quase marcou aquele que seria o gol do título vascaíno. O goleiro Renato salvou, e ali o Fluminense percebeu que precisava fazer valer a condição de melhor time do Campeonato. Então, liderado por Carlos Alberto, o onze tricolor lançou-se todo ao ataque, como se aqueles fossem os últimos cinco minutos da história do esporte. O bicampeonato tinha que acontecer ainda com a bola rolando.

O cruzamento veio da ponta esquerda, do pé direito de Paulo Cezar para o lado oposto da grande área do Vasco. Gil voou como um passarinho e cabeceou para o meio, a bola descrevendo uma irretocável parábola na direção de Doval. A cabeçada do argentino, de cima para baixo, venceu o goleiro Mazaropi e entrou mansamente no gol do Vasco. Junto à trave, o desespero impresso em seu rosto crispado, o vascaíno Zé Mário ajoelhava e desabava em prantos, em uma cena para a eternidade. Aquela bola, que passara a centímetros de suas pernas, não era uma simples bola: era todo o Campeonato. Era todo o Campeonato escapando do Vasco, indo para o Fluminense, no último minuto da prorrogação do jogo final.

A dramática queda de Zé Mário teve correspondência na épica apoteose de Doval. Diante de cento e trinta mil testemunhas maravilhadas, o centroavante argentino transformava-se definitivamente em um dos deuses do Maracanã. O Fluminense era o merecido bicampeão.

PCFilho

O gol de Doval:

Os heróis do bicampeonato carioca em 1976.
De pé: Renato, Carlos Alberto, Miguel, Pintinho, Rubens Galaxe e Rodrigues Neto.
Agachados: Gil, Paulo Cezar, Doval, Rivellino e Dirceu.

Rivellino e Gil festejam o bi, ainda no gramado!

Carlos Alberto, o melhor em campo, chora comemorando o título!
(as fotos são todas do Jornal do Brasil, edição de 04/10/1976)

11 comentários:

  1. Jogo para sempre!

    Vitória épica!

    Grande texto!

    É preciso repetir a dose e vencer o Vasco por mais um bicampeonato.

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  2. Valeu, Ramón! Essa foi uma grande vitória do Fluminense, merecia um texto caprichado. :)

    É preciso repetir a dose e vencer o Vasco por mais um bicampeonato. [2]

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  3. Espero, PC, um texto caprichado feito esse depois de mais uma vitória épica do nosso onze amanhã!!!!!

    Ótimo também o som do vídeo. Saudades!

    ST

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  4. Fluzão bicampeão, espetacular!
    Seremos bicampeões novamente!

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  5. Leandro, tudo depende do nosso onze!

    Meu palpite é, claro, uma vitória dramática. 3 a 2, com gol do Fred, claro. :)

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  6. Amém, PC! Até meio a zero vale, desde que a vitória seja nossa!

    ST

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  7. Como este então menino de 13 anos, vibrou neste dia!
    Inesquecível!

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  8. Prezado PC, prazerzaço em te conhecer. Fui as lágrimas ao relembrar uma data que nunca sairá de minha memória. Lembro-me frequentemente desta conquista. Eu estava no Maraca e tinha dez anos. Lembro-me de uma curiosidade: na época, a melodia para o canto da palavra NENSE, era diferente, prolongava-se o "SE" e não o "NEN", Tipo: NENSE-Ê-Ê-Ê. Portanto, eis que iniciou-se o segundo tempo da prorrogação e a torcida começou o canto e não mais parou, por 15 minutos a torcida do Fluminense gritou a plenos pulmões. Acredito que a magia tenha contagiado os jogadores....

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  9. "Urso do Blues",

    Que bom que o texto emocionou você. Espero que passe a acompanhar o blog, e leia os textos que já publiquei sobre os jogos do passado e do presente. :)

    Saudações Tricolores, rumo a mais um título!
    PC

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  10. Segundo duas versões diferentes da revista PLACAR, 70% a 75% da torcida presente era tricolor.
    127.000 e poucos pagantes, mas talvez mais de 140.000, quiçá 150.000 torcedores presentes!

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    1. Alexandre, sempre com dados importantes sobre os públicos dos grandes jogos da história! :)

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