Amigos, neste meu último texto de 2008 escolherei o meu personagem do ano. Há muitas opções, claro. Afinal, 365 dias são suficientes para consagrar dezenas de personagens. Poderiam ser eleitos Hamilton ou Massa, que disputaram o campeonato da Fórmula 1 até a última curva da última corrida. Os nossos medalhistas de ouro - César Cielo, Maurren Maggi e seleção feminina de vôlei - também fizeram por merecer a honra. O americano Michael Phelps, o jamaicano Usain Bolt e a bela russa Yelena Isinbayeva também tiveram um ano espetacular. No futebol, tivemos Cristiano Ronaldo, Rooney, Lampard, Messi, Thiago Silva, Thiago Neves, Guerrón, Cevallos. Mas não, meu personagem do ano ainda não foi citado.
Meu personagem de 2008 sorriu e chorou. Acima de tudo, ele sonhou. Trata-se da torcida tricolor. Há os que me chamarão de parcial. Para respondê-los, cito o profeta Nelson: "O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação. Não é, porém, capaz da imparcialidade. Só acredito na isenção do sujeito que declarar que a própria mãe é vigarista". Sou parcial, sim: despudoradamente parcial. Eu sou, e vocês também são.
Amigos, o que a torcida tricolor fez esse ano foi demais. Há 23 anos, aguardávamos nossa volta à Libertadores. Melhor, a Libertadores aguardava a nossa volta. E que retorno épico e glorioso! No dia em que o pó-de-arroz - nosso símbolo máximo - voltou às arquibancadas, a festa foi perfeita: 6 a 0 no Arsenal de Sarandí. Toda aquela espera valeu a pena: show no campo e show na arquibancada! Os espetáculos proporcionados pela torcida tricolor continuaram, conforme passavam os jogos do Campeonato Carioca e da própria Libertadores.
Até que chegou o grande dia da torcida tricolor: 21 de maio de 2008. Pela Libertadores, Fluminense e São Paulo digladiavam em campo, num daqueles jogos eternos. Os paulistas tinham a vantagem do resultado, pois haviam vencido no Morumbi por 1 a 0. Mas o Fluminense tinha a vantagem numérica! Éramos 70 mil fanáticos, dispostos a vencer ou perecer! Naquele dia, ou melhor, naquela noite, nós não saímos do Maracanã apenas roucos. Nós saímos roucos e surdos. Jamais na história uma torcida teve tamanha influência no destino da batalha. O poderoso São Paulo, tricampeão e tudo, não suportou a pressão e sucumbiu aos 47 do segundo tempo. Foi inesquecível.
Houve ainda os espetáculos contra Boca Juniors e LDU, com demonstrações de amor e fé inabaláveis. O troféu não veio, mas não há dúvidas de que a torcida tricolor o merecia. E ainda há de conquistá-lo. Pois, citando novamente o profeta: "Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão".
Para completar a justificativa de minha escolha do personagem do ano, apresento dados numéricos. A média de público do Fluminense na Libertadores foi de 49.011 pagantes por jogo. Amigos, trata-se da maior média da história do torneio. Os idiotas da objetividade ainda me dizem: mas torcida não ganha jogo. Saibam eles que o Tricolor venceu todos os seus sete jogos no Maracanã. As outras torcidas podem não ganhar. Mas nós, amigos... nós ganhamos! E é por isso que eu escolhi a torcida tricolor como o meu personagem do ano de 2008.
PC
