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domingo, 7 de junho de 2009

O maior da história

Paris, 7 de junho de 2009.

Roger Federer é o maior da história. Hoje, aos 27 anos, o tenista suíço conquistou o que faltava: a taça de Roland Garros. Esta crônica é uma homenagem ao mais completo tenista de todos os tempos. Sinto-me abençoado por poder ver este verdadeiro gênio em ação.

Neste domingo, Federer igualou o recorde de Pete Sampras, com 14 conquistas de Grand Slam. Mas seu feito é maior, porque ele conquistou os 4 torneios (o americano nunca venceu Roland Garros). Aliás, Federer é o sexto tenista na história a conquistar os 4 campeonatos do Grand Slam. Precederam-no Fred Perry (Grã-Bretanha, completou a façanha em 1935), Don Budge (EUA, 1938), Rod Laver (Austrália, 1962), Roy Emerson (Austrália, 1964) e Andre Agassi (EUA, 1999).

Roger Federer detém outros recordes espetaculares. Ele é, por exemplo, o tenista que passou mais tempo seguido liderando o ranking de entradas: incríveis 237 semanas consecutivas, entre 02/02/2004 e 17/08/2008. Ele também foi pentacampeão consecutivo de Wimbledon (2003-2007) e do US Open (2004-2008), e neste último ainda pode continuar a seqüência. Na era profissional, apenas um tenista conseguiu ser pentacampeão consecutivo de um dos torneios do Grand Slam antes de Federer: o lendário sueco Björn Borg (1976-1980, em Wimbledon).

O jogo de hoje foi fácil: vitória por 3 a 0 sobre o sueco Robin Soderling, com parciais de 6-1, 7-6 (7-1) e 6-4. Há quem diga que foi fácil demais, já que o oponente não era um top ten, mas isso pouco importa: foi a consagração de um gênio do esporte.

Roger Federer ainda tem muitos anos de carreira, e pode aumentar ainda mais o seu vasto arsenal de títulos. O espanhol Rafael Nadal, que surge como seu grande oponente, já conquistou 6 torneios de Grand Slam na carreira (só faltando o US Open para completar a coleção). Os confrontos entre os dois já renderam alguns jogos históricos, e certamente ainda renderão mais alguns. Toda vez que o destino os põe frente a frente, eu paro o que estiver fazendo para assistir à batalha. E aconselho o leitor a fazer o mesmo, porque somos privilegiados por podermos testemunhar esses dois craques da história do tênis.

Parabéns, Roger Federer. As quatro taças do Grand Slam são suas, para sempre. Você é o maior da história.

PC

sábado, 6 de junho de 2009

Recordar é viver - Guga x Russell

Paris, 3 de junho de 2001.

Amigos, o jogo de hoje, na quadra central de Roland Garros, era para ter sido apenas mais um na caminhada de Gustavo Kuerten rumo ao tri. Afinal, o atual campeão enfrentou o desconhecido americano Michael Russell, por uma vaga nas quartas-de-final. Ninguém esperava muita resistência do tenista estadunidense, ninguém! E, no entanto, Russell provou que é um tenista monstruoso. Suou sangue, e foi um rival à altura do gênio Guga.

Gustavo Kuerten certamente lembrou-se de 1997. No ano de seu primeiro triunfo no saibro francês, era Kuerten o desconhecido. Hoje, ele enfrentou o desconhecido. Russell fez o papel do moleque Guga, contra o próprio Guga!

Logo no início, Russell partiu para cima, exibindo um tênis agressivo contra o número um do mundo. Kuerten tentava contra-atacar, mas não tinha sucesso: o primeiro set foi do americano, 6-3. No segundo set, o americano continuou com golpes firmes e devoluções precisas: 6-4, e dois sets a zero. Veio então o terceiro set: para Guga, era vencer ou voltar para o Brasil. Russell se aproveitou do nervosismo de Kuerten para quebrar-lhe o serviço. Após o oitavo game, o placar exibia: Russell 5, Kuerten 3. O saque era do americano, e Guga tinha que quebrá-lo. A obrigação de acertar torna as coisas muito mais difíceis para um atleta. Porém, após salvar um match point, Gustavo Kuerten conseguiu a quebra.

Vídeo do match point salvo por Gustavo Kuerten:




Depois disso, se deu a caminhada para a vitória. Com um jogo muito sólido, Guga venceu o terceiro set no tie-break: 7-6 (7-3). Empurrado pela torcida parisiense, que adotou Kuerten como se ele fosse um Napoleão Bonaparte, o brasileiro massacrou Russell nos dois sets seguintes, consumando a doce e santa virada: 6-3 e 6-1. Uma das maiores viradas da história do tênis profissional! Duzentos e quatro minutos: a batalha da quadra central durou exatamente três horas e vinte e quatro minutos. Foi o tempo de que Guga precisou para mostrar ao mundo que não desiste, demonstrando que tem uma força de superação inexcedível.

Após o fim da batalha, Gustavo Kuerten retribuiu o apoio da torcida francesa. Com a raquete, desenhou um coração no saibro da quadra. É mais que um simples caso de amor: trata-se de um caso de amor correspondido. A Russell, restaram os aplausos da massa, e as palavras do vencedor: "foi um rival à altura". Até nas palavras Guga foi perfeito.

Escuto que o espanhol Corretja vem bem. Mas não acredito nele. Depois de hoje, todo brasileiro tem ou deveria ter uma certeza profética: Gustavo Kuerten será tricampeão domingo. Nem Alex Corretja poderá evitar. Digo mais: nem mesmo os lendários Björn Borg e Ivan Lendl poderiam evitar. Será mais uma demonstração da força do homem brasileiro. Allez, Guga!

PC