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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Análise Tática do Botafogo de 2010


Amigos, tendo em vista a boa repercussão da minha análise tática do Fluminense, resolvi escancarar também o esquema do Botafogo de Joel Santana. Em semana de clássico vovô, nada mais interessante que contrapor as táticas de tricolores e alvinegros para a batalha de sábado.

Assim como o do Fluminense, o desenho tático do Botafogo também pode ser considerado como um 3-5-2, com os alas mais avançados que o padrão brasileiro. Porém, a semelhança para aqui. No Fluminense, Mariano e Júlio César atuam na mesma linha do meia Conca. No Botafogo, Alessandro (ou Jancarlos) e Marcelo Cordeiro atuam mais recuados que Lúcio Flávio, articulador central das jogadas na equipe alvinegra.

O trio defensivo do Botafogo - Antônio Carlos pela direita, Fábio Ferreira ou Danny Morais pela esquerda e Fahel pelo meio - é bastante auxiliado pela dupla de volantes (Leandro Guerreiro pela direita e Eduardo pela esquerda, podendo também jogar Sandro Silva e/ou Somália). Com esses cinco homens dedicados à defesa, os já citados alas Alessandro (ou Jancarlos) e Marcelo Cordeiro possuem bastante liberdade para avançar, o que fazem com frequência.

O esquema de Joel é influenciado pelo recente São Paulo tricampeão, de Muricy Ramalho. Uma das principais jogadas da equipe alvinegra é a ligação direta: um dos cinco defensores lança para Loco Abreu, e este recua e faz o pivô, acionando um dos alas. O ala então tenta a linha de fundo e o cruzamento, ou o chute a gol.

Herrera completa a linha ofensiva, sendo o atacante de lado. O argentino também pode receber o lançamento direto do zagueiro, mas nesse caso prefere girar pelo lado a fazer o pivô.

Cabe lembrar que, para esta reta final, o Botafogo está com um desfalque muito sério: Lúcio Flávio, o cérebro do time, lesionado. Joel ainda está escolhendo seu substituto, entre Edno ou Renato Cajá. O atacante Caio, considerado talismã de Joel, tem entrado bem nas partidas, seja a substituição cautelosa ou ofensiva. Talvez devesse ser titular, mas essa é uma dor de cabeça boa para o dono da mais famosa prancheta do futebol brasileiro.

Como a tática do Fluminense de Cuca dá mais opções ofensivas, é natural imaginar que, no sábado, o Tricolor jogará no ataque, tomando a iniciativa, contra um Botafogo provavelmente mais fechado, armando-se para os contra-ataques.

Não tenho dúvidas de que será um grande jogo.

PC

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Análise Tática do Tricolor de 2010

(postagem feita também no Pavilhão Tricolor)

Amigos, hoje analisarei como joga o Fluminense de Cuca nesse ano de 2010, detalhando o posicionamento e a movimentação de cada jogador do pó-de-arroz.

O embrião da atual equipe tricolor surgiu na reta final de 2009, quando o Fluminense conseguiu uma arrancada histórica, salvando-se de um rebaixamento praticamente inevitável, e conquistando o vice-campeonato da Copa Sul-Americana. Naquela ocasião, Cuca encontrou sua equipe ideal, escalando-a no 3-5-2, com Rafael; Digão, Dalton e Gum; Mariano, Diogo, Diguinho, Conca e Dieguinho; Maicon e Fred. Por causa de um problema na inscrição, o ala-esquerdo Dieguinho era substituído por Marquinho nos jogos da Copa Sul-Americana. Posteriormente, Digão e Maicon lesionaram-se, dando lugar a Cássio e Alan.

Após conquistar um aproveitamento excepcional, beirando os 90%, o time de guerreiros foi todo mantido para a temporada de 2010. A eles somaram-se os reforços do lateral-esquerdo Júlio César, do zagueiro Leandro Euzébio, do meia Everton e do atacante André Lima. Como era de se esperar, o treinador Cuca manteve o esquema bem sucedido: o 3-5-2, que detalho nos parágrafos abaixo.

Na defesa, têm jogado o trio Gum, Cássio e Leandro Euzébio. Cabe ressaltar que Dalton e Digão têm sofrido problemas de lesões. Em 2009, o zagueiro que ficava na sobra (chamado de líbero por alguns) era Dalton. Hoje, quem tem feito o papel é Leandro Euzébio. Cássio e Gum têm tido alguma liberdade para subir ao ataque, aparecendo bem como homens-surpresa. Quando um dos zagueiros sobe, Diguinho e Everton fazem sua proteção.

Tenho visto algumas críticas ao sistema defensivo, que não considero justas. À exceção do desastroso segundo tempo contra o Flamengo (5 a 3, quatro gols sofridos após a entrada de Vinícius Pacheco), a defesa tem ido muito bem. Alguns citarão também o último jogo contra o Vasco (3 a 0), mas convenhamos que os dois últimos gols foram sofridos já no apagar das luzes, quando o Tricolor tentava empatar, e jogava com um a menos.

O meio-campo tricolor tem sido formado pelo triângulo Diguinho-Everton-Conca, com os alas Mariano pela direita e Júlio César pela esquerda. Cabe dizer: o 3-5-2 de Cuca é muito diferente do 3-5-2 usualmente adotado no Brasil, recheado de cabeças-de-área, com alas muito recuados. No Tricolor, o triângulo conta com dois volantes, mas ambos sabem sair jogando, e o fazem com frequência. Além disso, os alas atuam espetados, no ataque, na mesma linha do armador Conca.

O ala-direito Mariano anda em grande fase, buscando sempre a linha de fundo e as tabelas com Conca e com os atacantes. Já o ala-esquerdo Júlio César tem sido burocrático. Afunila todas as jogadas, ainda não pisou na linha de fundo em 2010. Júlio César é muito técnico, mas precisa aproveitar melhor seu potencial. Passes para o lado são muito pouco para um ala-esquerdo titular do Fluminense.

No ataque, a dupla Maicon-Fred era naturalmente a melhor opção. Com Fred centralizado, eventualmente recuando para o avanço dos outros homens de frente. E com Maicon voando pela ponta-direita, aproveitando sua velocidade de papa-léguas de desenho animado. A dupla se completa maravilhosamente, nasceram um para o outro. Além disso, Maicon auxiliava muito os avanços de Mariano, com tabelas venenosas pela direita. Eram essas tabelinhas as principais jogadas do Fluminense. Até que a diretoria tricolor entrou em campo, vendendo Maicon aos russos. De imprevisível, o ataque pó-de-arroz passou a ser facilmente marcado.

Alan e André Lima não são substitutos para o ponta Maicon, mas sim para o centroavante Fred. Maicon saiu e não havia um substituto para ele. Quando digo que Deus é tricolor, é por essas coisas: na hora certa, surgiu Wellington Silva, que alguns chamam de promessa, e para mim já é craque. Nos primeiros jogos com a camisa tricolor, o garoto foi o melhor em campo, mesmo com apenas 17 anos de idade. Wellington Silva faz um jogo vertical, inteligente, objetivo. Com ele em campo, a linha de frente do Fluminense volta a ser imprevisível, volta a contar com a surpresa. Cuca não demorará a enxergar isso.

Para encerrar a análise tática, pergunto: o 3-5-2 de Cuca é uma inovação? Respondo: sim, sem dúvidas. O 3-5-2 brasileiro sempre foi muito defensivo. Por exemplo, o de Felipão na Copa de 2002, que contava com apenas três homens no ataque: Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho. Ou por outra, o de Muricy no recente tricampeão brasileiro São Paulo, baseado na ligação direta dos zagueiros para os atacantes, praticamente sem meias de criação. Um 3-5-2 tão ofensivo é, com certeza, uma grande contribuição para o futebol tupiniquim.

Cabe lembrar que o 3-5-2 de Cuca não é bem uma invenção. Desmembrando o esquema em 3-2-3-2, vemos que se configura muito semelhante à formação MM do escrete húngaro, que revolucionou o futebol mundial na década de 50.

Fica a nossa torcida para que o Fluminense de Cuca também entre para a história. De preferência como campeão.

PC