sábado, 14 de março de 2009

Tricolores, ao Maracanã

Amigos, Fred treinou normalmente hoje, e sua estreia está confirmada para o jogo contra o Macaé. Hoje, vou relembrar algumas histórias recentes de artilheiros tricolores aqui.

Em 1975, Rivellino chegou do Corinthians, e estreou num sábado de Carnaval, contra o próprio clube paulista. Vencemos por 4 a 1 num Maracanã lotado, com três gols de Riva.

Em 1980, Cláudio Adão chegou do Flamengo, e foi o artilheiro do Campeonato Carioca, com 20 gols. E a taça de 1980 repousa feliz em Álvaro Chaves.

Em 1983, Assis e Washington chegaram do Atlético Paranaense. O casal 20 arrebatou de emoção os tricolores durante três anos mágicos, e veio o doce e santo tricampeonato.

Em 1995, chegou Renato Gaúcho. E, no dia 25 de junho, o artilheiro pôs a barriga na bola e também levantou a taça.

Em 2002, Romário veio do Vasco, e sua estreia foi épica. Mais de setenta mil pós-de-arroz encheram o Maracanã, Romário fez 2, e o Fluminense goleou o Cruzeiro por 5 a 1.

Em 2009, chega Fred do Olympique de Lyon. Ele garante: "sempre fiz gols, em todas as minhas estreias".

Portanto, tricolores, domingo o seu lugar é no Estádio Mário Filho. Vivos, doentes e mortos subirão as rampas. Os vivos sairão de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. As arquibancadas e cadeiras estarão lotadas, e Fred iniciará sua épica jornada com a camisa do Fluminense. Nossa abarrotada sala de troféus clama por mais taças: o artilheiro da camisa 9 fará a sua parte, e as taças virão, eu tenho certeza.

PC

Pitacos, profecias e zebras

Amigos, o futebol não para. Ainda na quinta-feira tivemos o eletrizante clássico no Maracanã (Vasco 4 x 1 Botafogo), e já no sábado tem mais jogo no Maior do Mundo: Flamengo x Tigres. Max Gunther, autor da área de finanças, costuma dizer: "desconfie do cidadão que disser que conhece um pedacinho que seja do futuro, porque ele está mentindo". Concordo com ele, afinal é óbvio que não é possível saber de antemão o que ainda vai acontecer. Porém, o que seria do futebol sem os pitacos, sem as profecias? Perguntei e eu mesmo respondo: seria um esporte com menos graça. Dessa forma, brincarei aqui, todo sábado, de fazer previsões para a rodada do fim de semana.

Começo pelo jogo do rubro-negro no sábado: acho que o Flamengo goleará, devido à colossal fragilidade do oponente. No domingo, o Vasco vai a Saquarema enfrentar o Boavista, antigo Barreira. Espero um jogo duro, mas o Vasco vem embalado pela vitória no clássico, e também deve vencer. O Fluminense recebe o Macaé no Maracanã, também no domingo. A tarde promete ser de festa e estádio cheio, por causa da possível estreia de Fred, o centroavante mais aguardado que um Messias em Álvaro Chaves. Se a torcida tricolor realmente comparecer em peso, acredito na doce e santa goleada.

Os leitores devem estar pensando de mim: "esse cronista é um fanfarrão, só aposta nos resultados óbvios". Provarei que estão errados: acho que a zebra voltará a passear no Campeonato Carioca. E, apesar de ela ser alvinegra, tenho a impressão de que ela atacará o Botafogo, no jogo contra a Cabofriense, no Correão. Explico: uma goleada de 4 a 1 para um rival não é fácil de engolir. Uma humilhação soa mil vezes pior quando ocorre em um clássico. Assim, acho que o quadro de General Severiano ainda demorará para voltar ao embalo.

Portanto, eis os meus pitacos e profecias do fim de semana, com direito a zebra: Flamengo, Vasco, Fluminense e Cabofriense. Escreva os seus palpites nos comentários! Até amanhã!

PC

sexta-feira, 13 de março de 2009

Futebol para Escanteio: NBA Tupiniquim


Amigos, hoje inauguro minha coluna sobre outros esportes, pois não só de futebol viverá o homem, mas também de vôlei, basquete, automobilismo, e até aqueles esportes esquisitos que os americanos curtem.

O primeiro assunto sobre o qual vou falar é o NBB, Novo Basquete Brasil. O nome não faz muito sentido, mas é sugestivamente parecido com “NBA”... curioso isso, não?

O que importa é que vivemos um novo começo na modalidade. Depois de algumas tentativas iniciadas há cerca de três anos, finalmente os clubes conseguiram a autonomia que desejavam para organizar seu campeonato, administrando contratos, regulamentos, etc. O grande diferencial do NBB com relação aos seus antecessores é o fato de a CBB e a FIBA (basta trocar o B pelo F que todos entendem) deram respaldo a esta competição, que passa a ser efetivamente reconhecida como “oficial”.

Superando as brigas do passado, esperamos que o basquete (masculino) brasileiro consiga tomar novos rumos, e volte a disputar os Jogos Olímpicos. Ainda são necessárias várias mudanças administrativas, pois ainda há brigas com relação ao comando da Seleção, falta de respeito com os heróis da modalidade (haja visto que em janeiro completou-se 50 anos do primeiro título mundial do Brasil e a CBB não fez nem um comentário), e tantas outras coisas. Mas toda longa caminhada começa com o primeiro passo. E este acaba de ser dado.

Este modelo implementado aqui é baseado no caso de maior sucesso do basquete mundial, a NBA. Lá, quem manda no campeonato são os times, e o resultado mostra o sucesso deste formato. Atualmente, quinze franquias disputam o torneio em terras brasileiras, sendo eslas de São Paulo (8), Espírito Santo (2), Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Brasília e Rio de Janeiro (1 cada). O representante do RJ é o Flamengo, atual campeão nacional.

E as semelhanças entre NBB e NBA não estão apenas no nome. Vários craques da versão tupiniquim já tiveram alguma experiência na matriz norte-americana. E para tornar tudo mais atraente, também teremos o nosso All-Star Game.

No dia 22 de março, no Maracanãzinho, ocorrerá o Jogo das Estrelas, que será precedido por um torneio de enterradas e outro de arremessos de três pontos. Para escolher os jogadores que farão parte da partida, é só clicar aqui e votar no site da Liga Nacional. Ainda não consegui informações sobre venda de ingressos para o jogo, mas assim que souber, posto aqui nos comentários.

Que possamos reviver as glórias do passado, a época de Oscar e companhia, e que voltemos a ser uma das potências mundiais do basquete!

rafs

quinta-feira, 12 de março de 2009

Jogão em preto-e-branco

Que belo jogo hoje no Maior do Mundo! Alvinegros e alvinegros entraram em campo e buscaram a meta adversária desde o início. Logo aos dois minutos, o Time da Colina foi presenteado com o seu primeiro gol, após uma pressão incrível sobre o Time da Estrela Solitária. Carlos Alberto, que acabou com o jogo, mostrou que não estava para brincadeiras e deu ótimo passe para Elton abrir o placar. E o Bacalhau não diminuiu o ritmo!

Do outro lado, o Glorioso conseguiu sair do sufoco e também partiu para cima. O jogo ficou sensacional! E a vontade de vencer era tanta que muitas faltas eram cometidas. O juizão mostrava o cartão a todo o momento. Acho até que deve ter acabado o espaço para escrever mais nomes ali. E com tantos amarelos, distribuídos, era claro que logo surgiriam os vermelhos. Foram três ao todo.

Mas o que brilhou mesmo foi a disposição cruzmaltina, a vontade de vencer a todo custo; e a entrega dos jogadores foi refletida no placar: 4 a 1. Inquestionável a superioridade vascaína, que só esteve ameaçada após ter um homem expulso, quando ainda estava vencendo por 2 a 0 e os botafoguenses marcaram seu golzinho de honra. Mas, com um gol de pênalti que marcou a volta de Léo Lima à Colina, o Vasco colocou ordem na casa. A cereja do bolo foi o gol de Casalbé, como o meu nobre amigo costuma chamar, para coroar uma atuação de gala. Com isso, o Vasco voltou a vencer o Botafogo no Estadual, depois de sete anos de jejum.

O Botafogo pode curtir a paz da classificação para a final, mas tem que abrir o olho, pois uma derrota por tal placar não pode ser facilmente explicada. Nem esquecida.

Já a torcida vascaína se enche de esperanças para a disputa do que realmente os interessa neste ano: a Série B.

rafs

Carlos Alberto


Amigos, o clássico desta quinta-feira teve um dono: Carlos Alberto, o camisa 19 do Vasco. O presidente Roberto Dinamite foi severamente criticado pelos cronistas esportivos cariocas quando efetuou a contratação do meia formado pelo Fluminense. Acontece, amigos, que a burrice varre a crônica esportiva carioca. Com raras exceções, lideradas por Tostão, o jornalismo esportivo carioca sofre de uma ignorância crônica (trocadilho, por favor).

A carreira de Carlos Alberto é inquestionável. Ele estreou nos profissionais do Fluminense sendo campeão carioca, em 2002. Transferiu-se para o Porto, onde foi campeão português, campeão da Copa de Portugal, campeão europeu e campeão intercontinental, em 2004. Chegou ao Corinthians em 2005, e foi campeão brasileiro. Em 2007, voltou ao Fluminense e foi campeão da Copa do Brasil. Tão jovem, tão campeão, e tão criticado: este é Carlos Alberto.

E o que fez hoje o tão achincalhado meia do Vasco? Fez só isso: destruiu o Botafogo no Maracanã. Liderou o Gigante da Colina nos insofismáveis 4 a 1 sobre o campeão da Taça Guanabara. Após essa exibição fantástica do Casalbé, fico imaginando as expressões nos rostos dos seus críticos. Devem estar com os queixos no chão. Se eu fosse um deles, estaria sentado no meio-fio, chorando lágrimas de esguicho.

Eles, os burros, os idiotas da objetividade, tentaram convencer Deus e o mundo de que "Carlos Alberto não tem cabeça". Acontece que os fatos estão contra eles: o meia é campeão por onde passa, e hoje teve a primeira grande atuação de um jogador brasileiro em 2009. Além de driblar os zagueiros adversários, Carlos Alberto tem que lutar contra a burrice da crônica esportiva. Hoje, foi muito bem sucedido em ambas as tarefas. E é por isso que o Casalbé é o meu personagem desta quinta-feira.

PC

Vitória de Peso

O jogo de ontem entre Flamengo e Duque de Caxias foi uma moleza. A maior parte do tempo a bola esteve rolando apenas em metade do campo. Aliás, metade da metade, já que apenas o Flamengo atacava, e o fazia somente pelo lado direito. Isso mostra que o esquema do Mestre Cuca ainda não funcionou como o esperado. Mas a vitória de ontem foi uma grande vitória. Uma vitória de peso, eu diria.

Enfim, depois de várias partidas, o Flamengo conquistou um resultado atuando de forma convincente! Léo Moura vai se mostrando mais adaptado à sua nova função no meio, e foi o destaque na partida de ontem. E por falar no meio de campo, este setor do time rubro-negro esteve quase perfeito defensivamente. Durante praticamente todo o jogo, não deu a menor chance ao time da Baixada, que sequer ameaçou o gol do time da Gávea. Aírton (que não sei se é terceiro zagueiro ou cabeça-de-área) e Willians desarmavam quase todas as jogadas e o Ibson comandava muito bem a ligação entre a defesa e a armação das jogadas. Sempre pelo lado direito.

Cerca de vinte minutos, Ibson sofre falta na entrada da área, mais para o lado direito (lógico). Bruno sai de sua meta, sob olhares desconfiados da torcida, depois das declarações dirigidas ao Andrade. Em tempo: o que ele fez foi lamentável, quase um pecado capital, ofender de tal forma um dos responsáveis por tornar o Flamengo tão grande como é hoje. Mas lá foi o nosso arqueiro, posicionando-se para bater. Juan, com o peso das más atuações sobre os ombros, também preparava-se para efetuar a cobrança. Então o goleiro diz para o lateral: "Bate você, porque ele está achando que sou eu quem vou bater!". De fato, o goleiro adversário posicionou-se esperando um chute por cima da barreira. Então o Juan foi lá e bateu no outro canto. Inapelável. Meio gol para cada.

Quando o segundo tempo se aproximava, entram em cena os garçons rubro-negros. Léo Moura dá um passe espetacular para o Zé-da-Gávea, que assistia ao jogo do lado esquerdo e foi para o lado direito assistir Josiel que, com o gol aberto, tentou chutar em cima do goleiro, mas acabou mesmo fazendo o gol. Mais um que sentia o peso da cobrança. Outro peso que se destacou no ataque rubro-negro foi o do Obina. Barrado pela balança? Estranho como engordou em três dias...

Segundo tempo, e os garçons novamente mostraram entrosamento: de Léo para Zé, de volta pra Léo, gol do ex-lateral. Pouco depois, mais um de falta, dessa vez uma linda cobrança do destaque da partida. Aí acabou o jogo. Cuca resolveu testar Paulo Sérgio, mas este ainda parece sentir o peso dos jogos. A certa altura, com mais um ataque desperdiçado, meu irmão e eu falamos, em uníssono: "Bota o Maxi!". E, quando o argentino já se preparava para entrar, Ibson foi expulso, com um segundo cartão amarelo tão infantil quanto o primeiro. Obviamente Cuca refugou e o primo do Messi voltou para o banco.

Com um a menos, o Flamengo se permitiu levar dois gols. Sim, pois em momento algum, eu repito, o Duque de Caxias ameaçou roubar-nos a vitória. Pênalti do nosso Capitão (parecido com o que ele mesmo sofreu contra o Botafogo ano passado e pelo qual ainda ouço choramingarem até hoje). Gol de Edivaldo. Bola perdida no meio-campo, contra-ataque, gol de Edivaldo. Artilheiro do Segundo tempo ao lado do Léo Moura. Mas nada que diminuísse a vitória de ontem.

Espero que os quatro gols sobre o companheiro do Vasco na Segundona tragam um pouco de paz à Gávea, já que a crise ataca de todos os lados: brigas nos treinos, salários atrasados, punições... Que tudo isso comece a ficar para trás!

E como falei em peso durante todo o texto, faltou falar de mais um: Ronaldinho. Com a camisa ainda bem apertada, marcou o gol da vitória do Timão sobre o Azulão. Imagine quando ele entrar em forma!



rafs

quarta-feira, 11 de março de 2009

A estreia de Parreira

Amigos, acabo de chegar do Maracanã e, como sempre, estou pensando em quem será o personagem do dia. O Fluminense venceu o Volta Redonda por 2 a 1, com gols de Thiago Neves e Conca, na estreia de Carlos Alberto Parreira. Não houve nenhuma atuação individual excepcional. Contudo, coletivamente o time tricolor melhorou muito: há mais colaboração, mais cooperação entre os jogadores. Já se sente a mão de Parreira na equipe. E é por isso que ele, Parreira, o tetracampeão, é o meu personagem da quarta-feira.

Escrever aqui a importância do pé-de-uva para o Fluminense é desnecessário, mas vou fazê-lo mesmo assim. Basta dizer que ele era o nosso treinador no último Campeonato Brasileiro que conquistamos, em 1984. Antes disso, em 1970, era o preparador físico do primeiro Campeonato Brasileiro pó-de-arroz. Em 1975, comandou a Máquina Tricolor na conquista do Campeonato Carioca. Mais recentemente, em 1999, ele veio nos resgatar no fundo do poço da terceira divisão. Pulei a Copa de 1994, em que ele foi importante para todos nós brasileiros, ao montar o timaço que trouxe dos Estados Unidos o tetracampeonato mundial.

Tenho um amigo que diz que todo torcedor pó-de-arroz deveria se benzer ao ouvir o nome do Parreira. Talvez ele tenha razão mesmo. Outro conhecido meu diz que ele deveria ter uma estátua em Álvaro Chaves, ao lado da do Castilho. Talvez ele também tenha razão. O retorno do pé-de-uva aumentou ainda mais a minha idolatria por ele. Explico: mesmo sabendo que é um ídolo pelo que já fez, ele tem a coragem de voltar e continuar trabalhando, para tentar fazer mais. Foi assim na Seleção, quando voltou em 2003; e é assim hoje, em Laranjeiras.

Há quem diga que o meu personagem não tem mais o fôlego de antigamente. A esses, eu respondo: tem sim. Tem não só o fôlego, mas também toda a experiência acumulada de uma carreira vitoriosíssima. Utilizando-a, já conseguiu mudar a postura do time, em três ou quatro míseros dias. E é utilizando toda essa experiência que ele nos levará aos campeonatos. A abarrotada sala de troféus de Álvaro Chaves clama por mais taças. E eu tenho certeza: com Parreira, elas virão.

PC

terça-feira, 10 de março de 2009

Recordar é viver - Fluminense 1, Bayern 0


Rio de Janeiro, 10 de junho de 1975.

Félix; Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário e Kléber; Cafuringa, Paulo Cézar Caju, Rivellino e Mário Sérgio. Com essa fantástica linha, o Fluminense entrou em campo no Maracanã, para delírio dos 60.137 torcedores presentes. Disse 60.137, mas errei e já me corrijo: esse era o número registrado nas roletas. O amistoso organizado por Francisco Horta atraiu uma multidão soberba, muito maior que o público previsto. Dessa forma, a única solução foi abrir os portões. Havia, portanto, 100.000, ou talvez mais, testemunhas para o amistoso internacional.

Sim, amigos, foi um mero amistoso. Como pode um amistoso atrair tanta gente para o Estádio Mário Filho? Era a estreia de Paulo Cézar Caju, o ponta da seleção, que o Fluminense acabara de repatriar do Olympique de Marseille. Mas não foi somente isso que levou a multidão ao Maracanã. Foi, sobretudo, o adversário do Fluminense: die Bayern, o gigante clube de Munique, o maior clube da Alemanha e, na época, o maior time da Europa. "Esse cronista tricolor está exagerando", observam os idiotas da objetividade. Porém, os fatos me apoiam: em 17/05/1974, na cidade de Bruxelas, o Bayern de Munique havia conquistado a Europa, ao derrotar por 4 a 0 o Atlético de Madrid na final da Copa Européia (que hoje chamamos de Liga dos Campeões). E, em 28/05/1975, na cidade de Paris, o Bayern havia conquistado novamente a Europa, ao vencer o Leeds United por 2 a 0.

Sim, amigos, o oponente do Fluminense era o atual bicampeão europeu. (Die Bayern ainda conquistaria o tricampeonato em 1976, batendo por 1 a 0 o Saint Étienne, em Glasgow, no dia 12/05). Vejam a constelação que envergava o uniforme de Munique: Maier; Durnberger, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Weiss; Roth, Tortensson e Rummenigge; Zobel, Müller e Kapellmann. Sabem por quê eu destaquei cinco nomes na escalação? Porque os cinco estavam no escrete alemão, que venceu a Copa do Mundo de 1974. Eram, portanto, além de bicampeões europeus, campeões mundiais. Sepp Maier era o melhor goleiro do mundo, Franz Beckenbauer era o melhor zagueiro do mundo, e Gerd Müller era o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Que timaço!

E como transcorreu a grandiosa batalha? Assim que entraram no gramado do Maior do Mundo, os times saudaram os torcedores e se cumprimentaram. O pontapé inicial revelou um desses jogos imortais. O Fluminense foi só pressão no começo, entusiasmando até mesmo quem não é pó-de-arroz. Aos sete minutos, Rivellino dá um "elástico" na entrada da área. O malicioso drible, inventado pelo próprio Riva, desnorteou toda a defesa alemã. Logo após, o craque da patada atômica deu um passe milimétrico para Kléber, que apareceu na cara do gol. Sepp Maier fechou o ângulo, e Kléber deslocou o goleiro. A bola, porém, não tinha como destino o gol. Acontece então o suave milagre: a pelota desvia na canela de Gerd Müller, e morre no fundo do gol. Gol contra do maior artilheiro da história das Copas. O placar do Maracanã anunciava, exaltando-se de felicidade: "Fluminense 1, Bayern 0". Era só o início da partida.

O jogo se seguiu assim: o Fluminense dava espetáculo, e o bicampeão europeu se defendia. Não foi só a grande partida do Tricolor: foi também o grande dia de Sepp Maier. O arqueiro alemão defendia tudo, até pensamento. A facilidade com que detinha os disparos brasileiros, sempre bem colocado, era de arrepiar. "Isto sim é que é goleiro", urravam as testemunhas da atuação épica, nas arquibancadas, gerais e cadeiras. Começa a segunda etapa, e o show de Maier continua, com defesas incríveis e seguras. Elas eram feitas com tamanha simplicidade, que irritavam os atacantes do Fluminense e deliciavam quem as assistia.

Os bicampeões europeus que estavam na linha apenas assistiam impotentes à exibição da Máquina Tricolor, comandada por Rivellino, Cafuringa e Mário Sérgio. Beckenbauer, Rummenigge, Müller, Kapellmann e os outros nada podiam fazer: era um show de bola dos astros de Laranjeiras. Apenas o arqueiro Maier conseguia deter o pó-de-arroz, com as espetaculares e milagrosas intervenções.

O placar magro não traduz o domínio colossal que o Fluminense exerceu durante os noventa minutos. O time que, duas semanas antes, conquistara o bicampeonato europeu foi atropelado pela Máquina Tricolor. Amigos, o Fluminense de 1975 não foi campeão brasileiro, não foi campeão da América, e não foi campeão intercontinental. Porém, a equipe não precisava de nenhum desses canecos. Eles eram pequenos e irrelevantes diante da magnitude daquele plantel. Era, simplesmente, o melhor time da face da Terra.

PC




Vídeo com os melhores momentos:


Ingresso de arquibancada do jogaço:

Observação: nesta partida, pela primeira vez na história do futebol brasileiro, um time colocou um patrocínio em seu uniforme. Nos calções e nas costas das camisas do Fluminense, estava estampado o logotipo do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). O MOBRAL era um projeto do governo brasileiro que propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos. O intuito do Fluminense foi o de arrecadar fundos para o programa do governo, que tinha sua manutenção ameaçada por falta de verba.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O doce e santo último minuto

Amigos, vitórias comuns caem no esquecimento. Vitórias cardíacas, como as nossas, ficam eternamente cravadas na memória do tricolor, na memória do adversário, e até mesmo na memória dos indiferentes. É isso que aconteceu com o triunfo do Fluminense sobre o Mesquita ontem, no Engenhão: se tornou um daqueles jogos inesquecíveis. Uma mera partida inaugural de Taça Rio, que tinha tudo para sumir numa velha estante empoeirada, acabou se tornando épica. O responsável pelo milagre foi o último minuto, o doce e santo último minuto.

Toda partida que se resolva no minuto derradeiro tem o seu lugar reservado na lista de jogos históricos. Vejam por exemplo o Palmeiras x Corinthians, também ontem, pelo Campeonato Paulista. Terminasse 1 a 0 Palmeiras, e o clássico seria esquecido daqui a dois dias. Mas o último minuto reservava o gol de Ronaldo, o histórico retorno do Fenômeno. O Corinthians empatou, e o Palmeiras não desempatou mais. Nunca mais! E, assim, o clássico paulista está lá, na galeria de jogos eternos.

E o que aconteceu no doce e santo último minuto do jogo do Fluminense no Engenhão? Tartá executou um cruzamento de folha seca, em que a bola descreveu uma trajetória espetacular. Thiago Neves, o craque da camisa 10, ajeitou de cabeça. A pelota sobrou limpa, e Everton Santos fuzilou para o gol. 1 a 0 Fluminense. O minuto derradeiro fez a torcida querida vibrar de emoção! Que golaço!

Era o terceiro jogo do pó-de-arroz no Estádio Olímpico João Havelange. Confesso que, durante o segundo tempo, já pensava, de mim para mim mesmo: "o Engenhão é a caveira do Fluminense". O primeiro jogo, na inauguração da arena, foi uma derrota para o Botafogo. O segundo jogo, ano passado, foi um empate que nos deixou na lanterna do Campeonato Brasileiro. Se não vencêssemos o Mesquita ontem, eu teria a certeza de que havia algo de errado com aquele campo. Porém, graças a Deus, lá estava o último minuto. O doce e santo último minuto!

PC

domingo, 8 de março de 2009

Ronaldinho na cabeça

Amigos, eu raramente vejo o Esporte Espetacular, já que domingo costumo acordar bem tarde. Mas hoje, quiseram os Deuses do Futebol que eu testemunhasse sua influência na vida de um rapaz que, pela terceira vez, ressurgiu das cinzas após superar mais uma provação imposta por eles.

Ligo a TV quando está começando o quadro Gol a Gol, na voz marcante de Léo Batista. O programa era um especial sobre Ronaldinho, um menino que começava sua carreira brilhando mais do que as estrelas que formam o Cruzeiro do Sul estampado no uniforme que vestia. Um menino que fez muitos gols no pouco tempo em que esteve jogando pelo time de Belo Horizonte, e que aos dezoito anos já era campeão mundial pela Seleção.



Um menino que, curiosamente, sempre disse que seu pior fundamento era a cabeçada.

O programa apresentou vários gols, pelo Brasileirão de 93, pelo Mineiro de 94 e pela Seleção. E o mais curioso era a quantidade de gols de cabeça. Ali foi feita a profecia: “E eis que ele se erguerá pela terceira vez, e marcará o seu retorno usando a cabeça”.

Mas os Deuses do Futebol são caprichosos, e prepararam um cenário recheado de drama e emoção, para que o momento ficasse realmente gravado na História do Futebol. Último minuto de um clássico contra o maior rival do seu time, quando estavam perdendo por um gol.



No exato momento em que a bola balançava as redes, ergui os olhos aos céus e perguntei por que eles haviam escolhido o Corinthians e não o Flamengo. “É o time de coração dele, é o meu time!” Mas a data de seu retorno triunfal já estava agendada, profetizada, e a única maneira de esse momento ocorrer com tamanho brilhantismo era se ele estivesse jogando pelo Timão.

Resignado, assisti à comemoração do Fenômeno e seus companheiros, o alambrado quebrando, mas ninguém se ferindo. Claro, os Deuses do Futebol não iam ferir ninguém. Era dia de festa, de alegria! Uma pontinha de mágoa apareceu e não pude segurar a piadinha: “Ele está tão gordo que quebrou o alambrado!”.

E assim se cumpriu a profecia que regia a vida desse menino, Ronaldo Fenômeno, Fênix, o Ronaldinho, o homem que marcou seu retorno exatamente usando o que era sua fraqueza.

Culinária Rubro-Negra

Enfim o Campeonato Carioca retomou suas atividades! Depois de duas semanas com o gosto amargo da derrota para o Resende, o Flamengo entrou em campo ontem para enfrentar a Cabofriense e saiu do Maraca com uma boa vitória. Parece que o nosso Mestre Cuca vai colocando ordem na cozinha rubro-negra; o três a um no time da Região dos Lagos baixou um pouco o fogo da panela de pressão da Gávea, mas é bom o nosso Chef ficar de olho também no forno, já que a sua batata continua assando...

O jogo teve vários temperos diferentes. Durante boa parte da peleja o Flamengo pressionou o time de Cabo Frio e foi logo presenteado com um gol: aos quinze minutos, o mais novo garçom flamengo serviu o estreante Douglas, que usou a cabeça para abrir o placar. Aliás, a presença do ex-lateral Léo Moura no meio-de-campo era o tempero que faltava para apimentar a criação do time vermelho-e-preto. Mas o expediente dele ainda não terminaria aí. Mais clientes esperavam para serem servidos.

O Rubro-Negro foi levando o jogo em banho-maria até o início do segundo tempo, quando o time da Cabofriense voltou com mais apetite. Numa jogada que vai se tornando especialidade da casa, o lateral Juan perdeu a bola no meio e parou, com as mãos nas cadeiras, deixando que os homens de verde chegassem ao empate. Gol de artilheiro com nome de galã de novela mexicana: Anselmo Ramon.

Antes que a chapa começasse a esquentar demais, o Mestre Cuca resolveu mudar os ingredientes, colocando Kléberson no lugar de Juan, que parece ainda não estar totalmente recuperado e vem jogando muito abaixo do esperado. E a alteração parece que surtiu efeito, pois logo o Flamengo retomou o domínio e o Zé, garçom camisa dez da Gávea serviu Ibson que, com um giro sensacional, tirou o zagueiro e incendiou a galera.

Mas novamente os rubro-negros foram deixando o jogo esfriar, e começaram a levar sufoco do adversário. Então, novas mudanças: Josiel, que estava muito sem sal no jogo foi sacado, junto com um cansado Ibson, e entraram Obina e Everton. O xodó da torcida foi ovacionando, como de praxe, e entrou com uma fome enorme, pois ainda não conseguiu tirar a barriga da miséria em 2009. Mas continuou sem sentir o sabor de colocar a bola nas redes, já que o último gol do jogo foi marcado justamente por Everton, que entrara junto com ele, servido, é claro, pelo Melhor Lateral Direito do Brasileirão, que nem é mais lateral.

Agora sim o novo esquema foi testado, e parece promissor, apesar de achar que o Ibson não deve jogar como armador e que o Zé Roberto não deva entrar como atacante. O Flamengo ainda não convenceu, mas pelo menos foi uma boa vitória. Espero que o time continue devorando todos os adversários, e que consiga matar a fome da torcida, que está louca para saborear um tri-campeonato.

rafs

sábado, 7 de março de 2009

Recado aos leitores

Amigos, hoje escreverei um pouquinho sobre vocês leitores, que são a razão da existência do blog. Eu e Rafael, os jornalheiros, começamos na quarta-feira a colher informações sobre as visitas recebidas, serviço prestado por uma empresa chamada Motigo. Queríamos saber informações básicas, tais como quantos leitores temos e em quais cidades eles moram. Nos surpreendemos positivamente, caros amigos! Nesses três dias de observação, já recebemos 66 visitantes diferentes, das mais diversas localidades do país.

A maior parte dos visitantes vem do estado do Rio de Janeiro, como era de se esperar, afinal nós somos daqui e escrevemos sobre os times daqui. Aparecem com destaque as cidades de Rio de Janeiro, Niterói e Nova Friburgo. Porém, sabemos que os clubes do Rio são na verdade nacionais. E isso é comprovado pelas nossas estatísticas: vejam só, temos leitores de Blumenau-SC, Curitiba-PR, Pouso Alegre-MG, Vitória-ES, São Luís-MA, Aracaju-SE, Brasília-DF e Goiânia-GO. Com praticamente nenhuma divulgação, achamos esse resultado extraordinário!

Gostamos tanto da sua atenção que queremos que você continue voltando aqui. Para atingir tal objetivo, vamos tentar melhorar o blog. Em breve, teremos novidades interessantes para vocês, tais como enquetes e vídeos. Mas não perderemos o foco: os textos serão o carro-forte do blog. Somos dois torcedores descontentes com a crônica esportiva nacional, e continuaremos escrevendo da nossa maneira, que acreditamos produzir textos melhores que os da imprensa.

Uma mudança será imediata: a partir de agora, todos os dias haverá um texto novo para você aqui! Aos sábados, domingos e segundas, haverá as crônicas pré- e pós-rodada do fim de semana. Na terça-feira, haverá o "Recordar é viver", minha coluna semanal sobre grandes jogos da história do futebol (no estilo da que escrevi sobre o Santos recentemente). Na quarta e na quinta, comentaremos a rodada do meio de semana. Na sexta-feira, haverá o "Futebol para escanteio", coluna do Rafael sobre outros esportes (no estilo da que ele escreveu sobre o Super Bowl).

Obrigado a todos vocês pela atenção de sempre. Continuem nos prestigiando, vocês não se arrependerão. Agradecemos em especial aos que estão sempre comentando os textos aqui (Bel, Jorginho, Massami, Minoru, Ramón e Zito, entre outros) e no orkut (Dé, Edras, Joana, Pri, Valeriano e tantos outros). Pedimos que continuem comentando, e que os outros passem a comentar também! Também gostaríamos de receber sugestões: o que vocês querem ver aqui? Se, além disso tudo, vocês divulgarem o blog para amigos, seremos ainda mais gratos!

Abraços a todos,
PC e RAFS.