sexta-feira, 20 de março de 2009

Futebol para Escanteio: O Retorno de Barrica


E eis que do aquém do além, de onde não vem ninguém, surge quem? Ele, o piloto com o maior número de GP’s disputados na História da Fórmula 1, Rubens Barrichello.

Quem me conhece sabe que sou fã do Barrica, um dos poucos neste país. Considero-o um piloto injustiçado, e logo explicarei o porquê.

Primeiro brasileiro a pilotar em um cockpit da Ferrari, duas vezes vice-campeão do Mundial de Pilotos, ele era a escolha óbvia para uma equipe que não tem tempo a perder. A novíssima Brawn GP precisa de experiência, e, na atual Fórmula 1, não há ninguém mais experiente do que o Rubinho.

É claro que não vejo a hora de presenciar a volta de um Senna à F1. Ano passado acompanhei quase todas as corridas da GP2, e posso dizer: Bruno Senna tem futuro! Muito provavelmente ele estará disputando o campeonato de 2010, mas, repito, não é de um piloto promissor que a Brawn GP precisa neste momento. Além disso, como questionar a decisão de um cara como o Ross Brawn? Um dos maiores nomes da categoria em todos os tempos sem nunca ter sido piloto!

No início disse que o Barrichello é um piloto injustiçado. Sim, ele é. A maior parte dos brasileiros prefere fazer chacotas a torcer por ele. Tudo começou no primeiro dia de maio de mil novecentos e noventa e quatro, quando aconteceu a maior tragédia da história esportiva do Brasil, a morte do gênio Ayrton Senna da Silva. Nesse exato instante toda a responsabilidade de substituir o mito caiu sobre os ombros do jovem Rubens, que ainda dava suas primeiras voltas nos circuitos pelo mundo. E, apesar de ser um ótimo piloto, Barrichello não chega nem perto de Senna. Aliás, poucos chegam. Mas os brasileiros queriam tapar o vazio deixado pelo trágico acidente na curva Tamburello.

A cada corrida que passava, a cada resultado longe da vitória, a cada quebra, os brasileiros se voltavam contra ele, até que sua extrema competência foi reconhecida e ele assumiu uma vaga na Ferrari, ao lado de outro mito, Michael Schumacher. A chama da esperança reacendeu nos corações dos aficionados por velocidade, mas logo se apagou. Rubinho era praticamente proibido de vencer, em prol do primeiro piloto da equipe vermelha, mas a torcida verde-amarela não quis nem saber e derramou críticas e mais críticas sobre o piloto.

Então, quando tudo indicava que sua carreira seria encerrada sem as merecidas honras, quando já era considerado carta fora do baralho, ele retorna das cinzas, com força e ânimo renovados, pronto para ajudar a formar uma equipe que tem tudo para dar certo. Os resultados nos primeiros treinos são mais do que animadores. A Brawn vem se destacando em todos os dias, e o Rubinho anda sempre entre os mais rápidos.

Vamos lá, Barrica, em busca de novas glórias, como a sua primeira e mais genial vitória na F1. E vamos lá também, Senninha! Aguardamos ansiosamente suas vitórias já em 2010, para, novamente, vibrarmos com as conquistas de um Senna! Nelsinho, Felipe, sucesso em 2009 também!

Em tempo: nesta semana foi divulgada a mais nova alteração na F1 para a temporada 2009. Agora, o campeão sairá pelo número de vitórias. Vamos ver como isso afetará o resultado final da competição, pois é uma mudança bastante radical (12 títulos mundiais mudariam de mãos se fosse utilizada essa regra). Eu acho que a pontuação poderia ser alterada, aumentando a diferença entre os pontos do vencedor e do segundo colocado em cada prova (como sugeriram as equipes), mas toda mudança que busca favorecer aqueles que estão sempre atrás da vitória favorece também o espetáculo.

Para matar saudades: video de Galvão entrevistando Rubinho e Senna em 1990.



E também a primeira (e mais brilhante) vitória do Barrichello:



rafs

quinta-feira, 19 de março de 2009

Recordar é viver - Fluminense 6, Arsenal 0


Minha amiga Lili, tricolor nata, confessa e hereditária, diz que "pelo Fluminense não se torce, se vive". Ela tem toda a razão: os sentimentos dos tricolores são mais intensos que os dos outros torcedores. Uma pelada qualquer pode se transfigurar em uma batalha épica, se o pó-de-arroz estiver envolvido. Torcer é realmente um verbo pouco intenso para a extraordinária experiência de ser tricolor. Sábias palavras, Lili: nós não torcemos pelo Fluminense, nós vivemos pelas três cores que traduzem tradição. E eu vos digo, caros leitores, que jamais se viveu tanto pelo Fluminense quanto na noite de 5 de março de 2008.

Nessa noite memorável, o Fluminense viveu o resgate de sua tradição internacional. Após 23 anos, voltamos a pisar no Maracanã em um jogo válido pelo principal campeonato da América: a Taça Libertadores. Aquela era a noite mais aguardada pelos tricolores velhos e jovens. Os velhos tinham saudade dos tempos da Máquina, e os jovens queriam ver, pela primeira vez, um time do Fluminense assombrando o mundo. Para tornar tudo ainda mais mágico, conseguimos na Justiça o direito de, novamente, fazer a tradicional festa do pó-de-arroz, após anos de proibição.

Na entrada dos jogadores em campo, acontece o momento sublime: a nuvem de pó-de-arroz encobre as arquibancadas do Estádio Mário Filho. Os jogadores oponentes devem ter ficado maravilhados diante daquela tempestade de talco, bandeiras e cantos. Maravilhados e assustados: afinal, eles teriam que lutar contra todos aqueles fanáticos, durante longos noventa minutos.

E o que se viu em campo foi o reflexo do show que se viu na arquibancada. A equipe do Fluminense jogava por música. Os passes eram precisos e rápidos, havia bastante movimentação, e o sistema defensivo estava seguro. Thiago Neves, de falta, abriu o placar, com uma cobrança magnífica, no ângulo. Minutos depois, Dodô ampliou, escorando de primeira um cruzamento. Ainda no primeiro tempo, Dodô fez bela jogada e deixou Gabriel livre, na cara do gol: Fluminense 3 a 0. Que primeiro tempo fantástico!

No início do segundo tempo, aconteceu a obra prima. Thiago Neves conduzia a bola pela ponta direita, viu um espaço na entrada da área e efetuou o lançamento de folha seca. A pelota foi em direção a Dodô, e este resolveu chutar de primeira. A trajetória da bola foi perfeita, e estufou as redes: 4 a 0. Um golaço, uma obra de arte, que deveria ser imediatamente recolhida ao Museu do Louvre, em Paris.

O Fluminense continuou avassalador. O centroavante Washington recebeu na frente, e bateu para o gol: 5 a 0. Ainda houve tempo para o sexto gol, do versátil Cícero, de falta. E assim ficou o placar final: Fluminense 6, Arsenal 0.

O adversário derrotado foi o argentino Arsenal de Sarandí, que vinha credenciado pela conquista da Copa Sul-Americana de 2007. Poderia ter sido o escrete húngaro de 1954, ou o carrossel holandês de 1974, ou a Seleção Brasileira de 1970, ou o Santos de Pelé. Diante daquela exibição perfeita, do time e da torcida, qualquer adversário capitularia. Era a grande noite do Fluminense, e a grande noite do Estádio Mário Filho. Aquela aurora anunciou a mais fantástica jornada que um clube jamais realizará na Taça Libertadores. Uma jornada sem final feliz, mas nem por isso menos fantástica.

PC

quarta-feira, 18 de março de 2009

Recordar é viver - Fluminense 3, Volta Redonda 1

Rio de Janeiro, 18 de abril de 2005.

Amigos, desde ontem o Fluminense é o campeão do estado. No maior jogo de sua história, o Volta Redonda chegou muito perto da glória. A equipe aurinegra vencera a partida de ida por 4 a 3, uma semana antes. Tinha, pois, a vantagem de poder empatar. Porém, o Fluminense tinha uma vantagem ainda maior: o Maracanã transbordava de tricolores. Dos mais de 70 mil presentes, pelo menos 60 mil eram pós-de-arroz. E não eram 60 mil espectadores meramente assistindo à batalha. Eram 60 mil fanáticos, dispostos a vencer ou perecer pelo Querido Pavilhão. Eis a maior vantagem do Fluminense Football Club ontem: a torcida tricolor.

Logo no início, porém, veio o duro golpe para o pó-de-arroz: o atacante Fábio, do Voltaço, apareceu livre na frente e fuzilou para o gol de Kléber: 1 a 0. A vantagem do Volta Redonda ficou ainda maior. O jogo tornou-se dramático: o Fluminense atacava, atacava e atacava, e o gol teimava em não sair. Porém, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Antes de ir para o intervalo, Tuta cabeceia, a bola bate na trave, volta no zagueiro Ailson e entra: gol contra. Com o gol mais chorado do ano, começava a reação tricolor.

No segundo tempo, a missão tricolor se torna muito mais difícil, quando Tuta passa de herói a vilão: agride um adversário e é expulso pelo juiz. O Volta Redonda, que já tinha um gol a mais, passou a ter um homem a mais em campo. Porém, logo a sorte voltou a sorrir para o quadro de Laranjeiras, quando o árbitro expulsou o aurinegro Mário César, com um segundo cartão amarelo.

Os ponteiros do relógio corriam cada vez mais rápido. O tempo é relativo para os torcedores de futebol: quando estamos vencendo, ele passa devagar; e quando estamos perdendo, ele corre como um coelhinho de desenho animado. A torcida tricolor pedia, desesperada, a benção de João de Deus, o santo papa que falecera havia menos de um mês. Eis que surge a grande chance: falta na ponta direita, próxima à área. Juan cobra a infração, e Marcão desvia de cabeça: era o gol da virada - Flu 2 a 1. Na soma dos placares, o 5 a 5 que nos levaria para a loteria das cobranças.

Corria o doce e santo último minuto do segundo tempo. Eu, na arquibancada, já calculava como seria a disputa de pênaltis. Acontece, então, o suave milagre: Leandro busca uma bola quase perdida na lateral direita do campo. Olha para a área e resolve fazer um lançamento para lá: o chuveirinho derradeiro. O zagueiro Antonio Carlos corre para a bola e pula. Disse pula, mas já me corrijo: voa! Voa como uma sílfide leve, alada e incorpórea! A bola passa pelo goleiro Lugão, e cai devagar, dentro dos arcos. Era o gol do campeonato! Como diz o meu irmão, "o último minuto é tricolor"!


Só quem estava lá sabe como foi...

Não se levanta uma taça em um só jogo. Um título é todo sangue, todo suor e todo lágrimas de um campeonato inteiro. Não há como negar que o Fluminense mereceu o caneco. Iniciamos o certame a duras penas, é verdade, mas depois que reagimos ninguém mais conseguiu interromper nossa jornada. O belo troféu repousará feliz, para sempre, em Álvaro Chaves.

PCFilho

terça-feira, 17 de março de 2009

Recordar é viver - Vasco 4, Palmeiras 3

Amigos, pouco importa que a Copa Mercosul fosse um mero torneio amistoso e caça-níqueis, nem sempre com os melhores times do continente. O importante é que, na final, Palmeiras e Vasco fizeram um desses jogos eternos e imortais. Daqui a duzentos anos, o país inteiro dirá, mordido de nostalgia, do Oiapoque ao Chuí: "aquele Vasco e Palmeiras!".

O alviverde paulista se aproveitou do fato de jogar a final em sua própria casa, e partiu para o ataque. Aos 35, fez 1 a 0, com o paraguaio Arce, cobrando pênalti. Um minutinho depois, Magrão ampliou para 2 a 0, de cabeça. Era a grande noite do Palmeiras! Porém, a equipe cruzmaltina não era boba, de modo que os palmeirenses sabiam que era preciso decidir logo o título. Com esse pensamento, os paulistas continuaram na ofensiva. E conseguiram a recompensa por isso: o doce e santo 3 a 0 veio aos 45 minutos, em chute colocado de Tuta.

No intervalo, um amigo vascaíno me telefonou desesperado: "desisto e vou dormir! É muita humilhação!". Ao que eu respondi: "não faça isso! Futebol só acaba quando termina! Jamais abandone o seu time!". Eu não sabia e não esperava, mas estava profetizando a virada histórica.

Joel Santana, o folclórico comandante da nau cruzmaltina, tinhas duas opções: a covardia e a ousadia. Mahatma Gandhi dizia que os covardes morrem muitas vezes antes de morrer. Joel não é desse tipo de gente, de modo que preferiu ousar: abdicou da tática e mandou seu time todo à frente. Tirou o volante Nasa e pôs o atacante Viola. Jogando assim tão ofensivamente, o Vasco se arriscou a tomar uma goleada histórica. Arriscou-se ao vexame para tentar obter a glória.

Os torcedores às vezes não conseguem identificar um craque. Há jogos em que o craque está lá, no campo, mas nenhum torcedor na arquibancada consegue enxergá-lo, como se a epidemia de cegueira do romance de Saramago tivesse atacado o estádio inteiro. Há, porém, uma entidade no estádio que nunca falha na tarefa de reconhecimento do craque. Trata-se da bola: ela é atraída magneticamente para os pés do grande jogador. E, quando chega ao craque, a pelota lambe-lhe as chuteiras como uma cadelinha adestrada. Foi exatamente isso que aconteceu no segundo tempo, amigos: a bola reconheceu Romário, e foi até ele lamber-lhe as chuteiras, do jeito que uma cadelinha adestrada faria.

Aos 13 minutos, o Baixinho fez o primeiro, de pênalti. O placar mostrava "Palmeiras 3 a 1". Aos 23, novo pênalti para o Vasco, novo gol de Romário. Palmeiras 3 a 2. A partida então ganhou contornos dramáticos, já que bastava mais um gol vascaíno para levar o jogo para os pênaltis. Aos 32, o Gigante da Colina sofreu um duro golpe, que poderia esfriar a reação: o zagueiro Júnior Baiano foi expulso. O Vasco jogou os últimos minutos com dez. Mas eram dez guerreiros incansáveis, dispostos a vencer ou perecer. Aos 40, acontece o gol mais aguardado pela torcida do Vasco. Romário erra o chute, mas a bola cai nos pés de Juninho Paulista, que fuzila para o gol. Até quando erra, o Baixinho acerta.

E só poderia ser dele o gol do milagre. Aos 48 minutos, bate-rebate na área palmeirense, e a cadelinha adestrada é atraída magneticamente para os pés do craque. Romário, sozinho, empurra a bola para os arcos palmeirenses, e é consumado o milagre da virada. A virada do milênio!

PC

Resultado da enquete

Amigos, perguntamos "para que time o caro leitor torce", e eis o resultado obtido, após sete dias de votação:
1. Fluminense (314 votos, 88,70% do total)
2. Flamengo (21 votos, 5,93% do total)
3. Botafogo (9 votos, 2,54% do total)
4. Vasco (6 votos, 1,69% do total)
5. Outro (4 votos, 1,13% do total)

O PC ficou muito feliz ao perceber que o blog anda tão bem frequentado. :-)

Idealizamos esta primeira enquete para identificar o público que vem lendo esse espaço. Já esperávamos predomínio tricolor, fato devido aos textos dos últimos meses, quase sempre tendo como tema a equipe de Laranjeiras.

Porém, nós acreditamos que o conteúdo do blog pode ser atrativo também para as outras torcidas do Rio de Janeiro. Faremos um esforço de produção de conteúdo e de divulgação para que o nosso espaço possa ser frequentado também por flamenguistas, botafoguenses e vascaínos. Todos são muito bem vindos aqui, e sempre serão. Deixamos aqui um pedido: divulguem o Jornalheiros entre seus amigos de todas as torcidas.

Aproveitamos para expressar nossa alegria de constatar, ontem, o nosso recorde de acessos em um dia: 1201 visitantes, sendo 977 únicos. Não esperávamos que, em tão pouco tempo, fôssemos atingir tamanha audiência. Porém, esperamos que vocês continuem fiéis, nos prestigiando com as suas preciosas visitas diárias.

Em breve, colocaremos no ar uma nova enquete. A promessa de pelo menos um texto por dia continua de pé. Nesta terça, a coluna do PC, "Recordar é viver", conta a incrível história do jogo Vasco 4 x 3 Palmeiras, pela Copa Mercosul de 2000.

Abraços!

PC e Rafs

segunda-feira, 16 de março de 2009

O segundo gol de Fred

Foi só eu postar o vídeo do primeiro gol de Fred gravado da arquibancada, que logo apareceu um vídeo do segundo. Dessa vez, a filmagem foi feita pelo amigo Gabriel Rocha, da arquibancada branca. Assistam:



PC

O primeiro gol de Fred

Amigos, o amigo de blog Rafael Amaro está viajando, em um congresso de engenharia. Afinal, antes de jornalistas nós somos engenheiros. Dessa forma, ele provavelmente não postará nos próximos dias.

Para manter a promessa de um post diário, venho compartilhar com vocês uma preciosidade. Trata-se do vídeo com o primeiro gol de Fred com a camisa do Fluminense, gravado de um ângulo diferente do habitual.

Já rolava o segundo tempo e, como sempre, boa parte da torcida tricolor trocou de lado na arquibancada, para acompanhar o ataque do time. Portanto, o vídeo é gravado da arquibancada amarela à direita das cabines de TV e rádio do Maracanã.

Os créditos do vídeo são do Edu Rocha, cinegrafista oficial da torcida pó-de-arroz. Após o gol, vem a música em homenagem ao nosso novo artilheiro, com legenda. Divirtam-se!

PC

domingo, 15 de março de 2009

Fluminense 3, Macaé 1

Amigos, ganhamos por 3 a 1 do Macaé, de virada, no Estádio Mário Filho. Assim, foi perfeita a estreia de Fred, o camisa 9 mais aguardado que um Messias em Álvaro Chaves. Ele fez dois gols, mas não foi só isso: mostrou que entende do métier de centroavante. Ele sabe se posicionar, luta incansavelmente pela recuperação da posse de bola, passa quando tem que passar, e chuta quando tem que chutar. Fred provou hoje que é peça essencial nas engrenagens da nova Máquina Tricolor.

Outro jogador fundamental é Thiago Neves. O profeta dizia que a bola reconhece o craque, e sempre vai até ele lamber-lhe as chuteiras, tal qual uma cadelinha adestrada. É isso que ocorre com Thiago Neves: é o eleito da pelota. O escolhido. The one, diriam os inventores do nosso amado esporte. Vejam o golaço que ele fez hoje, de voleio: trata-se de uma obra prima, que deveria ser imediatamente exposta em uma galeria do Louvre, em Paris.

Já citei os autores dos gols, mas ainda não citei o principal responsável pela vitória, na minha visão. Trata-se do técnico Carlos Alberto Parreira. Fomos para o intervalo em desvantagem, Macaé 1 a 0. Então, o pé-de-uva saca Romeu e põe Leandro Bonfim. O substituto entra muito bem, e uma jogada sua provoca a expulsão de um adversário. Porém, mesmo com dez, o Macaé resistia bravamente: seus jogadores estavam dispostos a vencer ou perecer. Então, Parreira enxerga o óbvio ululante: os laterais do Fluminense nada produziam. Disse óbvio, mas já me corrijo: não era nada óbvio. Os gênios veem o óbvio antes de nós, meros mortais. Parreira é gênio, e viu o óbvio quando ninguém achava que era óbvio.

Sua substituição dupla espantou a todos: tirou os dois laterais (Mariano e Leandro), e pôs o meia Marquinho e o atacante Maicon. Pronto, mais uma vez a mão de Parreira mudava o destino de um jogo. Maicon arrumou uma falta pela direita: Conca cobrou e Fred cabeceou para o gol. Já Marquinho iniciou a jogada dos outros dois gols. Assim, fica demonstrada toda a influência do pé-de-uva na doce e santa vitória do pó-de-arroz.

Já vejo tricolores empolgados: "vamos conquistar o campeonato". É preciso humildade, minha gente. Eu sei que as sandálias da humildade são duras, desconfortáveis e feias, mas nós precisamos vesti-las. Somente com elas conseguiremos a trigésima-primeira taça, tão ansiosamente aguardada pela abarrotada sala de troféus da Rua Álvaro Chaves.

Na saída do Maracanã, um amigo me diz, com o lábio trêmulo e os olhos rútilos: "você vai escrever que o Fred foi o personagem de hoje, não vai?". Confesso que minha vontade era eleger Parreira, mas vá lá: hoje foi a estreia do camisa 9, e ele fez por merecer a homenagem, com os dois gols. Fred, você é o meu ilustre personagem deste domingo.

PC



sábado, 14 de março de 2009

Tricolores, ao Maracanã

Amigos, Fred treinou normalmente hoje, e sua estreia está confirmada para o jogo contra o Macaé. Hoje, vou relembrar algumas histórias recentes de artilheiros tricolores aqui.

Em 1975, Rivellino chegou do Corinthians, e estreou num sábado de Carnaval, contra o próprio clube paulista. Vencemos por 4 a 1 num Maracanã lotado, com três gols de Riva.

Em 1980, Cláudio Adão chegou do Flamengo, e foi o artilheiro do Campeonato Carioca, com 20 gols. E a taça de 1980 repousa feliz em Álvaro Chaves.

Em 1983, Assis e Washington chegaram do Atlético Paranaense. O casal 20 arrebatou de emoção os tricolores durante três anos mágicos, e veio o doce e santo tricampeonato.

Em 1995, chegou Renato Gaúcho. E, no dia 25 de junho, o artilheiro pôs a barriga na bola e também levantou a taça.

Em 2002, Romário veio do Vasco, e sua estreia foi épica. Mais de setenta mil pós-de-arroz encheram o Maracanã, Romário fez 2, e o Fluminense goleou o Cruzeiro por 5 a 1.

Em 2009, chega Fred do Olympique de Lyon. Ele garante: "sempre fiz gols, em todas as minhas estreias".

Portanto, tricolores, domingo o seu lugar é no Estádio Mário Filho. Vivos, doentes e mortos subirão as rampas. Os vivos sairão de suas casas, os doentes de suas camas, e os mortos de suas tumbas. As arquibancadas e cadeiras estarão lotadas, e Fred iniciará sua épica jornada com a camisa do Fluminense. Nossa abarrotada sala de troféus clama por mais taças: o artilheiro da camisa 9 fará a sua parte, e as taças virão, eu tenho certeza.

PC

Pitacos, profecias e zebras

Amigos, o futebol não para. Ainda na quinta-feira tivemos o eletrizante clássico no Maracanã (Vasco 4 x 1 Botafogo), e já no sábado tem mais jogo no Maior do Mundo: Flamengo x Tigres. Max Gunther, autor da área de finanças, costuma dizer: "desconfie do cidadão que disser que conhece um pedacinho que seja do futuro, porque ele está mentindo". Concordo com ele, afinal é óbvio que não é possível saber de antemão o que ainda vai acontecer. Porém, o que seria do futebol sem os pitacos, sem as profecias? Perguntei e eu mesmo respondo: seria um esporte com menos graça. Dessa forma, brincarei aqui, todo sábado, de fazer previsões para a rodada do fim de semana.

Começo pelo jogo do rubro-negro no sábado: acho que o Flamengo goleará, devido à colossal fragilidade do oponente. No domingo, o Vasco vai a Saquarema enfrentar o Boavista, antigo Barreira. Espero um jogo duro, mas o Vasco vem embalado pela vitória no clássico, e também deve vencer. O Fluminense recebe o Macaé no Maracanã, também no domingo. A tarde promete ser de festa e estádio cheio, por causa da possível estreia de Fred, o centroavante mais aguardado que um Messias em Álvaro Chaves. Se a torcida tricolor realmente comparecer em peso, acredito na doce e santa goleada.

Os leitores devem estar pensando de mim: "esse cronista é um fanfarrão, só aposta nos resultados óbvios". Provarei que estão errados: acho que a zebra voltará a passear no Campeonato Carioca. E, apesar de ela ser alvinegra, tenho a impressão de que ela atacará o Botafogo, no jogo contra a Cabofriense, no Correão. Explico: uma goleada de 4 a 1 para um rival não é fácil de engolir. Uma humilhação soa mil vezes pior quando ocorre em um clássico. Assim, acho que o quadro de General Severiano ainda demorará para voltar ao embalo.

Portanto, eis os meus pitacos e profecias do fim de semana, com direito a zebra: Flamengo, Vasco, Fluminense e Cabofriense. Escreva os seus palpites nos comentários! Até amanhã!

PC

sexta-feira, 13 de março de 2009

Futebol para Escanteio: NBA Tupiniquim


Amigos, hoje inauguro minha coluna sobre outros esportes, pois não só de futebol viverá o homem, mas também de vôlei, basquete, automobilismo, e até aqueles esportes esquisitos que os americanos curtem.

O primeiro assunto sobre o qual vou falar é o NBB, Novo Basquete Brasil. O nome não faz muito sentido, mas é sugestivamente parecido com “NBA”... curioso isso, não?

O que importa é que vivemos um novo começo na modalidade. Depois de algumas tentativas iniciadas há cerca de três anos, finalmente os clubes conseguiram a autonomia que desejavam para organizar seu campeonato, administrando contratos, regulamentos, etc. O grande diferencial do NBB com relação aos seus antecessores é o fato de a CBB e a FIBA (basta trocar o B pelo F que todos entendem) deram respaldo a esta competição, que passa a ser efetivamente reconhecida como “oficial”.

Superando as brigas do passado, esperamos que o basquete (masculino) brasileiro consiga tomar novos rumos, e volte a disputar os Jogos Olímpicos. Ainda são necessárias várias mudanças administrativas, pois ainda há brigas com relação ao comando da Seleção, falta de respeito com os heróis da modalidade (haja visto que em janeiro completou-se 50 anos do primeiro título mundial do Brasil e a CBB não fez nem um comentário), e tantas outras coisas. Mas toda longa caminhada começa com o primeiro passo. E este acaba de ser dado.

Este modelo implementado aqui é baseado no caso de maior sucesso do basquete mundial, a NBA. Lá, quem manda no campeonato são os times, e o resultado mostra o sucesso deste formato. Atualmente, quinze franquias disputam o torneio em terras brasileiras, sendo eslas de São Paulo (8), Espírito Santo (2), Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Brasília e Rio de Janeiro (1 cada). O representante do RJ é o Flamengo, atual campeão nacional.

E as semelhanças entre NBB e NBA não estão apenas no nome. Vários craques da versão tupiniquim já tiveram alguma experiência na matriz norte-americana. E para tornar tudo mais atraente, também teremos o nosso All-Star Game.

No dia 22 de março, no Maracanãzinho, ocorrerá o Jogo das Estrelas, que será precedido por um torneio de enterradas e outro de arremessos de três pontos. Para escolher os jogadores que farão parte da partida, é só clicar aqui e votar no site da Liga Nacional. Ainda não consegui informações sobre venda de ingressos para o jogo, mas assim que souber, posto aqui nos comentários.

Que possamos reviver as glórias do passado, a época de Oscar e companhia, e que voltemos a ser uma das potências mundiais do basquete!

rafs

quinta-feira, 12 de março de 2009

Jogão em preto-e-branco

Que belo jogo hoje no Maior do Mundo! Alvinegros e alvinegros entraram em campo e buscaram a meta adversária desde o início. Logo aos dois minutos, o Time da Colina foi presenteado com o seu primeiro gol, após uma pressão incrível sobre o Time da Estrela Solitária. Carlos Alberto, que acabou com o jogo, mostrou que não estava para brincadeiras e deu ótimo passe para Elton abrir o placar. E o Bacalhau não diminuiu o ritmo!

Do outro lado, o Glorioso conseguiu sair do sufoco e também partiu para cima. O jogo ficou sensacional! E a vontade de vencer era tanta que muitas faltas eram cometidas. O juizão mostrava o cartão a todo o momento. Acho até que deve ter acabado o espaço para escrever mais nomes ali. E com tantos amarelos, distribuídos, era claro que logo surgiriam os vermelhos. Foram três ao todo.

Mas o que brilhou mesmo foi a disposição cruzmaltina, a vontade de vencer a todo custo; e a entrega dos jogadores foi refletida no placar: 4 a 1. Inquestionável a superioridade vascaína, que só esteve ameaçada após ter um homem expulso, quando ainda estava vencendo por 2 a 0 e os botafoguenses marcaram seu golzinho de honra. Mas, com um gol de pênalti que marcou a volta de Léo Lima à Colina, o Vasco colocou ordem na casa. A cereja do bolo foi o gol de Casalbé, como o meu nobre amigo costuma chamar, para coroar uma atuação de gala. Com isso, o Vasco voltou a vencer o Botafogo no Estadual, depois de sete anos de jejum.

O Botafogo pode curtir a paz da classificação para a final, mas tem que abrir o olho, pois uma derrota por tal placar não pode ser facilmente explicada. Nem esquecida.

Já a torcida vascaína se enche de esperanças para a disputa do que realmente os interessa neste ano: a Série B.

rafs