A poucas semanas do primeiro turno das eleições, já podemos prever quem será o próximo Presidente da República? Costumo desconfiar sempre de quem afirma que conhece o futuro, mas vou me arriscar a prevê-lo mesmo assim: Marina Silva será a próxima mandatária da nação. É na ex-senadora acreana que eu, se fosse apostar, colocaria todas as minhas fichas.
Sim, o projeto de governo de Marina Silva e do PSB ainda está recheado de incógnitas, é verdade. Não sabemos, por exemplo, como a economia será conduzida - embora eu naturalmente acredite que, grosso modo, a política dos governos Fernando Henrique, Lula e Dilma Rousseff será mantida, diferindo apenas nos detalhes. Marina é inteligente o bastante para saber que não pode jogar fora a estabilidade econômica, que é basicamente o único legado de fato relevante dos últimos governos.
A questão é: o eleitor brasileiro médio não vota com a cabeça. Na média, nós votamos com o coração. E, dentre as três opções viáveis, Marina Silva é, disparada, a que mais agrada o coração do brasileiro. Não foi à toa que, em 2010, mesmo concorrendo por um partido pequeno (o PV), com pouco tempo de televisão, ela conseguiu angariar mais de 19 milhões de votos.
O brasileiro se identifica com Marina, o brasileiro se vê em Marina. Até mesmo o seu passado de mudanças de partido e as contradições que os adversários apontam em seu discurso acabam ajudando-a. Sim, porque o brasileiro é um ser contraditório, na média, uma metamorfose ambulante, principalmente em Política. Aqui, nas eleições, acontecem fenômenos curiosos como um candidato ter menos votos no segundo turno que no primeiro (como ocorreu com Geraldo Alckmin no pleito presidencial de 2006).
A tragédia que vitimou Eduardo Campos acrescentou o aspecto dramático que faltava para que Marina Silva ganhasse de vez a nossa preferência emocional. Não tenham dúvidas: muitos brasileiros farão nas urnas uma homenagem ao falecido candidato, votando em Marina Silva. Como escrevi acima, nós votamos com o coração.
Antes do desastre aéreo do Cessna, eu tinha para mim que Dilma seria reeleita com sobras - no segundo turno, mas com alguma folga. Porém, com a entrada de Marina Silva no cenário, ainda mais nestas circunstâncias, tudo mudou. Antes ainda da divulgação da primeira pesquisa de opinião, eu já desconfiava que Marina Silva passaria a ser a favorita do pleito.
Assim que a primeira pesquisa foi divulgada, com Marina ultrapassando Aécio Neves por pouco no primeiro turno e vencendo Dilma também por pouco no segundo turno, ouvi alguns analistas afirmarem categoricamente que aquilo era passageiro, ainda efeito da comoção pela morte de Eduardo Campos. Eu torcia o nariz para todos eles, e resmungava para mim mesmo: "como podem ser chamados de especialistas, se não conhecem o brasileiro?". Eu tinha certeza de que as intenções de voto em Marina subiriam nas pesquisas seguintes, quando ela passaria a ser de fato exposta na mídia. Fiquei espantado ao não ver um único e escasso comentarista afirmar ou escrever esta tendência tão óbvia. Aliás, me corrijo: ouvi um sujeito prever isto, sim, se não me engano na Globo News. Me desculpem, mas não me recordo quem foi (se alguém souber, diga nos comentários). O cenário já era, a meu ver, cristalino: as eleições haviam caído no colo de Marina Silva.
Vale dizer que também ajudam Marina os fracassos absolutos dos governos anteriores nos temas mais relevantes do Brasil: a Educação, que continua em um patamar ridículo; a saúde, que tem um padrão de qualidade muito longe do aceitável; o saneamento básico, que ainda não chegou para tantos brasileiros; o transporte nas grandes e médias cidades, cada vez mais caótico; e até a economia, com a taxa de crescimento pífia e o retorno do fantasma da inflação. Como os dois concorrentes de Marina são representantes destes governos, ela, embora tenha sido ministra de Lula, aparece como uma terceira via pela qual muitos brasileiros anseiam.
Voltando à questão-tema do post: não acredito que a vitória de Marina se dará já no primeiro turno (embora não descarte essa hipótese), mas acho que ela já será a candidata mais votada. No segundo turno, com o apoio quase certo do candidato que ficar em terceiro lugar (seja Aécio, seja Dilma), o triunfo de Marina será tranquilo.
Caso vença mesmo as eleições, Marina Silva será a 37ª Presidente do Brasil, sucedendo Dilma Rousseff. Uma de suas promessas de campanha é não concorrer à reeleição - algo que eu apoio, e que certamente também atrai simpatia para sua candidatura.
PCFilho