Amigos, o Profeta saiu da distante caverna que habita e foi para as ruas celebrar. E o sábio homem não levava apenas a sua longa barba branca: atravessava o seu peito uma belíssima faixa de tetracampeão. Assim que avistei meu amigo, corri para abraçá-lo, enquanto ouvia os ecos de seu épico vaticínio: "Fluminense campeão! Fluminense campeão! Fluminense campeão! Fluminense campeão!".
Do gol de Leandro Euzébio na rodada inaugural ao terceiro tento de Fred contra o Palmeiras, a jornada tricolor foi maravilhosa. Foram 22 vitórias, 10 empates e apenas 3 acidentes de percurso. Repito: que jornada maravilhosa! É simplesmente a melhor campanha da história do Campeonato Brasileiro em seu formato atual. O Fluminense é o campeão brasileiro incontestável, irrevogável e infinito.
Todo grande time começa com um grande goleiro, mas o Fluminense de 2012 exagerou. Diego Cavalieri não é somente um grande goleiro. Diego Cavalieri é uma gigantesca muralha a proteger nossa bastilha. Quando o rubro-negro Bottinelli cobrou o pênalti nos momentos derradeiros do primeiro Fla-Flu do segundo século, Supercava voou para a história. Nos Aflitos, contra o Náutico, foram pelo menos doze, talvez dezessete ou trinta defesas espetaculares.
E Gum? O que dizer de Gum? A falha no Morumbi sequer arranha o Campeonato monumental de Gum. É, com toda a sua humildade, o melhor zagueiro atuando em solo tupiniquim. Desde as épicas atuações de 2009, quando este timaço foi forjado a sangue, suor e lágrimas, Gum honra a camisa tricolor transpirando litros por jogo. E já está na história do Fluminense: é um dos maiores de todos os tempos.
Ainda há Fred e seus vinte gols: o artilheiro tricolor tem uma fome patológica de gols. Só no jogo final, contra o Palmeiras, em Presidente Prudente, marcou três. Os dois Fla-Flus foram 1 a 0, ambos gols de Fred. Aliás, olhando para trás, a impressão que tenho é que o Fluminense venceu todos os seus jogos por 1 a 0, sempre com gols de Fred.
E Wellington Nem? Amigos, o menino corre mais que o papa-léguas do desenho animado. Sua velocidade impressionante foi fundamental em diversas vitórias tricolores. Alguns dizem que Wellington Nem é o Messi de Xerém. Sou obrigado a discordar: Messi é que é o Wellington Nem do Barcelona.
Jean foi extraordinário ao longo de toda a temporada: seu passe para o gol do título contra o Palmeiras é uma prova inequívoca de sua categoria. Deco, Wagner e Rafael Sobis foram fundamentais em várias partidas. Thiago Neves voltou à velha forma, decidiu o Fluminense x Vasco, e deu assistências mortais em muitos jogos. O jovem Samuel fez gols importantíssimos. Valencia, Digão e Leandro Euzébio molharam suas camisas como sempre. Marcos Júnior, Ricardo Berna, Bruno, Wallace, Carlinhos, Edinho, Diguinho, Thiago Carleto, Lanzini, Anderson, Fábio, Michael, Matheus Carvalho, todos, todos deram suas contribuições para mais esta conquista do Tricolor.
Confesso que critiquei muito Abel, mas dou o braço a torcer: o treinador do Fluminense soube aproveitar todas as potencialidades do elenco. Montou um time que é, inquestionavelmente, o melhor do Brasil. Sem dúvidas, Abel possui muito mérito na conquista do título.
O papagaio Samarone nunca esteve tão feliz, amigos. O louro mais esperto que muitos seres humanos não pára de repetir: "tetracampeão! tetracampeão! tetracampeão! tetracampeão!".


