terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Parentes que fizeram história no Fluminense

Carlos Alberto Torres e seu filho Alexandre, em 1986: exemplo de linhagem tricolor.
(Foto: Gazeta Press)

Amigos, há quem diga que o talento é determinado e transmitido pela genética. Há também os que garantem que a paixão passa de pai para filho. A gloriosa história do Fluminense Football Club talvez consiga provar ambas as teses.

Regressando aos primórdios, aqueles tempos em que o Fluminense ainda tentava convencer o Brasil de que a vocação da pátria era o futebol, o fundador Oscar Alfredo Cox chegou a atuar algumas vezes como atleta do clube, mas foi seu irmão Edwin Horácio Cox que levou a fama de ser o craque inaugural do futebol carioca, com seus dribles arrebatadores. Outro irmão que jogou no Fluminense foi Harold Cox. Oscar, Edwin e Harold foram, portanto, os primeiros irmãos a fazerem história no Fluminense (e no futebol brasileiro).

Os irmãos argentinos Victor e Emile Etchegaray estiveram presentes em todos os 33 jogos do tetracampeonato carioca obtido pelo Fluminense entre 1906 e 1909. Victor era zagueiro e Emile atacante, mas não há dúvidas de que o entrosamento familiar ajudou demais o onze tricolor naquelas campanhas memoráveis, que culminaram nas primeiras taças da história tricolor.

O meia-atacante inglês James William Calvert foi campeão carioca de 1911 pelo Fluminense. James foi um dos dois titulares a permanecer no Tricolor após a cisão que deu origem ao futebol do Flamengo - e, no primeiro Fla-Flu, marcou o segundo gol da vitória do Fluminense por 3 a 2. O primeiro gol do jogo fora assinalado por Edward Calvert, irmão de James, que passara a ser titular do Fluminense após a saída dos dissidentes. O triunfo tricolor naquele primeiro clássico contra o Flamengo teve, portanto, participação fundamental dos irmãos Calvert, que atuaram juntos durante a temporada de 1912.

Naquela época, as arquibancadas tricolores tinham em suas fileiras o escritor Henrique Maximiano Coelho Neto, fundador da cadeira número dois da Academia Brasileira de Letras. Coelho Neto era um torcedor tão fanático que, quando o Fluminense estava sendo garfado em um Fla-Flu de 1916, invadiu o gramado a fim de interromper a roubalheira. Dois de seus filhos acabaram tornando-se atletas do Fluminense: Mano, que faleceu tragicamente após levar uma bolada em um jogo do clube; e Preguinho, autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, um atleta tão completo que também foi campeão em outras nove modalidades. Os irmãos Mano e Preguinho são reverenciados até hoje como dois grandes ídolos tricolores.

O goleiro Marcos Carneiro de Mendonça, primeiro a defender os arcos da Seleção Brasileira, foi uma verdadeira lenda do Fluminense, peça fundamental na conquista do tricampeonato entre 1917 e 1919. Posteriormente, foi presidente do clube, conquistando em sua gestão o bicampeonato, em 1940 e 1941. Anos mais tarde, seu irmão Fábio Carneiro de Mendonça também seria presidente do Fluminense, conquistando em sua gestão o Campeonato Carioca de 1951 e o Mundial de Clubes de 1952, além da Taça Olímpica de 1949. Na década de 1990, o filho de Fábio, Gil Carneiro de Mendonça, também seria presidente do Fluminense, por alguns meses.

Na década de 1930, o defensor José Pereira Guimarães fez história com a camisa tricolor, tendo atuado mais de 150 vezes pelo Fluminense, e levantado os Campeonatos Cariocas de 1936, 1937, 1938 e 1940. Quatro décadas depois, seu sobrinho Antonio Monfrini Neto, o meia-atacante Manfrini, foi um dos craques da Máquina Tricolor que encantou o Brasil. Manfrini também completou a marca de 150 jogos pelo Fluminense, e foi campeão Carioca em 1973 e 1975. Tanto o talento para o futebol quanto a paixão pelas três cores do Fluminense passaram do tio para o sobrinho.

Em 1936 e entre 1944 e 1945, os irmãos uruguaios Hector e Humberto Cabelli trabalharam juntos na comissão técnica do Fluminense. Ambos chegaram a treinar a equipe profissional do clube Tricolor.

Em dezembro de 1941, o Fluminense disputou dois amistosos em São Paulo, o primeiro contra o São Paulo e o segundo contra o Corinthians. Foram as duas únicas partidas do goleiro Aymoré Moreira com a camisa do Fluminense - ele defendia o Botafogo naqueles anos. Posteriormente, Aymoré teria uma bem-sucedida carreira de treinador: foi o técnico da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Seu irmão mais velho Zezé Moreira também foi jogador e treinador - e fez história no comando técnico do Fluminense, sendo até hoje o treinador recordista em número de jogos no Tricolor, e tendo conquistado os Campeonatos Cariocas de 1951 e 1959, o Torneio Rio-São Paulo de 1960 e o Mundial de Clubes de 1952.

Entre 1963 e 1966, José Antunes Coimbra Filho, o Antunes, jogou 36 partidas e marcou 13 gols pelo Fluminense. Em 1993, seu irmão Eduardo Antunes Coimbra, o Edu, foi treinador do clube por um curto período. Os dois são irmãos mais velhos de Zico, grande ídolo da história do Flamengo, que (até hoje) nunca defendeu o Fluminense.

Na década de 1960, o Fluminense revelou o lendário lateral-direito Carlos Alberto Torres para o futebol. Após passar por outros clubes, ele voltou a Laranjeiras em 1976, para comandar dentro de campo a Máquina Tricolor. Anos após a aposentadoria do "Capita", Alexandre Torres seguiu os passos paternos, iniciando sua carreira profissional no Tricolor (nas divisões de base, chegou a ser treinado pelo pai).

Em 4 de julho de 1971, o Fluminense venceu o America por 2 a 0, em partida válida pela Taça Guanabara. Este foi o único jogo do volante Júlio Laerte Camilo do Amaral com a camisa tricolor (ele teve mais destaque atuando pelo Palmeiras). Décadas depois, em 2008, o clube das Laranjeiras contratou o atacante Leandro Câmara do Amaral, filho de Júlio. Leandro atuou 23 vezes pelo Fluminense entre 2008 e 2009, tendo marcado 4 gols.

Na década de 70, o Fluminense revelou o jovem Gilson Wilson Francisco, o Gilson Gênio, que fez parte da temida Máquina Tricolor, bicampeã carioca em 1975 e 1976, e nos anos 2000 foi treinador das categorias de base do clube. Seu irmão mais novo, Gilcimar Wilson Francisco, também foi revelado pelo Fluminense, fazendo parte da equipe campeã da Copa São Paulo de Juniores de 1977. Depois, ele atuou nos profissionais entre 1977 e 1979 e entre 1981 e 1982.

No ano de 1977, estiveram juntos no time profissional do Fluminense os irmãos César Augusto da Silva Lemos (o César Maluco) e Luiz Carlos da Silva Lemos. Uma curiosidade é que os dois irmãos já haviam atuado juntos no Flamengo, clube que os revelou, em 1968.

Em agosto de 1996, o meia-armador Roberto de Assis Moreira disputou 6 partidas no time profissional do Fluminense, sem grande destaque. Dezenove anos depois, seu irmão mais novo Ronaldo, o craque mundialmente famoso Ronaldinho Gaúcho, seria contratado pelo Tricolor. Infelizmente, não teve o sucesso esperado, tendo entrado em campo apenas 11 vezes com a camisa do clube carioca.

Entre 2001 e 2002, os irmãos Oswaldo de Oliveira e Waldemar Lemos trabalharam juntos na comissão técnica do Fluminense. No início de 2002, Oswaldo comandava o time principal no Torneio Rio-São Paulo, enquanto Waldemar treinava o segundo time nas fases iniciais do Campeonato Carioca.

Já no século XXI, o Fluminense revelou dois irmãos para o futebol brasileiro: os meias Carlos Alberto e Fernando Gomes de Jesus. Carlos Alberto, o mais velho, foi campeão carioca em 2002, antes de ser vendido para o Porto, de Portugal. Fernando atuou com a camisa tricolor entre 2005 e 2006. Carlos Alberto ainda voltou ao clube para ser campeão da Copa do Brasil, em 2007.

Abel Braga, zagueiro revelado pelo Fluminense na década de 70 e treinador campeão Carioca de 2005 e Brasileiro de 2012, viu seu filho Fábio Braga seguir seus passos no Fluminense, atuando no meio-campo. Abel chegou a escalar Fábio em algumas partidas sob seu comando técnico, entre 2011 e 2013.

Recentemente, o Fluminense revelou para o futebol os irmãos gêmeos Fábio e Rafael Pereira da Silva, laterais-prodígio que não chegaram a jogar profissionalmente pelo clube, por terem sido vendidos precocemente para o poderoso Manchester United, da Inglaterra. Quem sabe eles, um dia, retornem juntos ao clube que os revelou?

1ª edição para acréscimos de outros casos (18/01/2017):

Entre os anos de 1973 e 1980, os irmãos Carlos Eduardo Duarte Ribeiro e Kleber Ribeiro Filho, respectivamente o lateral-esquerdo Carlinhos e o meia Kléber "Bequinha", atuaram juntos na equipe profissional do Fluminense, tendo acumulado diversos títulos, como os Campeonatos Cariocas de 1975 e 1976 e os Torneios de Paris e Viña del Mar de 1976.

Em 1991, o atacante Télvio Henrique Pereira da Costa atuou em 5 partidas pelo time profissional do Fluminense. Oito anos depois, seu irmão gêmeo Túlio Maravilha jogou 26 vezes, marcando 12 gols, com a camisa tricolor.

No ano 2000, o treinador do Fluminense Valdir Espinosa tinha como auxiliar seu filho Rivelino Serpa - que chegou a comandar o time em duas partidas daquela temporada.

PCFilho
(com colaborações de Afonso HildebrandtRomulo Morano e Fernando Mello)
(se o leitor conhecer outros casos de parentes que fizeram história no Fluminense, pedimos que nos avisem nos comentários - e agradecemos antecipadamente pela colaboração)

7 comentários:

  1. Vc esqueceu do Cleber, talentoso meio campo que jogou na "Máquina Tricolor" e seu irmão, lateral esquerdo Carlinhos.
    Abçs.

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    1. Obrigado pela colaboração. Acrescentarei a informação ao post em breve!

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  2. Outras colaborações de leitores: Valdir Espinosa e Rivelino Serpa; Túlio e Télvio.

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  3. Se "clone" valesse, na década de 1970 Zé Maria era chamado de "filhote de Marco Antônio", tamanha a semelhança!

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  4. 1ª edição para acréscimos de outros casos (18/01/2017):

    Entre os anos de 1973 e 1980, os irmãos Carlos Eduardo Duarte Ribeiro e Kleber Ribeiro Filho, respectivamente o lateral-esquerdo Carlinhos e o meia Kléber "Bequinha", atuaram juntos na equipe profissional do Fluminense, tendo acumulado diversos títulos, como os Campeonatos Cariocas de 1975 e 1976 e os Torneios de Paris e Viña del Mar de 1976.

    Em 1991, o atacante Télvio Henrique Pereira da Costa atuou em 5 partidas pelo time profissional do Fluminense. Oito anos depois, seu irmão gêmeo Túlio Maravilha jogou 26 vezes, marcando 12 gols, com a camisa tricolor.

    No ano 2000, o treinador do Fluminense Valdir Espinosa tinha como auxiliar seu filho Rivelino Serpa - que chegou a comandar o time em duas partidas daquela temporada.

    PCFilho
    (com colaborações de Afonso Hildebrandt, Romulo Morano e Fernando Mello)

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  5. Um resumo das carreiras dos quatro irmãos Silva Lemos (dos quais dois atuaram no Fluminense) pode ser encontrado
    aqui.

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