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terça-feira, 24 de abril de 2018

Efemérides tricolores - 24 de abril


1927: o Fluminense sagrou-se campeão do Torneio Início do Rio de Janeiro, disputado no Estádio de Laranjeiras: no primeiro jogo, venceu o Sport Club Brasil por 2 a 0, gols de Milton e Drolhe; na semifinal, derrotou o Botafogo por 1 a 0, gol de Alfredinho; na decisão, ganhou por 2 a 0 do São Cristóvão, com dois gols de Milton. Dias depois, numa impressionante demonstração de grandeza, o Fluminense avisaria à AMEA que descumprira o regulamento, ao incluir dois reservas na semifinal: "Exmo. Sr. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos. Apresso-me a fazer a V. Excia. ciente de que, por ocasião da segunda partida disputada pelo Fluminense Football Club no recente Torneio Initium, foram incluídos, por inadvertência, em nosso quadro dois substitutos, o que contraria a letra do art. 11 do regulamento especial do citado torneio. Pondo V. Excia. ao corrente dessa irregularidade, cumpre-me relevar que faço com ânimo de facilitar a fiscalização das respectivas súmulas". Em face do nobre gesto do Tricolor, a AMEA anularia o resultado da competição.

1938: em sua segunda partida no Torneio Municipal, o Fluminense conseguiu sua segunda vitória: 5 a 3 sobre o Botafogo, em São Januário. Celeste (dois), Brant e Sandro (dois) marcaram os gols tricolores no jogo. Naquela temporada, o Fluminense conquistaria tanto o Torneio Municipal quanto o tricampeonato Carioca.

1948: em sua estreia no Torneio Municipal, o Fluminense ganhou por 4 a 2 do São Cristóvão, na Gávea, graças aos gols de Pinhegas (dois), Rodrigues Tatu e Careca. Era o início da campanha que terminaria com a conquista do título, numa memorável decisão contra o Vasco (vide 30 de junho).

1949: em jogo do Campeonato Sul-Americano (atual Copa América), em São Januário, a Seleção Brasileira ganhou por 7 a 1 do Peru, graças aos gols de Arce (contra), Augusto, Jair Rosa Pinto (dois), Simão, Ademir Menezes e Orlando Pingo de Ouro. Em sua segunda partida com a camisa da Seleção, o meia-atacante tricolor Orlando Pingo de Ouro marcou seu segundo gol pelo escrete.

1955: em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo, o Fluminense derrotou o Corinthians por 2 a 1, diante de 31.519 presentes (24.859 pagantes) no Estádio do Maracanã. Os gols da vitória tricolor foram anotados por Didi e João Carlos.

1957: o Fluminense estreou no Torneio Rio-São Paulo com vitória: 1 a 0 sobre o America, gol do centroavante Waldo, de cabeça. A partida levou 9.549 presentes (6.989 pagantes) ao Maracanã. Era o início da campanha que culminaria na conquista do troféu pelo Fluminense, de maneira invicta (seriam 7 vitórias e 2 empates).

1962: em jogo válido pela Taça Oswaldo Cruz, no Pacaembu, em São Paulo, a Seleção Brasileira ganhou por 4 a 0 do Paraguai, gols de Pepe, Pelé (dois) e Vavá. Dois atletas do Fluminense foram titulares do escrete nacional nesta partida: o goleiro Castilho e o lateral-esquerdo Altair.

1966: em jogo amistoso, disputado no Estádio Lindolfo Monteiro, em Teresina, o Fluminense ganhou por 1 a 0 do Flamengo do Piauí, com gol do atacante Amoroso.

1976: o Fluminense aplicou a maior goleada de sua história no Estádio do Maracanã: 9 a 0 sobre o Goytacaz, gols de Totonho (contra), Doval (três), Gil (três), Dirceu e Paulo Cezar Caju. Com campanha de sete vitórias, dois empates e uma derrota, a Máquina Tricolor seguia a pleno vapor, rumo à conquista do bicampeonato Carioca.

1977: em jogo válido pelo Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 2 a 0 do Goytacaz, no Estádio Godofredo Cruz, em Campos, com dois gols (e uma expulsão) de César Maluco (foram os únicos gols dele com a camisa tricolor).

1988: em partida válida pelo Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 1 a 0 do Bangu, no Maracanã, gol de Jorginho, de cabeça.

1996: em jogo disputado no Estádio de Laranjeiras, válido pelo Campeonato Carioca, o Fluminense ganhou por 2 a 1 do Barreira (atual Boavista), com dois gols de Renato Gaúcho, um de pênalti e um de cabeça.

2005: em partida da primeira rodada do Campeonato Brasileiro, o Fluminense venceu o São Paulo por 2 a 1, com dois gols do centroavante Tuta. Com 27.217 presentes (13.719 pagantes), este foi o último jogo disputado no Maracanã com a famosa geral, seu setor mais popular, excluído da arquitetura do estádio pelas reformas subsequentes.

2011: na semifinal da Taça Rio (segundo turno do Campeonato Carioca), perante 23.915 presentes (20.466 pagantes) no Engenhão, o Fluminense empatou em 1 a 1 com o Flamengo, e foi eliminado na definição por pênaltis (5 a 4). Rafael Moura marcou o gol tricolor no jogo. O Fluminense terminou o Campeonato Carioca como vice-campeão.

2016: na semifinal do Campeonato Carioca, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, o Fluminense perdeu por 1 a 0 para o Botafogo, terminando assim em terceiro lugar na competição.

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Aniversariantes do dia:

Aymoré Moreira (1912), goleiro que atuou somente duas vezes com a camisa do Fluminense, em dezembro de 1941, emprestado pelo Botafogo para uma viagem a São Paulo. Aymoré foi o treinador da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1962, e era irmão mais novo de Zezé Moreira, o homem que mais vezes comandou o time principal do Fluminense na história.
Aymoré Moreira.

Alexandre Magno Barreto Berwanger (1963), torcedor apaixonado do Fluminense, respeitado pesquisador da história do Fluminense e do futebol carioca, e importante colaborador deste blog (em especial desta seção das efemérides).
Alexandre Magno, o goleiro Adalberto e eu, em Laranjeiras
(foto de julho de 2017).

Neuri Carlos Testa, o Chiquinho (1966), volante e lateral-direito gaúcho, natural de Aratiba, com 3 gols em 47 jogos pelo Fluminense, na temporada de 1993.


Ian Carlos Gonçalves de Matos (1989), atleta de saltos ornamentais paraense, natural de Muaná, um dos representantes do Fluminense nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Ian Matos, atleta de saltos ornamentais.

Peterson Silvino da Cruz, o Peu (1993), atacante catarinense, natural de Itajaí, que atuou no Fluminense na temporada de 2017, tendo participado de 12 partidas com a camisa tricolor.
Peu, no Maracanã.

Lucas Fernandes (1994), meia-atacante alagoano, natural de União dos Palmares, que disputou 16 jogos pelo Fluminense, entre os anos de 2017 e 2018.
Lucas Fernandes.

PCFilho

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Efemérides tricolores - 3 de janeiro


1917: em jogo amistoso, no campo da rua General Severiano, o Fluminense venceu o Botafogo por 4 a 1, graças aos gols de Celso (de falta) e Ernâni (três). Pela vitória, o Fluminense recebeu a Taça Botafogo. O triunfo tricolor no Clássico Vovô era um prenúncio das três temporadas épicas que estavam por vir...

1948: em amistoso festivo no Estádio do Fluminense, em Laranjeiras, a Seleção Carioca derrotou o Vasco, campeão de 1947, por 4 a 1. A escalação da Seleção Carioca foi: Luís [Flamengo]; Domício [America] (Leleco [Olaria]) e Marinho [Botafogo]; Índio [São Cristóvão] (Walter [Olaria]), Ávila [Botafogo] (Cláudio [Olaria]) e Bigode [Fluminense]; Teixeirinha [Botafogo], Maneco [America] (Esquerdinha [Madureira]), Durval [Madureira], Geninho [Botafogo] (Lima [America]) e Esquerdinha [America] (Moacir Bueno [Bangu]). Os gols foram de Lima, Rômulo (contra) e Esquerdinha (do Madureira, dois) para a Seleção Carioca, e de Friaça para o Vasco. O médio-direito Índio, do São Cristóvão, se transferiria para o Fluminense nas semanas seguintes, e se tornaria um dos heróis da conquista do Torneio Municipal daquele ano, sobre o próprio Vasco (vide 30 de junho).

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Aniversariantes do dia:

Carlos de Oliveira Nascimento, o Nascimento (1904), médio-direito que atuou no Fluminense entre 1921 e 1929. Marcou 4 gols em 119 jogos com a camisa tricolor, e participou das conquistas do Campeonato Carioca de 1924 e do Torneio Início de 1925. Era frequentemente convocado para a Seleção Carioca, com a qual conquistou os Campeonatos Brasileiros de 1925 e 1928. Com a Seleção Brasileira, foi titular no Sul-Americano de 1925, na Argentina. Após pendurar as chuteiras, Nascimento foi diretor de futebol do Fluminense em algumas ocasiões, como entre junho de 1938 e dezembro de 1939, quando colaborou para a conquista do Campeonato Carioca de 1938; foi também supervisor da Seleção Brasileira, nas campanhas vitoriosas das Copas do Mundo de 1958 e 1962.
Carlos Nascimento foi jogador e depois diretor do Fluminense.

Mário Ramos Filho (1917), médio-direito baiano, que integrou o plantel do Fluminense entre 1940 e 1941, tendo participado da conquista do Campeonato Carioca de 1940.

Paulo Emílio Frossard Jorge, o Paulo Emílio (1936), treinador com três passagens no comando técnico do time profissional do Fluminense. Em 1975, dirigiu a Máquina Tricolor em algumas partidas da campanha vitoriosa no Campeonato Carioca. Voltaria a comandar o Fluminense em 1978 e em 1990, totalizando 126 jogos como técnico do clube.
Paulo Emílio.

Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros, o Artur da Távola (1936), senador da República, torcedor fanático do Fluminense e autor de um dos mais belos textos sobre o clube (vídeo abaixo, na voz de Pedro Bial).

Gélson Vieira Gomes, o Gélson (1939), ponta-esquerda que integrou o elenco do Fluminense entre as temporadas de 1956 e 1959. (observação: a Revista do Esporte publicou a data de nascimento de Gélson como 1º de janeiro, divergindo das demais fontes, que apontam 3 de janeiro).
Gélson Vieira Gomes.

Teótimo Olindino Cerqueira Filho, o Caxias (1943), zagueiro que atuou no Fluminense entre as temporadas de 1966 e 1967. Participou do elenco que conquistou a Taça Guanabara de 1966 (na época, uma competição à parte do Campeonato Carioca).
Caxias, zagueiro.

Jorge D'Andrea, o Jorginho (1944), ponta-direita que jogou no time principal do Fluminense entre os anos de 1964 e 1966. Jorginho participou da campanha vitoriosa do Fluminense no Campeonato Carioca de 1964, tendo marcado o gol da virada na partida final contra o Bangu (vide 20 de dezembro).
Jorginho, campeão carioca de 1964.

Washington César Santos, o Washington (1960), centroavante baiano, que jogou no Fluminense entre as temporadas de 1983 e 1989. Participou das conquistas dos Campeonatos Cariocas de 1983, 1984 e 1985, do Campeonato Brasileiro de 1984, do Torneio de Seul de 1984, da Copa Kirin de 1987 e do Torneio de Paris de 1987. Assinalou ao todo 124 gols com a camisa tricolor, marca que o coloca na lista de maiores artilheiros da história do Fluminense. Formou com Assis o inesquecível "Casal 20", dupla dinâmica que fez história no futebol brasileiro. Na Seleção Brasileira, foi campeão do torneio de futebol dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987.
Washington, campeão brasileiro em 1984.

PCFilho

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Recordar é viver - Botafogo 5, Flamengo 3

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1948.

Antepenúltima rodada do segundo turno do Campeonato Carioca. O Botafogo estava em uma temporada avassaladora: de 17 jogos, havia vencido 14, empatado 2, e perdido apenas 1 (na estréia do certame, 4 a 0 para o São Cristóvão). Apenas o Vasco conseguia fazer sombra, mas era pouco provável que conseguisse tirar o caneco do clube da Estrela Solitária.

O estádio de General Severiano recebia um público formidável para o clássico do Botafogo contra o Flamengo. Ah, o campo pequeno - aconchegante e cálido como um galinheiro! Eu queria ter vivenciado os clássicos jogados nessas minúsculas arenas! Confesso que cultivo uma nostalgia desses tempos que eu não vivi.

Desde 1944, após o famoso Jogo do Senta, a rivalidade entre alvinegros e rubro-negros se acentuara bastante. Após o episódio, em cada clássico ocorre uma batalha gigantesca: os jogadores de ambos os times entram em campo dispostos a quebrar lanças, decididos a vencer ou perecer.

O Maracanã ainda não existia, o escrete nem havia chegado a uma final de Copa, mas se engana quem pensa que o futebol brasileiro não era valioso. Sofríamos com o complexo de vira-latas, mas já éramos os melhores do mundo. Basta examinar as escalações de Flamengo e Botafogo, naquela primavera de 48. O rubro-negro: Luiz Borracha; Newton e Norival; Biguá, Bria e Jaime; Luizinho, Zizinho, Gringo, Jair da Rosa Pinto, e Durval. O alvinegro: Osvaldo; Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha. Os cinco atacantes do Botafogo são os personagens da foto que ilustra este texto. O árbitro da peleja era o inglês Mr. Devis. Ninguém melhor que um inglês para apitar um clássico do esporte bretão.

O líder e mandante Botafogo começou apático, sem o élan característico das grandes vitórias. E assim os primeiros quarenta e cinco minutos foram dominados pelo Flamengo. Zizinho e Jair tabelaram, e o tempo parou. Zizinho e Jair são duas lendas do esporte mundial, de modo que até o tempo pára de correr, a fim de reverenciá-los. Quando os segundos voltaram a passar, a bola já estava com Gringo, que a passou para Durval. Com um chute feérico, ele marcou o primeiro gol: Flamengo 1 a 0. Poucos minutos depois, novamente Zizinho e Jair tabelaram, e mais uma vez o tempo parou. Gringo recebeu a pelota e mandou para as redes: Flamengo 2 a 0. Os locutores bradavam, eufóricos: "este é o Flamengo do tricampeonato!". Todos conheciam o poder do Botafogo, mas o placar adverso de 2 a 0, no intervalo, dava poucas esperanças aos alvinegros.

Mas o Botafogo voltou para o segundo tempo disposto a fazer história. A fantástica atuação alvinegra neste segundo tempo foi uma das melhores exibições da história do futebol. Logo no início, Paraguaio penetrou furiosamente, driblou Luiz Borracha e tocou para o gol: 2 a 1. Um gol de pura garra, de puro ímpeto, de puro élan, e a Estrela Solitária voltava a brilhar, sonhando com a virada.

Então, veio a jogada que poderia ter enterrado a reação do Botafogo. O goleiro Osvaldo repôs a bola nos pés de Gringo, que devolveu de primeira, com um petardo do meio-de-campo. O arqueiro ainda voltava para a sua meta, de costas para o campo. Torcedores e jogadores do Botafogo gritaram desesperados, advertindo Osvaldo. No desespero, ele correu, pulou e se abraçou com a bola, mas caiu dentro de sua própria meta. Há coisas que só acontecem com o Botafogo. Flamengo 3 a 1.

Gringo ainda fez 4 a 1 para o Flamengo, mas o bandeirinha anulou o gol, alegando impedimento. E então começou a maior virada da história do Botafogo: Otávio, 3 a 2 Flamengo. Braguinha, 3 a 3. Pirilo, 4 a 3 Botafogo. Paraguaio, 5 a 3 Botafogo. Do caos do 3 a 1 à glória do 5 a 3: eis a trajetória alvinegra neste jogo imortal.

Assim, o que se anunciava como uma grande vitória rubro-negra acabou se transfigurando num dramático triunfo alvinegro. Todo torcedor do Botafogo deveria cultuar esta linha de astros que defendiam tão bravamente a Estrela Solitária. Um dos zagueiros daquele time heróico - o garoto Nilton Santos - acabaria se tornando um dos três maiores ídolos da história do Glorioso.

Nos dias de hoje, Botafogo e Flamengo se enfrentam quase sempre no gigante Estádio Mário Filho. Porém, toda vez que adentram o gramado, é como se o fizessem naquele cálido campo pequeno de General Severiano. E então, durante 90 minutos, Zizinho, Jair, Nilton, Pirilo e os outros revivem seus áureos tempos. Eternamente e para sempre.

PC

(crédito da foto: Globo Sportivo)