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sábado, 6 de janeiro de 2024

Zagallo era o último titular sobrevivente de 1958; do elenco, somente quatro estão vivos

Todos os titulares da decisão da Copa do Mundo de 1958 já faleceram.
Em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando Peçanha e Gilmar.
Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo.

Com as recentes mortes de Pelé e Zagallo, todos os titulares da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1958 já não estão mais entre nós. O Velho Lobo era o último sobrevivente dos onze que entraram em campo na decisão contra a Suécia, no Estádio Rasunda, em 29 de junho de 1958 (foto acima). De Sordi, que foi titular durante toda a campanha mas não atuou na decisão, também já se foi.

Do elenco dos 22 campeões, quatro ainda estão vivos: Dino Sani (titular em dois jogos da campanha), Mazzola (titular em três partidas), Moacir e Pepe.

Os craques desembarcando com a Taça Jules Rimet.

A campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958 foi a seguinte:
Primeira fase:
08/06/1958 - Rimnersvallen (Uddevalla) - Brasil 3 (Mazzola 2 e Nílton Santos), Áustria 0
11/06/1958 - Nya Ullevi (Göteborg) - Brasil 0, Inglaterra 0
15/06/1958 - Nya Ullevi (Göteborg) - Brasil 2 (Vavá 2), União Soviética 0
Quartas-de-final:
19/06/1958 - Nya Ullevi (Göteborg) - Brasil 1 (Pelé), País de Gales 0
Semifinal:
24/06/1958 - Rasunda Solna (Estocolmo) - Brasil 5 (Vavá, Didi e Pelé 3), França 2 (Fontaine e Piantoni)
Final:
29/06/1958 - Rasunda Solna (Estocolmo) - Brasil 5 (Vavá 2, Pelé 2 e Zagallo), Suécia 2 (Liedholm e Simonsson)
CAMPEÃ (6 jogos, 5 vitórias, 1 empate, 16 gols-pró e 4 gols-contra)
(vide post História - Brasil em Copas do Mundo)

Abaixo, o elenco conforme a numeração utilizada, com os links para meus textos sobre eles e as datas de nascimento e morte.

(Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1927 — Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 1987)

(Itapira, 7 de junho de 1930 — São Paulo, 20 de março de 2014)

(Santos, 22 de agosto de 1930 — São Paulo, 25 de agosto de 2013)

(São Paulo, 27 de fevereiro de 1929 — Uberaba, 23 de julho de 2013)

5) Dino Sani
(São Paulo, 23 de maio de 1932)

6) Didi
(Campos dos Goytacazes, 8 de outubro de 1928 — Rio de Janeiro, 12 de maio de 2001)

(Maceió, 9 de agosto de 1931 – Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2024)

8) Oreco
(Santa Maria, 13 de junho de 1932 — Ituverava, 3 de abril de 1985)

9) Zózimo
(Salvador, 19 de junho de 1932 — Rio de Janeiro, 21 de setembro de 1977)

10) Pelé
(Três Corações, 23 de outubro de 1940 – São Paulo, 29 de dezembro de 2022)

(Magé, 28 de outubro de 1933 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983)

(Rio de Janeiro, 16 de maio de 1925 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2013)

13) Moacir
(São Paulo, 18 de maio de 1936)

(Piracicaba, 14 de fevereiro de 1931 — Bandeirantes, 24 de agosto de 2013)

(Niterói, 20 de setembro de 1935 — Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2010)

16) Mauro
(Poços de Caldas, 30 de agosto de 1930 — Poços de Caldas, 18 de setembro de 2002)

17) Joel
(Rio de Janeiro, 23 de novembro de 1931 — Rio de Janeiro, 1º de janeiro de 2003)

18) Mazzola
(Piracicaba, 24 de julho de 1938)

19) Zito
(Roseira, 8 de agosto de 1932 — Santos, 14 de junho de 2015)

20) Vavá
(Recife, 12 de novembro de 1934 — Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2002)

21) Dida
(Maceió, 26 de março de 1934 — Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2002)

22) Pepe
(Santos, 25 de fevereiro de 1935)

Treinador: Vicente Feola
(São Paulo, 1º de novembro de 1909 — São Paulo, 6 de novembro de 1975)

PCFilho

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Faleceu Nilton Santos, aos 88 anos

Nilton Santos, em três momentos de sua vida.

Hoje é um dia triste para o futebol e seus amantes. Faleceu uma das lendas do esporte: Nilton Santos, o eterno lateral-esquerdo do Botafogo e da Seleção Brasileira. Apelidado de "Enciclopédia do Futebol", Nilton Santos disputou quatro Copas do Mundo, tendo sido vice-campeão em 1950 (como reserva) e bicampeão em 1958 e 1962 (como titular). Ganhou também, pela Seleção, a Copa América de 1949 e o Campeonato Pan-Americano de 1952.

Sua malandragem foi decisiva na partida contra a Espanha, no Mundial de 1962. Quando Enrique Collar o driblou, Nilton Santos o derrubou, dentro da área. Mas o árbitro chileno Sergio Bustamante foi enganado pela malandragem do botafoguense, que deu um passo à frente, induzindo o juiz a marcar falta e não pênalti. O Brasil, que perdia por 1 a 0, acabou virando o jogo, e terminou campeão. "Foi pura malandragem, daquelas que a gente aprende nas peladas", disse ele, sobre seu famoso passinho para a frente.

Nilton Santos na Seleção Brasileira.

Na minha visão, Nilton Santos foi o maior jogador da história do Botafogo, com 729 atuações pelo Alvinegro (recorde nunca igualado), e jamais tendo vestido a camisa de outro clube. Conquistou pelo Botafogo quatro Campeonatos Cariocas (1948, 1957, 1961 e 1962) e um Torneio de Paris (1963).

O elegante Nilton Santos com a camisa do Botafogo.

Nilton Santos é presença constante em "Seleções da História do Futebol": foi escolhido para os times históricos da Revista Placar (1981), da Federação Italiana de Futebol (1988) e do jornal A Tarde (2004), entre outros.

Este escriba dedicou um post em homenagem a Nilton Santos em seu mais recente aniversário, no último dia 16 de maio. Vale conferir, principalmente pelas diversas fotos históricas que o ilustram.

Vá em paz, Enciclopédia.

PCFilho

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Feliz aniversário, Nilton Santos!

Nilton Santos, um dos grandes ídolos do Botafogo...

... e também da Seleção Brasileira!

Hoje completa 88 anos de vida Nilton Santos, um dos melhores jogadores de futebol da história. É conhecido como "A Enciclopédia", pela inteligência e pela ampla visão de jogo que demonstrava em campo.

Um exemplo raro de fidelidade absoluta, Nilton Santos vestiu apenas duas camisas durante toda a sua carreira: a do Botafogo e a da Seleção Brasileira.

No Botafogo, jogou mais de 700 partidas - é o recordista do clube. Conquistou quatro Campeonatos Cariocas (1948, 1957, 1961 e 1962) e um Torneio de Paris (1963). É até hoje reverenciado como o maior lateral-esquerdo da história do futebol do Rio de Janeiro.

Na Seleção Brasileira, realizou 75 jogos (55 vitórias, 10 empates e 10 derrotas), tendo participado de 4 Copas do Mundo (1950, 1954, 1958 e 1962). Foi campeão mundial em 1958 e 1962, e conquistou também a Copa América de 1949 e o Campeonato Pan-Americano de 1952, entre outras taças.

Nilton Santos é presença constante em "Seleções da História do Futebol": foi escolhido para os times históricos da Revista Placar (1981), da Federação Italiana de Futebol (1988) e do jornal A Tarde (2004), entre outros.

Nilton Santos, Castilho e Pinheiro, companheiros na Seleção Brasileira.

Nilton Santos e Zagallo no vestiário, festejando a vitória contra a URSS (1958).

Nilton Santos e Pelé abraçados na Suécia.
Brasil, campeão mundial de 1958.

Nilton Santos e Garrincha, companheiros no Botafogo e na Seleção.

Nilton Santos e uma das taças que conquistou, no Maracanã.

A seguir, algumas frases históricas atribuídas a Nilton Santos:

"Contratem esse moleque. Não quero ter que marcá-lo nunca mais!"
(logo após o primeiro treino de Garrincha no Botafogo)

"Quando recebi a bola no campo de defesa, ouvi a instrução do banco para tocá-la e recuar. Mas avancei, sob o olhar desesperado do Feola. Quando marquei o gol, o treinador me elogiou."
(sobre as reações de Vicente Feola, treinador da Seleção em 1958, ao vê-lo partir para o ataque e marcar um gol contra a Áustria)

"Foi pura malandragem, daquelas que a gente aprende nas peladas."
(sobre o famoso passinho para a frente no jogo contra a Espanha, na Copa do Mundo de 1962. Nilton  Santos havia cometido um pênalti claro, mas deu um passo para fora da área, e o árbitro marcou apenas a falta. A Espanha, que vencia por 1 a 0, acabou sofrendo a virada para 2 a 1.)

"Não invejo os laterais de hoje pelo dinheiro que ganham, mas sim pela liberdade que têm para atacar."
(sobre os companheiros de posição modernos, que têm menos obrigações defensivas)

Camisa recente do Botafogo em homenagem a Nilton Santos.

Hoje, Nilton Santos enfrenta alguns problemas de saúde, entre eles o Mal de Alzheimer. Em 2010, o Botafogo lançou uma camisa (foto acima) com toda a renda revertida para o tratamento de saúde de Nilton Santos. O clube paga até hoje todas as despesas médicas do ídolo.

Nilton Santos, recordista de atuações pelo Botafogo.

Nilton Santos - elegância no domínio da bola.

Nilton Santos na Seleção Brasileira: a Enciclopédia do Futebol.

PCFilho

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ajudando Nilton Santos

Amigos, o Botafogo lançará nesta quinta-feira mais uma camisa em homenagem ao lendário lateral-esquerdo Nilton Santos. A camisa branca, número 6, conta com um autógrafo da Enciclopédia estampado em seu lado direito. O evento será às 10 da manhã, na sede de General Severiano, e contará com a presença do ídolo.

O novo produto custa R$ 99,90, e todos os lucros oriundos dele serão revertidos para o tratamento de Nilton Santos, que sofre do Mal de Alzheimer.

PC

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Recordar é viver - Botafogo 5, Flamengo 3

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1948.

Antepenúltima rodada do segundo turno do Campeonato Carioca. O Botafogo estava em uma temporada avassaladora: de 17 jogos, havia vencido 14, empatado 2, e perdido apenas 1 (na estréia do certame, 4 a 0 para o São Cristóvão). Apenas o Vasco conseguia fazer sombra, mas era pouco provável que conseguisse tirar o caneco do clube da Estrela Solitária.

O estádio de General Severiano recebia um público formidável para o clássico do Botafogo contra o Flamengo. Ah, o campo pequeno - aconchegante e cálido como um galinheiro! Eu queria ter vivenciado os clássicos jogados nessas minúsculas arenas! Confesso que cultivo uma nostalgia desses tempos que eu não vivi.

Desde 1944, após o famoso Jogo do Senta, a rivalidade entre alvinegros e rubro-negros se acentuara bastante. Após o episódio, em cada clássico ocorre uma batalha gigantesca: os jogadores de ambos os times entram em campo dispostos a quebrar lanças, decididos a vencer ou perecer.

O Maracanã ainda não existia, o escrete nem havia chegado a uma final de Copa, mas se engana quem pensa que o futebol brasileiro não era valioso. Sofríamos com o complexo de vira-latas, mas já éramos os melhores do mundo. Basta examinar as escalações de Flamengo e Botafogo, naquela primavera de 48. O rubro-negro: Luiz Borracha; Newton e Norival; Biguá, Bria e Jaime; Luizinho, Zizinho, Gringo, Jair da Rosa Pinto, e Durval. O alvinegro: Osvaldo; Gerson e Nilton Santos; Rubinho, Avila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha. Os cinco atacantes do Botafogo são os personagens da foto que ilustra este texto. O árbitro da peleja era o inglês Mr. Devis. Ninguém melhor que um inglês para apitar um clássico do esporte bretão.

O líder e mandante Botafogo começou apático, sem o élan característico das grandes vitórias. E assim os primeiros quarenta e cinco minutos foram dominados pelo Flamengo. Zizinho e Jair tabelaram, e o tempo parou. Zizinho e Jair são duas lendas do esporte mundial, de modo que até o tempo pára de correr, a fim de reverenciá-los. Quando os segundos voltaram a passar, a bola já estava com Gringo, que a passou para Durval. Com um chute feérico, ele marcou o primeiro gol: Flamengo 1 a 0. Poucos minutos depois, novamente Zizinho e Jair tabelaram, e mais uma vez o tempo parou. Gringo recebeu a pelota e mandou para as redes: Flamengo 2 a 0. Os locutores bradavam, eufóricos: "este é o Flamengo do tricampeonato!". Todos conheciam o poder do Botafogo, mas o placar adverso de 2 a 0, no intervalo, dava poucas esperanças aos alvinegros.

Mas o Botafogo voltou para o segundo tempo disposto a fazer história. A fantástica atuação alvinegra neste segundo tempo foi uma das melhores exibições da história do futebol. Logo no início, Paraguaio penetrou furiosamente, driblou Luiz Borracha e tocou para o gol: 2 a 1. Um gol de pura garra, de puro ímpeto, de puro élan, e a Estrela Solitária voltava a brilhar, sonhando com a virada.

Então, veio a jogada que poderia ter enterrado a reação do Botafogo. O goleiro Osvaldo repôs a bola nos pés de Gringo, que devolveu de primeira, com um petardo do meio-de-campo. O arqueiro ainda voltava para a sua meta, de costas para o campo. Torcedores e jogadores do Botafogo gritaram desesperados, advertindo Osvaldo. No desespero, ele correu, pulou e se abraçou com a bola, mas caiu dentro de sua própria meta. Há coisas que só acontecem com o Botafogo. Flamengo 3 a 1.

Gringo ainda fez 4 a 1 para o Flamengo, mas o bandeirinha anulou o gol, alegando impedimento. E então começou a maior virada da história do Botafogo: Otávio, 3 a 2 Flamengo. Braguinha, 3 a 3. Pirilo, 4 a 3 Botafogo. Paraguaio, 5 a 3 Botafogo. Do caos do 3 a 1 à glória do 5 a 3: eis a trajetória alvinegra neste jogo imortal.

Assim, o que se anunciava como uma grande vitória rubro-negra acabou se transfigurando num dramático triunfo alvinegro. Todo torcedor do Botafogo deveria cultuar esta linha de astros que defendiam tão bravamente a Estrela Solitária. Um dos zagueiros daquele time heróico - o garoto Nilton Santos - acabaria se tornando um dos três maiores ídolos da história do Glorioso.

Nos dias de hoje, Botafogo e Flamengo se enfrentam quase sempre no gigante Estádio Mário Filho. Porém, toda vez que adentram o gramado, é como se o fizessem naquele cálido campo pequeno de General Severiano. E então, durante 90 minutos, Zizinho, Jair, Nilton, Pirilo e os outros revivem seus áureos tempos. Eternamente e para sempre.

PC

(crédito da foto: Globo Sportivo)