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sábado, 6 de janeiro de 2024

Zagallo era o último titular sobrevivente de 1958; do elenco, somente quatro estão vivos

Todos os titulares da decisão da Copa do Mundo de 1958 já faleceram.
Em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando Peçanha e Gilmar.
Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo.

Com as recentes mortes de Pelé e Zagallo, todos os titulares da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1958 já não estão mais entre nós. O Velho Lobo era o último sobrevivente dos onze que entraram em campo na decisão contra a Suécia, no Estádio Rasunda, em 29 de junho de 1958 (foto acima). De Sordi, que foi titular durante toda a campanha mas não atuou na decisão, também já se foi.

Do elenco dos 22 campeões, quatro ainda estão vivos: Dino Sani (titular em dois jogos da campanha), Mazzola (titular em três partidas), Moacir e Pepe.

Os craques desembarcando com a Taça Jules Rimet.

A campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958 foi a seguinte:
Primeira fase:
08/06/1958 - Rimnersvallen (Uddevalla) - Brasil 3 (Mazzola 2 e Nílton Santos), Áustria 0
11/06/1958 - Nya Ullevi (Göteborg) - Brasil 0, Inglaterra 0
15/06/1958 - Nya Ullevi (Göteborg) - Brasil 2 (Vavá 2), União Soviética 0
Quartas-de-final:
19/06/1958 - Nya Ullevi (Göteborg) - Brasil 1 (Pelé), País de Gales 0
Semifinal:
24/06/1958 - Rasunda Solna (Estocolmo) - Brasil 5 (Vavá, Didi e Pelé 3), França 2 (Fontaine e Piantoni)
Final:
29/06/1958 - Rasunda Solna (Estocolmo) - Brasil 5 (Vavá 2, Pelé 2 e Zagallo), Suécia 2 (Liedholm e Simonsson)
CAMPEÃ (6 jogos, 5 vitórias, 1 empate, 16 gols-pró e 4 gols-contra)
(vide post História - Brasil em Copas do Mundo)

Abaixo, o elenco conforme a numeração utilizada, com os links para meus textos sobre eles e as datas de nascimento e morte.

(Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1927 — Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 1987)

(Itapira, 7 de junho de 1930 — São Paulo, 20 de março de 2014)

(Santos, 22 de agosto de 1930 — São Paulo, 25 de agosto de 2013)

(São Paulo, 27 de fevereiro de 1929 — Uberaba, 23 de julho de 2013)

5) Dino Sani
(São Paulo, 23 de maio de 1932)

6) Didi
(Campos dos Goytacazes, 8 de outubro de 1928 — Rio de Janeiro, 12 de maio de 2001)

(Maceió, 9 de agosto de 1931 – Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2024)

8) Oreco
(Santa Maria, 13 de junho de 1932 — Ituverava, 3 de abril de 1985)

9) Zózimo
(Salvador, 19 de junho de 1932 — Rio de Janeiro, 21 de setembro de 1977)

10) Pelé
(Três Corações, 23 de outubro de 1940 – São Paulo, 29 de dezembro de 2022)

(Magé, 28 de outubro de 1933 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983)

(Rio de Janeiro, 16 de maio de 1925 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2013)

13) Moacir
(São Paulo, 18 de maio de 1936)

(Piracicaba, 14 de fevereiro de 1931 — Bandeirantes, 24 de agosto de 2013)

(Niterói, 20 de setembro de 1935 — Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2010)

16) Mauro
(Poços de Caldas, 30 de agosto de 1930 — Poços de Caldas, 18 de setembro de 2002)

17) Joel
(Rio de Janeiro, 23 de novembro de 1931 — Rio de Janeiro, 1º de janeiro de 2003)

18) Mazzola
(Piracicaba, 24 de julho de 1938)

19) Zito
(Roseira, 8 de agosto de 1932 — Santos, 14 de junho de 2015)

20) Vavá
(Recife, 12 de novembro de 1934 — Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2002)

21) Dida
(Maceió, 26 de março de 1934 — Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2002)

22) Pepe
(Santos, 25 de fevereiro de 1935)

Treinador: Vicente Feola
(São Paulo, 1º de novembro de 1909 — São Paulo, 6 de novembro de 1975)

PCFilho

sábado, 21 de janeiro de 2023

Mané e o sonho


Jornal do Brasil, 22 de janeiro de 1983.


A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.


Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.


Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconsequente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia.


A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.


Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.


A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.


Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Afinal, qual era o time do coração de Garrincha?


A identificação de Mané Garrincha com o Botafogo é inquestionável. O genial ponteiro da Seleção Brasileira bicampeã mundial em 1958 e 1962 transformou-se num ícone alvinegro, num segundo escudo do clube de General Severiano. O Botafogo não seria o Botafogo que conhecemos e admiramos, se Garrincha não tivesse desfilado seu estrondoso talento com o glorioso manto do clube.

A simbiose entre Garrincha e Botafogo não nos impede perguntar, no entanto: ele sempre foi botafoguense? A cantora Elza Soares, com quem Garrincha foi casado por dezesseis anos, afirmava que ele torcia na verdade para o Flamengo. Será mesmo, ou Elza estaria puxando a sardinha para o seu próprio clube do coração? Garrincha chegou a atuar pelo Flamengo, entre 1968 e 1969, já em fim de carreira, sem o mesmo brilho.

Por outro lado, há quem afirme que Garrincha era mesmo torcedor do Vasco - paixão que teria sido o motivo para ele ter atuado pelo clube no famoso amistoso contra a Seleção de Cordeiro, em 1967. A relação, no entanto, foi mesmo efêmera, tendo durado somente aqueles noventa minutos.
Garrincha no dia em que foi vascaíno.

Afinal, qual era o time do coração de Garrincha? A resposta definitiva eu encontrei em um texto do jornalista Sandro Moreyra, publicado em sua coluna "Diga-me qual é o seu segundo club", no Diário da Noite, em 3 de dezembro de 1954 - quando Garrincha ainda tinha 21 anos de idade.

Diário da Noite, 03/12/1954, coluna de Sandro Moreyra.

Segue a transcrição do texto: "Diz o menino Garrincha que, antes de treinar em General Severiano, nunca se preocupara com o Botafogo. Seu club favorito era o Fluminense. Pelo tricolor discutia e brigava lá em Pau Grande. Tanto que, quando achou que dava para crack da capital, o primeiro club que procurou foi o de Zezé Moreira. Lá deu as caras, com sua chuteira embrulhada em jornal, muito mais confiante que nervoso. Mas ninguém fez fé nas suas pernas tortas e Garrincha nem chegou a treinar. Drama igual ele viveu no Vasco e no America. Não tinha pinta e não queriam perder tempo com um garoto, ainda mais todo empenado. A esperada chance ele foi ter no Botafogo, levado por Araty, amparado no pistolão de Julinho Azevedo. Dois treinos e estava no team de cima. Dois jogos e era cobra, ídolo, cartaz, tudo que um crack deseja ser. Daí ter esquecido o Fluminense, ou melhor, trocado o Fluminense pelo Botafogo. Este, que não era nada, virou o preferido. O outro caiu para segundo. É o seu segundo club, mas sem merecer mais uma defesa nos seus papos com a velha turma da Raiz da Serra".

Garrincha era, portanto, torcedor do Fluminense - tal como a imensa maioria dos cariocas e fluminenses de bom gosto, devo dizer. Justo o Fluminense, o único dos quatro grandes do Rio em que Garrincha nunca atuou!

Porém, vale recordar que o Fluminense proporcionou um momento para lá de especial a Garrincha. Foi o Tricolor que abriu as portas para seu filho Manoel Castilho tentar a sorte no futebol, e acabou possibilitando o encontro do menino com o pai, como contou a Manchete Esportiva em setembro de 1978. Numa dessas voltas da vida, acabou cabendo ao filho vestir a camisa do time do coração do pai.

Manchete Esportiva, 05/09/1978.

Eu nasci muito depois de Garrincha se aposentar, mas sinto uma saudade imensa de seus dribles que eu não vi. Assim, encerro meu texto citando Carlos Drummond de Andrade, que teve o privilégio de ver o craque e soube resumir bem: "Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho".

PCFilho

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

sábado, 21 de agosto de 2021

Foto: Garrincha e Vicente Feola, 1958


Nesta foto de 1958, colorizada recentemente pelo Nostalgia Futbolera, vemos o ponta-direita Garrincha (fumando!!) e o treinador Vicente Feola. A Seleção Brasileira conquistaria, na Suécia, a sua primeira Copa do Mundo.

PCFilho

sábado, 24 de abril de 2021

Foto: Garrincha ajuda Pelé em 1958


Em mais uma bela foto colorizada, vemos Garrincha ajudando Pelé a se levantar, logo após este marcar o quinto gol do Brasil na decisão da Copa do Mundo de 1958, de cabeça.

No Estádio Rasunda, em Estocolmo, a Seleção Brasileira se sagrava campeã mundial pela primeira vez. Aos 17 anos, Pelé marcou seis gols durante a campanha, sendo três na semifinal contra a França e dois na final contra a Suécia. Ele ainda é o campeão do mundo mais jovem da história.

PCFilho

sábado, 10 de abril de 2021

Foto: Garrincha recebe carinho do pai


Em 1964, no campo da rua General Severiano, no Rio de Janeiro, Amaro Francisco dos Santos acaricia o filho Garrincha, craque do Botafogo e da Seleção Brasileira.

PCFilho

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Mané e o Sonho



A necessidade brasileira de esquecer os problemas agudos do país, difíceis de encarar, ou pelo menos de suavizá-los com uma cota de despreocupação e alegria, fez com que o futebol se tornasse a felicidade do povo. Pobres e ricos param de pensar para se encantar com ele. E os grandes jogadores convertem-se numa espécie de irmãos da gente, que detestamos ou amamos na medida em que nos frustram ou nos proporcionam o prazer de um espetáculo de 90 minutos, prolongado indefinidamente nas conversas e mesmo na solidão da lembrança.

Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entanto alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, despreparado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguiria vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.

Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconsequente, com uma inocência que não excluía espertezas instintivas de Macunaíma — nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir um povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia.

A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida (se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto) consistia no papo de botequim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prazer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.

Não sou dos que acusam dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral, de ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar o fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, de estrela na testa, como Pelé.

A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe de autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir a quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que prevêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória — que não acontece.

Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.

Carlos Drummond de Andrade
Jornal do Brasil, 22/01/1983 (dois dias após a morte de Garrincha, que hoje completa 38 anos)

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Efemérides tricolores - 19 de dezembro


1910: com 39 votos, foi eleito presidente do Fluminense o senhor Antônio Cavalcanti de Albuquerque, para suceder a Antônio Vaz de Carvalho Júnior. Na mesma reunião, os fundadores que permaneciam sócios foram aclamados beneméritos do clube. Também foi eleito para integrar a comissão técnica o adolescente Alberto Borgerth - que, um ano depois, lideraria a cisão que originaria o futebol do Flamengo.

1920: em jogo válido pela penúltima rodada do Campeonato Carioca, perante ótimo público no Estádio de Laranjeiras, o Fluminense empatou em 2 a 2 com o Flamengo, que disputava sua última partida e já havia garantido o título de campeão. Os gols da partida foram de Zezé e Welfare para o Fluminense, e de João de Deus e Valdemar para o Flamengo; o goleiro tricolor Gerdal Gonzaga de Bôscoli defendeu um pênalti. Vale transcrever a mensagem que a diretoria do Fluminense distribuiu aos sócios tricolores, antes da partida: "Caro consócio, façamos esporte por esporte. Não devemos regatear aplausos ao nosso adversário de hoje, ao glorioso Clube de Regatas do Flamengo, que, brilhantemente e com toda a lealdade, acaba de conquistar o título de campeão da cidade do Rio de Janeiro. Aplaudindo o nosso leal companheiro de lutas, não fazemos mais que ser justos e, portanto, honrar esses mesmos aplausos quando tivemos e tivermos a felicidade de conseguir os louros que são distribuídos pela nossa prestimosa Liga Metropolitana de Desportos Terrestres". Após o épico tricampeonato entre 1917 e 1919, o Fluminense encerraria a temporada de 1920 como vice-campeão.

1943: na terceira partida da final do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, a Seleção Carioca ganhou por 3 a 0 da Seleção Paulista, em São Januário, gols de Lelé (dois) e João Pinto. Com cinco jogadores tricolores, o escrete do Distrito Federal atuou com: Batatais [Fluminense]; Domingos da Guia [Flamengo] e Norival [Fluminense]; Biguá [Flamengo], Rui Campos [Fluminense] e Jayme de Almeida [Flamengo]; Pedro Amorim [Fluminense], Lelé [Vasco], João Pinto [São Cristóvão], Tim [Fluminense] e Vevé [Flamengo]. Esta foi a primeira vitória carioca, após três jogos na decisão (os paulistas venceram os dois primeiros). Nas duas partidas finais, a seleção do Distrito Federal obteria mais duas vitórias, para se sagrar campeã brasileira (vide 23 e 30 de dezembro).

1948: no segundo jogo da viagem tricolor ao Nordeste, o Fluminense ganhou por 5 a 0 do Fortaleza, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, graças aos gols de Índio, Orlando Pingo de Ouro (dois), Rodrigues Tatu e Rubinho. Este amistoso foi o primeiro confronto do Fluminense contra o Fortaleza na história.

1954: em partida válida pelo segundo turno do Campeonato Carioca, diante de 76.800 presentes (60.470 pagantes) no Estádio do Maracanã, o Fluminense teve grande exibição e venceu o Flamengo por 3 a 0, gols de Javier Ambrois (dois) e Escurinho. O goleiro Castilho e o zagueiro Pinheiro eram dúvidas para o clássico, pois sentiam lesões, mas jogaram e tiveram atuações espetaculares, mantendo a cidadela tricolor intacta. Esta foi a primeira derrota do Flamengo na competição, após 16 partidas de invencibilidade - a última derrota rubro-negra fora exatamente para o Fluminense, na decisão do Torneio Início (vide 15 de agosto). O Flamengo terminaria campeão Carioca, mas não venceria nenhum dos três Fla-Flus do Campeonato.

1962: em jogo amistoso no "Dia do Atleta", com 20.161 pagantes no Maracanã, a Seleção Carioca ganhou por 6 a 4 da Seleção Paulista. Os gols cariocas foram de Zagallo, Quarentinha, Garrincha, Nilo, João Carlos e Foguete, e os paulistas de Pelé (dois, um de pênalti), Bené e Batista. A escalação carioca foi a seguinte: Castilho [Fluminense]; Jair Marinho [Fluminense] (Murilo [Olaria]), Brito [Vasco] (Jadir [Canto do Rio]), Nilton Santos [Botafogo] (Haroldo [Olaria]) e Rildo [Botafogo]; Nélson [Olaria] e Gérson [Flamengo]; Garrincha [Botafogo] (Joel [Flamengo]), Quarentinha [Fluminense] (Foguete [Portuguesa da Ilha]), Amarildo [Botafogo] (João Carlos [America]) e Zagallo [Botafogo] (Nilo [America]). O comando técnico dos cariocas foi de Marinho.

1973: em um dia de festa no Maracanã, com um público de 131.555 pagantes, o futebol brasileiro se despediu do craque Garrincha, com o Jogo da Gratidão, entre Brasileiros e Estrangeiros. Três jogadores do Fluminense participaram da partida: o goleiro Félix e o atacante Manfrini, no time dos Brasileiros; e o zagueiro uruguaio Ángel Bruñel, no time dos Estrangeiros. Os Estrangeiros abriram o placar com Brindisi, e os Brasileiros viraram com um golaço de Pelé e um tento de Luís Pereira. A comovente volta olímpica do "Mané" levou milhares às lágrimas nas arquibancadas, em que eram balançadas bandeiras de diversos clubes brasileiros, num tempo em que havia convivência pacífica entre as diferentes torcidas...

1991: no segundo jogo da final do Campeonato Carioca, diante de 49.975 pagantes no Maracanã, o Fluminense perdeu por 4 a 2 para o Flamengo, terminando como vice-campeão. Os gols rubro-negros foram de Uidemar, Gaúcho, Zinho e Júnior, e os gols tricolores foram ambos marcados pelo centroavante Ézio. Esta foi a décima vez que Fluminense e Flamengo decidiram o Campeonato Carioca - o Fluminense venceu sete decisões (1919, 1936, 1941, 1969, 1973, 1983 e 1984), e o Flamengo três (1963, 1972 e 1991).

1998: na rua Bariri, o Fluminense conquistou a Copa Rio de Janeiro, ao vencer a decisão contra o São Cristóvão por 4 a 0, na prorrogação, gols de Castro (dois) e Roger Flores (dois). Após a queda para a Série C do Campeonato Brasileiro, o Tricolor iniciava a reconstrução de seu elenco com um título invicto. Sob o comando técnico de Duílio, o jovem time tricolor jogou a decisão com: Diogo; Flávio, Wagner, Emerson e Ademir; Roberto Brum, Jorge Luís, Bruno Reis (Wellington) e Roger Flores; Gabriel Lima e Flavinho (Castro). "Esse time é uma boa base para se começar", declarou Carlos Alberto Parreira, o treinador já contratado para 1999. Pela conquista, o Fluminense recebeu o Troféu Róbson Pantaleão Resende. Na saída do estádio, a torcida tricolor cantou "Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo", numa espécie de despedida dos três anos mais difíceis da história do clube.

2004: em jogo válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro, no Estádio do Maracanã, o Fluminense empatou em 1 a 1 com o Palmeiras. Ramon Menezes abriu o placar para os tricolores, e Ricardinho empatou para os palmeirenses. Com a campanha de 18 vitórias, 13 empates e 15 derrotas, 65 gols-pró e 68 gols-contra, o Fluminense terminou em 9º lugar, classificado para a Copa Sul-Americana de 2005.

****

Aniversariante do dia:

Tiago Luis Volpi (1990), goleiro catarinense, que jogou nas divisões de base do Fluminense entre 2008 e 2009. Atuou como profissional no São José, no Luverdense e no Figueirense, e atualmente defende a meta do Querétaro, do México.

PCFilho

sexta-feira, 27 de junho de 2014

13/06/1962 - Brasil 4 x 2 Chile



Ficha Técnica
13/06/1962 - Brasil 4 x 2 Chile - Estádio Nacional (Santiago, Chile)
Motivo: Copa do Mundo de 1962 - Semifinal.
Árbitro: Arturo Yamasaki (Peru).
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Técnico: Aymoré Moreira.
Chile: Escuti; Eyzaguirre, Contreras, Raúl Sánchez e Rodríguez; Rojas e Ramírez; Toro, Landa, Tobar e Leonel Sánchez.
Gols: Garrincha 2 e Toro no 1º tempo; Vavá 2 e Leonel Sánchez (p) no 2º tempo.
Expulsões: Landa e Garrincha.

PCFilho

sábado, 19 de outubro de 2013

Feliz aniversário, Vinicius e Garrincha!

Vinicius de Moraes, 19/10/1913.

Mané Garrincha, 18/10/1933.

Esta semana de outubro marca o nascimento de dois grandes gênios brasileiros. O músico Vinicius de Moraes completaria hoje 100 anos, e o futebolista Garrincha teria completado ontem 80 anos.

A melhor homenagem que podemos prestar ao Poetinha é ouvir seus versos, suas músicas. Minha favorita sempre será a imortal "Chega de Saudade" (letra de Vinicius de Moraes, melodia de Tom Jobim):


"Vai minha tristeza...
E diz a ela que sem ela não pode ser...
Diz-lhe numa prece...
Que ela regresse...
Porque eu não posso mais sofrer..."

Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas, já foi tema de algumas homenagens aqui neste futebolístico blog, naturalmente (ver posts de 2009 e 2010). A data de aniversário de Garrincha gera grande controvérsia, é bom que se diga. Aqui no Jornalheiros, sempre publiquei minhas homenagens no dia 28 de outubro, data que Ruy Castro, o biógrafo do craque, considera como correta. Mas Roberto Assaf crava que Garrincha é de 18 de outubro, apoiado nos testemunhos de amigos e conterrâneos do gênio. E como considero Assaf um historiador mais "cuidadoso" que Castro, fico com o dia 18 mesmo.

Garrincha é um caso único na história do esporte. Como pode o sujeito com uma perna seis centímetros menor que a outra ser um futebolista tão absolutamente genial? A melhor descrição que já li de Garrincha é de outro gênio brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, por acaso outro nascido em outubro (no próximo dia 31 ele completaria 111 anos):

"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

É isso. Feliz aniversário, Vinicius e Garrincha!

PCFilho

quinta-feira, 27 de junho de 2013

06/06/1962 - Brasil 2 x 1 Espanha


Vídeo dos melhores momentos, narração em inglês.

A Seleção só precisava empatar, mas tinha um desfalque e tanto: Pelé se machucara no empate com a Tchecoslováquia e não jogaria mais naquela Copa do Mundo. Aos 35 minutos do primeiro tempo, a Espanha abriu o placar com Adelardo, que recebeu na meia-lua e chutou rasteiro, no canto direito de Gilmar. No segundo tempo, os espanhóis quase ampliaram: Enrique Collar driblou Nilton Santos e foi derrubado pelo lateral brasileiro, dentro da área. Mas o árbitro chileno Sergio Bustamante foi enganado pela malandragem do botafoguense, que deu um passo à frente, induzindo o juiz a marcar falta e não pênalti. Entretanto, na cobrança, Ferenc Puskas cruzou e Joaquin Peiró marcou um golaço de bicicleta. Erradamente, o árbitro Bustamante anulou o gol, alegando impedimento ou jogo perigoso, não se sabe bem.

O Brasil então começou a dominar o jogo, e acabou virando com dois gols de Amarildo, o Possesso, substituto de Pelé. O primeiro foi aos 27 do segundo tempo, após cruzamento rasteiro de Zagallo, da esquerda. O segundo foi aos 41 minutos, após grande jogada de Garrincha pela direita.

O treinador da Espanha, o argentino Helenio Herrera, dissera antes da partida: "o Brasil fica muito fraco sem Pelé. Quem é Amarildo?". Ele ficou sabendo quem era Amarildo da pior forma possível...

Classificada, a Seleção Brasileira posteriormente venceu Inglaterra, Chile e Tchecoslováquia, sagrando-se bicampeã mundial de futebol.

Ficha Técnica
06/06/1962 - Brasil 2 x 1 Espanha - Sausalito (Viña del Mar, Chile)
Horário: 15:00.
Motivo: Copa do Mundo de 1962.
Público: 18.715.
Árbitro: Sergio Bustamante (Chile).
Auxiliares: Esteban Marino (Uruguai) e Jose Antonio Sundheim (Colômbia).
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Mauro Ramos, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Técnico: Aymoré Moreira.
Espanha: Jose Araquistain; Rodrí, Echeberría e Gracia; Martín Vergés e Pachín; Enrique Collar, Joaquin Peiró, Ferenc Puskas, Adelardo e Francisco Gento. Técnico: Helenio Herrera.
Gols: Adelardo (35'/1º tempo), Amarildo (27'/2º tempo) e Amarildo (41'/2º tempo).

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sábado, 14 de julho de 2012

22/12/1957 - Botafogo 6 x 2 Fluminense



Na última rodada do returno do Campeonato Carioca de 1957, Fluminense e Botafogo decidiram o título no Maracanã, diante de 100 mil pessoas. O Tricolor possuía a vantagem do empate, mas o Botafogo tinha Garrincha em grande tarde. Com um gol do Mané e cinco de Paulinho Valentim, o Botafogo conseguiu o título com uma goleada por 6 a 2. O vídeo acima é do Canal 100.

Até hoje, esta foi a única vitória do Botafogo contra o Fluminense em uma final de Campeonato Carioca. Nos outros encontros, o Fluminense acabou sempre campeão: 1946, 1971, 1975 e 2012.


Ficha Técnica
22/12/1957 - Botafogo 6 x 2 Fluminense
Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro).
Motivo: Campeonato Carioca de 1957 - Decisão.
Público: 99.465 presentes (89.100 pagantes).
Renda: Cr$ 3.267.639,00.
Árbitro: Alberto da Gama Malcher (RJ).
Botafogo: Adalberto; Beto e Thomé; Servílio, Pampolini e Nílton Santos; Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Édson e Quarentinha. Técnico: João Saldanha.
Fluminense: Castilho; Cacá e Pinheiro; Clóvis, Jair Santana e Altair; Telê, Jair Francisco, Waldo, Róbson e Escurinho. Técnico: Sylvio Pirillo.
Gols: Paulinho Valentim (5) e Garrincha (Botafogo); Escurinho e Waldo (Fluminense).


Disputa acirrada pela bola no Clássico Vovô decisivo.

Castilho defende a bola, observado por Paulinho Valentim.

Paulinho Valentim comemora um de seus cinco gols no jogo.

PC

domingo, 3 de julho de 2011

Brasil 0 x 0 Venezuela - Melhores Momentos


Evidentemente, a jogada me lembrou o clássico lance de Brasil 3 x 1 Inglaterra, na Copa do Mundo de 1962. Concluo que os cachorros de outrora eram mais habilidosos. Este teve a ousadia de driblar Garrincha, e só parou no inglês Jimmy Greaves, que precisou ficar de quatro para capturá-lo:

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Seleção nunca perdeu com Pelé e Garrincha juntos


Atendendo a pedidos do leitor RBN, segue a lista de partidas da Seleção Brasileira com Pelé e Garrincha juntos em campo. Não houve uma derrota sequer: são 40 jogos, com 35 vitórias e 5 empates.

Confiram a lista completa de partidas da Dupla de Ouro pela Seleção Brasileira:
18/05/1958 - Brasil 3 x 1 Bulgária - Pacaembu (São Paulo)
21/05/1958* - Brasil 5 x 0 Corinthians/BRA - Pacaembu (São Paulo)
15/06/1958 - Brasil 2 x 0 União Soviética - Nya Ullevi (Göteborg, Suécia)
19/06/1958 - Brasil 1 x 0 País de Gales - Nya Ullevi (Göteborg, Suécia)
24/06/1958 - Brasil 5 x 2 França - Rasunda Solna (Estocolmo, Suécia)
29/06/1958 - Brasil 5 x 2 Suécia - Rasunda Solna (Estocolmo, Suécia)
21/03/1959 - Brasil 4 x 2 Bolívia - Monumental de Núñez (Buenos Aires, Argentina)
26/03/1959 - Brasil 3 x 1 Uruguai - Monumental de Núñez (Buenos Aires, Argentina)
29/03/1959 - Brasil 4 x 1 Paraguai - Monumental de Núñez (Buenos Aires, Argentina)
04/04/1959 - Argentina 1 x 1 Brasil - Monumental de Núñez (Buenos Aires, Argentina)
29/04/1960 - Rep. Árabe Unida 0 x 5 Brasil - Estádio do National Club (Cairo, RAU)
01/05/1960 - Rep. Árabe Unida 1 x 3 Brasil - Estádio Municipal (Alexandria, RAU)
06/05/1960 - Rep. Árabe Unida 0 x 3 Brasil - Estádio Zamalek (Cairo, RAU)
08/05/1960* - Malmö/SUE 1 x 7 Brasil - Estádio do Malmö (Malmö, Suécia)
10/05/1960 - Dinamarca 3 x 4 Brasil - Idraetsparken (Copenhague, Dinamarca)
12/05/1960* - Internazionale/ITA 2 x 2 Brasil - San Siro (Milano, Itália)
16/05/1960* - Sporting Lisboa/POR 0 x 4 Brasil - Estádio da Luz (Lisboa, Portugal)
21/04/1962 - Brasil 6 x 0 Paraguai - Maracanã (Rio de Janeiro)
24/04/1962 - Brasil 4 x 0 Paraguai - Pacaembu (São Paulo)
06/05/1962 - Brasil 2 x 1 Portugal - Pacaembu (São Paulo)
09/05/1962 - Brasil 1 x 0 Portugal - Maracanã (Rio de Janeiro)
12/05/1962 - Brasil 3 x 1 País de Gales - Maracanã (Rio de Janeiro)
16/05/1962 - Brasil 3 x 1 País de Gales - Morumbi (São Paulo)
30/05/1962 - Brasil 2 x 0 México - Sausalito (Viña del Mar, Chile)
02/06/1962 - Brasil 0 x 0 Tchecoslováquia - Sausalito (Viña del Mar, Chile)
02/06/1965 - Brasil 5 x 0 Bélgica - Maracanã (Rio de Janeiro)
06/06/1965 - Brasil 2 x 0 Alemanha Oc. - Maracanã (Rio de Janeiro)
09/06/1965 - Brasil 0 x 0 Argentina - Maracanã (Rio de Janeiro)
17/06/1965 - Argélia 0 x 3 Brasil - Estádio Nacional Cinco de Julho (Oran, Argélia)
24/06/1965 - Portugal 0 x 0 Brasil - Estádio das Antas (Porto, Portugal)
04/07/1965 - União Soviética 0 x 3 Brasil - Lujinik Lenin (Moscou, URSS)
01/05/1966* - Brasil 2 x 0 Seleção Gaúcha/BRA - Maracanã (Rio de Janeiro)
19/05/1966 - Brasil 1 x 0 Chile - Maracanã (Rio de Janeiro)
04/06/1966 - Brasil 4 x 0 Peru - Morumbi (São Paulo)
08/06/1966 - Brasil 2 x 1 Polônia - Maracanã (Rio de Janeiro)
21/06/1966* - Atlético Madrid/ESP 3 x 5 Brasil - Vicente Calderón (Madrid, Espanha)
30/06/1966 - Suécia 2 x 3 Brasil - Nya Ullevi (Göteborg, Suécia)
04/07/1966* - AIK/SUE 2 x 4 Brasil - Rasunda Solna (Estocolmo, Suécia)
06/07/1966* - Malmö/SUE 1 x 3 Brasil - Estádio do Malmö (Malmö, Suécia)
12/07/1966 - Brasil 2 x 0 Bulgária - Goodison Park (Liverpool, Inglaterra)
* jogos contra clubes e combinados.

PC

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Garrincha 77


Dia 23, lembrou-se muito de Pelé, que comemorou seu 70º aniversário.

Hoje, dia 28, seria dia de celebrar Garrincha, se ele ainda estivesse entre nós. Completaria 77 anos, não tivesse falecido aos 49.

Em memória do gênio dos dribles, recomendo dois artigos que escrevi nos últimos meses:



Vejam também o vídeo abaixo, que mostra como Pelé e Garrincha decidiram a semifinal da Copa do Mundo de 1958 (Brasil 5 x 2 França):

PC

domingo, 17 de janeiro de 2010

Recordar é viver - A alegria do povo


Porto Príncipe, 18 de agosto de 2004.

Amigos, na longínqua década de 60 o Mané Garrincha era a alegria do povo brasileiro. Fazia que ia, não ia, e depois ia, sempre o mesmo drible, e sempre os joões caindo humilhados no gramado. As arquibancadas do Maracanã então ecoavam gargalhadas épicas. Era o povo brasileiro rindo das travessuras do Mané.

Quando Garrincha faleceu, o gênio Drummond escreveu: "O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho". Em síntese, o Mané era isso: a alegria do povo brasileiro, o alimento do sonho brasileiro.

Voltando do túnel do tempo, retornando para nosso agosto de 2004, as imagens que chegaram do Haiti são impressionantes. Aquele povo pobre, paupérrimo, sofrido, vítima de desastres naturais, vítima da ganância perversa dos países ricos, vítima da fome e vítima da miséria. A Seleção Brasileira desce em Porto Príncipe, e vê aquele magnífico corredor humano. Um turista extra-terrestre tiraria uma foto e anotaria em seu caderninho, "o Haiti foi campeão mundial de alguma coisa".

Nem o Haiti, nem a Seleção haviam sido campeões de coisa alguma. Aquele cenário retratava isto e somente isto: um povo, e a sua alegria.

Não era uma alegria boba, simples, dessas que temos todos os dias. Não, era um sentimento imperecível. O povo mais miserável, a alegria mais intensa: um estado de êxtase coletivo.

Parreira, Zagallo e os craques perceberam, ali, a dimensão épica do futebol. Perceberam que um mero amistoso beneficente poderia valer mais que a final da Copa do Mundo. Repito: os sorrisos que acompanhavam aquela caravana valiam mais que a própria Taça do Mundial.

A alegria do povo haitiano nesta tarde foi uma das maiores conquistas da história do futebol brasileiro em todos os tempos, passados, presentes e futuros.

PC

Observação importante: quem quiser fazer sua doação para ajudar as vítimas do terremoto que destruiu a capital Porto Príncipe deve fazer um depósito na seguinte conta bancária:
Embaixada do Haiti no Brasil
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
Conta Corrente: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71
(outras informações sobre como ajudar o povo haitiano você encontra aqui)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Craque - Mané Garrincha



"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."
(Carlos Drummond de Andrade, no Jornal do Brasil de 21/01/1983)

Pau Grande (Magé/RJ), 28 de outubro de 1933.

Nasce, em família pobre, Manuel Francisco dos Santos. Um de seus quinze irmãos apelidou-o de Garrincha, nome de um passarinho comum na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.

Garrincha-da-chuva (Thryothorus Coraya)

Garrincha tinha a perna esquerda seis centímetros mais curta que a direita. A distrofia o fazia curvar as pernas quando ficava de pé, o que lhe renderia mais um apelido: o Anjo das Pernas Tortas.

Aos 14 anos, o menino já demonstrava muito talento para o futebol, nas partidas do Esporte Clube de Pau Grande. Atraiu a atenção de Arati, ex-jogador do Botafogo, que o levou para o Serrano, onde iniciou a carreira profissional. Em 1953, fez o seu primeiro treino no Botafogo, clube em que se consagraria como craque. Reza a lenda que, nos primeiros minutos desse treino, ele teria driblado diversas vezes o então lateral-esquerdo do time titular. O nome desse lateral-esquerdo? Nilton Santos, já na época considerado um dos melhores jogadores brasileiros. "A Enciclopédia" exigiu que a diretoria alvinegra contratasse Garrincha imediatamente.

O drible era a principal característica de seu futebol moleque. O faz-que-vai-mas-não-vai, inventado por Romeu Pelliciari na década de 30, foi absorvido e melhorado por Garrincha. Os "joões" que tentavam marcá-lo iam à loucura com sua ginga impressionante. É até hoje considerado unanimemente como o maior driblador da história do futebol mundial.

Na Seleção Brasileira, estreou em 18/09/1955 (Brasil 1 x 1 Chile, no Maracanã, pela Taça Bernardo O'Higgins). Jogou as três Copas do Mundo seguintes: foi campeão em 1958, foi campeão como protagonista em 1962, e também participou da campanha de 1966, quando se despediu do escrete. Garrincha é dono de uma estatística assustadora: a Seleção Brasileira não perdeu sequer um jogo com ele e Pelé juntos em campo.

Mesmo na Seleção, Garrincha nunca abandonava seu jeito irreverente de jogar. Voltava a driblar o oponente em um mesmo lance, ainda que fosse desnecessário, apenas pela brincadeira de driblar. Essa mania de divertir a si e à população rendeu-lhe mais um apelido: Alegria do Povo.

Garrincha teve passagens curtas por diversos clubes (Serrano, Corinthians, Vasco, Alecrim/RN, Atlético Junior-COL, Flamengo e Olaria), mas sua carreira ficou marcada mesmo pelo Botafogo. Foram 614 partidas pelo clube da Estrela Solitária, nas quais Garrincha assinalou 245 gols, entre 1953 e 1965. Ao lado de Nilton Santos, é considerado o maior ídolo da história alvinegra. Pelo Botafogo, conquistou três Campeonatos Cariocas (1957, 1961 e 1962) e dois Torneios Rio-São Paulo (1962 e 1964).

Infelizmente, Garrincha acabou vencido pelo alcoolismo, vindo a falecer precocemente, em 20 de janeiro de 1983, no Rio de Janeiro. Seu enterro foi acompanhado por milhares de fãs.

Hoje, um estádio recebe seu nome, em Brasília. Há também dois bustos seus, um na sede do Botafogo em General Severiano, e outro na rampa do Bellini, no Estádio do Maracanã. A torcida do Botafogo sempre leva aos estádios um pavilhão alvinegro com o desenho do rosto de Garrincha.

Dois filmes já foram gravados em homenagem ao gênio: "Garrincha, Alegria do Povo" (1962) e "Garrincha - Estrela Solitária" (2003). Ruy Castro escreveu a biografia "Estrela Solitária: um Brasileiro chamado Garrincha", que este escriba recomenda fortemente aos amantes do futebol.

Para encerrar o post com chave de ouro, recomendo o vídeo abaixo, compilação de jogadas maravilhosas do Anjo das Pernas Tortas.

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