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Amigos, o jogo no Chile nem parecia um duelo de Copa Libertadores: um estádio arrumado, com o gramado bem cuidado; o adversário Huachipato demonstrando uma lealdade rara em competições sul-americanas, jogando sem apelar para catimbas e pontapés; o árbitro argentino Saúl Laverni apitando de forma imparcial; a torcida em um impressionante clima familiar. Em suma: um jogo de futebol, disputado na bola, como deveria ser sempre. Sem atmosfera de guerra, sem pedras, sem pancadaria.
Agora vou falar sobre o time do Fluminense. Após o tombo diante do Grêmio, o onze tricolor parece ter aprendido que precisa de vontade, de ímpeto, de gana. Sem garra, não se vence nem uma partida de ping-pong, essa é a verdade. Aquele anti-Fluminense, aquele time que perdeu quase todas as divididas para os gaúchos, morreu ali, quando o apito final ecoou no cimento do Engenhão. No Chile, o Fluminense voltou a ser o Fluminense guerreiro, o Fluminense forjado a sangue, suor e lágrimas na épica arrancada de 2009.
O primeiro tempo poderia ser resumido no famoso ditado "quem não faz, leva". O Fluminense atacou, atacou, atacou, atacou, atacou, perdeu inúmeras chances de gol, algumas claríssimas. Com os arcos escancarados à sua frente, Wellington Nem fez o mais difícil e acertou a trave. O domínio tricolor foi avassalador, até que, no último minuto, a defesa cochilou e Rodríguez abriu o placar: Huachipato 1 a 0. Uma demonstração prática do mais sábio ditado futebolístico.
Na etapa complementar, entretanto, o Fluminense manteve a pressão. O Huachipato, recuado, defendia a vitória com unhas e dentes: afinal, era o grande jogo da história do clube. Nunca antes um campeão brasileiro havia pisado no gramado do Estádio CAP. Mas "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Quando eram decorridos 21 minutos, Carlinhos cruzou da esquerda, Fred deu uma assistência de futevôlei, e Wellington Nem fuzilou para as redes: era o santo gol de empate.
Dez minutos depois, Abel pôs Wagner em campo. No lance seguinte, Wellington Nem foi raçudo, brigou por uma bola que parecia perdida, a ganhou na garra e a entregou numa bandeja para Wagner, que aproveitou a chance e marcou o gol da vitória, da doce e santa vitória. Menos de trinta segundos em campo, e Wagner já cumprira o papel que lhe era reservado pelos deuses do futebol.
Sábado, temos a semifinal da Taça Guanabara contra o Vasco (primeiro jogo realmente válido do Campeonato Carioca). Quarta-feira que vem, novamente o Huachipato, desta vez no Rio de Janeiro. A temporada de 2013 finalmente começou para o Tricolor.
PC


