sábado, 22 de novembro de 2014

Resenha: Tricolor 1 x 4 Chapecoense


Há quem diga que as grandes derrotas são o que existe de melhor para um cronista esportivo, que são as grandes decepções que inspiram os melhores textos, que a raiva é o melhor combustível para a escrita. Comigo, não é assim que a banda toca. Quando o meu Fluminense vence, o texto flui facilmente, ao passo que, quando o Fluminense sofre um revés como o de quinta-feira, não consigo escrever absolutamente nada. O que dizer quando vemos um time como o do Fluminense perder de 4 a 1, dentro do Maracanã, para a modestíssima Chapecoense?

Me lembrei, é claro, da espantosa eliminação da Copa do Brasil pelo América de Natal. Nesta quinta-feira, pela segunda vez no ano, o Fluminense foi goleado em sua própria casa, o Maracanã, por um time cujo orçamento dista da folha salarial tricolor em escala interestelar. Não foram simples derrotas, normais no futebol - foram humilhações colossais. A Chapecoense terminou o jogo de quinta-feira com uma obscena troca de passes, regida pelos irônicos gritos de olé da própria torcida tricolor.

Os trinta mil bravos tricolores que estavam no Maracanã não mereciam presenciar aquele show de horrores. E antes que venham aqui criticar o público relativamente baixo, já saio em defesa da torcida tricolor: o Fluminense maltrata seu torcedor, dentro e fora de campo. Na manhã do dia do jogo, estive na fila para compra antecipada de ingressos em Laranjeiras, e fiquei decepcionadíssimo com o atendimento, que poderia ser batizado de Operação Tartaruga. É simplesmente inadmissível que uma fila que sequer chegou à metade da rua Álvaro Chaves demore duas horas e meia para ser atendida. Me lembrei, claro, da épica fila de 30 de novembro de 2010, por ingressos para o histórico Jogo do Tri, contra o Guarani. Naquela madrugada, Peter Siemsen, então recém-eleito presidente do Fluminense, prometeu em alto e bom som àqueles fiéis torcedores que aquela seria a última fila que encararíamos. Quem dera...

No estádio, nas horas que antecederam o jogo e durante o primeiro tempo, enormes filas também rodeavam as bilheterias, em número claramente insuficiente para atender à demanda. Tratando seus torcedores como gado, o Fluminense não colabora para que o Maracanã receba bons públicos. Vale lembrar sempre que, este ano, a diretoria do clube traiu a torcida, rasgando um compromisso de preços assumido no começo do Campeonato, ao reajustar as entradas em 100%. Num momento em que o Fluminense deveria estar recriando em seu torcedor a cultura de frequentar o estádio, faz justamente o oposto: implora para que fiquemos em casa, assistindo aos jogos pela televisão.

Feliz é o clube que tem uma torcida como a tricolor. Triste é o clube que tanto a maltrata, dentro e fora de campo.

PCFilho

NOTAS DO ONZE:
Diego Cavalieri: Sofreu quatro gols, mas não vi falhas em nenhum. 5,0
Jean: Deixou uma avenida pela direita. 2,0
Guilherme Mattis: Atuação desastrosa no segundo tempo. 1,5
Marlon: Mal colocado em diversas jogadas. 2,0
Chiquinho: Péssima atuação, como todo o sistema defensivo. 1,5
(Carlinhos): Jogou vinte minutos e criou a jogada do gol de honra. 5,0
Valencia: A pior partida do colombiano com a camisa tricolor. 1,5
Edson: Muitos erros. 2,0
Cícero: Apagado, mas enquanto esteve em campo o jogo ficou 0 a 0. 5,0
(Walter): A pior partida do gordinho com a camisa tricolor. 1,5
Darío Conca: Foi anulado pela boa marcação da Chapecoense. 5,0
Rafael Sobis: Sofreu pênalti não-marcado pela arbitragem, e só. 4,0
(Kenedy): Sua entrada deu velocidade ao time. 5,0
Fred: A bola chegou pouco, mas ainda assim levou algum perigo. 4,0
T. Cristóvão Borges: Seu time não consegue furar retrancas. 2,0
Árbitro Elmo Alves Resende Cunha: Deixou de marcar um pênalti para o Fluminense no primeiro tempo. 2,0

8 comentários:

  1. A FIFA acaba de reconhecer oficialmente o título da Copa Rio de 51 obtido pelo Palmeiras como Campeonato Mundial de Clubes, como corolário óbvio, o mesmo deve ser feito em relação ao Flu em 52.

    Abs, Fred.

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  2. Meus caros, acabo de ver que violei uma das regras para comentários, ou seja, não me ative ao assunto da postagem, mas creio que o motivo foi nobre rsrs

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    1. Claro que o motivo foi nobre, Frederico. :-)

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  3. Não vi e não gostei!!!

    Levar 5 gols e perder 6 pontos contra o Chapecoense...nem era preciso gastar tantas palavras no post...

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    1. Não fizemos nem um golzinho neles. Até o da Chapecoense foi contra, RBN!

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  4. PC. o texto ficou ótimo, principalmente depois de tanto sufoco do time e do escriba. Sobre o nosso Flu, decepcionante! Tomar de 5x0 em casa, vergonha histórica! Mais uma!

    ST

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  5. É triste, mas válida a seguinte reflexão:

    Um time que perde de 4 da Chapecoense e 5 do América-RN no Maracanã merece disputar a Libertadores do ano seguinte?

    Eu queria muito, PC, muito mesmo que voltássemos aos campos da América, mas temia que isso pudesse mascarar todos os problemas que vimos nos dois últimos anos. Há males que vêm para bem.

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